AVISO • Queremos pedir para que vocês não repostem moments em outros lugares, tanto em blogs, quanto em páginas no facebook. A fanfic é postada em um lugar acessível à todos que querem ler e ainda é interativa. Espero que entedam e evitem problemas. Obrigada. - Lee & Ammy.
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I - The first moment.


“... E esse foi o último bilhete que escrevi para ele antes de tudo acontecer.“

Não fazia muito tempo que havia me mudado para Londres, sou um pouco antissocial, talvez por ser muito focada no trabalho, ou por falta de opção. Não conhecia muitas pessoas e por esse motivo trocava poucas palavras com os demais moradores. Ouvi alguns barulhos na casa ao lado, como se algumas coisas estivessem caindo ao chão, me dirigi até a janela e descobri que era o meu novo vizinho. Ele estava muito confuso com a mudança, então caminhei até a porta da minha casa e comecei a observar. Havia dois garotos, ambos tendo uma grande luta corporal com as caixas onde estavam seus pertences. Ao me ver ali intacta apenas observando a situação, um dos garotos me pediu ajuda.
“Nossa, como se eu fosse o incrível Hulk” pensei.
- Oi, você podia nos ajudar? Meu nome é e esse é meu amigo que está se mudando para cá. – Disse se aproximando.
- Ah, claro ... E? – Perguntei olhando para o novo morador do condomínio.
- mas pode me chamar de . – Ele parecia um pouco tímido e apenas acenou, sem me encarar.
- Me chamo . Me chamem de . – Eu sorri e me dirigi para mais perto, os ajudando com as grandes caixas, que por sinal, eram mesmo muito pesadas. Em seguida, os auxiliei também a colocar as coisas essenciais, como panelas e talheres, nos seus devidos lugares. Quando terminamos de dar a casa um ar de “lar, doce lar” já era um pouco tarde, quase oito horas da noite. Eles comentaram que estavam com fome e iriam se arriscar na cozinha, pois estavam cansados de tanto fastfood.
- NÃO ! Não quero ter que me mudar novamente, sempre que você entra na minha cozinha, você dá um jeito de incendiar toda a casa. – debochava.
- Ou sou eu cozinhando ou você comendo fastfood! – gargalhava.
- Tudo bem, você venceu. Mas cadê o catálogo da imobiliária? Preciso procurar casas novas. – analisava a lista telefônica e me entregava o celular com um número já digitado.
- Mas esse é o catálogo telefônico! – disse confuso.
- Bombeiro? – Olhei para o celular e gargalhei.
- Estou procurando o número da imobiliária no catálogo telefônico, e o número do bombeiro é para o futuro incêndio! – brincava.
- Tudo bem, de qualquer forma eu vou me arriscar, só não me responsabilizo se o seu fogão tiver vontade própria de explodir, afinal ele mora com você e isso ninguém aguenta. – pulou em cima de que estava no sofá.
E novamente lá estava eu, rindo deles... Na verdade, com eles.
- Você está rindo do quê? – me olhava sorrindo.
- Nada, nada. – Segurei o riso. – Bom, eu acho que está ficando tarde, é hora de eu ir. – Entreguei o celular a .
- Pensando bem, SE eu tivesse uma ajuda, eu não colocaria TANTO fogo na casa. – pediu discretamente, dando ênfase em certas palavras.
- Ah, claro, muito sutil. Não poderia ter sido mais claro. – Debochei. – Mas eu posso ajudar. Percebi que depois de carregar aquela caixa enorme e pesada, eu posso fazer qualquer coisa.
- É. Ser discreto é um dom que herdei da minha família. – ironizou.
-UFFA! Minha casa está a salvo. – disse aliviado enquanto se levantava do sofá, deixando o catálogo telefônico de lado.
- Se eu fosse você, eu não diria isso, coloquei fogo na casa da minha mãe quando eu tinha dez anos, tentando esquentar um pedaço de bolo embrulhado em papel alumínio, dentro do micro-ondas, pensei que esquentaria mais rápido. – Sorri.
Em fração de segundos já estava com o catálogo em suas mãos e com o número dos bombeiros novamente discado em seu celular.
- MUDANÇA DE PLANOS! Todo mundo para o carro. – disse pegando a chave do veículo de .
- , esse é meu carro! Não quero ter que chamar o guincho para tirá-lo de algum buraco pelo caminho. – pegava a chave das mãos de .
- Vamos para a cozinha meninos. – Eu sorri e caminhei em direção ao balcão.
- O que você sabe fazer? – perguntou curioso.
- O que vocês estão a fim de comer? – Eu disse tirando onda.
- Hm, cornish pastie. – disse com água na boca.
- Eu prefiro Fish&Chips. – sorriu.
- Hm, ambas são comidas típicas daqui. Boa escolha! – Disse.
Resolvi ensiná-los a cozinhar algumas coisas para que não precisassem me chamar todas as vezes que estivessem com fome. se mostrou mais interessado, aliás, ainda morava com sua mãe e não tinha tanta necessidade de cozinhar. Eles pediram que eu ficasse para o jantar, assim poderíamos nos conhecer melhor.
- Nós temos uma banda. , e viajamos muito. – disse em meio a garfadas.
- Por enquanto só estamos fazendo shows pela Inglaterra, é como uma mini turnê! – disse orgulhoso.
- Cantem uma música pra mim? – Eu disse rápido. – Para eu ouvir, a voz de vocês! – Concertei a frase para não soar estranho. Eles cantaram um cover de Coldplay “Fix you“. Em seguida pedi para ouvir uma música deles e assim eles fizeram.

II - Nice to meet you.


- Nossa! Vocês são incríveis. E essa música, é muito boa. – Eu disse entusiasmada.
- Obrigado! – Eles disseram um pouco tímidos.
- Mas então, conte um pouco sobre você? – pediu curioso.
- Eu sou Brasileira, moro sozinha há um ano, mas me mudei pra Londres mês passado, para administrar a loja da minha mãe. Ela tem uma filial aqui, então resolvi ajudá-la.
- Loja de? – questionou.
- Roupas. E nas horas vagas eu sou uma aprendiz de estilista. – Sorri e senti minhas bochechas corarem.
- Aprendiz de estilista? – disse rindo.
- Eu confecciono roupas para mim. É um projeto pessoal. – Expliquei.
- Legal. Você podia nos mostrar um dia. – disse entusiasmado.
- Ah... Não! Vocês não iriam gostar. – Disse ainda envergonhada.
- Tenho certeza que vamos gostar muito. – sorriu.
Ficamos conversando por mais algum tempo, mas já estava ficando tarde e apesar de morar na casa ao lado, eu precisava ir. Então, ajudei a lavar os pratos que havíamos sujado, antes de voltar.
- Obrigada pelo jantar, mas agora eu preciso ir, já está tarde e amanhã preciso acordar cedo pra resolver uns problemas na loja. – Eu disse me despedindo.
- Fique para um segundo jantar, iria adorar! – fazia piada.
- HÁ HÁ HÁ, engraçado! – Eu dizia irônica.
- É, tem comida suficiente para dois! – brincou.
- Eu vou dormir aqui, tem que ter comida suficiente para três, ou esse lugar ficaria pequeno demais para nós dois, . – debochou.
- Você é tão engraçado. – Sorri – Tchau meninos, até a próxima. – Disse indo até a porta.
- Que tal você voltar para preparar o café da manhã? A gente não aprendeu a cozinhar ainda! – pediu sorrindo.
- É... Quem sabe eu não sinta pena e venha salvar vocês da monstruosa fome? – Sorri e sai fechando a porta.
- POR FAVOR, TENHA DÓ! – gritou enquanto eu saía.
Parece que eu iria me dar bem com o novo vizinho. Achei os garotos muito divertidos, e isso era magnífico, pois os demais moradores eram extremamente ranzinzas e isso fazia com que eu me sentisse solitária de vez em quando, eu não tinha tantos amigos, mas quando me mudei para cá, meus amigos viraram colegas. Fui para casa, tomei um banho e dormi, porque no dia seguinte começaria a rotina. Toda manhã eu passava na loja, ficava lá por uma ou duas horas e voltava para casa. Eu não tinha muita coisa para fazer, geralmente eu preparava alguns relatórios dos gastos e ganhos e enviava para a minha mãe que estava no Brasil.
No dia seguinte, às seis horas da manhã meu despertador, resolveu tocar e acabar com meu mundo paralelo cheio de rosas, cavalos brancos e príncipes encantados.
Logo me levantei, fiz minha higiene matinal, coloquei uma das roupas que eu havia criado, peguei a chave do meu carro e fui até a loja. Como sempre, fui direto ao escritório, fiz dois relatórios e os enviei para minha mãe por e-mail. Fiz uma pausa, andei pela loja para ver se estava tudo em ordem, olhei se faltavam peças no mostruário e fiz mais relatórios com a relação de roupas que vendiam mais, e outro com a relação de roupas que apresentavam defeitos. Quando terminei, fui até o Starbucks Coffee e comprei minha bebida favorita, voltei para a loja e enviei os últimos dois relatórios e quando me dei conta já era hora de voltar para casa. Eu adorava trabalhar, era quase uma terapia pra mim. Eu estava proibida de ficar mais de duas horas na loja, minha mãe queria que eu ficasse com tempo livre, para que eu pudesse estudar, sair e encontrar um namorado. As duas horas de trabalho eram apenas uma desculpa para ela poder me dar dinheiro, contanto que eu fizesse por merecer. E trabalhar é uma boa forma de merecer um salário.
Peguei minha bolsa, minhas chaves e voltei rumo a minha casa, parei numa padaria tradicional no centro da cidade, comprei alguns pães, frios e doces, passei também em um mercado para comprar alguns ingredientes para preparar panquecas e waffles, paguei também por sucos naturais, entre outras coisas. Voltei para o complexo, deixei meu carro no estacionamento e caminhei até a casa de .
Bati na porta, com um pouco de dificuldade por causa de todas as sacolas que eu carregava.
- Oi, bom dia! – dizia sonolento.
- Desculpe, eu acordei você? Eu sei que é cedo, mas eu senti mesmo pena de vocês e resolvi trazer umas coisas para o café da manhã. – Mostrei a sacola de papel com algumas compras e sorri.
- Café da manhã a domicilio? – sorriu aparecendo na porta. Ele estava com o cabelo bagunçado, calça do pijama e sem camisa.
- AH! Vai dormir , e me deixa dormir também, por favor, passamos a noite toda arrumando a casa! – brincou .
- Tudo bem, eu vou para casa e vocês para a lanchonete! – Sorri me despedindo.
- NÃO! Entra, tenha dó de mim pelo menos. – pegou as sacolas de minhas mãos e me puxou para dentro.
- Olha só, a casa está mesmo toda arrumada. – Eu sorri analisando o local, que se encontrava em perfeito estado, com tudo em seu devido lugar. Direcionei meu olhar à cozinha e percebi que não era a única a visitá-los naquela manhã. Estranhei em vê-los todos me olhando fixamente.
- Olá! – Disse envergonhada.
- Oi! – Disseram em coro.
- Esses são: , e . Eles são da banda. – me explicou.
- BATE AQUI! – se aproximou e fez gesto para que eu batesse em suas mãos. Ele era tão animado.
- Para de assustar a garota, . – disse sorrindo e o empurrando para o lado. – Prazer, sou , seja bem vinda a nossa... – Ele foi interrompido enquanto estendia a mão para me cumprimentar.
- A minha casa! – sorriu e apertou a mão de em meu lugar. Sorri espontaneamente.
- Trouxe comida! Tem alguém com fome? – Perguntei animada.
De repente o único garoto que ainda não tinha se manifestado, se levantou da cadeira e disse:
- Comida? Estou morrendo de fome. Estou aqui há meia hora, não tomei café, não quis comprar comida, ninguém sabe cozinhar e estamos morrendo aos poucos. Isso é quase uma sessão de tortura. – O garoto disse desesperado, aquele era . Comecei a gargalhar.
- Trouxe alguns pães, frios, doces, ingrediente para fazer panquecas e waffles, sucos e chips. – Falei ainda rindo do garoto.
- Chips? Eu ouvi mesmo a palavra chips? – Disse e eu balancei a cabeça afirmando.
- Café da manhã completo! – Disse abrindo a sacola, para conferir o que eu havia comprado.
- Que tal irmos lá pra casa? – Sugeri.
- Que tal aproveitarmos que você está aqui, e ficarmos na minha casa. – sentou-se no sofá, parecendo estar com preguiça.
- Ok! Contanto que você tenha uma máquina de waffles. – Eu sorri.
- Tudo bem. Vamos para a sua casa. – se levantou.

III - Welcome to my world.


vestiu sua camisa, pegamos as compras e fomos em direção à minha casa.
- Bem vindos á minha residência. – Eu disse abrindo a porta.
- Ual! – Disse entrando.
- Essas são as roupas que você desenha? – perguntou olhando para um dos meus vários manequins espalhados pela casa.
- Ah, não. Não são minhas! – Eu disse corando.
- E porque você está ficando com as bochechas vermelhas? – me olhou.
- OK! São minhas. – Disse cobrindo meu rosto com as mãos.
- São bem bonitas. – mexia nas peças e concordou.
- Você tem uma criatividade incrível. – parecia admirado com as roupas.
- Fome, galera, fome! – Eu sorri, mudando de assunto.
- Suas criações ficariam mais bonitas se fossem feitas de comida, já pensou um drapeado de panquecas aqui nessa borda da barra? – brincou. Eu gargalhei. Enquanto ia até a cozinha, percebi que todos eles se sentaram no sofá.
- Vocês não acham que vou preparar o café da manhã sozinha não é mesmo? – Gritei.
- Somos visita! – retrucou.
- A visita também está com fome, então a visita vai me ajudar. – Disse enquanto puxava todos eles para a cozinha, fazendo com que ficassem me olhando. Tive que dar uma tarefa para cada um.
- e ponham a mesa! e sigam a receita dos Waffles e me ajuda com as panquecas! – Sorri.
- Tudo bem, senhora mandona. – puxou uma mecha do meu cabelo e pegou a receita.
- , é pra por a mesa e não para comer as batatas. – Eu disse rindo.
- Estou com fome. – Ele disse em meio a mastigadas.
Estávamos fazendo o café da manhã e conversando, conheci melhor , e . Divertimos-nos tanto preparando o café da manhã que fizemos um pouco de bagunça na cozinha.
- , você derrubou farinha no meu cabelo. – dizia em gritos histéricos e passando a mão nos cabelos para limpar.
- Me desculpe, foi sem querer, deixe-me limpar pra você! – brincou e caminho até com as mãos cheias de farinha.
- Não faça isso , se me sujar você vai se arrepender. – corria em volta da mesa.
- Para de correr, ele não vai fazer isso. – disse rindo da situação.
- Você duvida do ? – gritou da mesa.
- DUVIDA ? – disse num tom brincalhão, mas desafiador.
- Não diga o que estou pensando, por favor, . – levou as mãos à cabeça.
- Eu D U V I D... – dizia claramente e bem devagar.
- Não diga, , não diga. – Coloquei as mãos para tapar a boca dele.
- Agora já falou! – jogou a farinha de um lado da mesa para o outro, acertando a mim e .
- , ele não falou. – Eu disse rindo.
- Ele me desafiou, você viu isso! – Ele se explicou em meio a risos.
- Ok, foi você quem pediu por isso. – correu atrás de e o segurou.
- Agora você não pode fugir. – pegava a farinha e lentamente despejava nos cabelos de . – Isso é por sujar os meus cabelos. – Ele gargalhava.
- Também quero entrar nessa brincadeira. – pegou um punhado de farinha e jogou em .
Eu gargalhava de toda aquela situação, eles estavam todos sujos e eu estava tentando não me emporcalhar tanto, apesar de já ter me jogado um pouco de farinha, mas não foi algo que sujasse.
- Acho que só tem uma pessoa que ainda está um pouco limpa. – se virou para me olhar, pegando um pouco de farinha nas mãos.
- Também acho, se eu fui torturado, todos devem ser. – tentava se limpar.
- Acho justo, todos nós fomos pegos. – concordou.
- E, então... – .
- ATACAAAAR. – correu em minha direção, tentei fugir, mas ele me pegou antes que eu conseguisse me trancar no banheiro. Todos eles vieram com as mãos cheias de farinha e jogaram em cima de mim.
- Isso não é justo! – Disse enquanto tentava me soltar de . – São cinco contra uma, é covardia. – Gritei.
- Tudo bem, então chega. , você pode jogar a farinha nela agora, um contra um! – pegou o pacote de farinha que estava na mesa e entregou a que me soltou e se afastou um pouco.
- Não, não , não faça isso! – Eu tentava sair dali.
- , , , ... – Os garotos gritavam como uma torcida de futebol. Eu não tinha pra onde fugir, não sabia o que fazer para que ele não me jogasse toda aquela farinha... Só tinha uma saída.
- , se você jogar, irá se sujar também... – Eu corri e o abracei de forma que ele não pudesse jogar a farinha.
- Isso é golpe baixo! – Ele tentava se soltar.
- Tudo bem, você perdeu , e nos decepcionou! – correu e tirou o pacote das mãos de .
- E é por isso, que você merece! – pegou o pacote de farinha e despejou em cima de mim e de . E eu pude ouvir um barulho como se fosse alguém fotografando.
- Uma lembrança para vocês. Que lindos, abraçados e cobertos de farinha de trigo. – debochava.
- Não acredito , porque você fez isso? – Reclamei, fingindo estar brava.
- Eu gosto de registrar esse tipo de coisa, dona resmungona. – Ele ria.
- Chato! – Peguei um punhado de farinha e joguei em seu cabelo.
- Não faz isso, meu cabelo estava quase limpo! – Ele ria.
- Que bagunça! A limpeza fica por conta do , já que foi ele quem começou. – analisava todo o local.
- que duvidou de mim, então, ele quem limpa. – retrucou.
- Eu tapei a boca do , ele não terminou de falar. – O defendi.
- Isso mesmo, eu não falei que duvidava, quem limpa é o , ele quem jogou a maior parte da farinha. – olhava em volta.
- , limpa! – sorriu.
- Eu limpo, porque sou educado. – se gabou.
- Eu pego a vassoura. – correu em direção à lavanderia, onde se encontravam os produtos de limpeza.
- Vamos arrumar tudo isso e tomar o café da manhã. Nunca fiz tanta bagunça para preparar uma comida. Vocês são sempre assim? – Eu analisava.
- Não, nem sempre... A gente não faz café da manhã. – sorriu.
Terminamos de arrumar toda aquela bagunça, e finalmente fomos tomar o café da manhã, continuamos bem sujos, nossas roupas ainda com um pouco de trigo. Conversamos mais um pouco sobre algumas coisas e quando vimos à hora, já eram quase 13h. Os garotos precisaram ir para uma reunião, esse era o motivo de todos estarem na casa de .
- Precisamos resolver muitas coisas na reunião, obrigada pelo café da manhã. Foi divertido! – disse tirando a mesa.
- Tudo bem, se vocês quiserem assistir algum filme mais tarde, podemos ir á locadora escolher algum. – Eu sorri.
- Não, não vamos mais vir. Já comemos, vamos nos ver apenas em horários de refeições. – brincou.
- Quem sabe não voltamos? – disse enquanto se levantava.
- Se a reunião não terminar muito tarde. – levantou as mãos para que eu batesse.
- Nos vemos mais tarde. – se despediu e eles foram embora, com as roupas completamente sujas. Terminei de dar um jeito na casa, em seguida fiquei um bom tempo no banho, sequei meu cabelo, coloquei um short e uma camisa branca, caminhei até a sala e comecei a desenhar.

IV - Popcorn and movie.


Apesar de ter conhecido os garotos no dia anterior, deduzi que eles tenham tido inúmeras ideias na reunião, pois eles ficaram reunidos à tarde inteira, enquanto eu estava em casa, deitada no sofá, com o caderno sobre meu estômago, pois havia adormecido. Ouvi alguém batendo na porta e em seguida alguns sussurros, mas achei que fosse apenas algum sonho, pois eu estava realmente cansada.
- Ela deve ter saído. – disse.
- ? – chamava.
- A Porta está aberta! – Era a voz de , ouvi o barulho da fechadura, então deduzi que ele havia aberto a porta.
- Vamos entrar. – .
- Isso é invasão. – riu baixo.
- Se a porta está aberta é porque ela está em casa! – .

Provavelmente eles entraram e ao me ver dormindo, tentaram não fazer barulho, mas alguém esbarrou na mesa de centro e eu acordei... assustada, mas acordei!
- AAAAAAAAH! – Gritei olhando para caído no chão e eles gritaram tentando me imitar. – Vocês estão loucos? Querem me matar? Isso é invasão de domicílio! – Falei pausadamente tentando fazer minha respiração voltar ao normal e com a mão no peito, sentindo meu coração acelerado.
- Talvez sim, talvez não. – Disse gargalhando.
- HEEEEEY! Isso não tem graça, eu me assustei de verdade. – Disse.
- Tem graça sim! – estava rindo.
Apenas relaxei no sofá, enquanto ia até a cozinha pegar um copo de água para mim.
- Onde estão e ? – Perguntei.
- Eles não vieram, estavam um pouco cansados, e foram para casa, dormir um pouco! – disse me entregando a água.
- Que babacas! – Eu sorri.
Bebi um pouco de água, coloquei em cima da mesa de centro e deitei relaxando no sofá.
- Vê se não vai tropeçar ai de novo, e derrubar o resto da água! – Eu brinquei.
- Engraçadinha! – se jogou em cima de mim.
- AI ! – Gritei um pouco sem ar.
- Nossa, que ideia legal! – se jogou por cima de .
- AI! – Gritei.
- Falta só alguém! – me olhou, com cara de quem iria aprontar.
- NÃO, NÃO FAÇA ISS... – Antes que eu terminasse a frase, ele se jogou em cima de mim e dos garotos.
- AIII I II I! – Meu grito saiu falhado.
- Que grito é esse? Não sabe nem gritar! – disse gargalhando.
- Saiam de cima de mim seus monstros. – Falei com um pouco de dificuldade, tentando empurrá-los para o chão. Eles caíram, e então me joguei em cima deles!
- Nossa, não senti nem cócegas! – brincava!
- Eu ainda me vingo! – Eu disse com uma cara maldosa.
- UUUUH! MEDO. – debochava.
- E então? Vamos alugar os filmes ou vamos ficar aqui no chão? – Eu disse.
- Vamos! – levantou-se.
- Eu dirijo. – Disse pegando as minhas chaves que estavam em cima da mesa. Apenas encarei-o.
- O que foi? – caminhou até a porta. Sorri, peguei minha bolsa e fomos em direção à locadora, chegando minutos depois. Confiei meu automóvel na mão de um ‘desconhecido’, qual o meu problema?
- Qual filme vocês querem assistir? – Questionei.
- Eu gosto de comédia. – disse procurando algum filme que ainda não tivesse assistido.
- Gosto de filmes de desenho. – sorriu.
- Pode ser Terror? – questionou.
- Gosto de Romance, que tal? – Sugeri.
- Pode ser romance e terror? – não contrariou.
- Tudo bem, levamos dois então... – Concordei.
- Que injusto, e o meu desenho... – E minha comédia? – dizia, quando completou a frase.
- Não estou muito pra comédia hoje, e muito menos desenho. Desculpe, mas aqui deu dois a um. Vencemos. – Brinquei.
- No próximo assistimos desenho e comédia. – tentou argumentar.
- Tudo bem então, isso é um complô contra os desenhos e as comédias. – reclamou.
- Desista, você não vai me convencer, não vou levar desenhos nem comédias. – Eu disse sorrindo.
- Ok, são apenas esses dois. – foi até o caixa e pagou pelos filmes, enquanto e resmungavam.
- Vamos embora? – Peguei as chaves do carro com e caminhei em direção a saída.
- Na próxima vez vocês vão sofrer, serão obrigados a assistir aos filmes de desenho. – gargalhou.
- E os de comédia, aqueles bem antigos sabe? – brincou. Eles me seguiram, e fomos até o carro.
- Vamos deixar o aí... – disse ao entrar no carro.
- Isso! Boa ideia. Vamos , acelera... – disse entusiasmado. Eu apenas acelerei e fiz um pequeno percurso, como se eu estivesse indo embora e eles gritaram de felicidade.
- Pensei que iam me deixar aqui. – corria até o automóvel.
- Jamais, mas se fosse pelos seus amigos você teria que ir a pé para casa... – Disse observando-o.
- Eu ia de taxi. – brincou. No caminho para a casa, compramos refrigerantes, batatas e alguns doces. Ao chegarmos, preparamos as pipocas e arrumamos a sala, para deixar mais confortável.
- Vamos assistir! – pegava o DVD.
- Primeiro o de Romance . – Gritei enquanto ia da cozinha até a sala.
- Eu prefiro o de terror. – reclamou.
- Terror primeiro então? – abria a caixinha.
- Romance! – concordou comigo.
- Perderam de novo! – Debochei.
- Dois contra dois, vamos decidir no “dois ou um”. – sugeriu.
- Dois ou um. – Disse colocando dois dedos e sorrindo ao ver que e tinha colocado o mesmo.
- Ganhamos de qualquer forma. – Gargalhei.
- Tudo bem. – se jogou no sofá.

V - Are you're flirting with me?


Me sentei no canto do sofá maior, sentou-se ao meu lado, seguido de e se deitou no outro sofá.
- Ficaremos espremidos aqui enquanto o bonitão fica esparramado, é isso mesmo? – Eu disse brincando.
- Eu mereço já que vocês não trouxeram nenhum filme de comédia. – Retrucou.
- Nem acredito que serei obrigado a assistir romance com um monte de “Caras”. – olhava em volta.
- Obrigada por me chamar de “cara”, isso foi ótimo pra minha auto-estima. –Caçoei.
- Você não conta, desculpe. – explicou.
- Porque não? – Questionei.
- Porque você é do... – explicava quando foi interrompido.
- Porque você é doida... Como nós... – se intrometeu, olhando confuso para os garotos que gargalhavam da situação.
- Tudo bem, agora sou “um cara, doido?”. Bacana. – Fui irônica, mas sorri.
- Não, você não entendeu nada. – sorria ao falar.
- Não, tudo bem. O que é de vocês está guardado. – Eu disse com um ar de mistério.
- O que é meu são essas batatinhas aqui e elas estão em minhas mãos agora. – brincou.
- São minhas, eu que paguei por elas. – gritou.
- Mas fui eu quem as trouxe. – sorriu.
- Vou comer pipoca enquanto não durmo aqui com esse filme dramático. – disse para me provocar.
- Aperte o play querido e parem com essa conversa de velhos ranzinzas, estão se parecendo com o morador do 54. – Eu sorri. – Não queiram conhecê-lo. – Gargalhei.
- O conhecemos ontem. – expressou desgosto.
O filme começou e ficamos em silêncio pra entender a história, às vezes era possível ouvir mastigando batatas, mas isso era o de menos. passou seu braço por trás de meu pescoço e me puxou para mais perto, olhei em seus olhos e ele sorriu, eu apenas apoiei minha cabeça em seu ombro enquanto ele brincava com as mechas do meu cabelo, tentando fazer um nó, só para que depois pudesse desfazê-los novamente, às vezes eu sentia arrepios, outras vezes cócegas. Eu estava confortável daquela forma, foi bom e estranho, pois eu havia acabado de conhecê-lo e não tenho o hábito de ficar dessa forma com caras que conheci à pouco. Quando o filme estava terminando, escondi meu rosto no corpo de , que sorriu e me apertou em um abraço ao ver que eu chorava com toda aquela história clichê de romance. Voltei a olhar para a TV e analisei os garotos, percebi que estava dormindo no sofá e não parava de bocejar.
- dormiu! – Sussurrei me afastando de e secando meu rosto. - Parece que sim. – olhava. – Acho melhor a gente ir, não é mesmo chorona?. – Completou debochando.
- Eu tenho um coração frágil, desculpe. – Sorri envergonhada. – Tem um quarto de hóspedes lá em cima, se quiserem dormir aqui. – Sugeri.
- Combinamos de ir dormir na casa do hoje. Nós não sabíamos que o filme ia acabar tão tarde. – olhava o relógio.
- Mas e o filme de terror? Vou ter que assistir sozinha? – Disse num tom chateado.
- O pode ficar... Ele não marcou nada com ninguém. Não é? – nos olhava.
- Claro! Se você quiser, eu fico. – sorriu.
- Obrigada. – Suspirei aliviada.
- Problema resolvido. Vou acordar o . – se levantou e parou em frente ao sofá.
- ACORDA! – Gritou.
- O que foi? – abriu os olhos que se encontravam assustados.
- Acabou. – Gargalhei.
- O que você entendeu do filme? Conte-nos seu ponto de vista. – debochava.
- Achei meloso, romântico, meloso e com um lindo final feliz... Meloso. – Dizia, enquanto gargalhávamos.
- Claro, como todo romance não é? – brincou.
- Todos são exatamente iguais. – levantou-se do sofá.
- Vamos embora? – dizia.
- Para a casa do não é? Combinamos de fazer uma festinha lá. – sorriu malicioso.
- Tudo bem, não me contem os detalhes. – Brinquei. – Mas espera. Ele não mora com os pais? – Questionei confusa.
- Sim, mas eles foram viajar e confiaram a casa em nós. – sorriu.
- Se cuidem. – Eu sorri.
- , você vem? – caminhava em direção à porta.
- Não. Ficarei para proteger a princesinha medrosa e chorona. – Respondeu brincando e sorrindo.
- Então, senhor príncipe encantado, nos vemos amanhã. – se despediu e seguiu até a porta.
- Tchau... Festa, festa na casa do . – Gritou enquanto saia.
- Como ele é festeiro. – Comentei.
- Ele apenas não gosta de filmes de Romance. – sorriu.
- Pronto para o segundo round? – Me levantei e fui até a cozinha pegar mais batatas e pipocas.
- Com certeza e você? Preparada? – Ele me seguiu.
- Claro. Tem um “príncipe” pra me defender dos monstros. – Eu disse sendo sarcástica. - Se algum monstro vier te buscar, eu deixo ele te pegar, só porque você está debochando. – colocava refrigerante nos copos.
- Tudo bem, senhor príncipe das trevas, não sou uma princesa mesmo. – Esbarrei intencionalmente ao passar com as tigelas de pipoca e batata. Ele apenas me encarou enquanto me sentava no sofá. Direcionei meu olhar até ele, que estava parado em frente à mesa, mas agora carregava um sorriso malicioso no rosto. Sorri e disse:
- Está com medo?
- Medo? De você? – me olhava fixo.
- Do filme. Porque você teria medo de mim? – Sorri ao questionar.
- Porque você é muito bonita e estamos aqui sozinhos. Você pode tentar me seduzir. – se aproximou com os refrigerantes em suas mãos.
- Isso não vai acontecer. – Eu gargalhei.
- Então estou seguro. – sentou-se ao meu lado e posicionou os copos em cima da mesa de centro.

VI - Scares.


- Posso apertar o play? – Questionei olhando-o.
- Claro. Se estiver com medo pode me abraçar... Ou então, abrace a almofada. – pegou a almofada que se encontrava no sofá e a jogou do outro lado da sala.
- Abraçar a almofada que você acabou de arremessar para o outro lado do mundo? – Disse.
- Exato! Você a quer? – sorriu.
- Vou buscar. – Me levantei e pude sentir sua mão em meu braço me puxando, fazendo com que eu caísse no sofá.
- Sem almofadas. – Me puxou para mais perto e me acolheu em seus braços.
Apenas me apertei em seu abraço. Ele sabia como cuidar de uma garota, eu era tão pequena perto dele, tão frágil... Quanto a ele? Eu não sei exatamente, mas seus olhos e sua atitude mostravam que de fato ele seria meu protetor, cuidaria de mim. Não se passaram nem dois dias completos e eu já me sinto tão segura perto dele? Acho que é algo explosivo ou coisa da minha cabeça, talvez toda essa segurança e conforto seja um sentimento passageiro. Percebi que desde o primeiro momento, apesar de sua timidez, ele me olhou de uma forma diferente, como ninguém nunca havia feito antes. Que loucura!
Me mantive pensativa em todos aqueles trailers que são exibidos antes de começar o longa metragem, não me preocupei em antecipá-lo, demonstrava uma expressão facial de interesse com todas aquelas prévias aterrorizantes. Quando por fim o filme começou, me mantive atenta. As cenas eram muito mais assustadoras do que havia imaginado, em vários momentos me encontrei dando gritos e assustando que não controlava seus ataques de risos, o que me fazia me concentrar no barulho da sua risada, que era tão contagiante a ponto de me fazer gargalhar junto a ele. Mas quando voltamos nossa atenção para a TV, os meus sustos e medos voltaram e me encontrei abraçando-o muito mais do que eu devia.
- Desculpe! Acho que estou te apertando um pouco. – Disse soltando-o.
- Sem problemas. Está tudo bem comigo. – Dizia fingindo estar sufocado.
- Para! – Sorri, dando um leve tapa em seu braço direito.
- Hey. – Disse e em seguida arremessou levemente uma pipoca sobre mim.
- AI! Meu olho. – Gritei levando minhas mãos ao rosto.
- Me desculpe. Deixe me ver. – Ele segurou minhas mãos se aproximando, olhou profundamente nos meus olhos e deu um leve assopro. Apenas me mantive intacta.
- Está melhor? – Sussurrou ainda próximo a meu rosto.
- Sim, Obrigada. – Sorri admirando-o. Seu sorriso tomou conta de sua expressão, ele se aproximou ainda mais. Encarei seus magníficos olhos >, que me deixaram em estado de transe, estávamos perigosamente perto e pude quase sentir seus lábios encostarem sobre os meus.
- O filme. – Empurrei-o para o lado.
- Claro. O filme. – Ele se afastou imediatamente. Em questão de segundos me levantei para pegar a almofada do outro lado da sala e em seguida me sentei na ponta do sofá.
- Quero uma almofada. – Ele disse olhando-me.
- Ali têm inúmeras. – Apontei indicando.
- Está muito longe, pode pegar para mim? – Sorriu, expressando em seu olhar um brilho totalmente diferente de todos que conheci.
- Não, pode pegar. – Sorri brincando.
- Não, está longe. – Ele estendeu seu braço e tentou adquirir a que estava em meu colo.
- Não , está é minha. – Tentei segurar, ainda sorrindo.
- Tudo bem divide comigo. – Sorriu se deitando, assim colocando a cabeça sobre a almofada em meu colo. Eu apenas assenti e sorri, mesmo que pudesse não ver. Voltamos nossa atenção para o filme e continuei a me assustar, apertei seu braço mais de cinco vezes e vi seu sorriso se expandir cada vez mais ao me ver daquela forma.
- Ainda está com medo? – Sussurrou.
- Muito. – Confirmei. Ele levantou sua mão direita e procurou pela minha. Quando a encontrou, entrelaçou nossos dedos e segurou firme, puxando-a para perto de seu corpo.
- Pronto. Agora está protegida. – Ele sorriu.
- Assim que me sinto. – Passei minha mão esquerda levemente sobre seus cabelos, acariciando-o. Pude vê-lo se arrepiar, sorri espontaneamente. Finalmente o filme havia chegado ao fim, suspirei aliviada. Ainda com nossos dedos entrelaçados, ele se virou me encarando e sorriu.
- O que foi? – Questionei confusa.
- Nada. Só acho engraçado você ter ficado com tanto medo. – Debochou.
- Para . Sei que você também sentiu medo... De mim, mas sentiu. – Puxei a almofada em que ele repousava sua cabeça e dei princípio a uma guerra.
- Isso é covardia, estou sem defesa! – Se levantou e pegou outra almofada no sofá. Ficamos com isso por alguns minutos até eu levantar uma bandeira branca, pedindo paz.
- Eu desisto. – Disse me deitando no sofá e apoiando a almofada sobre o mesmo.
- Ótimo, porque você é muito forte. – Ele sorriu, caminhando em minha direção e tropeçando em uma das almofadas que se encontravam no chão. O resultado não poderia ser mais óbvio, ele caiu em cima de mim.
- AI! – Resmunguei.
- Desculpe. – Me encarou.
- Tudo bem. – Assenti e nos levantamos, me afastei ao ver o quanto estávamos próximos.
- Você tem medo de mim? – Esboçou um sorriu encantador.
- Não, porque teria? – Disparei.
- Não sei, estou tentando entender porque se desfaz de mim todas as vezes que estamos próximos. – Se aproximou novamente enquanto dizia.
- Não acho que seja necessário estarmos tão perto. – Sorri sem graça.
- Tem medo. – Ele afirmou.
- Medo de que? – Me afastei novamente.
- De mim. – Ele disse me puxando pela cintura.
- Não mesmo. O que você poderia fazer para me preocupar? – Disse segura, apenas testando-o.
- Talvez isso... – Se aproximou ainda mais.

VII - Fear.


Estávamos extremamente próximos quando ouvimos um barulho vindo do lado externo da casa.
- Ouviu isso? – Questionei assustada.
- Não é nada, talvez seja apenas um gato. – Ele sorriu.
- Vou trancar a fechadura. – Disse aflita. Caminhei em direção à porta e ouvi um barulho mais intenso, o que me fez olhar imediatamente para a janela que estava fechada, congelei ao ver uma sombra através da mesma.
- ! – Disse num tom baixo, porém assustada.
Ouvimos novamente um barulho, dessa vez vinha da fechadura e em fração de segundos correu em minha direção, me passando para trás de seu corpo, segurando minhas mãos, me protegendo. Fechei meus olhos quando a porta se abriu extremamente rápido.
- BU!– Gritaram entrando na casa.
- , , e . Qual o problema de vocês? – Disse aliviada saindo de trás do corpo de .
- Estão loucos? – expressou um ar de bravo, porém completamente aliviado. Os garotos riram do nosso espanto.
- Não tem graça, meu coração congelou. – Os repreendi.
- Mas parece que o príncipe estava aqui para salvá-la! – analisou as mãos de que ainda seguravam as minhas. Mas ao percebermos seu sarcasmo nos soltamos e eu sorri corando.
- Isso não se faz! – desviou o assunto.
- Nós só achamos que seria engraçado! – gargalhava.
- Mas não foi! – Briguei.
- Desculpe , não foi nossa intenção. – se aproximou me apertando em um abraço.
- Não façam mais isso. – Encarei-os.
- Não faremos. – sorriu.
- Acredite, vão fazer novamente. – desaprovou.
- Sua namorada me ligou hoje procurando por você. – disse sendo um pouco sarcástico.
- Namorada? – Questionei direcionando meu olhar para .
- Ela não é minha namorada e porque ela não me ligou? Aliás, ela estava procurando por mim. – mudou sua feição, expressando raiva.
- Ela me ligou também! – disse sorrindo.
- E mandou uma mensagem para mim. – mostrou o celular a .
- Me mencionou nove vezes no twitter, todas as vezes perguntado sobre você. – dizia confuso e então pegou seu celular.
- Quinze novas mensagens, seis chamadas perdidas e oito mensagens diretas no twitter. – disse em voz alta.
- Todas são dela. – balançou a cabeça negativamente, mas não parecia surpreso.
- Claro que não. Uma é da minha mãe. – afirmou e eu mordi os lábios segurando o riso.
- Quase ia me esquecendo, ela ligou para sua mãe perguntando por você, talvez esse seja o motivo pelo qual a Sr. tenha ligado. Provavelmente sua mãe disse que você estava em casa, e a probabilidade de ela estar na frente da sua casa neste momento é de 99,9%. – argumentou.
- Então quer dizer que sua namorada é bem preocupada. Qual o nome dela? – Questionei num tom irônico, colocando-me frente à .
- Não é ningu... – foi interrompido.
- ! – o encarou.
- E todos sabem que ela não é minha namorada. – me empurrou para o lado, para que eu saísse de seu caminho, e saiu em disparada.
- Tchau para você também. – Olhei incrédula.
Os meninos ficaram parados, perplexos com a cena que acabara de presenciar. Múltiplos pensamentos deveriam estar passando por suas mentes, algo como: “O que aconteceu aqui?”, “Foi isso mesmo que eu vi?”, tratou uma garota mal, depois de assistir a filmes com ela?”, “O que deu nele?”. Os garotos foram completamente educados e me pediram desculpas pela atitude de . Apenas acenei e confirmei que estava tudo bem comigo. Em seguida se despediram, e foram atrás do garoto bipolar e infantil. Tranquei a porta e ouvi os gritos na casa ao lado.
- Porque você fez isso com ela? – O tom de voz de demonstrava estar confuso.
- Não entendi nada. Vocês passam a noite juntos e você faz isso? Aconteceu alguma coisa antes que pudéssemos chegar? – Agora era a voz de .
- Não importa. – Pude ouvir barulhos azucrinantes de passos, deduzi que fosse andando de um lado para o outro o tempo todo.
- Você deve desculpas à ela. – cortou o barulho torturador dos passos.
- Porque eu deveria? – alterou o tom de voz.
- Ela fez apenas uma pergunta e você a tratou como lixo. – argumentou.
- Ela foi invasiva e não tinha esse direito. – repreendeu. Pude ouvir o barulho de alguém batendo na porta.
- É a . – diminuiu o tom de voz.
- Manda ela ir embora. – disse alto.
- Põe um fim nisso, não vou mais me meter entre vocês. – A voz de foi sumindo, talvez por ter saído daquele cômodo.
- Oi! – Uma voz atormentadora e feminina disse completamente empolgada.
- Porque você não para de me ligar e não vai embora de uma vez? O que tivemos não significou nada para mim, foi coisa de duas noites. E falando em “noite”, acho que está tarde pra você estar na minha casa. – disse rápido e com um ar de nervoso. – Adeus. – Ouvi o barulho da porta em um estrondo. O silêncio tomou conta do lugar até que pude ouvir um “Tchau” em coro, e a porta se abrindo e em seguida se fechando novamente, aposto que os garotos não queriam ser expulsos.

Eu não precisava ouvir mais nada além de toda aquela hipocrisia. Chega por hoje, era hora de dormir. Tomei um banho para relaxar e tentei esquecer aquela noite. Eu estava mesmo incomoda e irritada com a forma que ele me tratou e como falou sobre eu ser invasiva. Mas apesar de todos os pensamentos, tanto bons, quanto ruins, consegui dormir logo.
No dia seguinte, ao acordar fiz minha higiene matinal e segui para o trabalho, formulei todos os relatórios e os enviei à minha mãe. A noite anterior não saia da minha mente e foi assim durante as duas horas de trabalho. Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar na loja, quis ir embora o mais rápido possível. Isso me dava medo, porque eu não conseguia esquecer toda aquela bobagem? Era só um garoto comum, como todos os outros que conheci. O tempo demorou a passar mas finalmente me vi abrindo a porta do carro. Resolvi no meio do caminho que iria tomar café na minha padaria favorita e para minha surpresa, aquela pessoa bipolar e imatura chamada estava no estabelecimento. Fingi não conhecê-lo, ele apenas me encarou. Pedi meu café da manhã e seus olhos continuavam fixos em mim, ao me sentir incomodada pedi meu café para a viagem, paguei minha conta, retirei minha bebida e caminhei até o lado de fora do estabelecimento.
- Espera. – se levantou e me seguiu, me fazendo parar.
- O que você quer? – Disse num tom rude.
- Eu preciso te falar que... - tentou falar mas o interrompi.
- Você não precisa se explicar, está tudo bem. – Disse e continuei caminhando.
- Mas eu quero que você saiba que...

VIII - Apologize.


Dei de ombros, abrindo a porta do carro. Confesso que adoraria dar ouvidos a ele, mas poderia acabar falando sobre os gritos da noite anterior e talvez o questionasse ainda mais. Não iria invadir sua vida pessoal... Não novamente. Entrei no veiculo, colocando minha bolsa no banco do passageiro, enquanto segurou a porta, me impedindo de fecha-la.
- Me desculpe. Eu estava errado, não deveria ter tratado-a daquela forma. – Disse encarando-me.
- Está tudo bem comigo, está tudo bem! – Afirmei. – Se não se importa, preciso ir embora. – Continuei, ele forçou um sorriso e soltou a porta. Afastou-se e voltou para o estabelecimento vazio, sentando-se de costas para a saída, permaneceu sem olhar para trás. Mantive-me dentro do carro, pensando na noite anterior e percebi que o café já havia esfriado quando tocou meus lábios. Olhei para o lado de fora e continuava no mesmo lugar, passando seus dedos na parte superior da xícara de café, olhando em um ponto fixo da grande parede branca em sua frente. Desci do carro com o intuito de conversar com ele, mas acabei desistindo no pequeno trajeto e apenas jogando meu café na lixeira, frente ao estabelecimento. Observei-o por alguns instantes, até meu coração acelerar ao ser surpreendido por , que apareceu sem mais nem menos.
- , está tudo bem? – Questionou.
- , você precisa parar de me assustar. – Disse, fechando os olhos e respirando fundo.
- Desculpe. Está tudo bem? – Questionou novamente, olhando para o estabelecimento.
- Sim, estou bem. – Sorri.
- Vim encontrar o... – Dizia até que eu pudesse interrompê-lo.
- ! – Completei.
- Exato. Vocês conversaram? – Me encarou.
- Não! – Disse sem expressar reação.
- O que aconteceu na noite anterior? – continuava buscando por uma razão para justificar a atitude de .
- Ele quase me... – Hesitei. – Ah! Esquece. Está tudo bem. – Disse encarando-o e sua expressão ficou confusa.
- Tudo bem se não quiser contar. Fique bem e qualquer coisa, você pode me ligar. – Disse e eu o entreguei meu celular, para que gravasse seu número, ele fez o mesmo.
- Obrigada, é ótimo saber que posso contar com alguém. – Sorri e ele me abraçou, fechei os olhos por um instante, quando tornei a abri-los, nos observava.
- Você vai entrar agora? – Questionou.
- Vou apenas pedir um café, o meu esfriou e acabei de jogá-lo no lixo. – Sorri.
- Vou falar com , se quiser sentar-se conosco, estamos ao lado do balcão. – Apontou indicando, sorri e entramos.
Fui até o balcão e pedi outro café, dessa vez não seria para a viagem. Enquanto esperava, pude ouvir os garotos conversarem. Eu não tinha o hábito de invadir os assuntos alheios, não era a minha intenção. Mas não pude evitar ao ouvi-los sussurrar sobre mim.
- “Ele quase me...” Foi o que ela disse. O que você quase fez? – sussurrou curioso.
- O que? Não fiz nada com ela, eu só... – hesitou.
- Só...? Ela não é igual às outras, tudo bem? – alertou.
- Só tentei beijá-la. Ela é diferente, sei disso. – afirmou.
- Então chega, deixe-a em paz. Sabe como você é, não quero vê-la magoada. – O tom de voz de demonstrava indignação.
- Não vou procurá-la, sei exatamente como sou e ela não é garota pra mim. – concordou.
- Tudo bem. – acrescentou.
.
“Sabe como você é.” A frase de ecoou em minha mente por vezes seguidas, sem motivo algum. Novamente paguei por minha bebida, levantei-me, acenei para que me encarava, forcei um sorriso para , que interrompeu sua expressão pensativa ao me ver levantar e caminhei até o automóvel. Durante o trajeto do estabelecimento até o complexo, pensei inúmeras vezes sobre todo o assunto e não cheguei à conclusão alguma.
Ao chegar em casa, corri para o banho, em seguida coloquei um pijama e me afundei na cama. Frustrei-me ao ter esquecido meu notebook na sala, desci para buscá-lo, aproveitando o momento e fazendo um belo brigadeiro de panela. Voltei ao quarto e abri minhas redes sociais, por um grande acaso havia uma notícia sobre em um dos sites, não contive minha curiosidade e li o artigo.
e juntos novamente ou existe um novo amor? “
Nesta manhã , da banda , foi visto saindo de uma loja de presentes com uma cesta de café da manhã e rosas vermelhas. Será que ele está se reconciliando com ?
não confirmou nossas suspeitas, mas falou sobre o assunto.
“São para uma amiga”!”– Contou.
Talvez tenha um novo romance no ar.

Fechei a página e desliguei o notebook, sendo assim resolvi assistir um pouco. A TV do meu quarto estava no concerto, precisei ir até a sala. Coloquei no meu canal de música favorito, e por sorte estava passando meu video clipe predileto. Uma música calma, com a letra maravilhosa. Aumentei o volume e fechei meus olhos para usufruir dela, até ser interrompida por alguém que batia na porta incansavelmente.
- Oi. – Disse sem expressar reação. – Esqueceu algo na noite anterior? – Questionei.
- Esqueci. – esboçou um sorriso encantador.
- Tudo bem. Entre, pegue e vá embora. – Tentei não sorrir.
- Eu trouxe pra você. – Me entregou uma cesta de café da manhã e rosas vermelhas, em seguida entrou na casa.
- O que isso significa? – Questionei analisando o presente, e me lembrei do artigo que havia lido.
- Um pedido de desculpas. Não quis tratá-la daquela forma, mas a me incomoda. – Se aproximou.
- Isso não justifica sua reação, sabe disso. – Disse levando os presentes até a mesa.
- Sim, mas quero que me desculpe. – Me acompanhou.
- Tudo bem. – Sorri e ele me abraçou. – Obrigada pelo presente. Vamos tomar café da manhã? – Questionei sorrindo.
- Claro. – Aceitou, ele pegou os pratos enquanto eu arrumava a mesa.
- Está bonita hoje. – Me analisou.
- Está mentindo, estou de pijama ! – Gargalhei.
- Você fica bonita assim. – Sorriu.
- Você é definitivamente o maior mentiroso do mundo. – Disse passando um pouco de creme de avelã na ponta de seu nariz.
- Hey. – Ele sorriu e fingiu uma expressão de raiva.
- Qual a história por trás da ? – Questionei intrigada.
- Não quero falar sobre ela, tudo bem? – Seu sorriso encantador desapareceu.
- Tudo bem, não serei invasiva novamente. – Corei.
- Você ouviu tudo na noite anterior, não é? – Abaixou a cabeça, balançando-a negativamente.
- Infelizmente. – Afirmei.
- Desculpe-me. – Encarou-me.
- Está tudo bem, vamos recomeçar. – Sorri.
- Sou . – Ele sorriu, estendendo suas mãos para me cumprimentar.
- . – Sorri. Tomamos o café da manhã e ficamos conversando durante horas, sobre o que costumávamos fazer no tempo livre, gostos, coisas incomuns e em comum, manias, entre outras bobagens.
- Preciso ir, tenho algumas coisas pendentes. – Disse levantando-se.
- Tudo bem, nos vemos mais tarde? – Questionei.
- Acho que os garotos vão lá em casa, você poderia aparecer. – Encarou-me sorrindo. Despediu-se e foi em direção a sua casa. Achei encantadora a forma que me pediu desculpas, mas eu continuava sem entender o motivo pelo qual me procurou, aliás, havia dito a que não viria.

IX - Liar.


Usei todo o tempo que tive em casa, para desenhar novas roupas. Elas ficaram bem interessantes, no dia seguinte, depois do trabalho eu as costuraria. Olhei para o relógio e era o começo da tarde, tomei um banho, coloquei uma roupa e fui até a casa de . O portão para o jardim estava aberto, caminhei em direção a casa e notei que a porta também estava, olhei antes de ''invadir''. Vi uma garota abraçada a , eles conversavam algo que por sorte não pude ouvir, em seguida ela o beijou, resolvi não entrar, talvez eu pudesse atrapalhá-los. Quando me virei para voltar para casa avistei , que veio em minha direção.
- Está tudo bem? – encarou-me.
- Sim, estava indo para a casa de , mas ele está acompanhado. Melhor não atrapalhar. – Sorri tímida e apontei para a porta entre aberta.
- Vou entrar. Você não vem? – Questionou.
- Não, vou para casa. – Sorri.
- Me espere aqui? – Encarou-me.
- Tudo bem. – Afirmei, e ele entrou deixando a porta entre aberta.
- E aí . – cumprimentou-o. – ? – Questionou surpreso.
- Oi! – soltou-se de em fração de segundos.
- Olá ! – sorriu.
- , sabe quem está lá fora? – foi sarcástico.
- Não, ela está lá? ELA? – disse confuso.
- Quem está lá fora ? – questionou curiosa.
- Ninguém, ninguém... – interrompeu. Talvez eu não devesse mesmo estar lá. Depois de presenciar ele se desfazendo de mim, achei que suas desculpas não eram sinceras. Voltei para casa e joguei os presentes que ele havia me dado no lixo. Olhei para o lado e encontrei um cabisbaixo encarando-me, mas novamente dei de ombros e entrei. Mandei uma mensagem para me desculpando por não tê-lo esperado e pedi para que ele viesse até minha casa e assim ele fez.
- Desculpa por não tê-lo esperado. – Sorri abrindo a porta.
- O que está acontecendo? Você e o ? – Entrou e sentou-se no sofá.
- Não . Não temos nada. – Encarei-o. – Ele me pediu desculpas hoje de manhã, me deu uma cesta de café e rosas vermelhas. – Sorri.
- E onde estão? – Questionou.
- Agora estão no lixo. – Encarei-o. – Quando o vi se desfazendo de mim, achei que as desculpas não eram válidas, não era de coração. – Continuei.
- Talvez ele não seja o melhor pra você. é um ótimo amigo, é divertido, mas ele já partiu alguns corações. – Aconselhou-me.
- Não estou apaixonada por ele . Mas confesso, estou chateada com as atitudes que ele teve. – Disse fitando o chão.
- Sei que está. É um pouco difícil lidar com . E em relação ao que viu e ouviu hoje, tenho certeza que o que aconteceu foi sem o consentimento de . é uma chata. – sorriu.
- Eu não me importo e não tenho paciência para lidar com pessoas. – Disse. – Já sou uma confusão. – Continuei.
- Você é uma garota madura e vai saber como lidar com ele. – Sorriu.
- Obrigada. Sabia que você é uma pessoa incrível? – Disse encarando-o.
- Claro. Todos me dizem isso. – Gabou-se.
- Convencido também. – Sorri. – Obrigada pelo apoio! – Continuei.
- É para isso que servem os amigos. Sirvo também para levá-la para sair. Vamos, levante-se. – Puxou-me pelo braço.
- Sair para onde? – Levantei-me.
- Qualquer lugar. Para desafrontar a cabeça e sair um pouco da rotina. Vamos ao parque ou a uma cafeteria, qualquer lugar. – Sorriu.
- Starbucks pode ser? – Sugeri.
- Onde quiser. Hoje você quem manda. – Entrelaçou nossos braços, peguei minha bolsa e saímos. estava frente a seu jardim, ele parecia frustrado e olhava fixamente para nós.
- , nos falamos depois. – encarou-o.
- Tudo bem, mas preciso falar com a . – aproximou-se e eu apenas encarei-o.
- Desculpe. – Prosseguiu.
- Já te desculpei hoje de manhã, está tudo bem. – Forcei um sorriso. – Precisamos ir. – Disse puxando até o carro.
- Está tudo bem? – analisou meu rosto.
- Vamos encontrar , e na cafeteria? Poderia ligar para eles. – Alterei o assunto.
- Tudo bem. – Ligou para os garotos e então seguimos em direção à cafeteria. Quando chegamos, esperamos os meninos frente ao estabelecimento. Assim que chegaram escolhemos uma boa mesa e nos sentamos.

X - Over again


- Hm! Cadê o ? – disse ao analisar o local e não encontrá-lo.
- Ele não vem, quer café? – tentou mudar de assunto.
- Vocês ainda estão brigados? – disse confuso.
- Quer café também ? Está beeem quente! – Disse , que expressou raiva.
- Tudo bem, . – Disse. – Fizemos as pazes hoje de manhã, mas... – Hesitei.
- Mas? – questionou interessado.
- Mas o café está muito quente mesmo, para cair no rosto de vocês por acidente. – expressou um olhar que queria dizer ‘sem mais perguntas’.
- . Está tudo bem. – Forcei um sorriso. – Eu conto. – Continuei.
Ele segurou minha mão e encarou-me, como se dissesse: “ Você não precisa, mas se quiser, estou aqui para qualquer coisa “. Sorri e segurei firme sua mão. Contei absolutamente tudo para os garotos, não quis esconder nenhuma palavra. Era estranho, mas eu sentia como se os conhecesse há anos.
- é nosso amigo, nós o apoiamos em tudo, mas não queremos que ele te machuque. – Disse .
- Conhecemos ele muito bem e confesso, nunca ligamos muito para o que ele fazia com as outras garotas, mas com você é diferente, temos uma amizade. E não quero vê-la machucada. – Disse , encarando-me.
- Dessa vez eu me importo e não o apoio. – Concordou .
- Obrigada meninos, vou me cuidar. Não me envolverei. Sempre consegui mandar no meu coração em relação a garotos, e dessa vez não será diferente. é só alguém que conheci. – Disse direcionando meu olhar para a entrada e por uma grande coincidência do destino, lá estava ele com os olhos fixos em mim. Encarei-o por um segundo até ver logo atrás, abraçando-o. Desviei meu olhar no mesmo instante. notou minha insegurança, e questionou-me sobre o meu comportamento, mas antes de respondê-lo, ele obteve sua resposta.
- OI MENINOS! - gritou. – Podemos nos juntar a vocês? – Continuou, sua voz era tão azucrinante que não consegui entender como alguém era capaz de ouvi-la durante muito tempo.
- NÃ.. – Interrompi o pobre , que estava tentando me proteger o tempo todo.
- CLARO! – Fingi entusiasmo. – Será divertido. – Fui sarcástica, mas se quer jogar, tudo bem, vamos fazer o seu joguinho. Espero que ele seja bom, porque eu sou ótima nisso.
- Não, vamos nos sentar ali. – apontou para uma mesa completamente distante de nós.
- Não meu amor, vamos ficar aqui. – insistiu.
- Isso, fiquem aqui. – Disse segura. Os garotos encararam-me confusos e apenas sorri para eles. O “casal” juntou-se a nós e resolvi puxar assunto.
- Como vocês estão? – Questionei.
- Juntos! – sorriu sinicamente.
- Estamos bem! – corou.
- Bem? Estamos ótimos. – Ela insistia.
- Que ótimo. – Disse encarando-os.
- Não vai contar a novidade pra ela, meu amor? – entrelaçou suas mãos nas de .
- Novidade? Agora vocês são oficialmente um casal? – Encarei-o.
- Vamos embora? – segurou minha mão.
- Também estão juntos? – provocou.
- Hãm? Nós? – disse confuso.
- Vocês? – A expressão de se tornou completamente surpresa.
- É... Nós! – Disse olhando para .
- VOCÊS? – , e disseram em coro e completamente confusos.
- Nós... Estamos juntos agora. – afirmou encobrindo-me.
- Boa sorte, aposto que ela é uma garota incrível... Assim como ! – A expressão facial de sumiu, deixando-o apenas cabisbaixo.
- É. Ela é incrível. – Disse que estava tão confuso quanto todos, mas foi meu maior parceiro, me encobrindo e fazendo tudo dar certo.
- e eu também estamos juntos. – o abraçou.
- Estamos? – Ele disse confuso. – Ah! É claro que estamos, e é oficial. – Completou.
- ÓTIMO! Felicidades. – Disse sarcástica. A expressão dos garotos era de raiva, todos o encararam, pois tinha certeza que e não estavam juntos. Eles sabiam que e eu também não éramos um casal, mas não questionaram.
- Vamos pequena, acho melhor irmos para casa. – entrelaçou seus dedos entre os meus. Fiquei surpresa em ver o quanto ele estava entrando no jogo e mais surpresa ainda comigo, não acreditei no que estava fazendo, não podia estar me apaixonando. Aconteceu tão rápido, deveria ser impossível.
- Claro amor, vamos para casa. – Segurei firme em sua mão e levantei-me.
- Estão namorando, mas cadê um beijo para oficializar? – disse sarcástica, dando um beijo no rosto de . Ela parecia não acreditar. Porque apenas acreditou?
- O que? – Disse assustada.
- UM BEIJO? – Os garotos gritaram surpresos.
- É. Um beijo... Para oficializar. – Disse num tom desafiador.
encarou-me com um olhar que parecia pedir desculpas, se aproximando lentamente. Passou seus dedos entre meus cabelos, e sua mão esquerda em volta da minha cintura, me puxou para mais perto e me beijou. Em seguida me abraçou forte e disse em um sussurro “desculpe por isso” e eu quase pude sentir lágrimas escorrerem pelo meu rosto, por vê-lo sacrificando-se por mim. Desejei que o tempo parasse só para que eu pudesse ficar naquele abraço que dizia: “Desculpe.” Mas ao mesmo tempo “ Eu estou aqui!”.
- Pagarei a conta. – levantou-se.
- Vou junto, vamos dividir. – Disse .
- Dividir? Você nunca paga a conta. – Gritou . – Eu também vou. – Cochichou. Era um pretexto para não ficar nos vendo daquele jeito.
- Tchau e ... ? – Questionei.
- ! – Sorriu cinicamente.
- Então tchau! . – Disse caminhando junto a até a saída.
- E você é? – Gritou .
- . – Pude ouvir a voz de enquanto eu saía.
- ! – Disse expressando frieza. Ela sorriu e eu continuei o trajeto.

XI - I can feel the pressure.


Ao colocar os pés no lado externo do estabelecimento flashes e mais flashes surgiram, vários paparazzis estavam em torno de nós. Não pude entender como tudo aquilo era possível, como descobriram onde nos encontrar? Eles dispararam inúmeras perguntas e eu não soube como respondê-las.
- Poderia nos contar sobre você e ?
- Terminou com ele?
- Foi pra você que ele deu as flores e a cesta de café da manhã?
- Porque as jogou fora?
- Ele voltou com a ?
tentou me proteger milhares de vezes, colocando sua mão frente a meu rosto.
- Você e estão juntos? Foi por isso que jogou os presentes fora?
- o que você acha de estar azarando sua namorada? Isso vai abalar a banda?
Não dissemos uma palavra se quer a eles, simplesmente entramos no carro tentando fugir de toda aquela desconfortável situação.
- Desculpe por isso, esse é o preço que nossos amigos são obrigados a pagar. – disse num forçado sorriso. – E me desculpe pelo beijo. – Completou.
- Desculpe por envolvê-lo em toda essa bagunça, nunca quis isso. Desculpe-me, se te envolvi a ponto de forçá-lo a me beijar e por colocá-lo em um ‘’romance’’ que a mídia dará ênfase. – Disse.
- É para isso que os amigos servem. – Ele sorriu de lado.
sabia que eu precisava ficar um tempo isolada, então me levou para um lugar que ele sentia paz, um lugar apenas dele. Onde era possível enxergar as estrelas e toda a cidade, um ambiente calmo, onde pudéssemos respirar... Pedi para que ele me deixasse um minuto sozinha dentro do carro e assim ele fez, saindo e se deitando no capô do automóvel.

Too much to ask - Avril Lavigne

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Assim que fechou a porta, liguei o rádio para tentar me distrair. Eu estava no banco traseiro e não consegui conter as lágrimas, não estava acostumada com toda aquela pressão e senti que havia colocado em um grande problema. Era como se eu estivesse sem chão, tentei me controlar, mas eu precisava deixar que todo aquele sentimento mútuo fosse embora. Aumentei bastante o volume do rádio, para que não me ouvisse, mas talvez ele tenha notado. Olhei através da janela e consegui ver o brilho das estrelas. Senti-me tão só, como se não existisse ninguém me apoiando, como se nada desse certo. Era tão estranho, talvez fosse um misto de sentimentos, saudades da minha família, dos meus antigos amigos, os repórteres, , os garotos. Senti uma extrema necessidade de alguém, abri a porta e corri para frente do automóvel. Deitei-me no capô, abracei e as lágrimas continuaram a cair. Ele retribuiu o abraço e ficamos lá por um longo tempo. Nos momentos em que meu choro ficava mais intenso, ele me abraçava mais forte, e dizia: “Estou aqui, e sempre vou estar”.
Encarei as estrelas e pensei em absolutamente tudo. No por que escolhi Londres, por que eu havia conhecido , e o porquê de eu estar abraçada a , chorando desesperadamente. Não encontrei respostas, mas de fato, tudo aquilo iria acontecer uma hora ou outra, mesmo que eu tivesse feito escolhas diferentes. Pensei em voltar ao Brasil, pois sabia que os paparazzi’s não me deixariam em paz e tudo que eu fizesse iria refletir na imagem dos garotos. Não queria prejudicá-los e muito menos ganhar fama por ser amiga ou conhecida deles. Nunca quis me aproveitar de nada que fosse deles, não fazia ideia do tamanho da fama, existem paparazzi's perseguindo-os e querendo saber tudo sobre suas vidas. Isso me assusta.
- Voltarei para o Brasil. – Disse secando as lágrimas.
- O que? Por quê? Por causa do ? Mas e a loja? E... – disparou.
- Não é pelo e sim por tudo. Por vocês, por mim mesma, se eu ficar aqui causarei problemas a vocês, sairão boatos todo o tempo, e isso irá prejudicá-los. – Continuei.
- Como? Você não pode. – Encarou-me.
- , isso vai atrapalhar a sua vida. Eu o coloquei em uma enrascada dizendo que somos namorados, isso vai aparecer na mídia. – Disse.
- Quanto a isso não tem problema algum, se for preciso, assumo um namoro com você, ou desmentimos juntos. – Sorriu.
- , acho que não dá mais. – Disse levantando-me.
- Então é isso? Você vai fugir, porque começou a gostar do e não tem coragem de admitir para si mesma? – levantou-se.
- Você não entende. – Tentei argumentar.
- Você não pode ir. Não pode me deixar aqui. – abraçou-me.
- Preciso pensar melhor, é certo que estou fazendo tudo pelo calor do momento, minha cabeça está confusa. Sinto que preciso voltar, mas não é o que realmente quero, sei que se continuar aqui vou te prejudicar e não posso deixar que minhas maluquices te afetem. Desculpe , por favor, me desculpe. – Sequei as lágrimas que insistiam em cair.
- Sei o quão confusa você está, mas fique aqui, vai dar tudo certo, eu prometo. Nada de ruim acontecerá, cuidarei de você. – me acalmava.
Ouvi um tipo de música num tom baixo e descobri que era o celular de que apitou, mostrando-o que havia novas mensagens.
“Onde você está? Você viu o tanto de paparazzi que estão na porta do Starbucks? Ela está bem? É verdade sobre vocês?” leu em voz alta. A mensagem era assinada por .
“Estou com ela, Eu vi quando saímos, ela está comigo!” respondeu, e desligou o celular.
- Podemos ficar aqui por mais uns instantes, mais tarde te levo para casa. – Sorriu.
- Obrigada por isso e por tudo. – Encarei-o.
- Tudo bem. – passava a ponta de seus dedos pelo meu rosto, para secar minhas lágrimas.
O tempo passou enquanto ele me distraia mostrando o que ele amava naquele lugar. Ver de longe toda a cidade movimentada e também o trânsito, muitos carros, e fugir de todo aquele barulho, a cidade não para nunca. Onde estávamos agora, era um lugar completamente calmo, sem muito barulho além de grilos e cigarras, um ar ótimo para se respirar e o céu imenso só nosso. Era incrível. foi maravilhoso me levando até lá, me trouxe uma paz. Ele acertou, mais uma vez.
- Obrigada por isso , por me trazer neste lugar que é tão seu e tão maravilhoso! – Sorri, sem esforço algum.
- Nunca trouxe ninguém aqui, sempre venho para cá quando preciso pensar ou fugir dos problemas do mundo. Trouxe você porque queria ver esse sorriso novamente no seu rosto, você já viu como fica linda sorrindo? – encarou-me.
- Obrigada, não sei como agradecê-lo. Por estar aqui ao meu lado agora, por ter me acalmado e me acolhido. – Sorri encarando-o.
- Sei como pode agradecer. – aproximou-se sorrindo.
- Como? – Disse olhando-o nos olhos.

XII - I’ll look after you.


- Você pode me dar um abraço! – abraçou-me fortemente. – Quando não souber o que dizer me abrace. Você sabe, pode contar comigo. – Continuou.
- E você sabe, também pode contar comigo, sempre. – Sorri.
- Vamos para casa? Está ficando tarde. – Segurou-me pela mão.
- Vamos. Não precisa me deixar em casa, eu pego o metrô, ou um taxi. – Disse.
- Não. Te busquei em casa e levarei em casa. – Sorriu e entrou no carro.
- Tudo bem, você quem sabe. – Disse enquanto fechava a porta. – Se eu ficar aqui, você acha que será ruim para sua imagem? – Questionei.
- Porque seria? Você é linda e tem talento, se mostrasse suas peças para alguém, seria uma das maiores estilistas do país. – Disse encarando a estrada.
- Não. Não quero ser famosa e esse é um dos motivos pelo qual tenho medo de continuar perto de vocês. As pessoas podem achar que apenas me aproximei para ter fama e se eles ficarem sabendo que eu faço vestido, não iria dar certo. – Encarei-o.
- Você quem decide. Sua escolha é a minha, estou com você pra tudo. – Disse.
- Bom saber disso. – Sorri me aconchegando no carro e acabei adormecendo. Aquele dia tinha sido cansativo e muito maluco, nunca passei por coisa igual. Dormi o caminho todo, acordei no meio da noite e me assustei ao ver que estava na cama e não no banco do automóvel de . Não sou sonâmbula e me lembraria se tivesse saído do carro e ido até o quarto. me trouxe no colo, ele era incrível. Desci para tomar um copo de água e o encontrei no sofá.
- . – Disse.
- Oi, . Resolvi esperar um pouco, para verificar se você está bem, assim eu poderia ir para casa sem preocupações. – Sorriu.
- Está tudo bem. E você está cansado para dirigir, é perigoso. Pode dormir aqui está noite. – Eu fui até a cozinha pegar água.
- Tem certeza? Não vou atrapalhar? Acho que posso dormir na casa de , talvez ele ainda me aceite no mesmo teto que ele. – deu um meio sorriso.
- Ele é seu amigo, porque não aceitaria? – Questionei curiosa.
- , acho que ele se apaixonou por você. – Disse inseguro.
- Não , Ele não se apaixonou, se isso tivesse acontecido... – Hesitei.
- Ele estaria aqui. – Completou.
- Exato. – Forcei um sorriso.
- Mas eu estou, então, fique feliz. – Brincou.
- E estou. – Sorri.
- Espero que sim. – encarou-me preocupado. Talvez com todas as escolhas que eu precisava fazer ou por tudo que passei esses dias.
- Vamos dormir? Tem um quarto de hóspedes lá em cima, não é dos melhores, mas não é tão ruim assim. – O puxei pelo braço.
- Se for ruim, dormirei na sua cama e você no outro quarto. – Sorriu e retribui. Ele entrou e pareceu gostar do ambiente, entreguei alguns travesseiros e cobertores e me retirei. – . – Gritou.
- Sim? – Disse voltando ao quarto.
- Não durmo sem um beijo de boa noite. – Disse fingindo um sorriso malicioso.
- Boa noite . – Gargalhei e dei um beijo em sua testa. Ele puxou-me para um abraço, fazendo com que eu caísse por cima dele. - , boa noite. – Disse sorrindo e tentando me soltar.
- Boa noite, durma bem. Qualquer coisa, estarei aqui. – Soltou-me e caminhei até meu quarto, eu estava tão cansada que logo adormeci. No dia seguinte, acordei cedo, pois tinha que ir ao trabalho, mas eu não estava animada. Resolvi deixar dormindo e deixei um bilhete em cima da mesa.
, fui ao trabalho e volto rápido, me espere para tomarmos café da manhã juntos, eu deixei a porta destrancada, porque eu não tenho uma cópia da chave, caso você saia, me deixe outro bilhete.”
Ao chegar no trabalho enviei os relatórios o mais rápido possível, para que eu pudesse sair mais cedo, não estava aguentando ficar na loja. Ao colocar os pés na rua me senti melhor, não me preocupei em prestar atenção em nada e por um acaso, esbarrei em .
- Que falta de sorte a minha. – Sussurrei a mim mesma.
- Oi. – encarou-me.
- Oi. – Respondi sem continuar uma conversa.
- Está tudo bem? Você e o ? – Tentou sorrir.
- Claro, do mesmo jeito que você e . – Disse irônica.
- Então parece que está tudo... – Hesitou. – Uma Droga! – Continuou.
- Uma droga? – Mordi os lábios segurando o riso.
- É. Uma droga, aquela garota é maluca, acredite. – encarou-me.
- E aquela garota maluca é a sua namorada. – Sorri.
- Acho que sim. – Disse cabisbaixo. Ficamos uns segundos em silêncio, apenas nos encarando e então ele o quebrou. – Então... Está indo pra casa? – Questionou.
- Sim. – Respondi, caminhando até o automóvel.
- Podia me dar uma carona? – Acompanhou-me.
- Você sabe, os paparazzi’s te perseguem e se te encontrarem comigo, surgiram boatos e... – Argumentei. – Estou com agora. – Engoli em seco sem encará-lo.
- Não me importo. – Encarou-me.
- É claro, você não se importa com nada. – Balancei a cabeça negativamente. – Tudo bem, entre. – Disse e assim ele fez. Eu estava torcendo para não colocá-los em problemas novamente.
- Eu me importo com você! – Fixou seus olhos nos meus, por um momento.
- Vai começar tudo novamente? – Encarei-o com um olhar triste.
- Não, eu prometo. Agora será diferente, me deixa tentar acertar? – Segurou minha mão.
- Eu não preciso de alguém que “tente”, mas de alguém que “faça”. – Eu disse e isso me deixou em pedaços, mas eu precisava mantê-lo longe. Dirigi até a padaria, comprei algumas coisas para o café da manhã e voltei para casa. me acompanhou em todo o percurso, mas ficou em silêncio o tempo todo. Ao chegar ao complexo, estacionei o carro frente a minha casa e descemos.
- Tchau. – Disse cabisbaixo sem encarar-me.
- Tchau. – Disse, mas acho que não me ouviu por estar um pouco distante.
Entrei em casa com as compras e ainda dormia, então resolvi tomar um banho, em seguida sequei meu cabelo, fiz nosso café da manhã e levei para o quarto de hóspedes.
- ... ? Bom dia. – Disse tentando acordá-lo.
- Bom dia? Ainda é cedo, me deixa dormir. – Disse virando-se na cama.
- Trouxe o café da manhã. – Disse mexendo em seus cabelos.
- Você está me mimando? – Abriu os olhos e sorriu.
- Acho que merece um bom café da manhã, por me aguentar chorando em você, ontem à noite e por todas as outras coisas que fez por mim. – Sorri e ele retribuiu.

XIII - Coffee or sugar?


- Wow. Waffles, panqueca e chips. Café da manhã completo novamente. – analisava a bandeja, forcei um sorriso. – O que foi? – Questionou colocando meu cabelo atrás da orelha.
- Encontrei hoje. – Disse.
- E o que aconteceu? – Questionou.
- Me contou que a vida dele com está uma droga, que ela é uma maluca e que quer tentar ‘’acertar’’ as coisas comigo. – Disse pensativa.
- E então? – disse num tom sério.
- Disse que quero alguém de verdade. – Encarei-o.
- Que tal eu? – Disse e levantou a sobrancelha, caindo na risada.
- Por isso você é meu namorado. – Gargalhei, tirando a bandeja do colo de e indo em direção à porta.
- HEY! DEVOLVA-ME ISSO. – Disse correndo até a porta.
- Está com fome? – Sorri.
- Claro, acabei de acordar, poxa. – Sorriu.
- Então vem buscar. – Desci as escadas o mais rápido que pude e com o maior cuidado, para não derrubar as comidas da bandeja, ele veio correndo atrás de mim. Coloquei a comida em cima da mesa, peguei um pouco de mel e passei no rosto de .
- Agora você vai ver. – Pegou o mel que estava em cima da mesa e voltou correndo até a sala, me segurando e me jogando no sofá, em seguida ficando por cima de mim, para que eu não pudesse fugir. Até tentei, mas era impossível e acabei toda suja. Estávamos nos divertindo e gargalhando muito até nos darmos conta de que estava parado na porta, encarando-nos. Nos levantamos e caminhei até ele.
- E então? – Questionei.
- dormiu aqui? – direcionou seu olhar para .
- Sim. – Respondeu.
- Qual o problema? Ele é meu namorado. – Disse encarando .
- Nenhum, claro. Ele é seu namorado, tem todo o direito de ficar com você. – Forçou um sorriso.
- Mas então, o que veio fazer aqui? – Questionei novamente.
- Eu só queria... – Encarou-me.
- Queria? – Continuei.
- Um... – Ele estava pensativo, parecia procurar por alguma desculpa. Então apenas encarei-o esperando por respostas.
- Uma xícara de caf... Açúcar, eu quis dizer açúcar. – Disparou e espontaneamente teve um ataque de risos, pois a desculpa que ele havia encontrado era tão falha para ter demorado tanto. e eu o encaramos.
- Xícara de açúcar. – não conseguia segurar o riso e nós apenas continuamos a olhá-lo. – Eu pego a xícara. – caminhou até a cozinha. Olhei para e começamos a gargalhar diante de toda aquela situação.
- Você está linda com esse mel no cabelo. – Disse aproximando-se.
- É culpa do , eu tinha acabado de lavar meu cabelo. – Disse afastando-me. Ele passou a mão nos cabelos e sorriu, desviando seu olhar, como se quisesse dizer algo.
- Eu queria conversar com você, mas a sós. – Disse fitando o chão.
- Trouxe sua xícara de açúcar... E a de café que você disse primeiro. – as entregou para , debochando e gargalhando quase sem forças, deixando um pouco do café cair ao chão.
- , você é muito idiota. – pegou as xícaras e encarou-me.
- Nos falamos depois. – Sorri.
- Ótimo! – Sua boca se estendeu em um enorme sorriso. – Nos falamos depois... Obrigado pelas xícaras. – Continuou.
- Tragam-nas de volta. Não fique com elas em sua casa, igual faz com minhas coisas. – gritou da porta ainda rindo.
- Eu trago... Com certeza! – sorriu. me ajudou com a bagunça que fizemos. Em seguida, tomamos café, pedi para que me esperasse e fui novamente tomar banho, em seguida ele ajudou-me com a louça suja.
- veio até aqui porque queria falar comigo e ‘’desistiu’’ ao te ver. – Disse olhando-o.
- Acha que não percebi? Essa história de ‘xícara de açúcar’ foi o pior pretexto que o poderia inventar. Nunca o vi tão atrapalhado e por isso não consegui parar de rir. – Disse com um sorriso idiota no rosto, parecendo lembrar-se do que havia acontecido. Encaramos-nos por um segundo, recordando.
- Eu só queria uma xícara de café... Café não, eu quis dizer açúcar. Isso! Uma xícara de açúcar. – imitou os gestos e a voz de e inevitavelmente perdemos as forças de tanto gargalhar e caímos ao chão. Agora entendo o lado de , foi realmente um pretexto muito ruim e engraçado.
- O que acha? Devemos conversar? – Questionei ainda ao chão.
- Claro. Vai até a casa dele, buscar as xícaras. – Sorriu.
- É sério , para de ser bobo. – Joguei um pano de louças em cima dele.
- Também estou falando sério, se você não for buscar, ele nunca irá trazer. – Brincou. Encarei-o e sorri, havia entendido que queria realmente que eu fosse. – Bom, eu vou nessa. Nos falamos depois, obrigada pelo café da manhã e pelo quarto de hóspedes. – Sorriu e levantou-se.
- Vou com você, vou ver o que ele quer... – Estendi meus braços para que ajudasse-me a levantar.
- Levante sozinha. – Sorriu e fingiu ir até a porta.
- Nossa. Você é um cara muito legal. – Sorri, ainda com os braços estendidos.
- Eu sei. – Disse voltando e ajudando-me a levantar. – Vamos? – Puxou-me pelo braço.
- Claro! – Disse e seguimos. Segurei sua mão, pois precisávamos fingir nosso namoro. Olhamos em volta e não havia ninguém que precisássemos enganar, então não fomos forçados a nos beijar. entrou no carro e foi em direção a sua casa, enquanto eu caminhava até a casa de . O portão de seu jardim estava aberto, então entrei e bati na porta.
- ? – Chamei-o.
- Oi, entra. – Abriu a porta e sorriu. Entrei e ouvi o celular de apitar.
- Sua namorada? – Questionei encarando-o.
- Não, o seu. – Forçou um sorriso e mostrou-me a mensagem.
” Cuidado com minha namorada. Hahaha (: xx – . “
Em seguida meu celular apitou, mostrando-me uma nova mensagem.
“ Uma xícara de café.. Uma de açúcar, eu quis dizer açúcar! Hahahaha. – .“
Mordi os lábios prendendo o riso e não entendia o porquê da minha expressão, então mostrei a mensagem a ele, que corou instantaneamente, mas sorriu.
- Mas então, o que iria me dizer? – Questionei curiosa e fui surpreendida, por algo que eu não esperava e julgando pela expressão facial de , ele também não estava contando com isso.

XIV - For every second chance.


- Oi amor. – Disse abrindo a porta.
- O que está fazendo aqui e como entrou em minha casa? – encarou-a.
- NOSSA casa. Você disse isso na noite anterior. – sorriu e eu apenas encarei-o, tentando entender o porquê de ele ter dito que queria tentar novamente, se ele ainda estava com ela. – Poderia me ajudar com as malas? – Encarou-o.
- Vou embora. Eu não deveria estar aqui. – Disse caminhando até a porta. .
- Espere. – Disse , segurando-me pelo braço.
- Porque está indo atrás dela? Eu sou sua namorada. Deixe-a ir. – A expressão de se abriu em um sorriso cínico.
- Sabe que não. E essa não ‘nossa’ casa. Vá embora daqui. – Disse ele num tom furioso. Soltei-me de e parti.


The Mess i Made - Parachute

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- , espere. – Puxou-me pelo braço.
- Esperar para quê? Para carregar as malas de sua namorada? – Encarei-o furiosa.
- Ela não está se mudando. – Encarou-me.
- Poupe-me de suas mentiras. – Disse fitando meus pés.
- Não menti ao dizer que queria tentar novamente. – Segurou meu rosto, fazendo-me encará-lo.
- Eu não quero tentar, estou com agora e me sinto feliz assim. – Disse segura.
- Porque está fazendo isso? – Encarou-me com seu olhos >>, fazendo-me paralisar.
- Fazendo o que? – Questionei.
- Fingindo estar feliz com ele, quando sei que é comigo que quer estar. – Disse, entrelaçando nossas mãos.
- Não quero estar com você, . Você foi só alguém que conheci. – Disse soltando-me dele e o vendo encarar-me, sem demonstrar reação alguma.
- E eu... – Hesitou. – Nunca quis ter conhecido-a. – Completou. Senti um enorme aperto, como se ele estivesse me destruindo. Senti uma imensa vontade de chorar, mas eu não pude, não na frente dele. Ficamos alguns segundos em silêncio, apenas nos encarando.
- Eu também nunca quis conhecê-lo, mas aconteceu e hoje consigo enxergar que meu pior erro, foi observá-lo se mudando para o complexo, naquela manhã. – Minha voz sumiu e paralisei ao ver encarando-me com os olhos marejados. O olhar que possuía um brilho extremamente incrível, que fechava-se quando ele sorria, agora encontrava-se absolutamente triste. – Não vou cometer esse erro novamente. – Continuei mesmo sentindo-me horrível por dizer aquilo e arrependendo-me ao vê-lo desabando em lágrimas, frente a mim. Quis abraçá-lo e dizer que não estava com , mas as coisas que aconteceram nos últimos dias me impediram de fazer qualquer coisa. Direcionei-me até a frente de casa, às lágrimas insistiram em escorrer de meus olhos e não pude impedi-las. Meu celular apitou, mostrando-me uma mensagem de dizendo que estava chegando ao complexo, junto aos garotos. Fiquei do lado de fora, observando ainda intacto, encarando seus pés e por vezes secando as incontroláveis lágrimas que não cessaram. Logo depois pude vê-lo correr até a porta de sua casa.
- O que ainda faz aqui? Mandei você ir embora. – Gritou.
- Achei que poderia mudar de ideia. – encarou-o.
- Não vou mudar. Saia agora. – entrou na casa, em seguida voltou ao jardim com as malas de . – Vá embora. – Disse secando as lágrimas que ainda insistiam e escorrer.
- Espere, vamos conversar. – Insistiu ela.
- VÁ EMBORA! – Puxou-a para o lado de fora.
- Pare, pare com isso. – Gritou .
- Nunca estivemos juntos e você não é bem vinda aqui. , eu não gosto de você, põe isso na sua cabeça. Eu gosto daquela que está magoada comigo e por sua culpa. – Gritou, sua voz estava trêmula por conta do choro. Eu consegui enxergar e entender absolutamente tudo, mas me mantive intacta. Avistei os garotos e junto a eles inúmeros paparazzi’s, que tentaram invadir o complexo, além dos demais moradores, que agora se encontravam na janela ou em frente a suas casas.
- Você me faz te odiar. – Disse . Os meninos correram para ver o que estava acontecendo e os encontraram discutindo. direcionou seu olhar à minha casa e correu até mim, ao ver-me sentada no chão. Os paparazzi’s tentaram fotografar, filmar, registrar. Mesmo distantes, foram capazes de ouvir os gritos. e seguraram levando-o para dentro, enquanto mostrava a saída para . acompanhou-me.
- Vai ficar tudo bem, fica calma. – Disse , que manteve-se abraçado a mim, o tempo todo.
- Não vai ficar nada bem. – Encarei-o.
- Tudo vai dar certo, confia em mim. – Mexeu em meus cabelos, tentando acalmar-me.

XV - For all my heart's mistakes.


conversou comigo, tentando entender o que havia acontecido.
- Fiz tudo errado. – Disse secando as lágrimas.
- Não se culpe. – Consolou-me.
- Você não ouviu o que dissemos um ao outro. – Encarei o vazio, lembrando-me.
- O que quer que tenha acontecido vai passar. – Apertou-me em seu abraço.
- Eu não deveria ter ido lá, não deveria. – Afundei-me em seus braços.
- Vai passar. – Soltou-me por alguns instantes, indo até a cozinha e me trazendo um copo de água. – Se acalma. – Disse entregando-me.
- Obrigada. – Disse. – , se importa em me deixar um pouco sozinha? – Questionei.
- Tudo bem para mim. – Sorriu. – Vou ver como está, qualquer coisa você pode me ligar. – Beijou-me a testa e caminhou até a porta. O silêncio era azucrinante, mas como nos últimos dias, pude ouvir o barulho na casa ao lado.
- “ Consegue nos contar o que aconteceu? – O tom de voz de demonstrava preocupação.
- Ela disse que não queria ter me conhecido, . – Disse com a voz trêmula.
- Ela disse isso por estar chateada. – tentou argumentar.
- Não. Ela estava me olhando e disse em alto e bom som. Sou tão ruim assim? – Pude imaginar seus olhos >> e marejados encararem .
- Fica calmo , vai passar. – tentou amenizar a situação.
- Não, serei obrigado a vê-la com o tempo todo e... – Hesitou. - Não poderei fazer nada. – Completou.
- ? – Era a voz de .
- Desculpe. – Disse .
- Temos que conversar. – Disse , em um tom sério.
- Não precisa falar nada. Sei que me pediu para ficar longe e não o fiz. Olha o que eu causei. – Disse seguro.
- Conta para ele? – pediu e eu tive a certeza de que o faria.
- Desculpe , mas se não contar eu mesmo conto. Ela entenderá. – Disse .
- O que está acontecendo? – questionou.
- Não devo, ela irá me odiar. – argumentou.
- Olhe como ele está, conte. – disse num tom sério e tudo ficou em silêncio até meu celular apitar mostrando-me uma mensagem de .
“Desculpe-me. Sei que não devia contar a ele, mas ele está muito mal com tudo isso, por favor, não me odeie.” Ele não deveria desculpar-se, eu jamais conseguiria odiá-lo.
- “O que tem para me contar? – questionou.
- Eu e ... – Hesitou. – Nós não... – tentava encontrar um jeito certo de falar, para não magoá-lo.
- Não estão juntos, não namoram. – completou.
- O que? – Disse .
- Eles não são namorados. – Disse .
- Então quer dizer que ela... – hesitou.
- Está livre. – Completou .
- Não. Ela mentiu para me manter longe. – Disse . Meus olhos se fecharam com força, desejando não ter feito tudo aquilo. – Preciso deixá-la. - Continuou
"

XVI - Maybe tonight I'll call ya.


- “ Não, você precisa ir atrás dela. – Disse .
- Sinto algo por ela desde o primeiro dia que a vi, mas não sou o cara que ela quer. – Disse , seu tom de voz diminuiu.
- Como pode não ser ? – questionou.
- Acho que ela gosta de você. – Disse .
- Se ela sentisse algo por mim, não teria vindo até aqui e não teria chorado pela briga de vocês. – argumentou. Como ele pode dizer aquilo? não devia saber.
- Mas quando ela disse tudo aquilo, estava tão segura. – explicou.
- Precisava estar se quisesse que você acreditasse nela. Quero me desculpar por não ter te contado antes, mas ela não queria se envolver. – Disse .
- Mas e aquele beijo? – Questionou .
- Desculpe. – Disse . – Vou para casa, querem carona? – Questionou.
- Sim. – Os garotos disseram em coro.
- Tudo bem? – Questionou.
- Vou ficar. – Disse . A porta bateu e fui até o lado externo, me despedir dos garotos.

Conversei com , que se desculpou milhares de vezes até que pudesse finalmente não sentir culpa. Assim que eles foram para casa, segui até meu quarto, tomei um longo banho e voltei para a sala, terminei alguns desenhos e acabei adormecendo. Ouvi um barulho na porta, mas não me preocupei em verificar o que era. Talvez eu estivesse apenas sonhando. Senti que alguém me pegou delicadamente no colo, me levou até a cama e cobriu-me, em seguida sentando-se ao me lado e acariciando meus cabelos. Tentei abrir meus olhos para saber quem estava ali, mas eles pesavam. Depois de muito tentar, consegui abri-los e vi com os olhos fechados, mas era possível ver lágrimas escorrendo sobre suas bochechas coradas. Meus olhos insistiam em fechar, não consegui mantê-los abertos.
- Fica bem, se quiser posso cuidar de você. – Sussurrou e beijou-me a testa.
Levantei-me as oito no dia seguinte, era meu dia de folga. Lembrei-me do “sonho” e senti o perfume de . Não sabia exatamente se era algo da minha imaginação ou se realmente ele esteve lá. Fiz minha higiene matinal e desci para tomar café.
Ao chegar à cozinha, encontrei um bilhete sobre a mesa que dizia:
“Bom dia meu anjo. Você fica linda dormindo, fica bem. Se quiser, posso cuidar de você, eu prometo!”
Sorri, eu sabia que era dele. havia realmente ido até minha casa, mas ele precisava manter-se longe e eu manter-me fria. Resolvi ir até a padaria, mas quando cheguei ao portão do complexo, desisti ao ver fotógrafos, muitos flashes piscavam enquanto tentei esconder meu rosto. Alguém se aproximou e colocou uma jaqueta em minha frente, protegendo-me.
- ? – Encarei-o surpresa.
- Bom dia! – Sorriu.
- Não precisa me proteger, não preciso que ninguém cuide de mim. – Disse da boca para fora.
- Não precisa falar nada. Só aceite que eu leve-a até a sua casa. – encarou-me, fazendo-me ficar em silêncio. – Conversei com , ele me contou tudo. Eu queria que você soubesse que eu... – Hesitou.
- Não preciso saber nada. Isso não tem a ver com você. – Fui rude.
- Para de tentar se defender o tempo todo, não estou te atacando. – encarou-me. – Eu quero me desculpar pelo que eu disse ontem e... – Continuou até que pudesse novamente interrompê-lo.
- Me pede desculpas hoje, mas amanhã me ataca outra vez. Não vou perdoar todos os seus erros. – Disse enquanto me desfazia de sua proteção e caminhei em direção a minha casa.
- Vai ficar tudo bem? – Questionou.
- Se manter-se distante, sim. – Encarei-o e entrei.

XVII - Love is peace in the middle of a war.


Durante toda a manhã, confeccionei as roupas que havia desenhado nos dias anteriores, e foi assim até o começo da tarde, onde fui surpreendida por uma ligação de .
- Oi . – Atendi.
- Como sabe que sou eu? – Questionou.
- Apareceu no identificador. Está tudo bem? – Questionei curiosa.
- Sim, mas eu precisava conversar com você. Poderia me encontrar em duas horas? – Disse.
- Claro, onde? – Questionei.
- Naquele prédio antigo no centro da cidade. – Concluiu.
- Tudo bem, em duas horas estarei lá! – Respondi.
- Até mais tarde. – desligou. Fiquei imaginando o porquê ele queria conversar comigo e porquê naquele antigo prédio. As horas passaram lentamente, liguei para , mas ele não atendeu, então, arrumei a bagunça que havia feito, em seguida, arrumei-me e segui em direção ao centro da cidade. Cheguei ao prédio e não o encontrei, achei melhor ligar para ele.
- Onde você está? – Questionei.
- Estou no terraço, diga à recepcionista que tem alguém a sua espera e ela liberará a subida. – Disse.
- Estou subindo. – Disse desligando em seguida.

Love is not a fight – Warren Barfield

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Fui até o balcão e a recepcionista fez exatamente o que havia dito, caminhei até o terraço e procurei por ele, mas não havia ninguém. Resolvi esperá-lo por mais alguns instantes. Encarei o horizonte, o pôr do sol que acontecia naquele momento era magnífico.
- É lindo, não é? – Questionou e congelei ao ouvir aquela suave e conhecida voz, nem mesmo o calor do sol que se escondia poderia me aquecer novamente.
- É incrível. Tão simples e natural, mas tão majestoso. – Me virei para encará-lo.
- Um dos meus passatempos favoritos... Olhar o céu. – Sorriu.
- Hm! Matarei o . – Sussurrei.
- Ele não tem nada a ver com isso. Quase o obriguei a me ajudar, eu precisava falar com você. – Continuou.
- , depois do que aconteceu ontem, não há mais nada para ser dito. Não quero ouvir suas mentiras. – Disse caminhando até a saída.
- Não precisa dizer nada, só me ouça. – colocou-se em minha frente, fazendo-me parar. – Olhe para mim, olhe em meus olhos. Queria dizer que gosto de você e por mais que possa não sentir o mesmo, eu precisava te contar. Não aguentaria conviver com o arrependimento de nunca ter dito o quanto você é importante pra mim. – Continuou. Encarei seu olhar, brilhavam como nunca antes, vi sinceridade e segurança em cada palavra que insistia em dizer, mas eu estava sem reação alguma, não sabia o que dizer e muito menos como agir. Ele estava encantador.
- Não é fácil para mim, tudo está acontecendo rápido demais. Sinto-me perdida... Sem rumo. – Encarei-o.
- Sei o quão difícil está sendo, mas eu estou aqui e posso ser sua direção. Se eu for parte da estrada que você precisa seguir? Se eu for parte de sua vida? – Aproximou-se segurando minhas mãos.
- Mas se este for o caminho errado? – Questionei.
- Nunca saberá se não tentar. Sei que posso ser melhor do que nesses últimos dias. – Disse encarando-me.
- Sei que pode, . Mas é isso o que você realmente quer? – Passei minha mão no contorno de seu rosto, acariciando-o.
- Eu... – Hesitou.
- Não é o que você quer. – Afastei-me.
- Eu quero você. – Puxou-me para perto de seu corpo. – E você? O que quer? – Continuou, mantendo-se junto a mim.
-Eu quero... – Hesitei encarando-o, senti seu hálito passear pelo meu rosto. O vento balançava meus cabelos e nossa respiração se tornou ofegante.
- Você me quer também. – Passou as pontas de seus dedos frios, em volta de meu rosto. Senti arrepios. Seus olhos >> continuavam fixos nos meus. Ele me deu um beijo na testa e sorri automaticamente. – Você me quer também, não quer? – Continuou, passando os dedos entre as mechas de meu cabelo. Continuei intacta, sem reação, eu estava confusa, mas eu tinha uma única certeza. – Não minta para si mesma. Sabe o que quer, então por que não me fala? – Sussurrou.
- Eu quero... você! – Finalmente, algumas palavras saíram de minha boca, num sussurro, talvez eu me arrependesse daquilo, mas já não importava. Vi um sorriso alarga-se em seu rosto e quando eu menos esperava, nossos lábios se encontraram num beijo doce e delicado, mas com desejo e vontade de ficarmos juntos. Nós sorrimos um para o outro e ele me abraçou forte.
- Se quiser, posso cuidar de você. Eu prometo! – Acariciou meu rosto.
- Sei disso. – Sorri e lembrei-me do bilhete que estava na cozinha. – Obrigada por ontem. – Sorri e sua expressão facial se tornou surpresa e então ele sorriu, corando. Ele sabia do que eu estava falando. Mas sobre aquele momento, estava sendo incrível, era encantadora a forma como tudo aconteceu. As palavras certas, o tom de voz apropriado, os gestos tão perfeitos que pareciam ensaiados e o pôr-do-sol que nos contemplou naquele fim de tarde... Eu, ao lado dele.

XVIII - I was so lost until tonight.


Ficamos no terraço por um longo tempo, sem dizer muita coisa. A maioria das vezes, eu o encontrava admirando-me, enquanto eu contornava a forma de seu rosto, meus olhos estavam fixos em seu sorriso, olhar, em seus cabelos que balançavam com a brisa fria e em cada detalhe.
- Vamos para outro lugar? – Questionou abraçando-me e mantendo-me aquecida.
- Onde? – Sorri encarando-o.
- Algum lugar que seja só nosso. Podemos dirigir até cansar e parar em algum lugar para conversar e admirar as estrelas. – Beijou-me a testa. Ele era incrivelmente gentil e isso era uma das coisas que eu mais adorava nele.
- Não podemos ser vistos juntos. – Me virei, ficando frente a ele.
- Não quer que sejamos vistos? – Encarou-me.
- Não, não é isso. Mas acho que está um pouco recente, e também tem o , e tudo aquilo que aconteceu ontem... Você sabe, . – Beijei-o.
- Acho que sei. – Forçou um sorriso. – Ficaremos a noite toda aqui? – Sorriu, encarando-me.
- Aqui é muito frio durante a noite. – Encarei-o.
- Eu te esquento, posso te proteger. – Puxou-me de volta para seu abraço.
- Não , é arriscado. E, aliás, não podemos ficar aqui por tanto tempo. Vamos para casa. – Disse.
- Vamos ficar mais um pouco? – Chantageou-me, dando vários beijos por todo meu rosto.
- Só mais um pouco. Está ficando tarde e você não está de carro. – Brinquei.
- Não me dará carona? – Sorriu.
- Não. – Disse mordendo os lábios, segurando o riso.
- Nem depois disso? – começou a me fazer cócegas e eu não conseguia parar de rir nem por um segundo. – Sem carona? – Gargalhou comigo, talvez pela expressão boba que fica em meu rosto quando sorrio, pela minha risada que o contagiou ou por estar realmente feliz.
- Tudo bem, eu me rendo. Pare de me fazer cócegas. – Tentei soltar-me de seus braços, tentativa falha, eu estava sem forças.
- Sabia que você é linda sorrindo assim? – Abraçou-me novamente.
- Assim como? – Questionei.
- Sorrindo para mim. – Sorriu e mordeu o canto de seus lábios.
- Eu não fazia idéia do quão incrível você poderia ser. – Encarei-o.
- Sou tão ruim assim? – Brincou, mudando sua expressão facial, fingindo estar triste.
- Você sempre foi maravilhoso, mas agora é diferente. É mais encantador. – Deitei-me em seu peito e pude ouvir as batidas de seu coração, fortes e rápidas. – Estou ouvindo seu coração. – Encarei-o.
- Ainda bem. Imagina se estivesse parado. – Debochou.
- Bobo. Está batendo forte. – Disse sorrindo.
- Talvez você seja o motivo. – Entrelaçou nossas mãos e fiquei mais uma vez, sem saber o que dizer, então, simplesmente beijei-o e ele sorriu. Ficamos no terraço, até anoitecer. – Está vendo aquela estrela? – Apontou.
- Sim, é linda. – Disse admirada.
- Tem o mesmo brilho de seus olhos. – Sorriu.
- E ela é tão linda quanto você. – Encarei-o.
- Incrível, como as estrelas e a lua são tão lindas e brilhantes. Deixam o céu ainda mais bonito, como se elas se completassem... Como se fossemos nós. – Abraçou-me.
- É maravilhoso, como esse momento. – Passei minhas mãos por seus cabelos.
- Eu sou. – Gabou-se.
- Você? Acho que não, mas isso que estamos fazendo agora, sim. – Disse sorrindo.
- E o que estamos fazendo agora? Nos beijando? – Disse e então me beijou novamente.
- Gosto quando você está por perto. – Encarei-o.
- Gosto de estar com você e do jeito que olha para mim. – Sorriu e retribui.
- Vamos para casa? Esta ficando tarde. – Disse bagunçando seus cabelos.
- Não quer dormir comigo essa noite? Podemos ficar admirando as estrelas. – Sorriu enquanto tentava arrumar seu cabelo.
- Sem chantagem emocional. Vamos para casa! – Disse levantando-me.
- Tudo bem, você quem manda. – Levantou-se e entrelaçou nossas mãos.
- Tem certeza? – Sorri ao ver sua atitude.
- Certeza absoluta. Vamos sair na rua de mãos dadas. Se encontrarmos algum papparazi, sorte a dele que poderá fotografar seu sorriso. – Puxou-me para perto de seu corpo, abraçando-me e mais uma vez me senti segura.
- Eles não querem a mim, querem fotografar você. – Sorri e caminhamos até o carro.
- Eu dirijo. – Disse tirando as chaves de minhas mãos e como um cavalheiro, abriu a porta do carro para que eu pudesse entrar. dirigiu até chegarmos em casa.
- , a chave do carro. – Pedi.
- Pega. – Jogou-a e como sou extramente desastrada, não consegui segurar a chave antes que ela caísse em meu rosto.
- AI! – Gritei enquanto abaixava-me para pegar a chave no chão.
- Desculpe... Desculpe amor. – Disse indo em minha direção, apenas parei e encarei-o.
- O que foi? – Encarou-me.
- Você disse “amor”! – Sorri.
- Como você é boba. Amor, amor, amor. – Disse abraçando-me e sorrindo.
- Fala mais? – Sorri.
- Amor, amor, amor, meu amor. – Sorriu e beijou-me. – Amanhã você precisa trabalhar? – Encarou-me.
- Bem lembrado. Preciso dormir um pouco. – Sorri.
- O convite para passarmos a noite juntos ainda está de pé. – Sorriu.
- Preciso fazer algumas coisas, não poderemos passar a noite juntos, vou ficar sozinha hoje. – Disse dando um selinho em .
- Então é melhor eu ir. – Sorriu.
- Nos vemos amanhã? – Questionei.
- Com certeza. – Encheu-me de selinhos e por fim um beijo.
- Boa noite, ! – Abracei-o.
- Boa noite, amor. – Beijou-me a testa e caminhou em direção a sua casa. Assim que entrei, meu celular apitou, mostrando-me uma menssagem.
“ Eu estou bem aí, se você se sentir sozinha! . (: “
Sorri, pegando meu caderno para finalizar algumas roupas. Minutos depois tomei um banho, comi alguns doces e adormeci. No dia seguinte, minha mania de deixar a porta destrancada, fez com que eu acordasse de modo diferente.
- Fiz nosso café da manhã. – Disse colocando uma bandeja com várias frutas em cima da cama e beijando-me a testa.
- Preciso lembrar-me de trancar a porta. – Sorri. – Você é um anjo. – Disse pegando um dos morangos que estava na bandeja.

XIX - Secret.


- O que te fez acordar essa hora? – Sorri.
- Você. – Disse colocando um morango em minha boca.
- Quer dizer que agora tenho poder sobre você? – Debochei.
- Sempre teve. – Sorriu e retribui. Tomamos o café da manhã e arrumei-me para o trabalho. Eu estava tão feliz, mas nem mesmo o meu melhor sorriso conseguiria expressar.
- Preciso ir, queria ficar aqui com você. – Disse jogando-me sobre ele.
- Levo você até a loja. – Sorriu.
- Tem certeza?– Beijei-o.
- Sim, princesa. – Pegou-me no colo e levou-me até a sala.
- Você precisa parar com isso. – Sorri. – Vamos? Não quero me atrasar. – Entrelacei nossas mãos e puxei-o. levou-me até loja, nos despedimos com um beijo no rosto para poupar e nossa privacidade.
- Até mais tarde, amor. – Sussurrou.
- Até mais tarde, anjo. – Sorri e entrei. Como de costume, fiz os relatórios e dei uma volta na loja para ver o movimento e verificar se há algo de errado. Tive uma surpresa, extremamente desagradável, mas ainda sim era uma surpresa.
- ? – Encarei-a.
- . – Disse.
- O que faz aqui? – Questionei.
- Compras. Não sabia que você era empregada daqui. – mordeu os lábios, segurando o riso.
- Sim, sou a gerente. – Sorri orgulhosa.
- De qualquer forma essa loja é uma droga. – Olhou em sua volta.
- Não me importo se quiser se retirar. – Olhei fixamente.
- Com certeza. Esse lugar é mal frequentado. – Sorriu e só não a agredi, pelo fato de estar no trabalho, ela tem sorte por isso. Voltei até minha sala, fiz os demais relatórios e quando me dei conta, era hora de ir para casa. Peguei minhas coisas e dei uma passada no setor feminino, para ver a nova coleção e ainda estava lá.
- Mudou de ideia sobre a loja mal frequentada? – Encarei-a.
- Gostaria que soubesse de uma coisa, quero me certificar que irá receber a notícia. – Sorriu. – Eu e fizemos as pazes, estamos juntos novamente. – Continuou e sua expressão cínica voltou a transparecer.
- Desculpe. Não acredito. – Sorri.
- Ele veio comigo, mas preferiu ficar no carro. – Encarou-me e apontou para a saída, direcionei meu olhar e pude enxergar o carro de estacionado frente à loja, paralisei pensando na grande burrada que eu havia feito ao acreditar nele novamente. e entraram na loja e caminharam em nossa direção, atrás vieram alguns fotógrafos, que fingiam estarem admirando as roupas, mas na verdade só precisavam de uma oportunidade para poder flagrar alguma cena que eles julgassem polêmica.
- , meu amor. – sorriu radiante e ele retribuiu. Não precisei de mais ações, apenas caminhei de volta à minha sala. Precisava tomar providências em relação aos fotógrafos, mas não o fiz.
- AMOR! – Gritou , o que me fez parar. Ele disse algo à , não pude ouvir. apenas encarou-o repreendendo e para que ninguém percebesse, começou a gritar.
- AMOR, AMOR. ESPERA! – correu em minha direção. levou as mãos à cabeça, enquanto vários flashes e perguntas eram disparadas.
- O que está acontecendo?
- Você e voltaram?
- Sim, nós voltamos. – sorriu enquanto dava entrevista e posava para fotos.
- E o ? Quem é aquela garota?
- Eles são namorados. Saem junto o tempo todo, mas dizem que são apenas amigos. Você já pode publicar uma nota sobre o namoro deles. – Ela disse irônica.
- Porque o foi atrás dela?
- Ela está em crise com , ele foi dar um apoio a eles. – disse explicando uma história que acabara de inventar.
- E porque a chamou de amor?
- Ele ME chamou de amor, não sei se perceberam, mas ele olhou para mim e sussurrou que iria dar uma força para eles. – contornou a pergunta, falando sobre os supostos relacionamentos que na cabeça ‘’dela’’ existiam. Desisti de toda aquela cena e entrei de vez na sala, batendo a porta, entrou em seguida.
- O que está acontecendo? – Questionou .
- me contou sobre ter feito as pazes com . – Disse nervosa.
- E você acreditou? – entrou na sala.
- O que ela disse foi convincente. – Não encarei seu olhar, mas percebi decepção em sua expressão.
- O que ela disse? – aproximou-se.
- Disse que havia feito as pazes com e que ele havia trago ela até a loja. Assim que ela terminou de falar, vocês entraram. – Encarei-o.
- Eu estava na casa do e ele me chamou para vir buscar você. – Defendeu-o e continuou com os olhos fixos em mim, dessa vez eu havia o decepcionado por acreditar em .
- Desculpe, . – Disse e algumas lágrimas escorreram pelo meu rosto por conta do nervosismo. caminhou em minha direção e abraçou-me.
- Tudo bem. – Beijou-me a testa.
- Abraço coletivo. – caminhou em nossa direção e virou de costas para que o abraçasse por trás.
- Bromance. – Disse sorrindo e eles apenas soltaram-se e me olharam. – O que foi? Estou ligada no que as fãs de vocês conversam. – Sorri. Resolvemos ir para casa, por um momento esquecemos os paparazzis e caminhamos de mãos dadas, quando fomos vistos nos soltamos espontaneamente. Eles nos questionaram sobre o suposto relacionamento entre mim e .
- nos contou sobre você e . Disse que irão assumir o namoro, assim como ela e .
- O QUE? – Disse incrédula.
- COMO PODE FAZER ISSO? – alterou seu tom de voz e encarou .
- COMO VOCÊ PODE? ERA SEGREDO! – E novamente tentou salvar a pele de .
- É, estamos namorando. – Segurei a mão de e caminhou até .
- Essa minha namorada... Não consegue ficar quieta. – Deu um meio sorriso. Meu coração se partiu em dois ao ouvir a palavra “minha namorada” sair da boca de se referindo à .
- Estão namorando e nada de beijo?
- Estou gripado, não quero deixá-la resfriada. – Disse que teve um ataque planejado de tosse.
- Coisa de casal querer proteger.
- Não me importo. – disse e o beijou. Apertei a mão de e ele apenas me abraçou. Meu coração que estava em dois se partiu em centenas, mesmo sabendo que a culpa não era dele.
- Combinamos de não expor nosso relacionamento. deu ênfase na frase. – Pelas minhas fãs. – Continuou.
- E vocês não vão selar a união? – Um dos paparazzis questionou e direcionou seu olhar para e moveu seus lábios em um: “Não, por favor!” inaudível. Olhei para e aproximei-me de seu rosto, dando um beijo em sua bochecha. suspirou aliviado e sorriu com a expressão de todos.
- Também combinamos de não expor tanto nosso relacionamento, tem suas fãs e respeito isso. – Disse colocando ênfase no fim da frase e encarando .
- Podemos bater uma foto de vocês quatro juntos?
- Claro! – sorriu.
Pediram para que eu ficasse entre os garotos e ao lado de . passou sua mão direita pela minha cintura abraçando-me. colocou sua mão esquerda em minhas costas, como se fossemos amigos e repetiu a atitude com , ficando um pouco afastado dela. Senti a mão de sobre a minha e segundos depois ele colocou nossas mãos sobre a de , nossos dedos se entrelaçaram. Seguramos firme e automaticamente olhamos um para o outro e sorrimos. As fotos foram tiradas e em todas elas estávamos rindo e muito próximos. Já , estava destacada com um sorriso sem graça e bem afastada de . Depois que as fotos foram tiradas, pedi para que os paparazzis se retirassem e assim eles fizeram, ficando do lado externo.
- Não cansa de ouvir que não gosto de você? Porque tenta estragar minha vida? Você vai sair daqui AGORA, e se eles perguntarem por que não está comigo, dirá que tem compromisso ou inventará qualquer desculpa que não envolva nosso nome. – disse nervoso e assim ela fez, porque apesar das coisas que fazia, ela o amava... Na verdade, era obcecada por ele. Demos um tempo na loja, para que ela fosse embora e saímos em seguida. iria dirigir, eu no banco do passageiro e no banco traseiro. Os paparazzis ainda nos fotografavam. Quando entramos no automóvel, ainda nos arriscamos e entrelaçamos nossas mãos entre os bancos.
- Vocês são malucos. – Sorriu , ao ver nossa atitude.
- Você começou com isso. – Brinquei abraçando-o, enquanto bagunçava os cabelos de .
- Parem de me usar como álibi. – gargalhou e seguimos em direção ao complexo. No meio do caminho, quando estávamos parados no transito, passei para o banco de trás. Eu e brincávamos o tempo todo, ele me fazia cócegas, eu bagunçava seu cabelo, interagíamos com , fazendo brincadeiras e fazendo-o gargalhar. E quando nos beijávamos éramos repreendidos. – Parem de se beijarem no banco do meu carro, que nojo. – olhou rapidamente para o banco de trás e gargalhou.
- O carro é meu. – Disse batendo na cabeça de . Estávamos radiantes e resmungava o tempo todo, por não ter uma namorada, mas estava feliz. Foi uma manhã divertida e turbulenta.

XX - Bad news.


Quando chegamos ao complexo.
- Vamos para minha casa. – Encarei-os.
- Não, vamos para a minha. – puxou-me.
- Ninguém se importa com o que quero? – resmungou.
- , o que quer? – Sorri.
- Casa do . – Debochou.
- Então, porque fez questão de opinar? – Questionei.
- Só para te irritar. – Sorriu.
- Bobo. – Sorri e abracei .
- Então vamos. – puxou-me e fomos até sua casa, conversamos sobre o que havia acontecido e isso nos fez rir.
- Vou checar meu e-mail e minha rede social, se não se importa. – Disse pegando o notebook de e ele apenas assentiu sorrindo. Havia um e-mail da minha mãe, dizendo que eu precisava apresentar a ela, meu novo namorado e deduzi que as fotos da loja e as notícias já estavam no ar. Em seguida entrei em meu twitter e havia inúmeras mensagens apoiando meu ‘’relacionamento’’ com e diversas outras mensagens ofendendo-me.
“Como você pode? Quem você quer? ou ? Escolha vadia e se machucá-los, eu te machuco.”
Assustei-me, mas não entendi o porquê daquela ameaças.
“O que está acontecendo?”
Questionei em minha rede social.
“Você foi pega, veja.”
Responderam-me com um link, em meio a diversas mensagens.
, , e , Ódio ou Romance?
Esta manhã os ‘casais’ foram flagrados juntos na loja “You Want”, posaram para fotos e revelaram alguns segredos.
e estão namorando e logo vão assumir, assim como e eu.” - nos contou.
Parece que esse romance tem algo a mais, , e foram filmados enquanto posavam para as fotos, um paparazzi flagrou o momento em que segurou as mãos de e . Veja o vídeo a seguir:
Na foto eles estavam extremamente felizes, exceto . Será que ela é só um álibi para ? Será que , e são um triângulo amoroso? O que deve pensar sobre ser a única que não entrará na festinha? Esperamos vê-los mais vezes juntos e logo confirmaremos nossas dúvidas.”

- Olhem isso. – Disse incrédula.
- O que? – Disse ao ler a matéria.
- Quem nos filmou? – encarou-nos assustado.
- Não faço ideia. Temos que desmentir isso. – encarou-me inseguro.
- , não podemos assumir! – Disse encarando-o.
- Vocês precisam. Finjo por uns dias que estou triste, disse que estávamos em crise. – encarou-me.
- Suas fãs vão me matar se eu magoar um de vocês. – Disse mostrando a , uma ameaça que havia recebido.
- Vai falar que sou seu melhor amigo. – encarou-me. – É o melhor que podemos fazer, não quero que se exponha. – Aproximou-se e me abraçou.
- , eu já estou exposta. Sou “namorada” do lembra? – Encarei-os fazendo sinal de aspas com as mãos.
- Tudo bem. – largou-me instantaneamente.
- O que foi? – Encarei-o.
- Você é ‘’namorada’’ do . – Disse enciumado.
- Eu não o beijei quando estávamos na loja. – Fui irônica e levantei-me.
- Eu não sou seu namorado. – Gritou .
- Sabemos disso, mas parece que , não entende para que servem as aspas. – Encarei-o.
- Parem de falar como se eu não estivesse aqui, não sou um obstáculo na vida de vocês, sou amigo dos dois e tudo o que faço é para ajudar. – encarou-nos enquanto dizia num tom de voz alterado. – Temos que agir como um time. – Sorriu.
- Mas é complicado. – Disse voltando a sentar ao lado de .
- É complicado porque não podemos assumir nada agora, é tudo muito recente. – puxou-me para mais perto dele e pegou o notebook. Virei-me para olhá-lo e ele beijou-me e me abraçou mais forte, nos fotografou com seu celular, logo depois passou a foto para o notebook e colocou-a como plano de fundo.
- Então está decidido? – encarou-nos.
- Decidido? – Questionei.
- Você e dirão a verdade. – Sorriu.
- Não! Vamos dizer que somos melhores amigos, precisamos de privacidade agora. – encarou-nos
- Tudo bem. – Disse pegando o notebook e publicando uma mensagem a respeito do assunto.
“Eu e somos grandes amigos, esse vídeo é parte de uma grande brincadeira de , coisa pessoal.”
- Feito! – Enviei a mensagem e mostrei a eles.
“Ok, isso é brincadeira não é? se tornou minha melhor amiga, passo muito tempo com esse casal.”
- Pronto, mandei pelo celular. – sorriu.
- ? – Nós dois o olhamos.
“Hahaha... Estou rindo com o que acabei de ler, como um triângulo amoroso? Como todos, nós também temos nossas piadas internas!”
escreveu na rede social. E instantes depois choveram comentários dos fãs, sobre nós.
- Resolvido. – levantou-se com um sorriso malicioso e foi até a cozinha. Minutos depois, li uma mensagem de nas minhas interações e não consegui conter o riso. não entendeu, então mostrei a ele.
“@ @: Eu só queria uma xícara de café... Café não, eu quis dizer açúcar. Isso! Uma xícara de açúcar. Hahaha :) xx ”
nos mencionou. corou, mas sorriu. Direcionamos nosso olhar para a porta da cozinha e lá estava , com minhas xícaras em suas mãos, encarando-nos.
- Falei que ele não devolvia. – gargalhou.
- Estou com fome. – tentou alterar o assunto.
- Eu também, quero tomar um café... – Hesitei, mordendo os lábios, prendendo o riso.
- Café não, açúcar. – completou e gargalhamos, enquanto encarava-nos, segurando o riso.
- E me dê essa xícara, me pertence. – Disse indo em direção á cozinha e pegando-a de .

XXI - Diary of a couple.


- Acho que estou sobrando aqui, melhor eu ir embora. – disse indo em direção a porta.
- Não , fique aqui. – Sorri.
- Não , pode ir. – debochou.
- Só vou porque sou uma pessoa legal e não vou atrapalhar os pombinhos. – sorriu.
- Pensei que você nunca iria embora. – gargalhou.
- Sabe que eu não tenho muito que fazer em casa, então se não ficar quieto, eu passo a noite aqui, durmo com você e a vai ter que dormir no quarto de hóspedes. – sorriu malicioso.
- Tudo bem, esse lugar começou a ficar pequeno demais para nós dois. – Disse debochando.
- Tudo bem, já tinha combinado de ir dormir na casa do essa noite. – caminhou até a porta.
- Tchau . – Gritou .
-Tchau nada. Me expulsa e vem querer dar um de amiguinho? – sorriu e saiu. – E não esquece que temos show, 17h todo mundo na casa do ! – abriu a porta novamente.
- Estaremos lá. – encarou-me.
- Estaremos? – Questionei.
- Você vai, não vai? – encarou-me.
- Com certeza. – respondeu.
- Não sei se é uma boa ideia. – Disse pensativa.
- É uma ótima ideia para desmentir toda essa história. – Disse .
- Vou pensar. – Sorri.
- Ela vai. – sussurrou e sorriu, saindo novamente. Fui até a sala e peguei a câmera de que estava em cima da mesa de centro.
- Quer fotos comigo? O que é isso? É minha fã também? – debochou.
- Engraçadinho. – Ironizei. – Vou nos filmar. – Disse beijando-o.
Sentamos-nos no chão e colocamos a câmera na mesa de centro, para que conseguíssemos filmar nós dois. Ligamos a câmera e começamos a falar sobre nosso dia, era como um diário, mas de um casal. Começamos a rir e fazer caretas, ele bagunçava meu cabelo, me fazia cócegas, me abraçava e me beijava o tempo todo. Estávamos nos divertindo, ele era incrível.
- Vou tomar água, já volto. – Disse indo até a cozinha, ele sorriu e continuou sentado, falando com a câmera, coisas que não consegui ouvir. Fiquei admirando-o por uns instantes, em seguida, abri a geladeira, peguei chantilly, alguns morangos e voltei para a sala.
- Invadi sua geladeira e peguei morangos e chantilly. – Disse sentando-me a seu lado.
- NOSSA geladeira. – Sorriu. – Você me ama não é? Sei que me ama. – Continuou, encarando-me com seus magníficos olhos >> que se fecharam com o sorriso encantador que exibia naquele momento.
- Não tire palavras da minha boca, coloque morangos e me abane. – Gargalhei.
- Mas não seriam uvas? Não eram uvas que eles comiam nas épocas antigas? – Sorriu.
- Só temos morangos. – Disse pegando o recipiente com as frutas e mostrando-o. Ele pegou um morango e colocou em sua boca, dizendo para eu morder. Peguei o chantilly, coloquei no morango e mordi. Ele sorriu, estávamos nos divertindo tanto que acabamos esquecendo-nos da câmera.
- Você está feliz? – Questionou.
- O que acha? – Disse colocando chantilly na ponta de seu nariz, isso o fez sorrir. Ele me deu um beijo de esquimó e em seguida mordi sua bochecha.
- Agora você não escapa. – Disse tentando segurar-me, mas consegui levantar-me, fazendo com que ele me seguisse. Abraçou-me e jogou-me no sofá, caindo por cima de mim, encarou-me como se estivesse admirando-me, sorri espontaneamente e ele me beijou.
- Tem um cílio no seu rosto. – Disse passando seus dedos pela minha face.
- Então, faça um pedido. – Passei meus braços por cima de seu pescoço, envolvendo-o e ele encarou-me por alguns segundos.
- Quer namorar comigo? – Sorriu ao dizer e então o beijei.
- Isso responde a sua pergunta? – Disse acariciando seus cabelos levemente. Novamente ele ficou intacto, sorrindo e encarando-me sem dizer nada.
- E eu estou completamente apaixonado por você. – Disse encarando-me.
- Posso dizer que estou apaixonada por um cara louco. – Encarei-o e seu sorriso alargou-se, fazendo seus olhos se fecharem e brilharem, encantadoramente, como nunca antes. – Esse seu sorriso. – Admirei-o.
- O que tem ele? – Questionou ainda sorrindo.
- Você nunca sorriu assim, gosto desse sorriso. – Encarei seu olhar.
- Nunca tinha dito que estava apaixonada – Beijou-me lentamente, pegou o chantilly e jogou em meu rosto.
- , você me paga! – Disse esfregando meu rosto no dele. Empurrei-o, fazendo com que ele caísse no chão, levantei-me e lembrei que a máquina ainda estava ligada, então voltei a me sentar, puxei-o pela camisa, levantando-o e ele sorriu, estávamos sujos de chantilly. O que era completamente legal. Ele me abraçou e dissemos “Tchau” juntos, mas antes que eu desligasse a câmera, ele lambeu um pouco do chantilly que estava em meu rosto e isso me fez rir. Desliguei a câmera e voltei a empurrar , ele se deitou novamente, puxando-me, ficamos ali por um tempo, até que adormecemos no chão da sala. Estávamos abraçados, acordei poucas horas antes de irmos até a casa de .
- , são 15:00h. – Disse dando um selinho, para que ele acordasse.
- Então vai para casa se arrumar para o show. – Sorriu.
- Não é uma boa ideia amor. – Encarei-o e ele não disse nada, apenas me pegou no colo.
- O que você está fazendo? – Questionei gargalhando.
- Estou te levando para casa, para você se arrumar e ir ver o show do SEU namorado. – Sorriu enquanto carregava-me até minha casa. Abriu a porta, que como sempre, estava destrancada, levou-me até o quarto e jogou-me na cama, em seguida, abrindo o guarda roupa.
- Você é louco! – Sorri.
- Quero que você vá com essa roupa. Gosto dela. – Sorriu e entregou-me um vestido preto, com detalhes em taxinhas douradas.
- Vai ficar na cama me olhando? Vá vestir-se ou quer que coloque o vestido em você? – Sorriu malicioso.
- Vai para casa e se arrume. – Sorri, aproximando-me.
- fica pra próxima. – Mordeu os lábios. – Quando terminar vai lá para casa, se eu terminar antes venho buscá-la. – Continuou e beijou-me.
- Tudo bem, até daqui a pouco. – E então ele saiu. Tomei um banho, sequei meus cabelos, fiz cachos nas pontas e coloquei o vestido que havia escolhido. Era um vestido delicado, eu mesma havia desenhado, coloquei um salto preto, fiz uma maquiagem preta básica, passei um batom vermelho e fui até a casa de .
- ? – Chamei-o, enquanto abria a porta que estava encostada. Ele estava sentado no sofá, ainda não tinha nem começado a arrumar-se, estava com o notebook em seu colo, vendo o vídeo que havíamos gravado mais cedo e nem se deu conta de que eu estava lá. Então abracei-o por trás do sofá.
- NOSSA! Você está linda, escolhi bem o vestido... E a namorada. – Admirou-me e me beijou, puxando-me por cima do sofá.
- Você é um anjo. E já são 16:30h e precisamos estar na casa do às 17h. – Sorri.
- Já? Eu perdi a hora, preciso me arrumar... – Beijou-me a testa e correu para o banho. Peguei o notebook dele e comecei a olhar o vídeo. Sorri espontaneamente, mas meus olhos brilharam ao ver falando...

XXII - I need more patience.

“Nunca havia me sentido assim antes e desde a primeira vez que a vi, soube que ela era a garota da minha vida, talvez seja cedo para dizer isso, mas estou apaixonado. Ela é incrível e perfeita, feita pra mim...”
Esse foi o trecho que não consegui ouvir quando fui até cozinha, me peguei revendo o vídeo inúmeras vezes, até que pudesse ser interrompida por sua voz de anjo.
- AMOR! – Gritou .
- Oi, anjo? – Disse indo em direção ao quarto.
- Qual camisa está melhor? Preta ou azul? – sorriu apontando para as camisas jogadas sobre a cama. Ele estava com uma toalha branca amarrada em sua cintura e com os cabelos ainda molhados.
- Preta. – Disse admirando-o, sem ao menos olhar para as camisas.
- Mas você nem sequer olhou. – sorriu.
- Desculpa, mas a culpa é sua... – Sorri tímida, ele mordeu o canto dos lábios e me deu um selinho, em seguida abraçou-me. – Eu gosto da preta. – Sorri olhando para a cama.
- Obrigada. – Beijou-me a testa.
- Vou esperá-lo na sala... Vista-se logo, estamos atrasados.– Mordi o canto do lábio inferior, ainda admirando-o, ele sorriu. Caminhei até a sala e liguei a TV para distrair-me, enquanto esperava-o, mas os minutos passavam e ele não descia, então fui apressá-lo.
- ? – Disse abrindo a porta.
- Estou aqui. – Disse e eu segui o som de sua voz.
- O que foi? Porque está demorando tanto? – Entrei no banheiro onde ele secava seus cabelos.
- Estou terminando, falta apenas passar essa pomada, para fixar meu cabelo. – sorriu.
- Você demora muito para ficar pronto. – Disse ajudando-o a arrumar os cabelos.
- Pronto reclamona. Vamos para o ? Temos só alguns minutos. – abraçou-me e caminhamos até a sala.
- mandou-me algumas mensagens. – Disse mostrando o celular a ele.
- Estamos mesmo atrasados, é sempre o último a chegar. – pegou as chaves e seguimos até a casa de . Conversamos sobre a nota que havia saído sobre nós, eu estava um tanto confusa, era complicado, eu não estava acostumada com aquilo. Chegamos à casa de e havia de três a quatro fotógrafos, não consigo me acostumar com toda essa perseguição.
- ? – Encarei-o assustada.
- O que foi? – Questionou.
- O que faço? Tem fotógrafos aqui. Eu me abaixo? Volta... – Disparei.
- Acalme-se. Vou parar o carro e você andará ao meu lado. – Sorriu.
- Eles vão nos encher de perguntas e flashes. – Disse preocupada.
- Apenas sorria. – Segurou-me as mãos e em seguida descemos do carro.
- É verdade que estão namorando? – Um dos fotógrafos aproximou-se.
- Não, somos amigos! – Afirmei.
- E porque você veio com ? – Disse enquanto fotografavam-nos.
- Porque já está aqui e é meu vizinho. – Tentei sorrir, para disfarçar todo o meu desespero.
- , você pode abraçá-la para fotografarmos? – Questionou e assim ele fez, em seguida beijando-me o rosto.
- Obrigada, obrigada, mas agora temos que ir... – puxou-me pela mão, enquanto tentava proteger-me de todos os flashes. Sorri por ele estar comigo, segurando minha mão e protegendo-me, eu estava feliz. Caminhamos até a casa de e batemos na porta.
- U - A - U! – admirou-me, enquanto abria a porta.
- Oi . – Sorri tímida.
- Ela é minha. – sorriu e abraçou-me.
- Eu disse UAU pra você , porque pensou que foi pra ? – Debochou. – Ela é sua, mas dentro de casa, porque ainda têm fotógrafos aí fora, entrem... – puxou-nos para dentro.
- Olá meninos. – Sorri e eles ficaram parados admirando-me. – Ok, isso está estranho. – Segurei as mãos de .
- Estão apenas surpresos com sua beleza. Você está realmente linda. – Beijou-me.
- Oi . – sorriu encantado.
- Oi . Eu deveria matá-lo, mas julgando pelos fatos, devo agradecê-lo. Obrigada. – Abracei-o fortemente.
- Não fiz nada, apenas ajudei dois amigos. – Sorriu, retribuindo o abraço.
- Então? Sou o único que não sabe absolutamente nada? – encarou-nos.
- Também não sei, quer dizer, só estou sabendo o que contou e não é muita coisa. – Disse .
- , você está linda. – admirou-me.
- Obrigada . – Sorri. Explicamos tudo para os meninos e eles nos deram o maior apoio.
- Hey, vamos? – encarou-nos.
- Vamos. – disse pegando as chaves.
- Você precisa ir com a . – Disse .
-Tudo bem, vai conosco. – Afirmou .
- Vou com e com . – Disse , pegando as chaves do carro em cima da mesa.
- Se vocês quiserem, vou depois. Podem ir os cinco juntos e vou logo atrás. – Sorri.
- Não, vai com a gente. – beijou-me a testa.
- Então vamos logo, não podemos nos atrasar. – caminhou até a porta.
Seguimos em direção à casa de shows. Quando chegamos lá, não havia quase ninguém na porta, pois faltavam apenas uma hora e meia para eles subirem ao palco e os fãs já estavam todos dentro do local, divertindo-se, com a banda que abriu o show. Eles se direcionaram ao camarim, enquanto subi até o camarote. Aquela casa de show estava muito mais lotada do que eu podia imaginar. Fiquei curtindo o show da banda que estava tocando, enquanto os garotos ainda não entravam. Fiquei trocando mensagens com os cinco. Dizendo como as fãs estavam gritando ansiosas para vê-los. Como elas procuravam por eles. A última música da banda de abertura estava rolando. Vi a felicidade em cada fã, era algo tão lindo. Um amor tão puro. Não era possível ouvir nada, além de gritos e mais gritos, ao perceberem as cortinas fechando-se.
Finalmente, as luzes se apagaram por alguns instantes e as cortinas se abriram, as luzes focaram apenas nos cinco. Eles não sabiam, mas eu tinha todas as músicas dos garotos no meu notebook. Eles olharam para o camarote e me viram, pareciam impressionados ao me ver cantar, apenas sorri. Eu estava tão orgulhosa, eu sabia que eles amavam o que faziam, amavam cantar, amavam estar ali... Naquele palco.
Eles começaram a cantar a música mais romântica de todo o repertório e fixou os olhos em mim. Quando o viu encarar-me, deu uma pequena esbarrada em , para que ele parasse de cantar para mim, pois poderiam fotografar. Não consegui evitar o riso, a cena foi bastante engraçada. Mandei inúmeras mensagens para os garotos enquanto eles estavam no palco, dizendo que estava orgulhosa, que estavam incríveis e entre outras milhares de coisas. Eu fazia gestos do camarote, brincando com eles e quando e me encaravam, eu fingia segurar uma xícara de café, instantaneamente corou e prendeu sua risada. Estava tudo extremamente maravilhoso, até que pudesse olhar para o lado e encontrar uma caminhando em minha direção.
- Tudo bem. Finja que ela não está aqui. – Pensei alto.
- ! – Sorriu.
- . – Corrigi.
- ! Não vim até aqui para brigar, mas sim para ver o show dos garotos. – encarou-me e apenas desviei meu olhar. – Pegarei uma bebida, você quer? – Questionou.
- Não quero nada que venha de você. – Sorri e ela apenas virou-se, caminhando até o balcão. Por um segundo, achei que ela estivesse dizendo a verdade sobre não querer brigar. Como sou ingênua.
- Desculpe! – Sorriu cinicamente ao fingir um deslize e derrubar toda a sua bebida sobre minha roupa.
- Não acredito que você saiu da sua casa para vir me azucrinar. Não consegue ficar um dia sem tirar-me a paciência? – Encarei-a e desviei meu olhar para os garotos, todos me encaravam ainda cantando e parecia preocupado. – Não devia fazer isso, mas não há nada que me impeça. – Eu estava pronta para agredi-la, mas uma das fãs que havia no local impediu-me, pedindo que eu tirasse uma foto com ela e assim eu fiz. Ela abraçou-me e pediu para que eu cuidasse de . Sorri e pedi desculpas pela minha roupa suja, e ela apenas sorriu, como se não houvesse problemas, disse que me apoiava com e que me adorava. Agradeci e sorri e então ela voltou sua atenção para o show.
Fui até o banheiro tentar limpar a mancha de minha roupa, mas acho que acabei piorando-a. Eu amava aquele vestido, e esperava de verdade que aquilo saísse. O show estava quase acabando quando voltei ao camarote e vi que um sorriso enorme surgiu nos lábios de . O show acabou e os garotos voltaram ao camarim, enquanto eu me direcionava até a porta dos fundos, esperando por eles.
- O que houve com sua roupa? – Questionou , encarando-me.
- Adivinha? – Olhei para meu vestido.
- . – balançou a cabeça, desaprovando.
- Na mosca. – Disse encarando-o.
- Pensei que você tivesse ido embora. – abraçou-me.
- Não iria. – Sorri.
- Minha caixa de mensagens está lotada. – Disse observando seu celular.
- A minha também. – encarou-me.
- “As garotas estão ansiosas, esperando vocês”... “ estou orgulhosa” ... “ o show está maravilhoso” ... “ eu amo vocês seus chatos”. sorriu ao ler algumas das mensagens em voz alta.
- “ Quero te abraçar.” ... “Quero você aqui do meu lado” ... “ E a cada minuto que passa eu me apaixono ainda mais por você” ... – sorriu ainda mais ao ler as mensagens que eu havia mandado para ele.

XXIII - Phone call.

- Vamos para casa? – Questionou .
- Vamos para minha casa. – Sorriu .
- Não. Preciso me trocar, olha o meu estado. – Disse apontando para meu vestido.
- Na casa do tem umas roupas minhas que você pode usar. – sorriu.
- . – Encarei-o.
- Vamos. – entrelaçou nossas mãos e levou-me até o automóvel.
- Vou sujar seu carro, se sentar-me aqui. – Encarei .
- Entra logo, e fica quieta. – empurrou-me para dentro do carro e gargalhou.
- Quer ir para casa trocar de roupa? – questionou.
- Ficaria extremamente agradecida se vocês fizessem isso. – Sorri.
- , vamos passar na casa da pra ela trocar de roupa. Encontramos-nos no . – gritou e seguiu até o complexo. Entramos em casa e corri até o quarto para me trocar, enquanto os garotos ficaram na sala.
- Pronto, podemos ir. – Disse descendo as escadas, apenas sorriu.
- Amor, pega um copo de água pra mim? – Encarou-me.
- Pega você. – Disse rindo.
- Por favor. – Pediu mais uma vez.
- Tudo bem. – Sorri indo até a cozinha.
- Se eu fosse você, teria pedido um carro. – brincou.
- , eu já tenho um carro. – Disse e eu apenas gargalhei. Quando fui abrir a geladeira, havia um bilhetinho.
“Eu só quero estar com você”. – Li em voz alta.
- Isso é tão... Meloso. – debochou, enquanto levava suas mãos ao rosto. Caminhei até ele e beijei-o, até que fomos interrompidos por , que jogou uma almofada em nós.
- Vamos para a casa do . – Disse .
- Tem certeza que querem ir para a casa do ? – Disse sentando-me no colo de e abraçando-o.
- Temos. – Pegou-me no colo e caminhou até a porta.
- poderia pegar a câmera em cima da mesa? E minha bolsa? – Pedi e assim ele fez. Fomos até o carro e seguimos em direção à casa de , gravamos vídeos no caminho, me irritando, resmungando e eu rindo, foi assim o percurso todo. Chegando lá, eles já tinham pedido pizzas, comprado doces, batatas, pipocas e muitas bobagens.
- U A U! – Disse olhando para o chão, que estava cheio de travesseiros e cobertores.
- ’s Camp. – Disse , enquanto mastigava alguns doce.
- Eu não trouxe pijama, não posso ficar. – Disse encarando .
- Tenho roupas aqui e você pode vesti-las. – Sorriu .
- Não sei se é uma boa ideia. – Encarei-o.
- Claro que é. Vamos ficar aqui, comer, rir, comer mais, dormir e comer de novo. – riu, pegando algumas batatas.
- Vai lá colocar a roupa do . – sorriu e foi até o quarto de comigo, pois eu não sabia onde estavam as roupas.
- Toma aqui, pode vestir. – Jogou-me uma roupa e sorriu.
- Uma camiseta? Vou andar por aí apenas de camiseta? – Encarei-o.
- Coloca logo. – Disse.
- Vai ficar aqui mesmo? – Questionei sorrindo.
- Tudo bem. Estou saindo. – Disse indo em direção á porta. Coloquei a camisa e desci até a sala.
- Nossa. Não sabia que usava vestido. – debochou.
- Estou parecendo uma velha, com essa camisa. – Encarei-os.
- Você está linda. – admirou-me com um sorriso bobo. Os meninos já estavam com suas roupas de dormir, exceto , que inocentemente iria trocar de roupa em minha frente.
- HEY! – Gritou . – Não, não, não, vá trocar de roupa em outro lugar. – Continuou, encarou e desviou o olhar para mim.
- Não. Vou me trocar aqui, ela não precisa ver. – disse tirando a camisa e correu em minha direção ficando frente a mim, para que eu não visse . Os meninos riram e eu o beijei.
- Eu não ia olhar o . – Sorri.
- Só queria me certificar. – Abraçou-me.
- Obrigada pela confiança. – Ironizei e sorri. Sentei-me ao lado de , encarou-me e sentou-se em minha frente, um pouco mais afastado, ao meu lado sentou , e ao lado de , e .
- , me passa as batatas? – Pedi.
- Claro. – entregou-me, jogando algumas delas em meu rosto.
- . – Encarei-o.
- O que foi? Quer Chantilly também? – jogou chantilly em meu rosto e não hesitou em nos olhar nem por um segundo, então nos interrompeu.
- Parem de desperdiçar comida. – Gritou e todos perceberam que ele não estava nenhum pouco preocupado com a comida, mas sim com . O celular de tocou, ele encarou o visor, mas demorou a atender.
- Não vai atender? – Questionou .
- Sim. – Respondeu saindo da sala, levantei-me e puxou-me de volta.
- Deixe-me ir. – Tentei soltar-me de .
- Não, fique aqui. – Encarou-me.
- . – Soltei-me e segui até encontrar na cozinha. Ouvi-o dizer alguma coisa, algo como: “Não, não podemos nos encontrar lá em casa, ela não pode saber, é arriscado de mais”. Quando percebeu que eu estava ali, despediu-se dizendo que depois retornava a ligação.
- Estava falando com quem? – Aproximei-me.
- Ninguém. Cansou de brincar com o ? – Ironizou.
- Você quem deu um ataque de desconfiança na frente dos garotos e agora está me cobrando por quê? – Encarei-o.
- Não era desconfiança, você sabe... – Aproximou-se.
- Quem era no telefone, ? – Questionei novamente.
- Já disse que não era ninguém, que ataque de desconfiança é esse? – Sorriu irônico.
- Não é desconfiança, mas... – Hesitei.
- Mas o que? – Continuou.
- Sei de seu passado e você não era um dos melhores namorados. – Disse.
- Desconfiança. – Encarou-me decepcionado e virou-se para voltar á sala.
- . – Segurei-o pelo braço.
- Não era ninguém, eu já disse. – Encarou-me.
- Não era ninguém, ? Como não? Você demora a atender o celular, em seguida sai da sala, fica conversando pelos cantos e depois diz que não pode encontrá-la em casa porque é arriscado, quem era? É a ? – Questionei.
- Não era nada. – Seus olhos ainda continuavam fixos nos meus.
- Não minta para mim. – Aproximei-me ainda mais e graças a um de seus descuidos, consegui pegar o celular em seu bolso.
- Pare com essa bobagem, devolva-me o celular. – Disse tentando pegá-lo de minhas mãos.
- Se não é nada, deixe-me ver quem ligou. – Afastei-me, observando o celular até encontrar a lista de ligações recebidas. – Sua mãe? – Encarei-o.
- Satisfeita? – Disse exaltado.
- Porque não me disse que era ela? – Disse procurando por uma resposta. – ? – Questionei.
- Meu celular. – Estendeu sua mão e o devolvi. Ele seguiu e sentou-se na sala, o segui e voltei a me sentar, os meninos estavam se divertindo bastante, exceto .
- Acho que você deveria falar com ele. – sentou-se frente a mim e mexeu em meus cabelos.
- Acho que ele não quer isso. – Analisei do outro lado da sala.
- Ele quer, mas do que nunca. Ele é assim, gosta de ver que as pessoas se importam, faz ele se sentir bem. – Sorriu.
- Ele não vai me ouvir, . – Encarei-o.
- Ele não vai tapar os ouvidos e menos ainda te deixar falando sozinha. – aproximou-se.
- Acho que não é o melhor momento. Ele está bravo comigo. – Fitei o chão.
- Ele não está bravo, só está chateado . Se você não falar com ele, isso não vai se resolver. – sentou-se ao meu lado.
- Ele nem consegue olhar em meus olhos, viu como ele veio para sala. – Disse cabisbaixa.
- Você também não está me olhando nos olhos, e está tudo bem entre nós! – levantou meu rosto com uma de suas mãos.
- Ah , mas é diferente. – Forcei um sorriso.
- Porque é diferente? – Questionou .
- não está chateado comigo. – Encarei-os.
- Se quiser eu fico atrás do e você fala encarando-me, talvez ele pense que você esta olhando pra ele. – sugeriu.
- Você é incrivelmente idiota e isso nunca daria certo. – empurrou enquanto caçoava.

XXIV - Sometimes it's hard.


Percebi que os garotos seguiram em direção a , talvez para perguntar sobre o que havia acontecido ou apenas para interagir, já que ele estava um tanto quanto avulso. Em seguida descobri que era a primeira alternativa. Não entendo essa mania de falar e falar sobre alguém, como se ela não estivesse no local... Digamos que eu tenha um pouco disso, mas a minha pior mania é desfazer de meus pensamentos e ouvir a conversa alheia, não por querer, mas por não perceber a mudança de pensamentos. Talvez eu me sentisse melhor, se eles diminuíssem um pouco o tom de voz ou se direcionassem a outro cômodo.
- , espero que isso não seja porque eu...
- Não é , está tudo bem. – Disse interrompendo .
- Se não quiser me contar o problema, tudo bem. – levantou-se e caminhou até a cozinha.
- ! – encarou-o fazendo o continuar no local.
- o que houve? Vocês brigaram de novo por causa da ? Por causa do ? – Disse , que parecia confuso.
- Ela não confia em mim. Sei que não sou um exemplo de namorado, mas com ela é diferente, porque gosto dela e estou me esforçando para não magoá-la. Quando quer me provocar ela fica brincando com . Como se não bastasse fingir que eles estão namorando. –Disparou.
- Vocês falam sobre mim como se eu não estivesse aqui. Não brinco com para provocar você, mas porque ele é meu amigo. Qual o seu problema ? – Disse com os nervos a flor da pele.
- , você sabe que ela e o ...
- Ele sabe , mas não confia em nós. – encarou-os.
- Não é isso. – encarou-o.
- Então o que é? É ciúmes? Insegurança? Medo? Diga-me porque estou exausto de tentar entender o que você pensa. Cansei de fazer o SEU namoro funcionar, quando é você quem deveria fazer isso dar certo. – alterou a voz.
- É isso que você pensa? – levantou-se, se aproximando de .
- É o que penso. - continuou com seus olhos fixos em .
- Você quer saber o que penso? Acho que nosso relacionamento não está dando certo porque você está interferindo ao invés de ajudar. - alterou seu tom de voz.
- CHEGA! O apenas nos ajudou e você não consegue enxergar isso. – Gritei aproximando-me dos dois.
- Chega. – interferiu, e colocou-se entre e .
- Está tudo bem. – afastou-se. – , precisamos conversar. – Seguiu para o quarto e então o segui.
- Você e ? – Observei-o sentado na cama, encarando seus pés. – Desculpe, a culpa é minha. – Hesitei, abaixando-me frente a ele e segurando suas mãos.
- Precisamos terminar nosso suposto relacionamento, não está dando certo. – Acariciou a superfície de minhas mãos. – Estamos oficialmente livres. Não é possível continuar fingindo, está sendo afetado e ele não consegue me ver ao seu lado sem lembrar que te beijei, sem lembrar que nossas fãs acreditam que estamos juntos. – Encarou-me. – Desculpe por deixá-la na mão novamente, eu iria com isso até o fim se não se importasse, mas...
- Ele se importa. Está tudo bem , obrigada por ter aguentado toda essa pressão durante todo esse tempo. – Completei e abracei-o.
- Você precisa falar com , ele precisa te ouvir. É difícil para ele e entendo o porquê. – Encarou seus pés novamente.
- Entende? – Questionei.
- É difícil ver a pessoa que ama nos braços de outro. – Sorriu fraco.
- ... – Encarei-o com um olhar triste, talvez eu não tenha sido a única a passar por maus momentos.
-Vá conversar com ele. – Soltou minhas mãos e beijou-me a testa. Eu não soube como agir, então apenas abracei-o, ele precisava disso. Em seguida sai do quarto.
- Onde ele está? – Analisei a sala.
- Ele foi embora. – encarou-me.
- O que? – Um misto de sentimentos tomou conta de mim.
- Não pudemos impedi-lo, tentamos fazê-lo ficar, mas ele saiu andando e esqueceu até as chaves de casa. – entregou-me e pude ver descer as escadas. Corri até o quarto sem dizer uma palavra sequer, troquei de roupa e voltei até a sala.
- Vou atrás dele. – Peguei minhas coisas e me despedi dos meninos.
- Posso levá-la para casa. – encarou-me.
- Obrigada, mas prefiro ir sozinha.
- É perigoso. – encarou-me preocupado.
- Vai ficar tudo bem, é pertinho. Em quarenta minutos estou em casa. – Sorri.
- Vou com você. - encarou-me.
- Não , obrigada. – Despedi-me dos garotos e segui caminhando. Perdi a conta de quantas vezes liguei para . Ambas em vão, pois ele não se deu o trabalho de atender ao celular. Tive a sensação de estar sendo seguida, então acelerei meus passos, a ponto de me pegar correndo em meio aquela gigante rua vazia, eu estava mesmo assustada. Pude ouvir passos, cada vez mais altos e não eram os meus, de repente meu celular apitou, mostrando-me uma nova mensagem.
“Está tudo bem, fique calma. Sou eu, se algo acontecer eu te protejo! - xx”
Finalmente olhei para trás, suspirei aliviada e parei para esperá-lo.
- , pedi para que não viesse. – Disse quando ele estava aproximando-se.
- Está maluca? Achou mesmo que eu deixaria você andar sozinha em plena meia noite e meia? Se algo acontecer com você, nos culparíamos o resto da vida. – Puxou-me para perto.
- Obrigada por estar comigo.
- pediu para que cuidássemos de você quando ele não estivesse por perto. Ele nos fez prometer. – Sorriu.
- Agora tenho babás? – Ironizei e cruzei meus braços para tentar aquecer-me da brisa fria que tocou minha pele.
- É proteção, somos uma espécie de segurança. Você sabe, somos grandes e fortes. – debochou de si mesmo, fazendo-me sorrir. – Vista isso. – Entregou-me seu agasalho.
- Não, está frio e você não pode se resfriar.
- Para com isso, sou forte lembra? Quase um segurança. – Colocou seu agasalho por cima de meus ombros.
- , , , como você é insistente. Obrigada. – Sorri, aconchegando-me em seu agasalho que automaticamente exalou seu perfume, doce e suave. Continuamos a caminhar e eu estava andando fora da calçada, na beira da estrada. De repente passou um carro em alta velocidade e em fração de segundos me puxou para a calçada, abraçando-me. Fiquei assustada, por pouco o carro não me atropelou, eu estava tão desligada. Encarei e o vi um tanto assustando, desculpei-me pela falta de atenção e continuamos nossa caminhada em silêncio.
- Sabe onde está ? – Questionei.
- Provavelmente ele foi para casa, apesar de estar sem as chaves.
- Tem algum lugar que ele iria? – Questionei novamente.
- Acho que não. Ele gosta de ficar em casa quando está triste. – Disse pensativo. – Chegamos. Agora está sã e salva. – Sorriu.
- Obrigada por acompanhar-me, você foi um ótimo segurança. – Entreguei-o seu agasalho.
- Se cuida! – encarou-me preocupado, quando me viu analisar o complexo.
- O carro dele, não está aqui.
- Vou ligar para ele e se eu conseguir falar com , te aviso. Quer companhia? – encarou-me preocupado.
- Não . Você precisa descansar, fez um longo show. Obrigada. Eu estou bem. – Forcei um sorriso.
- Então, vou indo. Qualquer coisa me ligue. – Abraçou-me e partiu. Peguei as chaves em minha bolsa e abri a porta da casa de , procurando-o, mas ele não estava lá. Tentei ligar para ele por mais algumas vezes, mas caia direto na caixa de mensagens. Lembrei que o vídeo que tínhamos gravado estava em seu notebook e novamente fui assisti-lo. Voltei o vídeo inúmeras vezes e me encontrei com lágrimas nos olhos. Qual o meu problema? Essas coisas eram tão recentes, não deveria ter acontecido tão rápido. Eu havia acabado de conhecê-lo, mas confesso que nunca havia me sentido da forma que ele faz eu me sentir, e talvez essa seja a resposta.

XXV - Try to fix us.



Stay - Miley Cyrus

► Aperte o Play antes de ler essa parte.


Subi até o quarto, abri o guarda-roupa, peguei uma camisa branca, uma calça de pijama xadrez e me joguei em sua cama. O cheiro dele nos lençóis era absurdamente forte, como se estivesse ali comigo e isso piorava toda a situação, mas eu não queria ir embora. Pensei em todos os problemas e acabei adormecendo, esperando-o voltar, mas ele não voltou para casa, até o amanhecer. Acordei com mexendo em meus cabelos, sentado ao lado da cama, admirando-me com um brilho no olhar.
- ? Onde você estava? Desculpe estar aqui, você esqueceu as chaves e eu precisava falar com você. Deixei a porta aberta para que entrasse, eu estava te esperando, mas acabei adormecendo e...
- Shhh... Não diga nada, fica quietinha e deixe-me ficar admirando você. – Sussurrou, acariciando meu rosto.
- Está aqui há quanto tempo? – Questionei.
- Algumas horas. – Disse deitando-se ao meu lado.
- Precisamos conversar. – Analisei sua expressão.
- Agora não, vamos ficar aqui sem dizer nada, só por alguns minutos ou horas. Por favor. – Cobriu-se e abraçou-me forte. Sua expressão demonstrava tristeza e cansaço, seus olhos estavam inchados e com olheiras, como se tivesse passado a noite em claro... Chorando. Abracei-o e acariciei seus cabelos, fazendo-o fechar os olhos e respirar fundo.
- Tentei te ligar, fiquei preocupada. Você sumiu a noite toda. – Observava-o.
- Vi as chamadas perdidas. – Aproximou-se ainda mais, seu corpo estava colado ao meu.
- Desculpe por ontem, mas fico insegura quando se trata de você, e...
- Tenho medo de te perder. – Completou. – E me desculpe por ter saído, ter sido imaturo e não atender as ligações. – Beijou-me.
- Não faça mais isso, confie em mim. – Entrelacei nossas mãos, e beijei sua testa. – Que horas são? Preciso levantar e desculpar-me com as garotas da loja, perdi a hora. – Murmurei.
- Fique aqui comigo, não dormi ainda. Dorme comigo. – Disse sonolento.
- Tudo bem, pequeno. – Acariciei seus cabelos, ele passou seu braço por baixo de meu pescoço e segurou uma de minhas mãos, sorri automaticamente. Segundos depois ele havia adormecido, tinha a feição de um anjo. Senti-me extremamente bem ao ver que ele me queria por perto, por mais que estivesse exausto. Fiquei algum tempo analisando-o, os olhos fechados, seu rosto sem expressão alguma, o cabelo já bagunçado, mas continuava tão encantador. Eu contornava o formato de seu rosto com a ponta de meus dedos, cada centímetro de sua face.
- Eu estou completamente apaixonada por você. – Sussurrei em seu ouvido, não sei se ele conseguiu me ouvir, mas mesmo assim eu disse. Cada vez que se mexia, ele se aconchegava mais em mim, estava cada vez mais perto, eu era capaz de sentir sua respiração. Ergui a cabeça para admirá-lo e brinquei com seu queixo, dando beijos e leves mordidas que por vezes o acordavam, fazendo-o sorrir e me fazer cócegas.
- Amor? – Sussurrou ainda sonolento e com os olhos fechados. – Me dá um beijo? – Continuou.
- Não. – Sorri e me virei, ficando em cima dele.
- Não? – Passou suas mãos em volta de minha cintura e movendo-a devagar até minhas costas levantando a camisa que eu vestia.
- Não só um. – Disse dando vários beijos. Abraçou-me mais forte e deslizou suas mãos até minhas coxas, apertando-as delicadamente. Passei minhas mãos em volta de seu pescoço acariciando-o e nossa respiração começou a ficar ofegante.
- . – Interrompi-o quando percebi que estávamos um tanto quanto empolgados.
- Amor? – Encarou-me mordendo os lábios.
- Vamos, está calor aqui. – Sorri tímida.
- Tira a camisa. – Sorriu e abriu alguns botões da blusa que eu vestia.
- Amor. – Disse levantando-me.
- Não, vamos ficar aqui só mais um pouquinho. – Segurou-me e então o beijei. Suas mãos deslizavam pelo meu corpo, ele abriu o restante dos botões da camisa, nosso beijou ficou mais intenso e nossa respiração novamente se tornou ofegante. tirou a camisa que eu vestia e em seguida a dele, puxou-me para mais perto novamente e beijou meu pescoço, acariciei sua nuca e puxei levemente seus cabelos. deslizou suas mãos pelas minhas costas e por cima de minha lingerie preta com rendas em vermelho.
- , não. – Afastei-me quando percebi suas mãos no fecho de meu sutiã.
- Tudo bem. Acho que ultrapassamos o sinal. – Colocou as mãos sobre o rosto.
- É, acho que ultrapassamos. – Beijei-o e levantei-me, em seguida colocando a camisa que ele havia vestido na noite anterior e caminhando até o banheiro para fazer minha higiene matinal.
- , vamos tomar café da manhã no Starbucks. – Gritou do quarto.
- Tem certeza que quer dirigir até lá? Você dormiu pouco. – Questionei.
- Certeza absoluta, quero que conheça algumas pessoas. – Levantou-se e veio até mim, sorrindo.
- Algumas pessoas? Quem? – Disse enxaguando minha boca.
- Você vai saber quando chegarmos lá. – Sorriu.
- Então, vou para casa tomar um banho e colocar uma roupa que sirva em mim, porque a sua é um pouquinho grande, não acha? – Sorri beijando-o.
- Acho que se encaixa perfeitamente em você. – Sorriu.
- Você passa lá em casa depois? – Disse saindo do quarto.
- Sim, vou tomar um banho e me arrumar.
- Até daqui a pouco. – Gritei enquanto descia as escadas e sai em rumo a minha casa. Como sempre a porta estava destrancada, eu precisava perder essa mania. Entrei e fechei a porta, havia um bilhete ao lado da fechadura.
“ Você tem a chave do meu coração e a chave reserva da minha casa também é sua, princesa. ”
Sorri pegando o bilhete e logo atrás estava a chave, peguei-a, colocando junto com minhas chaves. Joguei minha bolsa em cima do sofá e vi mais um bilhete, colado no controle remoto.
“ Queria estar com você agora, se quiser me ver aperte o play.”
Apertei o play e sentei-me no sofá. Era um vídeo onde ele não dizia nada, apenas fazia alguns gestos e eu sorria a cada movimento, a cada expressão. Quando o vídeo acabou, desliguei a TV e fui até o meu quarto, na porta havia mais um bilhete.
“Estou apaixonado por você, quero que acredite, quero que confie em mim, pequena!”
Abri a porta do quarto, havia diversas almofadas em formato de coração, com algumas mensagens, meus olhos brilhavam ao ler cada uma delas. Nunca saberia como agradecê-lo, qualquer coisa que fizesse, seria tão clichê e ao mesmo tempo tão pouco. Resolvi me arrumar, tomei um banho e coloquei um vestido branco simples e curto, com estampa de flores num tom rosado, uma jaqueta jeans desbotada e uma sapatilha também rosa, fiz uma simples maquiagem para o dia, passei um perfume suave e caminhei até a cozinha.
“Espero que goste dos bombons, que eles te façam sorrir, assim como você me faz!”
Li mais um bilhete que havia em cima da caixa de bombom sobre a mesa. Em seguida abri e comi um deles, era de cereja. O meu favorito.
- Está pronta? – disse entrando na cozinha.
- Passou a noite aqui? – Sorri caminhando até ele.
- Porque acha isso? – Sorriu e beijou-me.
- Talvez porque encontrei alguns bilhetes e presentes por todos os cantos da casa. – Sorri abraçando-o.
- É. Passei a noite aqui, sua cama tem o seu cheiro, fiquei lá a noite toda. – Admirou-me.
- Eu amei. Não precisava de tudo isso, eu tenho você. – Analisei seu rosto que agora encontrava-se saudável e sem marcas fortes e inchaço nos olhos.
- Sou seu. Apenas seu, seu, seu, seu. – Sussurrou em meu ouvido enquanto beijava meu pescoço.
- Gostei de ganhar uma cópia da chave de sua casa.
- NOSSA casa, meu amor. – Beijou-me a testa.
- Acho que já posso dizer que te amo, sem ter dúvidas disso e sem questionar a rapidez que tudo aconteceu. – Sussurrei. – Eu amo você. – Continuei.
- Eu te amo. – Abraçou-me. – Vamos princesa? – Continuou.
- Claro. – Disse pegando minha bolsa.
- E a propósito, você está incrível neste vestido. – girou-me admirando, sorri e em seguida caminhamos até o automóvel, em seguida seguimos até a cafeteria.
- , quem vamos encontrar no Starbucks? – Questionei curiosa.
- Quando chegarmos você vai descobrir. – Sorriu e pude ver seus olhos brilharem.
- , por favor. – Encarei-o.
- Quando chegarmos vai descobrir. – Sorriu. – Pegue um CD dentro do porta-luvas, por favor? – Disse ainda sorrindo. Abri o porta-luvas e não havia CD algum, mas sim um outro bilhete.
“E eu te amo mais do que eu amava antes!“
- Você é incrível sabia? – Sorri, peguei minha câmera dentro da bolsa e comecei a filmá-lo.
- Você que é incrível, por fazer eu me apaixonar assim. – Sorriu. Ele não havia notado que eu estava gravando, pois seus magníficos olhos >> encaravam a estrada.
- Você fica lindo sorrindo. – Admirei-o.
- E você fica linda de qualquer jeito.
- Amo ver você dirigindo. – Sorri e ele encarou-me por alguns segundos.
- O que está fazendo? Desligue isso. – Sorriu envergonhado.
- Não. Gosto de gravar para ficar te admirando, quando estiver longe. – Sorri e coloquei a máquina ao lado do volante.
- Ontem, quando eu estava em sua casa, pensei em tudo e achei que iria te perder. – olhou-me e sua expressão se tornou triste.
- Você estava chorando. – Afirmei e ele não disse nada, apenas vi uma lágrima escorrer em seu rosto e então ele encostou o automóvel.
- O que foi? Ainda não chegamos. – Encarei-o confusa.
- Me desculpe por tudo o que fiz, por ter tanto ciúme de você com o e por todas as vezes que te magoei. Eu te amo e quando eu estava na sua casa ontem, percebi que não consigo mais viver sem você. Tenho medo de perdê-la e quero estar com você para sempre e estou disposto a assumir nosso namoro, se você quiser. – Disse e algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto. – Sei que não sou a melhor pessoa do mundo, mas eu vou mudar. – Continuou.
- Meu amor, eu estou aqui e não vou a lugar algum. Nunca me senti tão feliz e amo quando estou com você. Mudei-me para Londres por um motivo, mas não é por ele que quero continuar aqui... É por você. Eu te amo. – Disse secando suas lágrimas e beijei-o, em seguida ele segurou minhas mãos.
- Obrigada por me dar essa chance. – Sorriu. – Vamos, meu amor? – Abraçou-me.
- Vamos! – Sorri e fomos em direção ao Starbucks, com a câmera ainda ligada. Ao decorrer do caminho gravei inúmeros vídeos, isso me fazia tão feliz. Quando chegamos ao estabelecimento, admirei e ele estava com um sorriso enorme estampado em seu rosto ao avistar as pessoas que ele queria apresentar-me, era tamanha felicidade que seus olhos brilhavam ainda mais. Ele é magnífico, tão fácil me perder em um olhar e encontrar-me no mesmo.

XXVI - Meet my parents.


- São seus pais? – Questionei surpresa.
- Sim. – Encarou-me sorrindo, ele parecia tão feliz.
- , não estou com uma roupa adequada, porque não me avisou? – Corei.
- Você está linda. – Disse e puxou-me até a mesa onde seus pais se encontravam.
- Sr. e Sra. ? – Sorri timidamente.
- Olá, você deve ser . – Sr. levantou-se para cumprimentar-me.
- nos contou tudo sobre você, estávamos ansiosos para conhecê-la. – Sra. sorriu.
- Também estava ansiosa para conhecê-los, é um ótimo garoto e queria conhecer os responsáveis por educá-lo tão bem. – Sorri enquanto bagunçava os cabelos de que sorriu espontaneamente.
- Houve um tempo em que pensamos que nosso garoto estava no caminho errado, mas ele encontrou você. – A graciosa senhora sorriu e então descobri de quem ele havia puxado seu sorriso encantador, apenas retribui o sorriso, não soube o que dizer e então ela abraçou-me. Uma mulher tão jovem, uso o termo senhora apenas por educação. Os pais de estavam extremamente elegantes, desculpei-me pela simples roupa que usava, mas Sra. pareceu gostar das minhas vestes, o que me fez corar. como um ótimo cavaleiro, puxou a cadeira para que eu pudesse me sentar e novamente enrubesci.
- Nos conte sobre você, . – Sr. encarou-me.
- Me chamem de , por favor. soa um tanto formal demais. – Corei.
- Tudo bem, . – Sorriu. Eu estava um pouco nervosa por estar conhecendo os pais de , sou tão estabanada que a qualquer momento eu poderia esbarrar em algo e estragar todo o café da manhã, ou talvez eles simplesmente possam não gostar de mim e isso seria complicado.
- Nos fale sobre você. – Sra. encarou-me com um ar de curiosidade.
- Sou brasileira, vim para Londres à negócios, minha mãe tem uma loja de roupas aqui, mas não pode vir para cá, então resolvi que cuidaria disso. Ela não gosta que fique muito tempo trabalhando, prefere que fique estudando, mas gosto de ficar na loja. – Sorri.
- nos contou que desenha suas próprias roupas. – Sra. demonstrou entusiasmo.
- Ah, sim...Mas minhas peças não ficam tão bonitas. – Corei e sorriu, balançando a cabeça negativamente.
- Um minuto. – encarou o celular que tocava e levantou-se para atender. Continuei conversando com seus pais, que eram muito simpáticos. Em seguida voltou à mesa e continuamos a dialogar e quando estávamos quase indo embora, a Sra. disse que precisa falar sobre algo sério conosco.
- Antes de vir para cá, passei na banca de jornal e olhe o que encontrei. – Disse entregando-me uma revista, onde havia em letras maiúsculas e em negrito, uma enorme frase como tema da principal matéria: “A queridinha do ”. Na página havia uma citação de que dizia não estarmos mais juntos, logo abaixo havia fotos do dia em que eles foram até a loja, na página posterior havia uma grande minha abraçada a , a foto era da noite anterior.
- O que eles acham que sou? – Encarei .
- Essa foto foi na noite de ontem? – Ele questionou.
- Sim, acompanhou-me até minha casa, pois estava tarde. – Disse encarando a revista. Não queria nem ao menos imaginar o que os pais dele estavam pensando sobre mim aquele momento. – A rua estava extremamente deserta. Como eles conseguiram essa foto? – Questionei confusa.
- Acostume-se, daqui para frente será assim. – Sorriu .
“Talvez esse seja o motivo pelo término de e ? Porque foi trocado. A garota não consegue escolher apenas um? Sabemos que é difícil, todos são lindos., e agora . Deixe e para nós.” – Li um pedaço da matéria e fiquei perplexa.
- Não é possível isso. – Encarei , estava com medo de decepcioná-lo.
- Hey, não fique assim. – Sr. encarou-me.
- Vamos assumir sobre nós. – sorriu e abraçou-me.
- , olha tudo o que estão dizendo. Acha que seria bom para você? – Disse cabisbaixa.
- E o que você quer? Se afastar? – Encarou-me fixamente.
- Não quero, mas talvez seja melhor. Não quero estragar sua carreira, o seu trabalho. É o seu sonho.
- Não, não vou deixar. – Entrelaçou nossas mãos.
- Fiquem tranquilos, essas coisas acontecem. – Sra. sorriu, colocando sua mão por cima da nossa. Sorri incrédula ao vê-la nos apoiando, mesmo com todos os boatos que surgiam.
- esteve lá em casa ontem à noite. – Disse Sr. .
- E achamos que você merece uma coisa. – Sra. sorriu, era incrível a forma como seu sorriso se parecia tanto com o dele.
- Esse anel está em nossa família há muito tempo e é importante, prometi dá-lo a garota que me fizesse feliz. Agora ele pertence à você. – tirou de seu bolso, uma pequena caixinha vermelha de veludo e abriu-a.
- Amor... É lindo. – Sorri incrédula, pude sentir meus olhos brilharem. Era um lindo anel, simples e com uma pequena pedra de brilhantes. – Mas não posso aceitar. Você precisa entregá-lo para sua esposa. – Encarei-os sorrindo, mas enrubescida.
- Você é a pessoa certa. – Afirmou.
- Não sei o que dizer, você precisa ter certeza de sua escolha. – Encarei-o, seus olhos brilhavam e seu sorriso iluminava ainda mais sua expressão.
- Ele sempre faz escolhas certas, se te escolheu é porque você é realmente importante. Deveria aceitar. – Sra. sorriu.
- Obrigada. É maravilhoso. Vou me esforçar para cuidar bem de seu filho. – Sorri encarando e isso o fez sorrir ainda mais.
- Sei que vai. – Sr. sorriu ao dizer. – Bem, nós precisamos ir. – Continuou, levantando-se.
- Foi um prazer conhecê-los. – Sorri e me despedi, assim como . Então eles seguiram em direção à saída e continuei com no Starbucks.
- Obrigada pelo anel, é incrível. – Sorri e selei nossos lábios rapidamente. E isso foi um risco, não podíamos ser vistos.
- Que bom que gostou. – sorriu. – Conversei com ontem, antes de ir até a casa dos meus pais, liguei para ele. – Encarou-me. – Ele disse que deveríamos assumir e dizer que ele nunca namorou você. – Continuou.
- Talvez não seja uma boa ideia. – Encarei-o.
- Porque não? Não quer assumir? – Disse cabisbaixo.
- Claro que eu quero, meu amor. Olhe para mim, apenas não seria bom para você. – Segurei seu rosto encarando-o.
- É bom para mim. Então, é uma boa ideia. – Sorriu e puxou-me.
- Aonde vamos? – Questionei confusa e ele não disse nada, apenas segurou minha mão e fomos até a rua. Como de costume, havia fotógrafos.
- Você e estão juntos?
- , você e terminaram por causa do ?
- Por que você terminou com ?
– Os fotógrafos perguntavam e tiravam fotos incansavelmente.
- Não, Não e... – Tentei explicar, enquanto sorria ao me ver desesperada.
- SIM, NÓS ESTAMOS JUNTOS. – Gritou sorrindo para os fotógrafos.
- ! – Encarei-o incrédula e não hesitei em sorrir.
- Ela é apenas minha e nunca esteve com . – Sorriu e beijou-me. Pude ouvir o barulho dos flashes que agora eram ainda maiores.
- E porque vocês esconderam? – Questionou um dos fotógrafos.
- Havia motivos pessoais, que não queremos divulgar. A verdade é que nos amamos e estamos juntos há algum tempo. – Abraçou-me.
- Você é completamente louco, . – Sorri encarando-o.
- Sou louco, louco por você. – Beijou-me novamente, fazendo-me sorrir.
- Eu te amo. – Passei minhas mãos por seus cabelos e ele levantou-me até que meus pés não pudessem mais sentir o chão.
- Eu amo você. – Sorriu de uma forma tão magnífica, exibia sinceridade, felicidade e liberdade através de sua expressão, talvez por finalmente conseguir demonstrar o afeto que sentia por mim, sem que precisasse se preocupar com o que as pessoas diriam. Com certeza no dia seguinte, as fotos estariam publicadas em sites e revistas por todas as direções. entrelaçou nossas mãos e puxou-me, correndo até o automóvel e abrindo a porta para que eu entrasse, em seguida deixamos o local.
- Você é maluco. – Sorri encarando-o.
- Cansei de te esconder. Você é a pessoa mais incrível que já conheci, não faz sentido dizer que é apenas uma amiga, quando posso gritar ao mundo o quanto você é importante. – Sorriu.
- Você é incrível. – Disse admirando-o.
- E você é minha. – dirigiu por algumas horas, até que pudéssemos chegar à um maravilhoso lugar. Havia árvores, arbustos, flores de diversas cores e era possível admirar o azul incrível que o céu possuía. Não havia todo aquele barulho da cidade e além de nós dois, os únicos seres vivos que eram possíveis de enxergar eram os pássaros que voavam e cantavam naquele lugar. Meus olhos desconhecem lugar tão magnífico, minha alma sentiu paz ao observar todo o ambiente.

XXVII - A wonderful place.


- Que lugar incrível. – Disse admirando todo o ambiente.
- Eu também acho e sabe por que te trouxe aqui? – Encarou-me.
- Por quê? – Abracei-o.
- Porque meus pais se conheceram aqui. Existiam casas e meus pais moravam aqui quando eram jovens. Algum tempo antes de se casarem, todas as casas foram derrubadas para que construíssem este bosque. As pessoas não o frequentam, por ficar distante da cidade. Meus pais amam esse lugar. – Explicou.
- Mas o que aconteceu com as pessoas que moravam aqui? – Questionei aconchegando-me em seus braços.
- Moram em um condomínio incrível, pago pelo governo. – Sorriu.
- Isso é ótimo e esse lugar é magnífico. – Disse ainda admirada, era esplêndido.
- Imagina quando tivermos os nossos filhos. Teremos tantas histórias para contar. – Disse afagando meus cabelos.
- É cedo para pensar nisso. – Sorri.
- Mas vamos ter alguns, não vamos? Podemos ter quatro, dois casais. – Beijou-me.
- Você é bobo. – Admirei-o.
- Bobo? Estou pensando em nosso futuro. Quando casarmos.
- Casarmos? – Questionei sorrindo.
- Claro, por quê? Não quer casar comigo? – Fingiu uma expressão triste.
- Eu te amo. – Beijei-o. Havia um sol fraco iluminando o ambiente, uma brisa forte e fria, arrepiou-me e abraçou-me, tentando manter-me aquecida. Em seguida puxou-me até um grande banco que havia no canto do bosque.
- O que quer fazer hoje? – Questionou.
- Não sei anjo, você tem show?
- Sim, você vai comigo? – Puxou-me para perto de seu peito.
- Não, bebê. Hoje quero ficar em casa, cuidando de você um pouquinho. – Sorri.
- Mas porque você não quer ir ao show? – Questionou com um sorriso bobo.
- Vou aproveitar que você está no show e ligar para minha mãe, não conversamos há um tempo. Posso te esperar em sua casa. – Sorri.
- Queria que você fosse ao show, mas se prefere ficar, pode me esperar na nossa casa, para cuidar de mim quando eu voltar. – Abraçou-me e ficamos brincando e admirando o lugar por mais algum tempo. – Pequena, vamos embora? Queria descansar um pouco antes do show. – Continuou.
- Claro. Queria ficar com você o dia todo.
- Prometo que amanhã passo o dia inteiro com você, não temos show. Podemos fazer o que você quiser. – Disse puxando-me até o automóvel.
- Podemos ficar o dia todo em casa? – Questionei sorrindo.
- Tudo o que você quiser. – Depois de algumas horas na estrada, finalmente chegamos ao complexo.
- Estou com sono. – Disse ele jogando-se no sofá.
- Vá dormir, precisa descansar para o show. – Joguei-me sobre ele.
- Quero ficar com você. Dorme comigo?
- Se me emprestar um pijama. – Beijei-o e em seguida levantei-me.
- Vamos dormir. – Puxou-me para o quarto e entregou-me uma camisa, eu a vesti e joguei-me em sua cama, enquanto ele colocava a calça do pijama e deitava-se ao meu lado. Fiquei acariciando seus cabelos e admirando-o até que pudéssemos adormecer. As horas passaram-se rápidas até que meu celular pudesse despertar ás 16h30min.
- . Acorda amor. – Sussurrei.
- Deixe-me dormir mais um pouco. – Murmurou.
- São quatro e meia, daqui algumas horas você tem show. – Disse bagunçando seus cabelos.

XXVIII - Needs to be special.


- Vamos comigo? – Questionou.
- Vou esperar você em casa. – Beijei-o.
- Não para o show.
- Para onde então? – Questionei confusa.
- Para o banho. – Sorriu e levantou-se da cama.
- Claro. – Levantei-me, ficando ao seu lado e então ele encarou-me surpreso, em seguida, joguei-me novamente na cama, gargalhando.
- Não vai? Última chamada para banho com , com destino à ‘chuveiro’. Embarque antes que as portas se fechem. – Gargalhou e seguiu até o banheiro.
- As portas podem se fechar. – Sorri. Continuei na cama, pensando no quão bem minha vida estava indo. Eu fazia o que gostava, tinha o melhor namorado do mundo, meus amigos eram incríveis e ainda tinha tempo para desenhar e sair. Não preciso de mais nada, contanto que as coisas continuem fluindo dessa forma. Alguns minutos depois, saiu do banho, fiquei admirando-o e ele continuou a procurar suas roupas, quando me viu apreciando-o, sorriu encantado.
- O que foi amor? – Questionou, enquanto procurava uma camisa em seu guarda roupas.
- Nada, por quê? – Aproximei-me.
- Está olhando-me diferente.
- Defina ‘diferente’. – Sorri.
- Não sei, talvez com desejo, vontade ou... – O interrompi, puxando-o para trás, fazendo com que ele caísse na cama, em seguida levantei-me para procurar uma camisa para ele.
- Estou te olhando como sempre. – Sorri sem encará-lo.
- Não está não. – Puxou-me, colocando-me por cima dele.
- Você vai se atrasar, deixe-me procurar uma camisa para você. – Levantei-me novamente.
- Não precisa, já achei. – Sussurrou.
- Ótimo, então a coloque. – Sorri satisfeita.
- Claro, quando você tirá-la. – Disse sentando-se.
- Isso é sério?
- Sim. Já que não vai ao show, vou com a camisa que está usando, para ficar sentindo o seu cheiro. – Passou a ponta de seus dedos frios em meu braço, fazendo com que eu me arrepiasse.
- ...
- Tire-a para mim? – Disse num tom malicioso. Encarei-o e sorri, levantando a camisa, até aparecer minha lingerie azul com rendas em preto. Senti suas mãos passarem por meu quadril, seus dedos entre minha pele e a fita lateral da lingerie, mordi o canto do lábio e sorri. Encarou-me levando suas mãos de meu quadril até minha nuca, passando por minhas costas. desenrolou meus cabelos e o bagunçou acariciando-o. Puxou-me para mais perto, fazendo com que nossos corpos ficassem colados, beijei-o e afaguei seus cabelos, ele beijava meus lábios, rosto, queixo e pescoço, fechou os olhos, sentindo-me próxima a ele. Passei minhas mãos pela extensão de seu corpo, ainda um pouco molhado e isso o fez sorrir e me dar leves mordidas nos lábios. Havíamos nos empolgado um pouco mais do que devíamos, mas era um momento em que eu não pensava em nada, além de nós dois. Continuei acariciando seu corpo, assim como ele fazia comigo. Levei minhas mãos até sua cintura onde encontrava-se a amarração da toalha que cobria seu corpo, tentei soltá-la, mas automaticamente gelou. Segurou minhas mãos, colocando-as para trás e encarei-o sem entender.
- Ei, calma, calma... Com você quero que seja diferente. – Sorriu passando seus dedos em meu rosto.
- Eu estou pronta, . – Afirmei.
- Calma, vamos com calma. – sorriu e beijou-me, enquanto soltava minhas mãos. Segurei-o pela nuca e o beijei intensamente, nunca quis alguém como eu queria naquele momento.
- É isso que você quer? – Questionou, levantando-se e caminhando até o guarda roupa.
- Sim. – Sorri.
- Coloque isso. – Sorriu, jogando-me um roupão.
- , estou pronta. – Coloquei-o e caminhem em direção a ele, abraçando-o.
- Quero que seja especial pra você, que esteja realmente preparada para isso. Quero ficar com você depois que acontecer, quero que seja diferente, porque eu te amo.
- Acho que é por isso que me apaixonei por você. – Sorri.
- Você é só minha e sou apenas seu, teremos bastante tempo para fazermos o que você quiser. – Disse.
- Eu amo você. – Beijei-o e afastei-me, logo que nos soltamos, o nó da toalha afrouxou-se.
- Essa toalha... Quando preciso que ela se solte, ela não me ajuda. – Gargalhei, olhando-o ajustar o nó.
- Ei. – Piscou e olhou para a porta, como se estivesse pedindo para que eu saísse. Beijei-o novamente e caminhei até a sala para esperá-lo. Passaram-se alguns minutos e então ele desceu.
- Está lindo. – Levantei-me do sofá admirando-o.
- Você que está linda, com esse roupão, essa lingerie sexy e esse cabelo bagunçado. – Encarou-me sorrindo.
- Bobo. – Sorri tímida, ajeitando meus cabelos e direcionei-me a ele, beijando-o.
- , , ... – disse entrando. – Hora errada. – Disse.
- O que foi? – Questionou .
- Desculpem, é que está quase na hora do show e a ainda está assim. – Olhou-me discretamente.
- Ah , desculpe , é que não vou. – Disse, fechando o roupão e encarando que gargalhava. – O que foi, ? – Encarei-o sorrindo.
- acha que fizemos algo e que ele atrapalhou, olha a expressão constrangida dele, é engraçado. – Debochou.
- Mas não foi? – Encarou-nos.
- Não , ainda não. – Sorri, sentando-me no sofá.
- Preferimos esperar. – Explicou .
- Entendo. – Disse . – , precisamos ir, não podemos nos atrasar. – Continuou.
- Tchau amor, qualquer coisa me liga, te amo. – Beijou-me a testa e caminhou até a porta.
- Te amo. Bom show meninos. – Disse, enquanto eles saiam.

XXIX - Dinner.


Os garotos saíram e como eu ficaria sozinha durante a noite, resolvi ligar para minha mãe, como prometido. Ela disse que a partir de segunda-feira eu não precisaria comparecer ao trabalho, pois havia encontrado outra pessoa para substituir-me. Não me contou o motivo, mas disse que sabia sobre meu namoro e outros inúmeros problemas. Deduzi que ela havia visto as fotos da loja no dia que e os meninos apareceram. Desculpei-me e expliquei toda a história, mas ela não mudou de ideia. Ficamos no telefone cerca de uma ou duas horas. Em seguida resolvi fazer uma surpresa para . Direcionei-me até a cozinha e preparei Fish&Chips, como da primeira vez que nos encontramos. Preparei a cozinha com uma toalha de mesa branca e guardanapos decorados, coloquei duas taças, pratos, um castiçal com três velas no centro da mesma e esperei chegar. Passaram-se horas desde que ele saiu. A comida encontrava-se fria, o show de fato já havia acabado e eu estava preocupada. Ele deveria estar em casa ou ao menos ter ligado, deixei inúmeras mensagens em sua caixa de entrada, mas ele não havia retornado, sentei-me à mesa encarando o visor do celular em minhas mãos e por uma grande coincidência ele tocou.
- Amor, eu estava preocupada. Deixei milhares de mensagens e você não retornou. Venha logo, fiz o jantar. – Sorri ao dizer.
- Houve um imprevisto, teremos uma reunião com os empresários e acho que só volto amanhã cedo ou na madrugada, desculpe-me amor. – Disse num tom de voz decepcionado.
- Tudo bem ... Então, deixe para a próxima.
- Desculpe-me amor, eu queria estar ai, mas a reunião é importante. – Suspirou.
- Está tudo bem, vai lá para a reunião. É importante para você. – Disse forçando um sorriso, confesso que estava um pouco triste por não poder ficar com ele, mas eu sabia a importância dessas reuniões e não interferiria de forma alguma.
- Preciso desligar, desculpe-me. Durma na nossa cama, quero vê-la quando eu chegar, eu te amo. – Disse e desligou. Encarei o visor do celular que tinha como plano de fundo sua foto e disse baixo: “Eu te amo”. Fiquei por alguns instantes encarando a mesa, havia perdido a fome. Direcionei meu olhar para a sala e avistei um porta-retratos com a foto de sorrindo, caminhei até ele e peguei-o, em seguida colocando-o sobre a mesa, no lugar onde ele costumava sentar-se. Em frente à foto havia o prato com a comida, a taça com vinho, e o castiçal com as velas acesas, apaguei a luz e fotografei aquele momento que deveria ser meu e dele, mas lá estava eu novamente, sozinha... Postei a foto e uma das minhas redes sociais com a legenda: “Aí vem o começo de uma noite sem dormir... Estou te esperando!”. Em seguida, peguei os dois pratos e virei toda a comida na lixeira, coloquei as louças na pia e deixei as velas acesas, caminhei até o banheiro e encarei meu reflexo no espelho, pensado em tudo que enfrentaria para ficar com ele e se eu aguentaria tudo isso, se eu era realmente forte pra aguentar a distância e a falta que ele iria fazer quando estivesse longe. Balancei a cabeça negativamente, debochando de mim mesma por pensar em coisas tão fúteis quanto essas, eu sabia que precisava dele e estava disposta a enfrentar qualquer obstáculo. Resolvi ir para casa pegar algumas roupas intimas para vestir. Tomei banho na casa de , com a inocente esperança de que ele pudesse voltar cedo. Vesti uma de suas camisas xadrez, voltei a pegar meu celular para verificar as mensagens, não havia nenhuma nova. Abri a página de sua rede social e vi uma atualização: “Consigo ouvi-la dizer "Eu te amo" como se fosse ontem... Me espera!” – E uma foto do papel de parede de seu celular, eram nossas mãos entrelaçadas. Sorri instantaneamente, em seguida me sentei no sofá que havia em seu quarto, encarando as paredes e observando o ambiente por um longo tempo, os minutos pareciam horas, as horas pareciam dias e eu estava com insônia. Caminhei pela casa, observando o jeito como ele organizava suas coisas, como arrumava suas roupas, onde deixava suas malas de viagem, suas chaves, suas fotografias e CD’s, sentei-me no sofá da sala, mas levantei em seguida por estar inquieta, dei a volta na mesa milhares de vezes, escrevi inúmeros bilhetinhos e os coloquei espalhados por onde andei, desde a sala até o quarto, como uma trilha. Em volta da mesa existiam vários bilhetes, pois todas as vezes que passei, ficaram marcadas pelos pequenos papeis. Voltei até a sala e assisti a nossos vídeos por mais de cinco vezes seguidas. Eu estava tão inquieta que marquei todo o sofá, por questão de sentar e levantar o tempo todo. Coloquei para tocar as músicas de suas bandas favoritas, e levantei-me olhando pela janela para ver se o avistava, mas as horas passaram-se e ele ainda não havia voltado, resolvi ir para cama, talvez eu conseguisse dormir. Antes de ir para o quarto, coloquei velas novas no castiçal, todas as outras estavam derretidas. Coloquei as sobras das velas ao lado do castiçal e caminhei até o quarto, deitei-me em sua cama, abraçando seu travesseiro, que exalou seu perfume suave. Desta vez não parecia que ele estava comigo, me senti boba. Fiquei em sua cama, ainda sem conseguir fechar os olhos e dormir, faltava um pedaço de mim, alguma coisa, alguém, e eu sabia que era ele. Minutos depois, pude ouvir o barulho da porta, então caminhei até a escada e o vi passar pela sala, observando seus CD’s sobre a mesa de centro, o sofá todo amarrotado, os papeizinhos espalhados pela casa. Pude vê-lo sorrindo, talvez com alguns desenhos engraçados que eu disse sermos nós. Voltei até o quarto, sentando-me no chão, ao lado da cama e comecei a escrever o último bilhete do dia. abriu a porta lentamente, talvez para não me acordar, os pequenos bilhetes estavam em suas mãos. Em seguida caminhou até mim, sentou-se ao meu lado e abraçou-me. Sorri e entreguei-lhe o bilhete, nele estava escrito: “Me beije quando você chegar!”. E assim o fez, em seguida olhou em volta e encontrou um bloquinho de papel, pegou-o e escreveu: “Dorme comigo esta noite?”, e entregou a mim. Ficamos mais um tempo no mesmo lugar, agora deitados, sem dizer qualquer palavra, só nos admirando, como se pudéssemos parar o tempo.
- Vi nosso jantar no lixo. – Disse quebrando o silêncio.
- Perdi a fome e como você iria demorar, a comida ficaria ruim. – Respondi levantando-me e sentando na cama.
- Desculpe-me, eu deveria ter avisado mais cedo e desculpe por deixá-la sozinha. – Levantou-se, admirando-me.
- Tudo bem, você está aqui agora. – Sorri.
- Vi as velas, o sofá marcado, meus CD’s sobre a mesa de centro e seus bilhetes espalhados por toda a casa. – Sorriu.
- Eu estava inquieta... Esperando você. – Disse e ele abraçou-me.
- Amei os bilhetes. Ideia legal, onde aprendeu? – Sorriu brincando com meu cabelo.
- Não sei. Talvez alguém tenha deixado alguns espalhados pela minha casa. – Disse mordendo sua bochecha levemente, fazendo-o sorrir.
- Meu amor. Vou para o banho. – Beijou-me a testa e caminhou até o banheiro, deitei em sua cama, esperando-o voltar. Não demorou muito e ele já estava de volta, vestindo uma calça xadrez, em seguida deitou-se ao meu lado. – Você fica linda usando minhas roupas. – Sorriu.
- Suas roupas são mais confortáveis que as minhas. – Sorri. – Tomei banho aqui, tem problema? – Questionei.
- Essa casa também é sua e falando nisso, esvaziei uma gaveta para você. – Sorriu.
- Obrigada meu amor. – Sorri abraçando-o. – Amanhã você vai estar em casa? – Encarei-o.
- O dia todo. – Mordeu levemente minha bochecha.
- Amanhã podemos ficar o tempo todo juntos. Apenas nós dois. Amanhã é domingo e estou de folga. Segunda-feira entrará alguém no meu cargo. Minha mãe me deu férias do trabalho sem antes me consultar. Acho que fui demitida. – Sorri e ele questionou-me sobre o que havia acontecido, então expliquei toda a história, em seguida resolvemos dormir, pois já era tarde.
- Eu amo você, pequena. – Sussurrou e passou uma de suas mãos por cima de meus braços, abraçando-me.
- Eu amo você. – Segurei firme suas mãos.
- A propósito, o jantar estava lindo e com a minha foto na mesa ficou ainda melhor. – Gargalhou.
- Ficaria muito melhor se você estivesse aqui. – Disse e ele sorriu fraco.
- Desculpe-me, eu deveria estar aqui. – Beijou-me a nuca.
- Tudo bem. – Sorri. – Aliás, você perdeu um jantar incrível. – Continuei.
- Fish&Chips. Nosso primeiro jantar juntos. – Sorriu.
- Quase jantei com uma fotografia feliz. – Gargalhei.
- Você já insinuou isso. – Disse, fingindo expressar tristeza.
- Precisamos guardar certas coisas, não é? Café... Não, quis dizer açúcar. – Disse imitando-o. – Disso eu vou te lembrar para sempre. – Continuei.
- Amo sua risada e por isso vou fazê-la rir ainda mais. – Disse fazendo-me cócegas.
- Não , para! – Gritei gargalhando e tentando fugir de seus braços, mas sem intenção acabei dando uma cotovelada em seu estômago. E isso o fez gritar e virar-se para o outro lado da cama.
- meu amor, machuquei você? bebê, vem cá. – Debochei abraçando-o e puxando-o para perto novamente.
- Você me machucou. – Disse com os olhos fechados e fazendo bico.
- Desculpa meu bebê. – Disse bagunçando seus cabelos e ele continuou com as mãos no estômago. Deitei-me novamente ao seu lado, ainda sorrindo e ele me jogou um travesseiro, passou por cima de mim, jogou-se no chão e puxou-me para que eu caísse sobre ele. Nós nos olhamos por alguns instantes, sorri e beijei-o, em seguida voltou a fazer cócegas, mas consegui me levantar e sair correndo do quarto. Direcionei-me até a sala e ele me seguiu e ao me alcançar, abraçou-me por trás e nos jogou no sofá. Ficamos abraçados, ele segurou-me para que eu não caísse. Acabamos adormecendo ali mesmo, com as mãos entrelaçadas.

XXX - Breakfast for a couple?


No dia seguinte acordei e admirei que ainda dormia, resolvi fazer nosso café da manhã, tentei de tudo para não acordá-lo, mas foi uma tentativa falha e frustrada já que o sofá era pequeno. Quando me virei para levantar, acabei caindo ao chão. Murmurei e levantei rapidamente acariciando os cabelos de , ao vê-lo mexendo-se. Coloquei algumas almofadas a seu lado, para que não sentisse minha falta. Caminhei em direção à cozinha, mas acabei tropeçando na mesa de centro e derrubando os objetos ao bater meu braço neles. Novamente eu estava no chão. acordou assustado, procurando por mim e quando encontrou, começamos a rir instantaneamente.
- É a segunda vez que isso acontece, não vou mais tentar fazer silêncio. – Resmunguei ainda rindo.
- Segunda? – Levantou-se do sofá e estendeu seus braços para ajudar-me.
- Caí do sofá há pouco tempo. – Disse e ele começou a gargalhar, segurei suas mãos para levantar-me, mas acabei puxando-o para o chão, fazendo com que caísse sobre mim. Gritei conforme nossos corpos se chocaram um no outro. – Hoje não é o meu dia de sorte. – Continuei.
-Machuquei você? – Questionou analisando-me.
- Você é pesado. – Disse, e ele deitou-se ao meu lado, e em seguida puxou-me para cima de seu corpo.
- Acabou o problema. – Sorriu e aproximou-se selando nossos lábios.
- Vou fazer minha higiene matinal. – Disse levantando-me e caminhando até o banheiro, deixando-o no chão, sorrindo. Quando voltei, estava descendo as escadas.
- Fui lá em cima escovar meus dentes, você demora muito. – Puxou-me pela camisa.
- Me deixa. – Sorri.
- Beijo de bom dia. – Selou nossos lábios com um doce e calmo beijo.
- Bom dia amor. – Disse – Estou com fome. Vamos fazer o café da manhã? – Questionei puxando-o pela cordinha da calça, que amarrava seu pijama.
- Não sei cozinhar. – Encarou-me.
- É verdade. Havia me esquecido de que meu namorado é um desastre na cozinha. Você precisa aprender. O que quer comer? – Sorri caminhando até a cozinha.
- Panquecas. Pode me ensinar? – Encarou-me entusiasmado.
- Tudo bem, vamos fazer panquecas. – Sorri.
- Então... O que faço? – Questionou confuso, observando.
- Pegue dois recipientes. – Disse pegando os ingredientes no armário.
- E agora?
- Agora faça tudo o que eu fizer. – Disse pegando um dos ovos sobre a mesa e batendo levemente no recipiente, para quebrá-lo.
- Quebrar ovo é fácil. – Disse repetindo o processo, mas colocou força demais e o ovo acabou estourando e sujando toda sua mão. – Que nojo. – Encarou-me frustrado e correu para lavar as mãos.
- Você é fresco. – Gargalhei. – Venha cá. É assim que se quebra um ovo. – Posicionei-me por trás de seu corpo, segurei sua mão, dando uma leve batida no recipiente e fazendo o ovo quebrar-se. – Viu? É assim. – Sorri. – Agora segure um lado da casca e eu seguro a outra parte. – Então nós o abrimos dentro da bacia.
- Deu certo. – Disse empolgado.
- Agora quebre o outro, mas sem a minha ajuda. – Sorri e assim ele o fez.
- Consegui. – Comemorou.
- Agora, coloque uma xícara de leite. – Sorri ao vê-lo atrapalhar-se.
- Pronto, uma xícara de leite. – Sorriu, virando o ingrediente na vasilha.
- É a minha xícara, não é? – Gargalhei.
- Pare de debochar. – Encarou-me admirado.
- Tudo bem, agora coloque uma xícara de farinha de trigo. – Mordi o lábio, segurando o riso.
- Pronto. – Disse colocando farinha na xícara e também na mesa.
- Olhe a bagunça que você está fazendo. – Sorri passando meus dedos sujos de farinha em seu rosto.
- Você está atrapalhando meu aprendizado. – Sorriu.
- Coloque uma colher de manteiga. – Disse observando o quão perdido ele estava. – Agora coloque uma pitada de sal e duas colheres de açúcar. – Empurrei os recipientes com os ingredientes para perto dele.
- Uma pitada de sal e quatro colheres de açúcar. – Encarou-me sorrindo.
- ! – Sorri.
- O que foi? – Questionou confuso.
- Eram apenas duas colheres. – Sorri puxando-o para mais perto.
- Eu gosto de açúcar. – Gargalhou, parei para admirá-lo. Eu amo o jeito como ele fecha os olhos quando sorri e como seus lábios ficam ainda mais belos quando ele morde o canto dos mesmos no final do sorriso.
- O que foi? – Questionou agindo exatamente como eu havia imaginado. Mordeu os lábios e encarou-me, procurando uma resposta em meu olhar. Passou sua mão fria em volta de meu pescoço e isso me fez arrepiar, ele sorriu, sua mão esquerda estava em minha cintura, mantendo-me próxima. Minhas mãos estavam envoltas em seu pescoço, ele gosta quando acaricio sua nuca. Ficamos nos admirando por alguns instantes, meu olhar continuava fixo nos seus. segurou-me firmemente pela cintura e me beijou intensamente, colocando-me sentada sobre a mesa, empurrando todos os objetos para trás, coloquei minhas pernas envoltas em sua cintura, fazendo-o ficar totalmente junto a mim. Admirou-me sorrindo, em seguida beijou meu pescoço dando leves chupões e me pressionando contra seu corpo, passou suas mãos em meus cabelos, mordi levemente seus lábios e arranhei suas costas, fazendo-o me puxar ainda mais para si. Nossas mãos passeavam por nossos corpos, por onde havia pele para ser tocada e sentida. Suas mãos passavam de minhas coxas até minha barriga, percorreu por minhas costas, minhas mãos passeavam pelo seu tórax, costas e braços. parou admirando-me, afastei-me sorrindo, mas ele aproximou-se novamente, puxando-me, fazendo com que nossos corpos se chocassem levemente, passou todo o meu cabelo para o lado esquerdo do rosto, beijando a extensão de meu pescoço, suas mãos seguravam as minhas acariciando-as levemente, colocou-me novamente com os pés no chão e virou-me fazendo com que ficássemos de frente para a mesa, abraçou-me passando suas mãos por minha barriga, na altura das costelas e puxando-me para si, continuou segurando minhas mãos que insistiam em querer explorar seu corpo. Segurou-me firme e sorriu, o som de sua risada me fez virar o rosto para admirá-lo, em seguida beijou-me a testa e disse o que eu precisava ouvir.
- Eu te amo tanto que não quero estragar nada com você, quero que seja tudo perfeito, cada momento ao seu lado. Quero ver esse sorriso todos os dias, quero poder dizer ao mundo que você é minha, quero ser seu. Quero que você esteja ao meu lado, que você me queira e precise de mim. Eu te amo minha princesa. – Me virei e ele finalizou beijando-me.
- Eu amo você. – Sussurrei em seu ouvido ao abraçá-lo.
- MINHA princesa. – Sorriu, seus olhos >> brilhavam magnificamente. Apertou-me num abraço, que me fez perder o ar de tão forte, maravilhoso, acolhedor, cuidadoso e tão meu. –Continuando... Você me tira a concentração, consegue ser linda até cozinhando. – Sorriu.
- Bobo, a culpa é sua, ninguém mandou você ter a risada mais maravilhosa do mundo. – Disse, puxando os recipientes para perto de nós novamente.
- Falta muito para acabar? Eu estou com fome. – Resmungou.
- Não amor, só bater tudo. – Disse ligando a batedeira. segurou minhas mãos para misturarmos os ingredientes. Quando terminamos, levamos para a geladeira por 30 minutos e nesse meio tempo arrumamos a bagunça que estava na mesa. Fizemos a calda de chocolate juntos e assamos as panquecas.
- Café para dois. – Selou nossos lábios e arrumou os pratos e talheres à mesa.
- Amor, que horas são? – Questionei.
- 12h30min. Acho que enrolamos um pouquinho. – Sorriu mordendo os lábios.
- A culpa não foi minha. – Baguncei seus cabelos.
- Ainda bem que hoje o dia é apenas nosso, sem ninguém para...
- , , , , ? , , Pessoal? – Alguém gritou na porta interrompendo-o.
- ATRAPALHAR! – balançou a cabeça negativamente. – É o , finja que não estamos em casa. – Brincou e gargalhamos.
- Estou vendo vocês, abram a porta, quero entrar. – apareceu na janela gargalhando e gritando.
- Vá embora , vi você ontem. – brincou.
- O que foi? Quer passar o dia inteiro com a namorada? Não vou dar privacidade para vocês. – gritou.
- Nos aturar. – apareceu na janela puxando e .
- Chegamos na hora certa, tem comida. – correu da janela até a porta.
- Abram a porta ou vamos precisar assoprar igual o lobo mal dos três porquinhos. – gargalhou e nós caminhamos abraçados até a porta, abrindo-a.
- Entrem. – sorriu.
- Onde está a comida? – nos atropelou caminhando até a cozinha.
- , nossa amizade acabou aqui. – Gritei gargalhando.
- Vocês demoraram muito para abrir a porta, seus folgados. – Disse .
- Eu ia assoprar a casa. – sorriu e nos deu um beijo no rosto.
- Oi pessoal. – entrou, batendo em nossas cabeças. fechou a porta e ficou pensativo, direcionando seu olhar para a cozinha.
- Corram, está sozinho na cozinha. – gargalhou, puxando-me .
- Apenas dois pratos na mesa? – observou.
- Era pra ser um café da manhã de um casal. – debochou.
- Aqui , um prato para você. – Disse colocando mais louças sobre a mesa. Tomamos café da manhã que foi interrompido pelas milhares de ligações que recebeu, perdi a conta de quantas vezes ele levantou-se para atender ao celular.
- O que vamos fazer? – Questionei. não estava por perto, estava ao celular novamente.
- JOGAR VIDEO GAME! – Gritou .
- Eu primeiro... Eu primeiro... – Eles gritaram.
- Tudo bem, apenas não se matem. – Gargalhei jogando-me no sofá, sentou-se ao meu lado e abraçou-me.
- Está preocupada? – Questionou observando minha expressão.
- Está tudo bem. Porque eu estaria preocupada? Só por que fica o tempo todo atendendo essas ligações misteriosas? Não, está tudo bem. – Desviei o olhar.
- Aposto que é coisa de trabalho, não faria nada que fosse magoar você. – bagunçou meus cabelos. – E falando em trabalho, você já pensou em publicar suas obras? Suas roupas são incríveis. – Continuou.
- Nunca, minha mãe já tentou publicá-las, mas quase paramos de nos falar por isso. – Gargalhei. – Talvez um dia, eu...
- , sua vez. – interrompeu-me gritando puxando-me pelo braço. Direcionei meu olhar para e sorri.
- Não se preocupe. – sorriu.
- Agora você vai jogar comigo e vai perder, é fácil ganhar de garotinhas, não é mesmo ? – gargalhou maleficamente.
- Qual é esse jogo? – Questionei.
- Luta, por quê? Quer um da Barbie? – Debochou .
- Eu vou acabar com você. – Sorri e encarei-o provocando. e gritaram. Antes de iniciar o jogo passou sorrindo e rebolando frente à TV com um papel escrito “Round 1”. Observei o ambiente procurando por , mas ele não havia voltado para a sala. O jogo começou, e torciam para mim e para .
- WINNER! Ganhei de você, garotinha. – Gritei, e zombaram.
- Você apelou, não vale. – resmungou e sentou-se no sofá.
- Ganhei, ganhei, ganhei. – Joguei-me em cima dele.
- Já disse que não valeu. – Gargalhou, Jogando-me no chão e me fazendo cócegas até que eu conseguisse fugir. Ele me seguiu, quando estava quase me alcançando esbarrei em que me abraçou e sorriu.
- Injustiça, ela roubou o tempo todo . – justificou-se.
- Roubando é? – encarou-me sorrindo. – Eu que vou roubar vários beijos de você. – Apertou-me e puxou-me para mais perto, beijando todo o meu rosto, me fazendo sorrir.
- Vamos voltar a jogar. – direcionou-se até a sala.
- Vamos, quero muito ver você perder para o . – Brinquei puxando até o cômodo.
- Eu sempre ganho do , sempre. – gabou-se.
- Quero ver então. – Joguei-me no colo de , que já estava no sofá.
- venha jogar comigo, quero mostrar para a que você sabe perder. – caçoou.
- Claro , vamos jogar. Sempre ganho. – piscou e sorriu.
- Vá mais para lá. – nos empurrou, ajeitando-se no sofá.
- Ei cuidado! – encarou-o.
- O casal está bravinho? – debochou me fazendo rir.
- Pare de rir ou ele nunca irá nos respeitar. – encarou-me fingindo estar bravo.
- Bobo. – Sorri passando meus dedos em seu rosto e ele encarou-me admirado. – O que foi amor? – Questionei.
- Gosto de te admirar, você é linda, minha linda. – Sorriu bobo. – Eu te amo sabia? – Beijou-me.
- Você é um anjo, e é MEU! – Sorri e beijei seu pescoço.
- WINNER! Venci. – Gritou .
- LOSER. – Gritei para .
- é como você, não sabe jogar. – resmungou.
- É isso aí , bate aqui. – Estendi minhas mãos e ele bateu nas mesmas, comemorando.
- Desista , você é horrível neste jogo. – sorriu.
- , você é pior que eu. – Gargalhou .
- Mas não me atrevo a jogar. – caçoou.
- , tem batatas aqui? – Questionou , levantando-se do sofá e caminhando até a cozinha.
- Armário esquerdo. – Gritou . Continuei sentada em seu colo, brincando com os botões de sua camisa e mexendo em seu cabelo, enquanto ele acariciava meus braços, abraçava-me, segurava-me pela cintura, brincava com meus cabelos, vez ou outra mordia, assoprava e beijava meu pescoço, fazendo-me sorrir.
- Quero você para mim. – Sussurrou , abraçando-me.
- Já sou sua. – Sussurrei e mordi levemente o lóbulo de sua orelha, percebi seu arrepio e sorri, então ele me beijou.
- Vou pedir pizzas. – Disse encarando-nos.
- É uma ótima ideia. – Concordei.
- ! – Gritou e instantaneamente arremessou o telefone para que ele ligasse e pedisse as pizzas e bebidas.

XXXI - I'm bleeding...


Minutos depois a campainha tocou e imaginei que fossem as pizzas, pedi para que abrisse a porta, enquanto eu caminhava até a cozinha para pegar pratos e copos.
- ! – disse num tom de voz mediano.
- Pedi para não vir aqui. É arriscado. – Sussurrou , mas pude ouvir ao passar perto da porta, no mesmo instante soltei o copo que estava em minhas mãos, quebrando-o sem intenção. Deixei minhas emoções de lado e tentei recolher os cacos, pegando-os com força, mas acabei me cortando, doeu muito, mas ouvir aquelas palavras de , feriu muito mais. A única coisa que passou pela minha mente foi que ele estava me traindo, encarei a porta para ver quem estava do lado externo, mas foi rápido e a fechou, despedindo-se.
- , suas mãos. – encarou-me assustado.
- O que houve? – e disseram em coro.
- Estão sangrando. – correu em minha direção, segurando meus braços, analisando os corte. – Vamos fazer um curativo. – Puxou-me, mas me desfiz de seus cuidados.
- , poderia me ajudar com isso? – Questionei.
- Claro. – Acompanhou-me até o banheiro. – Lave as mãos, isso doerá um pouco. – enrolou as mangas da camisa que eu vestia e abriu a torneira.
- Vai doer muito, não quero fazer isso . – Encarei-o com um olhar desesperado, as gotas de sangue escorriam por meus dedos.
- Mas precisa, tenho que fazer um curativo. Ficarei ao seu lado, pode me morder, caso isso te faça sentir menos dor. – Aproximou-se, segurando firme em meus pulsos e colocando minhas mãos em baixo d’água. – Desculpe-me por isso. – Encarou-me, tirando o anel que havia me dado e passando a ponta de seus dedos por cima de meus cortes, limpando-os. Tentei não chorar, mas isso machucou muito, sou fraca para dor e isso me fez virar e morder seu braço, abafando meus gritos.
- Eu trouxe isso aqui, acho que... Ei, não faça isso. – Disse , ao me ver com os dentes cravados no braço do pobre garoto.
- Tudo bem. Ela está sangrando, chorando e sentindo dor, precisa fazer algo para diminuir isso. – Disse ao desligar a torneira, me afastei, observando a marca de meus dentes e desculpei-me por aquilo.
- Tudo bem, não se desculpe agora. – Respondeu e isso me assustou. segurou-me pelos cotovelos e direcionou-me até a sala. Sentei-me no sofá ao lado de .
- Está melhor? – Questionou , analisando meu olhar.
- Dói muito. – Desviei meu olhar, procurando por .
- Sei o quanto dói. – Respondeu com os olhos fixos nos meus. Ele sabia sobre o que eu estava falando. Quando disse que doía, não me referia as feridas em minhas mãos, mas sim ao meu coração.
- Vamos acabar logo com isso. – sentou-se frente a mim, segurando uma caixa que havia lhe entregado.
- Não. – Reclamei e aproximou-se, continuou intacto, observando à distancia.
- , poderia pressionar os pulsos dela, para conter um pouco o sangramento? – Disse e no mesmo momento obedeceu.
- Isso vai doer um pouco. – Disse , analisando-me, como se eu não estivesse assustada o bastante. – Feche os olhos. – Encarou-me preocupado com a dor que eu sentiria e colocou suas mãos sobre meus olhos, tapando-os.
- Vou colocar um pouco deste antibacteriano nas mãos dela, quero que segure firme os dedos de , para que não os feche. – Disse e o fez, esticando minhas mãos, fazendo com que os cortes se abrissem.
- Por favor, faça isso rápido, já está doendo muito. – Disse assustada.
- Um, Dois, Três. – contou e colocou um pouco do remédio em minhas mãos. Senti arder como se estivesse queimando os cortes, tentei soltar-me dos garotos, mas eles são fortes demais.
- Tira isso, . – Implorei.
- Vai passar, vai passar. – aproximou-se, beijando-me a testa. – Está passando? – Questionou.
- Isso machuca ainda mais. – Disse e puder ver tristeza expressas no olhar de .
- A pior parte já passou. – secou as lágrimas de meu rosto.
- Tudo bem , pode soltar as mãos dela. – encarou-o.
- Não chora. – encarou-me preocupado.
- , olhe para mim. – Disse num tom de voz suave, analisei seu olhar, senti passar algodão em meus cortes e isso me incomodou, mas os olhos de me mantiveram calma.
- Pronto. – Disse , logo após enrolar minhas mãos num curativo digno de um enfermeiro.
- Obrigada , não sabia que vocês tinham kit de primeiros socorros por aqui. – Forcei um sorriso.
- Não molhe as mãos, não pegue peso e amanhã precisa fazer outro curativo. Caso ainda esteja sangrando, precisará ir ao médico. – alertou-me.
- Você é um anjo. – Sorri.
- Você sabe, prometi cuidar de você. – Sussurrou e beijou-me a testa.
- Mas ele está aqui. – Disse.
- Mas está distante, desde o momento em que a campainha tocou. – Analisou-me, ele me conhecia tão bem.
- Quem era na porta? – Questionei.
- Não consegui ver, me distraí com o barulho do copo caindo ao chão. – Respondeu. – Não perca isto. – Entregou-me o anel que havia me presenteado.
- Recolhi os cacos de vidro da cozinha. – Disse . – E essas pizzas, não chegarão? – Resmungou.
- As pizzas estão na mesa, chegaram há alguns minutos, você não viu? – apontou para a cozinha, indicando.
- Ótimo. – e correram.
- Vou para casa... – Disse levantando-me do sofá.
- Não, vai ficar aqui. – disse sério, fazendo-me sentar novamente.
- Desculpe, mas vou para casa. – Encarei-o.
- Você não pode ir para casa, suas mãos estão machucadas e você não pode fazer esforço, precisa que alguém te ajude com isso. – reprovou minha atitude.
- Ele está certo. Fique aqui ao menos hoje, os cortes estão muito recentes e se você fizer esforço, vão demorar a cicatrizar. – concordou.
- Está vendo. – sorriu vitorioso.
- Estou faminto, vou comer. – beijou-me a bochecha e saiu, seguido por .
- O que quer saber? – sentou-se frente a mim, acariciando meus braços e fixando seus magníficos olhos >> nos meus.
- Quem era na porta? – Questionei.
- Precisa confiar em mim, sabe que não quero te machucar. Olhe para você, suas mãos envoltas em um curativo, me sinto mal, me sinto culpado por fazer você chorar. – Procurou meu olhar, que direcionaram-se até a janela, desviando dos seus.
- Novamente, ouvi você dizer que é arriscado.
- Olhe para mim, olhe dentro dos meus olhos. Darei todo o tempo do mundo para você responder essa pergunta. Você realmente acha que sou capaz de te trair? Você é meu amor, minha princesa. – Disse e pude ver o medo expressos em seu olhar. Senti que ele tinha medo da resposta.
- O casal quer pizza? – Questionou , entrando na sala.
- Não posso! – Disse.
- Está de regime? Você não precisa disso. – analisou meu corpo.
- Não posso por causa das minhas mãos, doem bastante. – Ergui os braços mostrando-as.
- Tudo bem, eu te ajudo com isso princesa. – sorriu. – Tragam as pizzas e as bebidas para a sala, vamos assistir a um filme. – Continuou, pegando algumas almofadas.
- Ouviram? Tragam tudo. – gargalhou e jogou-se no sofá.
- Obrigada meninos. – Sorri.
- Só fizemos isso porque você está moribunda. – Caçoou .
- , só não te dou um soco, porque isso doeria mais em mim. – Brinquei.
- Sei que doeria mais em você. Não consegue me machucar, por me amar muito. – Gargalhou.
- Amar você? – Gargalhei tentando jogar uma almofada nele, mas me arrependi no mesmo momento.
- . – Gritou .
- Não tenho culpa. – Encarou-o.
- Fique quieto, . – jogou uma almofada nele.
- Obrigada, . – Sorri.
- Fique quietinha, para não se machucar ainda mais. – puxou-me para perto, aconchegando-me em seus braços quentes.
- Vou colocar um filme de romance que nunca assisti. – Disse dando inicio ao filme, assistimos ao longa-metragem, enquanto ouvíamos os comentários desnecessários de .
- Quer mais, amor? – encarou-me, colocando uma fatia de pizza próxima a meus lábios, para que eu mordesse. Sorri ao vê-lo tão atencioso e preocupado comigo. Me fez pensar sobre sua atitude, mas desviei meus pensamentos e fixei minha atenção apenas no filme. Quando o mesmo acabou, suspirei aliviada por ter finalizado também as sua sessão de comentários desnecessários.
- , tive uma ideia. – Disse entusiasmada.
- Qual ideia? – sorriu.
- Vou trazer uma amiga para te conhecer. – Sorri.
- Sério? – Disse empolgado.
- Não, não tenho amigas. – Disse fazendo todos rissem, exceto .
- Não achei graça nisso. – Disse, fingindo estar bravo.
- Desculpe, mas você não para de reclamar nem por um segundo...
- E isso quer dizer que você pode caçoar? – retrucou, interrompendo-me.
- Não está mais aqui quem falou. – Encarei-o e ele sorriu satisfeito.
- Pessoal, vou para casa ficar um pouco com minha família. – Disse , levantando-se do sofá. – Até mais e fique bem, . – Beijou-me a testa e sorri agradecendo.
- Vou com você. – gritou seguindo-o. – Se cuide moribunda. – Beijou-me a bochecha e deu uma leve batida na cabeça de .
- , precisa de ajuda com algo? – Questionou .
- Não, está tudo bem, me viro aqui. – agradeceu.
- Então, vou indo. Cuida dessa garota e lembre-se das recomendações do Doutor . – Brincou, deu um beijo em mim e em , e caminhou até a porta.
- Vou nessa. Beijo , melhoras.– Sorriu e acenou à distancia, saindo pela porta.

XXXII - Provocation.


- Percebeu como só faço coisa errada? – encarou-me triste. – Era para ser o ‘nosso dia’ e aconteceu tudo isso, desculpe. – Fitou o chão, desviando seu olhar.
- Está tudo bem. – Beijei-o.
- Me sinto culpado. – Encarou-me.
- Eu amo você. – Disse subindo em seu colo e beijando sua testa, eu estava com minhas pernas envoltas em sua cintura, meus cotovelos apoiados em seus ombros e minhas mãos perto de sua nuca. Suas mãos estavam em minha cintura, pressionando-me contra seu corpo, abraçando-me.
- Eu te amo. – Disse ele e como de costume tentei acariciar sua nuca, mas gemi de dor pelo movimento que fiz com as mãos. – Amor. – Puxou-me para olhar meu rosto, disfarcei a dor e mordi meu lábio.
- Queria fazer você sentir arrepios, assim como faz quando me abraça. – Sorri, fazendo-o puxar-me para mais um de seus abraços, passou suas mãos por minhas costas, fazendo-me sorrir, beijei seu pescoço levemente e pude vê-lo arrepiar-se, então o fiz novamente, fazendo com que ele fechasse seus olhos, beijei toda a extensão de seu pescoço, até chegar a sua orelha, mordi levemente seu lóbulo e me mexi de forma que nossos corpos ficassem ainda mais colados, isso o fez apertar minhas coxas e morder os lábios, eu estava feliz por causar aquela sensação nele, sorri satisfeita e sussurrei um “Eu te amo” bem baixinho e ofegante em seu ouvido, e isso fez com que ele procurasse meus lábios, pressionando seu corpo contra o meu. Eu insistia em esquecer que minhas mãos estavam machucadas, e gemia de dor todas as vezes que tentava acariciar seus cabelos ou puxá-lo para mais perto, por vezes consegui vê-lo sorrir por conta dos meus gemidos, eu sinceramente não achava engraçado, minhas mãos doíam. Ele me abraçou, brincando com meus cabelos e passando sua outra mão pelo contorno de meu rosto, acariciava minhas costas e tentava segurar meus braços para que eu parasse de me machucar, embora ele tenha dito que gostava do barulho e da expressão que eu fazia ao sentir dor. Ele estava cuidando de mim, analisando-me, beijando-me.
- Preciso colocar o anel novamente, tirou para fazer os curativos. – Mostrei a jóia sobre a mesa.
- Isso vai doer um pouco. – Encarou-me.
- Tudo bem, acho que aguento essa. – Sorri.
- Olhe para mim. – Pediu.
- Você é mau , quer ver meu sofrimento. – Disse, fazendo-o sorrir selando nossos lábios e no mesmo instante, colocou o anel em meu dedo de uma só vez. Fechei os olhos ao gemer de dor, fazendo-o imitar-me.
- Essa sua expressão de dor... – Sorriu e mordeu seu lábio inferior, puxando-me para si e beijando-me. – Doeu muito? – Questionou.
- Quase gritei. – Me afastei para admirá-lo.
- Mas você gemeu, então quer dizer que não doeu muito. – Sussurrou.
- E isso te deixa arrepiado.
- Um pouco. – Fechou os olhos e encostou-se no sofá com um sorriso bobo no rosto. Voltou a morder os lábios e comecei a pensar sobre essa tentativa de sedução que estava dando certo. Me virei para sair de seu colo, mas antes que eu conseguisse, puxou-me novamente, fazendo com que nossos corpos se chocassem.
- Fique aqui, não vou fazer nada, só preciso sentir seu corpo no meu. – Sorriu ao falar, envolvendo-me em seus braços. Fiquei deitada em seu peito, ouvindo o pulsar de seu coração, todas as vezes que eu me mexia, seu coração acelerava, sorri por isso.
- Você e tão bobo. – Apoiei meu queixo em seu peito para encarar seu rosto.
- Sou bobo, mas você me ama. – Sorriu, passando suas mãos em minha nuca. – Eu amo você, princesa. – Puxou-me para alcançar meus lábios. Sorri e beijei o canto de sua boca. – Eu poderia ficar com você o resto da minha vida. – Fixou seus olhos nos meus.
- Ficarei com você até o resto da vida, você vai ficar comigo? – Analisei seus belos olhos >> brilharem.
- Até você não querer mais, me mandar embora, me pedir para seguir outro caminho ou me deixar numa rua que não leva a lugar algum, até cansar de mim. Você nunca vai fazer isso não é? – Encarou-me com aqueles grandes e encantadores olhos que me deixavam em hipnotizada e com aquele sorriso magnífico que fazia com que eu me perdesse.
- Nunca, nunca direi isso. Nunca te mandarei embora, não vou deixar você ficar longe de mim, eu prometo. – Sorri e voltei a deitar em seu peito, acabei adormecendo ao som do pulsar de seu coração. Acordei minutos depois deitada no sofá, analisei o cômodo e não encontrei os olhos que me faziam sorrir, levantei-me e caminhei até a cozinha, lá estava ele, de costas, lavando a louça. Sorri e caminhei silenciosamente até ele e abracei-o por trás, passando minhas mãos por seu corpo e beijando suas costas, ele virou o rosto para encarar-me e sorriu.
- Suas mãos? – Questionou preocupado.
- Ainda doem, mas não resisti em sentir você. – Sorri.
- Pare de torturar-se, é maldade. – Disse fingindo estar bravo.
- Pare de andar sem camisa pela casa. – Sorri, beijando novamente suas costas e abaixando minhas mãos até a região de sua cintura.
- Vamos parar por aqui. – Encarou-me.
- Por quê? – Provoquei-o deslizando minhas mãos até o fecho de seu pijama.
- Vou acabar machucando suas mãos. – Tentou fugir e acabou apertando minhas mãos entre a pia e seu corpo. Gemi de dor, mas tentei disfarçar. – Pode parar. Machuquei você novamente. – Virou-se e encarou-me preocupado.
- Parar com o que? – Disse me aproximando, fazendo com que ele encostasse-se ao gabinete.
- Com isso, você sabe. – Puxou-me para mais perto.
- Isso o que? – Sorri.
- Pare de me provocar, depois não tem mais volta. – Beijou-me. E eu gemi, provocando-o.
- Não quero te machucar. – Pegou-me no colo e colocou-me sobre o balcão que havia na cozinha. – Com medo? –Disse enquanto apertava minhas coxas.
- Nenhum pouco. – Eu disse puxando-o para perto e novamente gemi de dor, por conta das minhas mãos.
- Você vai me enlouquecer desse jeito. Machucou? Deixe-me ver. – Afastou-se, segurando meus pulsos.
- Tudo bem. Vou melhorar. – Encarei-o sorrindo. – Gosto quando você fica assim. – Beijei seus lábios lentamente.
- Não me provoca, é tortura, não posso fazer nada com você, suas mãos estão machucadas. – Beijou meu pescoço.
- Gosto do seu sorriso, quando fecha os olhos e morde os lábios, o jeito que se movimenta e como age comigo, gosto muito. – Beijei seu ombro, em seguida mordi levemente, suas mãos passearam do meu quadril até perto dos meus seios, mas ele hesitou.
- Gosto da expressão que você faz quando sente dor, e o barulho. – Sorriu e desceu suas mãos até minhas coxas, em seguida fechou os olhos, sorri e beijei seu pescoço fazendo um caminho até seus lábios, mordi seu lábio um pouco mais forte, isso fez com que ele segurasse minhas mãos. Gemi novamente, mas tentei esquecer a dor no calor do momento. passou suas mãos frias em minha barriga. Senti arrepios e sorri, passando minhas mãos por sua nuca, mordi meus lábios, disfarçado a dor. Ele parou, afastou-se e colocou as mãos no balcão. – Você não vai parar não é? – Disse ofegante.
- Gosto de brincar assim com você, sua expressão é ótima. Você fica tentando resistir. – Sussurrei em seu ouvido e ele desaprovou.
- Precisa parar com isso. – Colocou-me novamente no chão.
- Vou para o quarto. – Beijei-o.
- Vou terminar aqui e depois eu subo. – Disse e me retirei, pude vê-lo encostar-se no gabinete, fechando os olhos e mordendo os lábios. Sorri caminhando até seu quarto e deitando-me na cama, fiquei olhando o teto e imaginando as expressões de , alguns minutos se passaram e ele entrou no quarto.
- Vem aqui, deita comigo. – Disse encarando-o.
- Se você prometer que não vai brincar comigo, eu fico com você. – Sorriu enquanto vestia uma camisa.
- Prometo. – Disse, então deitou-se ao meu lado, abraçando-me, sem mesmo deixar-me acomodar. Tentava levantar minhas mãos que estavam abaixo de sua cintura e acabei provocando-o novamente, mas dessa vez sem intenção.
- , você prometeu. – Disse num tom baixo e soltou um gemido fraco.
- Estou tentando tirar minhas mãos, está doendo. – Disse encarando-o confusa. Então, ele afastou-se e eu puxei meus punhos para cima. – Seu gemido. – Sorri.
- O que tem? – Corou.
- É fraco como um sussurro. Eu gosto. – Brinquei e beijei-o.
- Suas mãos ainda doem muito? – Acariciou meus cabelos.
- Está bem melhor, só dói quando eu aperto alguma coisa. – Respondi.
- Aperta como? Assim? – Ele desceu suas mãos até minhas coxas e a pressionou contra seu corpo, isso me fez fechar os olhos e sorrir, beijou-me o pescoço, agora era ele quem estava brincando comigo.
- Chega . – Minha voz saiu falhada.
- Não aguenta ser provocada? – Sussurrou.
- Não, não aguento. – Admiti e ele sorriu abraçando-me. – Amanhã vou passar na loja, para pegar minhas coisas, você pode me levar? Não posso dirigir. – Pedi.
- Faço tudo o que você quiser, sabe disso. – Sorriu, beijando-me. Aconcheguei-me em seu corpo.
- Minhas mãos estão doendo. – Encarei-o triste.
- Vai passar amor, espere um pouquinho. – Disse saindo do quarto e voltando minutos depois. – Tome isso princesa, é analgésico. Acho que vai sentir menos dor e conseguirá dormir. –Colocou o comprimido em minha boca, acariciando meus lábios, e depois me deu um pouco de água.
- Espero que funcione. – Aconcheguei-me na cama.
- Está passando? – Questionou analisando minha expressão.
- Amor, eu acabei de tomar o remédio. – Sussurrei e ele sorriu. – Ainda dói. – Reclamei.
- Eu amo você. – Beijou-me a testa. Por incrível que pareça, acabamos adormecendo rápido.

XXXIII - What's wrong with you?


No dia seguinte, acordei cedo para ir à loja, procurei por na cama e não o encontrei. Mas encontrei inúmeras roupas minhas sobre a cama, ele deve ter feito uma visita até minha casa e pegado-as. Fui até o banheiro fazer minha higiene matinal, tentei escovar os dentes com cuidado, para não machucar minhas mãos, mas era difícil segurar qualquer tipo de coisa. Doeu bastante, mas me esforcei e acabei conseguindo, resolvi tomar um banho, deixei a porta encostada, continuo com a mania de nunca trancar porta alguma. Abri o chuveiro ainda com os curativos em minhas mãos, isso protegeria um pouco e doeria menos. Em seguida retirei os curativos e coloquei as faixas na lixeira, entrei no chuveiro e deixei a água escorrer em meu corpo, peguei o sabonete e pude sentir minhas mãos queimarem, aquele ardor imenso, mas me mantive firme, lavei minhas mãos, limpando os machucados, terminei meu banho, mas ao desligar o chuveiro, gritei. A dor era tão forte que fez com que eu me encolhesse no chão, os cortes da minha mão direita sangravam muito, abracei meus joelhos e continuei sentada no chão, tentando conter o sangramento, até ouvir a porta se abrir.
- O que houve? – questionou abrindo o box e encarando-me assustado.
- Fui fechar o chuveiro e... – Disse. Ele terminou de desligar o chuveiro, pegou uma toalha, levantou-me e enrolou-me na mesma rapidamente, segurou minhas mãos para que eu não me machucasse ainda mais e me ajudou a colocar o roupão de banho, em seguida abraçou-me e me levou até a sala para fazermos outro curativo.
- Deixe-me ver. Está sangrando bastante. – Segurou meus pulsos para analisar os cortes.
- Está doendo, faz isso parar. – Pedi, não consegui conter algumas lágrimas que escorreram pelos meus olhos, parecia bobagem, eram apenas cortes. Mas é muito doloroso quando você pega cacos de vidro com toda a força possível, e cravam-nos em sua pele, sem a menor intenção.
- Vai passar, deixe-me fazer outro curativo, não sou tão bom quanto , mas vou fazer o melhor. – Encarou-me.
- Pode fazer rápido? Dói muito. – Reclamei e assim o fez.
- Vai passar bebê, daqui a pouco melhora a dor. – Encarou-me triste, secou minhas lágrimas e beijou meus lábios. – Você deveria ter me chamado para te ajudar com isso. – Disse num tom bravo.
- Eu estava indo tomar banho. – Justifiquei.
- Qual o problema com isso? Deu no mesmo, caso o problema fosse vê-la nua. – Fixou seu olhar nos meus.
- Não brigue comigo, só achei que fosse conseguir fazer isso sozinha. – Desviei meu olhar.
- Não estou brigando, amor. Apenas não quero que você se machuque, por isso estou fazendo tudo para te ver bem, inclusive fiz nosso café da manhã hoje, panquecas. – Sorriu e levou-me até a cozinha. – Experimente, veja se fui um bom aluno. – Colocou um pedaço de panqueca em minha boca.
- Wow, me surpreendeu. Melhores que as minhas, que namorado perfeito eu tenho, cuida de mim e ainda faz panquecas maravilhosas como estas. – Sorri olhando-o.
- Aprendi com minha namorada, ela é uma princesa e me deixa louco por ela cada dia que passa. – Abraçou-me e beijou meu pescoço, fazendo-me sorrir.
- Vou colocar minhas roupas, daqui a pouco eu volto para tomarmos café da manhã juntos. – Caminhei até o quarto.
- Vou com você. – Seguiu-me.
- ? – Encarei-o.
- O que foi? Vou te ajudar, se não quiser, eu não olho para você enquanto estiver sem roupa. – Sorriu.
- Eu consigo me virar sozinha. – Retruquei e segui até seu quarto.
- Não, você vai se machucar de novo. Vou te ajudar. – Insistiu me seguindo.
- Tudo bem então, mas não fique me observando, fico tímida. – Disse e ele sorriu, caminhei até o banheiro e coloquei minha lingerie, peguei meu jeans justo que estava na casa de e consegui colocá-la com bastante esforço.
- Conseguiu se vestir amor? – Questionou.
- Consegui, mas preciso que você me ajude com o fecho. – Caminhei até o quarto. Eu não vestia camiseta alguma e isso colocou um sorriso no rosto de .
- Isso está errado... – Disse confuso.
- O que está errado? – Aproximei-me para que ele fechasse o botão do meu jeans.
- Eu deveria estar tirando suas roupas, ao invés de vesti-la. – sorriu fechando o jeans e olhando meu corpo. Sorri tímida e ele puxou-me para perto, me abraçou pela cintura e beijou-me o pescoço. Afastei-me vestindo uma regata branca, enquanto ele me observava.
- O que foi? – Questionei enrubescendo.
- Gosto de te admirar, sua simplicidade me encanta. – Sorriu e aproximou-se, abraçando-me pela cintura e me levantando, fazendo com que meus pés ficassem sobre os dele e começou a balançar de um lado para o outro, dando pequenos passos, como se estivesse dançando. Eu o abraçava e ele me segurava pela cintura me mantendo perto, eu fechei meus olhos e ele cantarolou um trecho de uma música.
“You know I'll be your life, your voice, your reason to be my love, my heart is breathing for this. Moments in time i'll find the words to say, before you leave me today“
- Eu queria poder ficar aqui com você o dia todo. – Observei seus olhos >>.
- Eu queria passar minha vida olhando você e o seu sorriso. – Beijou-me a testa.
- Você é um anjo.
- Sou seu, seu anjo. – Completou, fazendo-me sorrir.
- Meu anjo, meu amor. – Selei nossos lábios.
- Adoro quando você fala assim, que eu sou seu e que sou seu amor. – Sorriu.
- E eu odeio ter que interromper esse clima, mas temos que ir, preciso arrumar minhas coisas na loja, a nova gerente precisa da minha sala. – Encarei-o.
- É o único horário que tenho com você hoje, precisa mesmo ir? – Questionou.
- Não fica bravo comigo, se você quiser e puder me buscar hoje mais tarde, sua namorada ficaria muito feliz. – Sorri dando-lhe um beijo no canto da boca.
- Fico feliz em ser seu motorista por alguns dias, só assim para você passar um tempinho comigo não é? – Questionou.
- Passei o dia todo com você ontem, pare de resmungar. – Brinquei.
- Não é o suficiente. Vou passar o dia todo fora, só vou vê-la agora e quando eu for buscá-la. – Abraçou-me.
- Mantenha-me informada, me ligue, mande sms, meu celular vai ficar ligado o dia todo esperando por você, para ouvir a sua voz. – Sorri.
- Queria sentir seu cheiro, seu toque, seu beijo, você comigo. – Acariciou meus cabelos.
- Eu te amo. – Beijei-o e caminhei até a cozinha.
- “Eu te amo”. – Consegui ouvir seu sussurro, então ele me seguiu.
- Mel ou calda de chocolate? – Questionou cortando algumas panquecas em meu prato.
- Difícil escolher. – Analisei em dúvida.
- Se posso sugerir, eu escolheria mel. – Passou um pouco de mel em meus lábios e beijou-me em seguida.
- Então... Mel. – Concordei com sua sugestão e ele colocou um pouco da calda em meu prato.
- O que quer beber? Tem chá, suco, leite, café. – Colocou os itens à mesa.
- Um pouquinho de café, por favor. – Pedi e ele me serviu. – Não vai comer nada amor? – Questionei.
- Comi algumas coisas, estou sem fome. – Encarou-me, estava um pouco abatido, calado, não me olhava nos olhos e eu não entendia o porquê.
- Está tudo bem? – Questionei confusa, analisando sua expressão.
- Claro, está tudo bem. – Respondeu sem nem me olhar nos olhos.
- Olhe só para você, não está nada bem. Está quieto e desvia seu olhar do meu, o que houve? – Levantei seu rosto com a ponta de meus dedos, os únicos que não foram afetados pelos cortes.
- Está tudo bem e já são 7h. Vamos? – Questionou.
- Quando quiser me contar o que está acontecendo, vou estar aqui. – Aproximei-me e selei nossos lábios, em seguida peguei minha bolsa e fomos até o carro. – O que está acontecendo? – O empurrei prensando-o contra o carro, eu estava impaciente e preocupada.
- Nada, está tudo bem, eu só... – Hesitou, respirando fundo e analisando o ambiente. – Eu só não quero ficar longe de você. – Continuou, encarando-me.
- Não vai ficar, nunca. – Baguncei seus cabelos.
- Estou com medo de perder você, não quero isso. – Beijou-me intensamente, como se não quisesse me deixar ir.
- Isso não vai acontecer, está tudo bem entre nós. Não tem porque ficarmos longe. – Abracei-o e entramos no carro. Fomos o caminho todo em silêncio, tentei quebrá-lo, mas não permitiu.
- Posso ligar o rádio? – Questionei.
- Pode. – Respondeu com o olhar fixo na estrada. Abri o porta-luvas para pegar algum cd, e encontrei bilhetes.
“Você é meu anjo, minha princesa, eu não quero te perder.”
“Me perdoa se eu fizer algo errado, mas se eu fizer é porque te amo.”

- Você está me assustando com essa história de “desculpe-me” e de “me perder”, O que você fez? Fale comigo. – Encarei-o tentando entender, mas ele não reagiu. – ? Você está me ouvindo? ? ? – Gritei.
- Está tudo bem, . – Disse bravo, suspirou e continuou. – Chegamos, mais tarde eu te ligo e venho buscá-la. – Encarou-me.
- Tudo bem. – Concordei, soltando-me do cinto de segurança. Tentei não demonstrei expressão alguma, apenas abri a porta do carro para me retirar.
- Ei, espera. – Segurou-me pelo braço, apenas virei para olhá-lo. – Desculpe-me,mas eu recebi uma ligação ruim essa manhã e a culpa é minha, então, desculpe-me. – E dessa vez ele conseguiu olhar em meus olhos, ele estava confuso e parecia ter medo, eu tentava entender, mas não consegui.
- Estou ao seu lado, e seja o que for, isso vai passar. – Dei um selinho e ele me puxou para um beijo intenso e demorado. – Preciso ir, vejo você mais tarde. – Interrompi o beijo, e sai do automóvel. Fui até a loja e a nova gerente estava lá, pedi para que ela me ajudasse a empacotar minhas coisas e assim ela o fez, nos conhecemos melhor, ela parece ser uma boa pessoa e cuidará bem da loja. As horas passaram-se rápidas, mandei uma mensagem para , peguei minha bolsa e fui até a rua esperá-lo. Sentei-me num banco que havia perto dali, e avistei .
- ? – Chamei-o.
- Oi , vamos para casa? – Encarou-me.
- Estou esperando o . – Afirmei.
- Então, o ... Ele não pode vir, ele quem pediu para eu vir. – Encarou-me.
- O único tempo que tínhamos juntos hoje e... Droga! – Reclamei.
- Quando chegarmos em casa, acho que ele estará lá. – Disse.
- Pode me ajudar com minhas coisas? – Questionei e assim ele fez, em seguida entramos no carro. – Sabe o que aconteceu com ele? ficou um pouco estranho hoje cedo e eu não entendi o motivo. – Disse.
- Ele também não estava legal nas entrevistas e na sessão de fotos hoje, estava pensativo, achei que vocês tinham brigado. – Disse confuso.
- Não, não brigamos... – Desviei o olhar, observando a estrada. Ficamos em silêncio até chegarmos ao complexo. deixou-me na porta da casa de , mas resolvi ir até a minha, agradeci-o por me buscar e ele se despediu.

XXXIV - I need to go, this is goodbye?


Caminhei e entrei em casa, já fazia algum tempo que eu não passava lá, peguei uma xícara a enchi de café, sentei-me no sofá e fiquei encarando o visor do meu celular, eu esperava que ele tocasse e fosse , mas ele não ligou, nem para explicar o porque me deixou esperando, talvez ele estivesse em casa, ou não. Caminhei até meu quarto e coloquei um moletom e pantufas, olhei pela janela e o carro dele estava estacionado no lugar de sempre, provavelmente ele estava em casa, tentei me controlar para não ir até lá, resolvi deixá-lo pensar e fiz o mesmo, será que realmente era bom estar com ele? questionei-me e não obtive respostas, olhei minhas mãos que ainda doíam um pouco, menos do que a dor que pesava em meu peito. Ainda no meu quarto procurei meu ipod nas gavetas do criado mudo, e encontrei-o junto a um bilhete de , ele me surpreendia com cada palavra.
“Eu não estou vivo se eu estou sozinho, então, por favor, não me deixe...”.
Coloquei os fones e ouvi as músicas que havia, joguei-me na cama e fiquei lá até adormecer. Quando acordei eram quase 19h, a hora que saia para os shows. Levantei-me e analisei o ambiente através da janela, esperando que ele saísse e caminhasse até seu carro. E pude vê-lo, mas ele não estava saindo de sua casa, e sim da minha, talvez tenha vindo me ver, ou não, ele estava entrando no carro. Desci as escadas correndo, deixando as pantufas para trás, mas quando abri a porta vi seu carro sumir de minhas vistas, voltei a entrar em casa, peguei meu celular, na esperança de que ele tivesse me ligado, mas não ligou, então joguei-o no sofá e no mesmo momento ele tocou, corri para atender, era ele.
- ? – Disse ansiosa, ele estava em silêncio. – Meu anjo? Amor... Fale comigo, vai me torturar? O que eu fiz? – Disse num tom deprimido, mas ele continuava em silêncio, fiquei mal por isso. – ... Eu te amo. – Disse enquanto algumas lágrimas escorriam, mas não era possível ouvir nenhuma palavra, fiquei quieta com o celular no ouvido, escutando aquele silêncio gritante, meus soluços eram altos, me encolhi no sofá sentindo-me perdida, queria ele comigo, quis ouvir uma apenas uma palavra dele, isso bastava, continuei com o celular no ouvido, aquele silêncio incomodava, mas depois de exatos 12 minutos, consegui ouvir algumas vozes, falavam baixo e eu não pude entender o que diziam.
- Alô? ? – Aquela voz... A voz dele me acalmava, eu queria dizer algo mas fiquei quieta para ouvi-lo. – Eu te amo. – Disse quase num sussurro e desligou.
- Eu também, também te amo. – Disse, eu não sabia exatamente o motivo das lágrimas, mas elas aliviaram a dor que pesava em meu peito. Resolvi sair, corri para o banho, em seguida coloquei um vestido preto, soltinho e curto, com detalhes em dourado abaixo do busto, com um decote nas costas, coloquei um sobretudo de um tecido leve, bege meio transparente e uma botinha de cano médio com salto alto e grosso, passei uma maquiagem preta e dourada e um batom nude, peguei minha bolsa e a chave do carro, percebi algumas correspondências em cima da mesa, mas não dei importância, apenas saí. As dores de meus cortes não importavam mais, eu simplesmente precisava sair, mas para onde? Passei na frente de algumas baladas, estacionei o carro em uma delas, mas desisti de descer, novamente comecei a dirigi até a casa de shows onde a se apresentaria, cheguei à portaria e os ingressos estavam esgotados como sempre, resolvi ligar para .
- ? Pode liberar a entrada do show para mim? Estou na frente do portão A, por favor. – Disse tentando convencê-lo.
- Você está aqui? Que ótimo , o vai adorar saber disso. – disse animado.
- Ele não vai saber que eu vim, por favor, não conta nada para ele. – Emplorei.
- , por quê? Ele precisa saber, ele gostaria de saber...
- Obrigada, estou voltando para casa, tchau... – Disse virando-me novamente até o carro. - Tudo bem, não falo nada para ele. – Disse rápido.
- Pede para alguém abrir a porta aqui para mim? – Pedi novamente.
- Vou abrir, ou alguém da equipe, espere um pouco. – Disse e desligou. Encostei-me na porta esperando e quase caí quando alguém a abriu.
- Oi, desculpe-me, quase te derrubei. – Disse segurando-me. Era e ele estava tão confuso quanto eu.
- Tudo bem, te mandou aqui? – Questionei.
- Não, ele apenas gritou no camarim que alguém precisava abrir a porta, ninguém se manifestou, então eu vim. – Puxou-me para dentro da casa de show e fechou a porta.
- Hm. – Me afastei fazendo com que ele soltasse meu braço, ficamos nos encarando por alguns instantes, desviei o olhar e foi o momento em que ele me puxou, aconchegando-me em seu peito, beijou minha testa e segurou-me firme, próximo ao seu corpo.
- Que bom que está aqui. – Disse acariciando meus braços.
- Não consigo entender você. – Procurei por uma resposta em seu olhar, mas não a encontrei. beijou-me com desejo, apertando-me contra seu corpo, seu beijo era rápido e forte e ele parecia com medo.
- Só estou tentado me acostumar. – Disse.
- Se acostumar? – Questionei confusa e ele apenas abraçou-me forte.
- Tenho que ir, o show começa em alguns minutos. Fique comigo, olhe para mim no show. – Soltou-me, encarando-me e saiu.
- ? – O chamei e ele virou-se para me olhar. – Você me ligou? – Questionei.
- Não, acho que enquanto eu dirigia apertei a discagem rápida, quando percebi coloquei o celular no ouvido, mas estava mudo. – Respondeu. Apenas olhei para baixo e ele saiu, segui até o camarote, ainda perturbada com o que havia dito. O show inteiro se passou e eu não parei de olhá-lo, ele parecia triste e confuso, quando as cortinas se fecharam, caminhei até o camarim.
- Grande show. – Gritei, tentando expressar animação.
- , você veio. – Sorriu .
- Não sabia que você estava aqui. – encarou-me.
- Vim de última hora, nem eu mesma sabia que viria. – Sorri.
- Gostou do show? – aproximou-se.
- Claro, vocês são sempre ótimos. – Abracei-o.
- Suas mãos estão melhores? – Questionou , preocupado.
- Sim, olha, estou usando luvas e dirigi até aqui. – Mostrei as para ele.
- Espero que melhore por completo. – disse analisando-me, mal ele sabia que eu estava mentindo. – Vamos ali, temos que resolver umas coisas, espere-nos aqui. – Disse puxando que ainda me abraçava.
- Tudo bem, eu espero. – Sorri e me sentei numa poltrona que havia no local, aproximou-se e se sentou frente a mim.
- Vocês precisam resolver umas coisas, não é? – Questionei.
- Não, fez isso para que conversássemos. – Encarou-me confuso.
- Sobre o que quer falar? – Encarei-o.
- Quero falar sobre o que você quiser saber. – Fixou seus olhos nos meus.
- Eu quero saber o que você quer me contar e não consegue, mas se não estiver pronto, tudo bem, não vou te obrigar, mas espero que saiba o que está fazendo, porque eu não consigo entender... – Hesitei. – Por mais que eu tente, não consigo. – Continuei.
- Sei que não vai entender, então... Eu... – Ele falava pausadamente, confuso, com medo, não me olhava mais nos olhos. – Não dá, não consigo... – Encarou o chão.
- Tudo bem, estou indo para casa. – Levantei-me frustrada.
- Eu te levo. – Segurou-me pelo braço.
- Estou de carro. – Disse e saí sem nem me despedir dos garotos. Voltei para casa, tomei mais um banho e fui para cama, peguei meu notebook e chequei meu e-mail, havia um de minha mãe, então o abri.
“Oi filha, tentei te ligar mas não consegui, estou orgulhosa de você, que bom que resolveu publicar os seus trabalhos, preciso que volte para o Brasil para que façamos a divulgação da sua coleção. Comprei suas passagens de volta e a essa hora já devem ter chegado a sua casa. Seu voo sai esta madrugada, então arrume suas malas e corra para o aeroporto. Te amo, estou com saudades, te espero amanhã.”
Fechei meu email, e pesquisei em alguns sites sobre o que minha mãe estava falando, aliás, eu não estava entendendo nada. Vi um site famoso de moda falando sobre eu ter publicado meus trabalhos e os elogiando, eu era chamada de “A nova namorada de ”, o que não importava muito, algumas reportagens tinham fotos de , outras tinham elogios dele como “aspas”, lembrei imediatamente de todos os seus pedidos de desculpas, e todo aquele papo de “me perder” e de “se acostumar”, então aquele era o motivo, corri até meu quarto e fiz uma mala, eu tinha roupas no Brasil, fui até a caixa de correio e estava vazia, lembrei que havia algumas correspondências na mesa, e lá estava minha passagem só de ida para o Brasil. Aposto que havia visto, talvez ele tenha vindo me ver e quando viu a passagem foi embora, eu apenas peguei minha mala, tranquei a casa e peguei um taxi, passei num chaveiro, que estava quase se fechando e fiz 5 cópias da minha, voltei para o táxi e fui em direção a casa de shows, pedi para que o taxista me esperasse ali, entrei, caminhei até o camarim onde os meninos estavam esperando para atender aos fãs.


Bigger Than Love – My Favorite Highway

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- ! – Corri para seu abraço, a essa altura eu já não conseguia esconder minhas lágrimas.
- O que houve? Está tudo bem? – Encarou-me preocupado.
- Estou indo embora, . – Encarei-o triste.
- Embora? Para onde? Quando? Como? Por quê? – Questionou-me confuso.
- Para o Brasil, ainda hoje... Vim me despedir de vocês. Não me esquece . – Abracei-o o mais forte que pude e desabei em lágrimas, ele estava triste e quando me viu chorar percebi que chorou também. Ele não queria que eu fosse, acho que sabia que eu demoraria e que talvez podia nunca mais me ver.
- Não vou esquecer e nem poderia, volta logo ou vou ter que ir te buscar. – Forçou um sorriso, estava na cara que ele não estava feliz. – Me abraça forte. – Pediu, e assim o fiz. – Não me solte mais. – Disse em meio às lágrimas.
- Fique bem, vou tentar ficar também... – Encarei-o e ele secou minhas lágrimas, assim como fiz com ele. – , , venham abraçar a . – Gritei ainda abraçada a .
- Ah não, outro dia quem sabe... – disse sem me olhar, num tom preguiçoso e brincalhão.
- Outro dia quando? Quando eu não estiver mais aqui? Você terá que abraçar minhas fotos. –Tentativa falha de uma brincadeira, minha voz saiu trêmula e não consegui sorrir.
- Boba, você vai estar aqui sempre e... – sorria enquanto falava, mas quando encarou-me, me viu chorar.
- E ao amanhecer, não estarei mais aqui. – Tentei conter as lágrimas.
- O que? Porque? Você não estará aqui neste local, não é? – questionou confuso.
- Estou indo embora meninos, voltando para o Brasil, podem chorar agora. – Novamente fiz uma tentativa falha de uma brincadeira que não deu certo.
- Que história é essa? Porque você está brincando assim? Não gosto disso. – encarou-me triste e correu para abraçar eu e , que não me soltou por nenhum segundo.
- Podem ir me visitar quando quiserem, quando tiverem tempo e se tiverem. Vou sentir saudades de vocês. – Encarei-os.
- Não vai não, fica aqui. – disse correndo para nos abraçar.
- Preciso ir, . –Disse cabisbaixa. – Mas vou ficar bem e vocês também. – Forcei um sorriso e eles voltaram a me abraçar.
- Cadê o ? – Questionei analisando.
- Deve estar por aí, procurando comida. – brincou. - Olhe, ele está ali. – apontou para a porta e entrou na sala.
- Hey , corre para dar o último abraço na aqui. – Disse e ele correu para o abraço, os meninos ainda me abraçavam e eu sorri por um segundo.
- O último? – Questionou ainda abraçando-me.
- Vou sentir falta dos meus meninos.
- Isso é sério? – Encarou-me confuso. – Porque está todo mundo chorando? – Questionou.
- Não terei tempo de explicar, então os meninos te explicam melhor ou então pesquisa na internet, porque eu estou em todos os sites de moda. – Sorri sem graça.
- E o já sabe? – sussurrou em meu ouvido.
- Preciso ir, não posso perder meu voo. – Encarei-os. Então eles me soltaram, parando em uma fila em minha frente. – Se cuidem. – Pedi, secando minhas lágrimas e respirando fundo.
- Não... Você que se cuide sem mim. – sorriu e me abraçou fortemente.
- Obrigada , vou sentir saudades. – Eu o beijei no rosto, então ele me soltou e se afastou.
- , obrigada pelas brincadeiras, vou sentir falta disso. – Levantei minha mão para que ele batesse e fechei os olhos já sentindo a dor da batida.
- Eu sei... Também vou sentir falta disso. – Bateu em minha mão levemente e me abraçou, ele ainda chorava, quem diria que o garoto mais engraçado fosse tão manteiga derretida, me soltou e afastou-se, ficando ao lado de por uns instantes. – Eu odeio despedidas. – Secou suas lágrimas e saiu da sala.
- Vem aqui meu segurança grande e forte. Vou sentir falta de você, sabe disso não sabe? – Eu abri os braços para que ele viesse me abraçar. - Ei, pequena indefesa, vou sentir falta de ser seu segurança. – me abraçou o mais forte que pode e logo se afastou.
- Uma xícara de café... – Eu chorava ao olhar .
- Ops, açúcar... – Interrompeu-me completando e me abraçou.
- Cuide dele e se cuide. – Sussurrei em seu ouvido.
- Vou cuidar e vou cuidar de você também, mesmo de longe. – Me apertou em seu abraço. – Eu não quero acreditar que você vai embora e que talvez eu não possa mais te ver. – Dizia chorando junto a mim.
- Eu volto... Eu espero. – Sequei suas lágrimas.
- EU TE ESPERO. –Beijou-me a testa.
- Você é incrível. – Beijei seu rosto.
- Hora do abraço em grupo. – voltou á sala. Todos se juntaram e me abraçaram forte.
- Tenho que ir. – Todos eles me soltaram. Eu os entreguei as cópias da chave, uma para cada um, deixando nas mãos de , duas, eu o olhei e ele sorriu. Ele havia entendido.
- Estou dando essa chave para vocês, porque agora minha casa vai viver trancada e vocês não poderiam entrar lá e me assustar, como de costume, então vocês tem a chave para lembrar de mim quando sentirem falta. Podem ir até lá e bagunçar a casa, pegar açúcar, jogar vídeo game ou comer, qualquer coisa que faça vocês se lembrarem de mim. – Fechei meus olhos, quando voltei a abri-los avistei na porta.
- Você viu a correspondência não é? – caminhou em minha direção.
- Muito OBRIGADA. – Ironizei, desviando dele e caminhando até o táxi. Coloquei minhas mãos na porta para abri-la, mas continuei observando todo o local, minhas lágrimas insistiam em cair.


Perfect - Hedley




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- , , ! – Gritou e me virei para ver, eu sabia que era ele, , . Ele estava correndo em minha direção, seria lindo se eu fechasse a porta e corresse de encontro a ele, pulasse em seus braços e o beijasse e então a chuva cairia selando o nosso amor eterno, mas não foi isso que aconteceu, me virei novamente, respirei fundo e entrei no táxi. – Não me deixe, não vá embora assim, desculpe-me, me perdoa, meu amor. – segurou em meu braço e me tirou do táxi, encarei-o decepcionada e triste.
- Porque fez isso? Eu não era boa o bastante? Eu precisava ser do meio artístico para ser a namorada do “grande ? Porque nunca me perguntou sobre o que eu queria? Porque tomou essa decisão por mim? ? – Fixei meus olhos nos seus, minha voz estava trêmula.
- Eu não queria isso, você é a pessoa mais importante que conheci, você é a minha menina, desculpe-me por te magoar assim, por te machucar, eu só preciso que você fique comigo. – disse num tom triste, num misto de desespero e medo.
- Então as ligações eram sobre isso? A pessoa que foi na sua casa, foi a mesma que publicou os meus desenhos ou isso é uma outra coisa que você também não me falou? É isso ? – Encarei-o tentando não chorar, tentando não abraçá-lo.
- Sim, mas eu não queria que você fosse, isso não estava nos planos. – Puxou-me, me abraçando.
- Tenho que ir. – Demonstrei frieza e me afastei de seu corpo.
- Não vá embora, não me deixe. Você prometeu que nunca iria me abandonar, nunca ia me mandar embora. – Disse segurando em meus braços, algumas lágrimas escorriam de seus olhos, mas suspirei e tomei coragem para dizer o que eu precisava.
- Você que me mandou embora, me deixou numa rua que não leva a lugar algum, me deixou só, me abandonou, você também havia prometido. – Disse, sim eu chorava e muito.
- Eu preciso de você aqui, preciso de você comigo, meu amor... Me perdoa. – Disse secando minhas lágrimas.
- Eu queria dizer o mesmo, eu queria poder ficar aqui, por você, mas não consigo ver o que eu amo. Não te reconheço, seus olhos mudaram, você me enganou , eu não consigo mais olhar nos seus olhos e encontrar aquele garoto que eu me apaixonei a algum tempo atrás, tenho medo de continuar qualquer coisa que tivemos e sofrer mais ainda. – Disse triste.
- Ainda sou eu. Eu errei, mas ainda sou o cara que te conheceu a tempos atrás, sou quem você ama, sou quem te ama... Você sabe que não mudei, desculpe-me, sei que errei, mas não vou errar novamente, só diz que me perdoa, que vai voltar para mim quando você resolver tudo no Brasil, só diz que me ama. – Disse, quase implorando.
- Não posso dizer , eu não consigo, mas vamos ficar bem. – Disse em meio aos soluços que eram altos e fortes. Segurei sua mão e nela deixei o anel que ele havia me dado, me virei e entrei no táxi. – Aeroporto, por favor! – Disse fechando a porta.
- Eu te amo... – Disse ao me ver partir, olhei para trás e quis voltar, mas segui em frente. – Eu também te amo. – Disse a mim mesma, minutos depois cheguei ao aeroporto, cheguei bem na hora de embarcar, entrei no avião tentando não chorar, mas eu queria ele comigo. Meu celular tocou, era ele, eu apenas coloquei em meu ouvido.
“ I’m not perfect but i keep trying...”
Ele cantarolou em meio aos soluços, mas apenas desliguei o celular. O avião decolou. – Adeus Londres, adeus vida, amigos, adeus meu amor. – Disse vendo a cidade lá de cima, coloquei meus fones de ouvido, e a única música que eu conseguia ouvir era aquela que havia cantarolado para mim, eu chorava como nunca antes, pensando no porque não o beijei pela última vez, me arrependi por isso. Ficar longe dele seria difícil, não ter o seu abraço, seu beijo, seu colo para me aconchegar, seus olhos para me deixar segura, não tê-lo por perto doeria, seria a pior parte de qualquer novo capítulo da minha vida, eu não sabia viver sem ele, não mais sem aquele sorriso, sem suas brincadeiras, sem seu cheiro, seu amor, eu pensava sobre o que ia ser desta nova fase, dessa nova versão de mim mesma. Fechei os olhos e acabei adormecendo, só acordei quando o avião pousou, desci e caminhei até a esteira para pegar a minha única mala, caminhei pelo aeroporto enquanto ligava meu celular, havia milhares de mensagens, algumas com fotos, outras de voz, algumas chamadas perdidas, eram todas de , eu não abri nenhuma delas, apenas as apaguei. – Vida Nova. – Disse a mim mesma, eu realmente não estava nenhum pouco feliz em ter voltado, peguei um táxi e pedi para que me deixasse na loja, o dei o endereço e em menos de trinta minutos já estávamos lá, paguei a corrida, peguei minha mala e caminhei entrando na loja.
- Mãe! – Gritei ao vê-la.
- Filha, que saudades, como você está? Como foi o vôo? Está feliz? Desculpe-me por não poder ir buscá-la no aeroporto, mas você sabe como as coisas são corridas por aqui. Quero que me conte tudo. – Disse empolgada.
- Está tudo bem, eu sei que é corrido, não precisa se desculpar, podemos conversar em casa? Estou um pouco cansada, só passei aqui pra te dar um beijo, estava morrendo de saudades. – Eu disse enquanto a abraçava.
- Tudo bem, vá para casa e descanse, quando eu chegar conversamos um pouco... Que saudades... – Ela disse sorrindo.
-Vejo você em casa. – Forcei um sorriso, eu estava feliz por ver minha mãe, mas não conseguia sorrir, parece egoísmo, mas era como se tivesse me dado os melhores sorrisos e momentos da minha vida e depois os arrancado sem deixar nenhuma lembrança do quão bom era ser feliz. Meu celular tocou, era o toque dele. “Ótima hora para tocar”, pensei enquanto o desligava.
- Então? É aquele moço bonito das revistas? Seu namorado não é? – Minha mãe questionou curiosa.
- Não, não é meu namorado... – Hesitei. – Mãe, eu te vejo em casa. – Dei um beijo em seu rosto e saí.
- Tudo bem, até mais tarde. – Gritou. Peguei mais um táxi até em casa, quando cheguei fui direto ao meu quarto e ele continuava exatamente como eu havia deixado-o, quando saí de lá, coloquei minha mala em cima da cama e o celular tocou novamente, dessa vez o atendi ao ver quem era.


Sorry – Joe Jonas

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- ! – Gritei ao atender. - Não é o , é o ... Você chegou bem? Porque não me atendeu? Tive que ligar do celular do para você falar comigo. – Disse num tom triste e cansado.
- Oi, está tudo bem e aí? – Tentava agir normalmente.
- Aqui não está nada bem, eu sinto sua falta, queria você aqui para sentir seu abraço, seu cheiro, seu beijo...
- ... – O interrompi e ele ficou em silêncio. – Só queria pedir... – Hesitei, respirando fundo e olhando para cima tentando controlar as lágrimas. – Só queria que você não me ligasse novamente, não me deixe mais mensagens, fotos ou qualquer outra coisa que lembre o que tivemos, por favor, só me deixa encontrar um caminho longe de você, e você também... Só fique bem e se cuide. – Fiquei em silêncio e ele também.
- Mas... Eu amo você, sei que errei por ter feito isso sem falar com você, mas você não pode me perdoar por isso? Você não consegue? Preciso de você, preciso saber que você está ao meu lado, me apoiando e me fazendo escolher o certo, eu te amo. Não vou desistir de você. – Ele provavelmente estava chorando, eu consegui ouvir alguns soluços e sua voz estava trêmula.
- Eu... Eu te... – Hesitei. – Eu tenho que desligar, só faz o que eu te pedi, por favor. – As lágrimas escorriam de meus olhos.
- Eu não posso... Não posso me afastar de você. – Disse, eu tinha a certeza que ele estava chorando.
- Você tem que fazer isso, porque eu não estarei aqui para você, não mais , você sabe... Tudo vai ficar bem... – Eu dizia e ele me interrompeu.
- Então fala que não me ama mais, fala que me esqueceu da noite para o dia, fala que não me quer mais na sua vida. – Gritou ao telefone.
- Eu... Eu te odeio, te odeio por fazer isso comigo, por me mandar embora da sua vida, por me fazer chorar, eu te odeio, te odeio... – Gritei mais alto que ele.
- Eu te amo, sei que você estaria me abraçando agora, sei que você está chateada, mas isso vai passar, e tudo vai ficar bem. – Disse me acalmando.
- Eu não vou voltar, não vou ... Por favor, não me ligue mais. – Desliguei, ainda chorando. – Eu te odeio por me fazer te amar tanto. – Disse admirando a foto dele em meu celular e depois o jogando na cama. Joguei-me em seguida, chorando, meu celular apitava a cada mensagem recebida, ele não parou de apitar, eu parei para ler as mensagens, era como me torturar, era difícil, me machucava, mas eu não consegui ignorá-las.
“ Eu te amo, não vou desistir de você.”
“ Por mais que você queira que eu fique longe, eu não vou, estou perto de você, mesmo que você não queira, sou seu e você é minha, pra sempre, sabe disso.”
“ Meu coração está fora do lugar, este sentimento está me matando.”
“ Eu prometo que não vou cometer os mesmos erros.”
“ Por favor, não diga adeus.”
“ Porque sem você não há mais nada em mim.”
“ Nunca vale a pena desistir de um amor, quando você está lutando contra o medo, ele pode ser mais forte.”
“ A única coisa que eu gostaria de ter é uma segunda chance.”
“ O que posso fazer para mostrar que estou arrependido? ”
“ Me desculpe, me desculpe, me desculpe...”

Eram algumas das mensagens que ele havia me mandado. Eu apenas quis que nada tivesse acontecido, que não tivesse me apaixonado pelo seu sorriso, por seus olhos. Eu quis voltar ao primeiro dia que o vi e mudar tudo, completamente tudo, para não ter que sofrer, para não vê-lo sofrer.

XXXV - Try to erase a memory.


Direcionei-me até o banheiro para tomar um banho, em seguida afundei-me na cama, até minha mãe chegar.
- Filha, cheguei. Trouxe pizza e batatas para nós duas. – Gritou, provavelmente da cozinha. Ótimo, pizza e batatas para me lembrar de .
- Ótimo, eu estava mesmo com fome. – Sorri, pegando uma fatia de pizza.
- O que são esses cortes em suas mãos? Por isso estava de luvas essa manhã? – Questionou.
- Está tudo bem mãe, estou tomando medicamento. – Disse e acabei sendo obrigada a contar toda a história.
- Sinto muito por tê-la trago de volta, mas é só por um mês, depois pode voltar a Londres. – Sorriu.
- Estou extremamente feliz por estar com você, mas meu lugar não é aqui, quando eu puder, voltarei para Inglaterra e... – Hesitei.
- Está tudo bem, sei que você gosta de Londres, mas você escolheu publicar seus desenhos e sabia que iria precisar voltar ao Brasil, não sabia? – Questionou.
- Na verdade, nunca quis publicar nada, mas ... – Hesitei, continuava confusa.
- ? O seu namorado? – Questionou discreta.
- Uma página virada, nada mais que isso. – Fui rude comigo mesma, precisava ser.
- Não o ama mais? – Questionou.
- O odeio. – Encarei o chão.
- Você não tocou na comida, esqueça esse assunto, passará logo. Você deve estar cansada, então quando terminar de comer, vá dormir um pouco. Amanhã teremos que acordar cedo. Estou tão feliz por estar aqui. – Sorriu, abraçando-me e seguindo até seu quarto. Continuei à mesa, fingindo felicidade. Tentando fixar na minha mente, que eu precisava esquecer tudo, mas minha adorável mãe havia deixado o celular sobre a mesa, não hesitei em discar o número de .
- Alô... Oi? Quem está falando? ... Não consigo ouvir você, mas se me ouve, ligue mais tarde, obrigada. – Disse num tom de voz sonolento e desligou. Sorri, senti falta de ouvi-lo, embora tenhamos conversado há algumas horas atrás. Joguei a pizza em meu prato na lixeira e caminhei até meu quarto, fiz minha higiene noturna, apanhei em minha mala um de meus pijamas, mas minhas roupas exalavam o perfume de e isso me fez jogar todas elas no cesto de roupas sujas, não queria dormir com o cheiro dele... Não conseguiria, peguei um pijama qualquer em meu velho guarda roupas e o vesti, me jogando na cama. Virei de um lado para o outro, a insônia tomou conta de mim por um longo tempo, até que eu pudesse pegar meu celular e ligar para meu melhor amigo.
- ? – Disse ao ouvir sua voz. – Não consigo dormir. – Continuei.
- . – Gritou entusiasmado. – São 6h da manhã, não consegui dormir bem. Estou com saudades de você, como foi a viagem? – Questionou.
- Desculpe-me ligar tão cedo. Cheguei salva, está tudo bem com você? Vocês? – Questionei num tom de voz entristecido.
- Estamos sobrevivendo. Queria que estivesse aqui, é estranho acordar e saber que não vou encontrá-la em algum lugar, parece que acordei em uma Londres diferente, triste. – Disse desanimado.
- Fique bem, estou com saudades de vocês. Não suma, não quero sentir tanto a sua falta... Mas já estou sentindo. – Disse enquanto me virava na cama.
- Eu também. – Afirmou.
- Tentarei dormir, amanhã o dia será longo. Obrigada por me atender, foi bom ouvir sua voz. – Sorri.
- Bom dia ou boa noite. – Brincou e era como se estivesse vendo-o sorrir para mim.
- Bom dia para você. Fique bem e mande um beijo para os meninos, se cuide.
- Espere um pouco. – Disse e pude ouvir alguns sussurros, mas não eram nítidos o suficiente, para que eu pudesse entender. – Boa noite, ouça isso. – Disse e fiquei em silêncio, esperando.
- Boa noite amor, tenha um ótimo dia ao acordar... Eu amo você, volte logo, estou esperando. – Era , aquela voz que me acalmava, agora me deixava agitada. Continuei em silêncio, mas meu coração pulsava acelerado e algumas lágrimas escorreram de meus olhos.
- Tenha um bom dia amanhã. – voltou a falar.
- Obrigada. – Disse, tentado manter meu tom de voz constante, para que a mesma não demonstrasse fraqueza ao se tornar trêmula, mas foi em vão.
- Não queria fazê-la chorar, não era minha intenção. – Disse num tom preocupado.
- Está tudo bem, só sinto falta de vocês. – Suspirei.
- Embora você esteja chorando, achei gostaria de ouvi-lo. É uma pena que ele não possa ouvi-la também.
- Será complicado me acostumar a viver sem ele e sem vocês.
- Você o ama, não é? – Questionou.
- Sim, mas vou esquecê-lo. Vida nova. – Forcei um sorriso.
- Não faça isso. Você vai voltar e tudo vai ficar bem. – Disse num tom entristecido.
- Ele ficará bem. – Hesitei. – E eu também. Enfim, hora de desligar. Tenham um ótimo dia e se cuidem. – Disse me despedindo.
- Vou cuidar dele. Fique bem, qualquer coisa me ligue. – Disse e pude ouvir alguns gritos de ao fundo, dizendo: “Eu te amo... Fala que eu amo ela... Eu te amo ...”.
- Obrigada. – Disse desligando. Me virei na cama, as lágrimas não cessaram até finalmente conseguir dormir. Amanheceu e o celular não precisou despertar. Acordei passando extremamente mal, corri ao banheiro e acabei vomitando, meus olhos estavam inchados, minha respiração estava fora do ritmo, comecei a me desesperar, a falta de ar me afetou de uma forma inexplicável. Sentei-me ao chão, respirando fundo, ao me sentir melhor, fiz minha higiene matinal, coloquei uma roupa sociavel e sentei-me na cama. Senti-me perdida, desamparada e sozinha no lugar que passei a minha infância inteira e essa sensação é horrível.
- Bom dia. Fiz o café da manhã. – Disse minha mãe, invadindo o quarto.
- Mãe... – Encarei-a assustada.
- Quero mimá-la um pouco, você passou muito tempo longe de casa. – Encarou-me. – O que você quer? Chocolate ou mel? Se eu puder sugerir...
- Quero chocolate. – A Interrompi.
- Eu iria sugerir o...
- Mel, eu sei. – A interrompi novamente.
- Mais açúcar no seu café? – Questionou.
- Adoçante. – Suspirei desconfortável com a situação e forcei um sorriso. Talvez não fosse a intenção, mas ela fazia coisas que me lembravam completamente ele, vai ser difícil fugir de tudo, o tempo inteiro. Peguei meu celular e tirei uma foto do café da manhã, em seguida postei em uma das minhas redes sociais.
“Ontem pizzas e batatas, hoje me sugere mel nas panquecas. Me peguei substituindo açúcar por adoçante... Café maravilhoso, mas eu dispenso.”
“Minha mãe acabo de me perguntar se eu queria mais açúcar no café. Há ha há... Sinto a sua falta, potinho!” – Enviei uma interação à , em seguida postei mais algumas coisas.
“Quero Londres e minha vida antiga de volta. Quero estar dormindo e acordar assustada com meus melhores amigos invadindo a casa...”.
“... Ou acordar sorrindo ao admirar a pessoa ao meu lado.”
“Minha mãe acabou de sugerir mel nas panquecas...”
“Vou para a coletiva de imprensa, mesmo me sentindo mal, até mais... Se eu sobreviver.”
Fechei minha rede social, enquanto minha mãe apenas me observava.
- Você está bem? Não tocou no café. – Questionou preocupada.
- Estou sem fome, sinto falta de Londres. Senti sua falta, mas não me sinto em casa, mãe. – Disse.
- Não fique assim, é só por um mês. Logo estará de volta, vai rever seus amigos... rever . – Abraçou-me.
- Pedi para ele não me esperar... – Hesitei.
- Me conte como foi estar lá e como conheceu seus amigos? – Questionou e assim o fiz, contei todos os momentos memoráveis que tive com os meninos, por momentos me peguei sorrindo igual boba, mas como nem tudo são flores, também me encontrei chorando.
- Quer que eles sejam uma página virada? Então, o que posso fazer para ajudá-la? – Encarou-me preocupada.
- Não quero fazer dos garotos uma página virada... Apenas . – Disse. – Mas eu sinto falta e isso não é bom. Se puder não me trazer café na cama, não comprar pizzas e batatas, não sugerir mel e muito menos café e açúcar, me ajudará muito. – Continuei.
- Tudo bem. Sem lembranças de Londres. – Sorriu abraçando-me. – Pronta para a primeira coletiva de imprensa? – Questionou.
- Não, mas vamos nessa. – Sorri.

XXXVI - Decisions.


Fomos para a loja e estavam todas as pessoas no local. Estava com medo, insegura, um pouco assustada, embora eu tenha sido fotografada milhares de vezes com os meninos. Mas no Brasil era diferente, os fotógrafos são muito mais invasivos, às vezes até inconvenientes. Sentei-me e antes de começarem o questionário, deixei claro que só responderia sobre minha coleção. A primeira pergunta foi sobre o vestido que costumava ficar em um manequim na sala, na minha casa em Londres, eu havia trago-o.
- Meu amigo disse que esse vestido ficaria mais bonito se fosse feito de panquecas. – Sorri. – , , ... Que saudade. – Sussurrei ainda sorrindo.
- Falando em , deu uma declaração em uma entrevista na noite anterior: “Mesmo estando longe, sei que ela é minha e estou com ela a todo tempo.”. Como é ter um relacionamento a distancia? – Questionou.
- Estou apenas longe, não estou namorando . – Disse rude. – E como havia dito, apenas responderei perguntas sobre minha coleção. – Continuei. Eles questionaram sobre várias coisas, e quando falavam sobre , eu desconversava. Falamos muito sobre o conceito de minhas criações, as cores e as formas que eu usei nos vestidos, a coletiva se encerrou e voltei para casa cansada, fui direto para o banho e em seguida afundei-me na cama. A primeira semana se passou rápido, todos os dias eu precisava aparecer em eventos, mas sempre mencionavam , quando alguém me fazia algumas perguntas. Era difícil esquecer alguém, quando o mundo ao seu redor não para de falar em seu nome. Na segunda semana começava a correria, não parei de trabalhar nem por um segundo, eu desenhava quase o dia todo, estava muito inspirada, sempre quando fico emotiva meus desenhos saem incríveis, trabalhei tanto que não tinha tempo para me alimentar, o que não fazia muita diferença nesses últimos dias, porque eu não sentia fome, não consegui falar com e nem com nenhum dos meninos, a agenda deles estava lotada e o fuso horário atrapalhava, embora soubesse que se eu ligasse para , ele atenderia a qualquer horário, mas não queria ouvir sua voz, me deixaria triste e feliz, mas o lado triste pesa mais. A segunda semana cegou ao fim, trazendo-me exaustão, mas finalmente todos os vestidos estavam finalizados para o desfile final e a publicação de um editorial de moda em uma das revistas mais populares no Brasil. Na terceira semana minhas mãos estavam cicatrizadas, não havia mais corte algum. Eu acordava muito cedo e ia dormir completamente tarde, todos os dias eu precisava ir até a loja, arrumar banners, criar looks para os manequins e analisava onde seria montada a passarela, onde ficariam as luzes, cadeiras, e toda a decoração. Tudo estava corrido e nesta terceira semana passei mal novamente, enquanto arrumava alguns banners, perdi os sentidos e desmaiei. Minha mãe precisou levar-me ao hospital, fiquei internada por dois dias, levei uma bronca do doutor, ele disse que eu estava abaixo do peso e isso não era saudável, que eu estava desidratada e todo aquele drama por uma bobagem, ele me passou algumas vitaminas e disse para que eu me alimentasse corretamente, depois que saí do hospital fiquei de repouso por mais um dia em casa e finalmente consegui falar com .
- ? – Gritei ao perceber que ele havia atendido.
- , sinto sua falta. Quanto tempo, onde você está? Já está voltando? Faz tanto tempo que não nos falamos, estou com saudades. Desculpe-me por às vezes não atender o celular, mas você sabe, está tudo muito corrido aqui. – Disparou alegre.
- Está tudo bem , tenho visto muitas matérias sobre a carreira de vocês, tem sido corrido para mim também, eles não param de perguntar sobre vocês, estou cansada. – Brinquei. – Estou com saudades, tentei ligar para os garotos e nenhum deles me retornou, está tudo bem? – Questionei.
- O celular do está com alguns problemas, tem mantido o dele desligado por se sentir muito cansado, está tentando descansar nas horas vagas, perdeu o celular em algum lugar da casa e quanto ao ... Bom, ele não tem recebido suas ligações. – Explicou-me.
- Entendo e bom, eu não tenho ligado para ele. Enfim... – Disse tentando mudar de assunto.
- Vi sua nova coleção e está incrível, parabéns, você é ótima. – Elogiou-me.
- Obrigada, me inspirei em vocês para criar cada peça. Bem o estilo de vocês, mas com um toque bem feminino. Tentei fugir um pouco para não criticarem tanto. Estou com saudades e preciso colocar minhas emoções na minha coleção, quero tanto voltar. – Disse animada.
- Quando vai voltar? – Questionou ansioso.
- Ficarei por mais um tempo, se tudo der certo, voltarei para Inglaterra em algumas semanas. – Sorri.
- Ótimo! – Disse entusiasmado. – Acabei de ver uma notícia dizendo que você está doente, está tudo bem? – Questionou preocupado.
- Doente? Não seguiu as recomendações do Doutor aqui? – Gritou fingindo estar bravo, provavelmente pegou o celular das mãos de .
- Estou com saudades. Você é sem dúvidas o melhor médico que já tive. – Sorri.
- Sem elogios, não vou perder o foco, o que aconteceu? Você está bem? – Disse num tom preocupado.
- Sim Doutor , está tudo bem. Foi apenas uma indisposição, estou trabalhando bastante e quase não tenho tempo para comer, por isso passei mal, mas está tudo bem. – Disse acalmando-o.
- Espero que esteja bem e que volte logo, estamos todos com muitas saudades. – Disse , num tom de voz entristecido.
- Estou tentando matar a saudade, olhando vocês em milhares de capas de revistas aqui no Brasil... Difícil esquecer vocês desse jeito. – Brinquei. – Mas logo nos veremos, prometo. – Sorri, por mais que ele não conseguisse ver.
- Então vem logo, porque eu sinto sua falta. – Era a voz de , provavelmente o celular estava no viva-voz.
- Preciso desligar, se cuidem. –Disse desligando, antes que pudessem responder. Logo em seguida, minha mãe bateu na porta.
- Entre. – Disse jogando meu celular em cima da cama.
- Você está bem? – Encarou-me e observou o celular jogado na cama.
- Estou sim mãe, não se preocupe. – Disse fingindo ânimo.
- Estou perguntando sobre isto. – Pegou o celular, mostrando-me a foto do plano de fundo, era eu e . – Você está bem? – Questionou e apenas balancei minha cabeça negativamente, sentando-me.
- Ele pediu para que eu voltasse logo, pois sente minha falta. – Disse olhando para o teto, era uma técnica bastante usada para não deixar as lágrimas escorrerem.
- E você quer voltar? – Encarou-me e fiquei em silêncio, pensando no que faria. Se eu ficasse sentiria falta e se eu voltasse, acho que sofreria.
- Eu não sei. – Disse, abraçando-a.
- É normal estar cofusa. Se ficar será necessário começar uma vida nova, esquecer o seu passado. Se voltar você pode sofrer, mas é só fazer o certo e tudo vai ficar bem, confio em você e sei que vai escolher o melhor. – Encarou-me.
- Mãe? – Sussurrei.
- Sim? - O que você escolheria? Vida nova ou sofrimento? – Questionei confusa.
- O amor. – Disse sorrindo e encarando minhas malas.
- Mãe? – Questionei sem entender.
- Você sabe o que é certo. Sabe que não é obrigada a ficar, não sabe? Pode continuar seu trabalho na Inglaterra. Filha, arrume suas malas, vá atrás dele, atrás da sua felicidade. – Sorriu e abraçou-me fortemente.
- Mas e as coletivas de imprensa, o desfile? – Questionei.
- Consigo adiantar o desfile para amanhã. Está tudo pronto na loja, os vestidos estão finalizados, mas talvez as cadeiras fiquem um pouco vazias, por ser de última hora. – Disse insegura.
- Tudo bem, quero voltar... Eu te amo, você é a mulher mais incrível de todo o mundo, obrigada. – Sorri, abraçando-a e logo em seguida, comecei a arrumar minhas malas.
- Senti tanta falta de vê-la sorrir assim. – Sorriu e caminhou até o lado externo do quarto. Coloquei na mala algumas roupas, meus acessórios e tudo o que havia trago ao Brasil. Em seguida coloquei uma camiseta branca, calça jeans, uma jaqueta de couro preta e caminhei até a sala, minha mãe estava ao telefone.
- Estava falando com quem? – Joguei-me no sofá. - Estava avisando ao assessor de imprensa que você vai fazer o desfile amanhã, para ele avisar todos os convidados, fotógrafos e críticos. – Sorriu.
- Nunca pensei que ficaria tão ansiosa para isso.
- Você não está ansiosa para o desfile e sim para voltar a ver . – Encarou-me e direcionou-se até a cozinha.
- Mãe, não sei o que dizer a ele. – Disse, seguindo-a.
- Talvez não precise dizer nada. As vezes é melhor um abraço ou um beijo. – Sorriu.
- E se ele não quiser mais ficar comigo? Se encontrou outra? – Questionei insegura.
- Tenho certeza que não. Se ele ama você, irá esperá-la. – Beijo-me a testa. – Estou indo para a loja, qualquer coisa me ligue, que venho correndo. Te amo, até mais tarde. – Despediu-se e saiu. Corri para o quarto, peguei meu notebook. A notícia de que a data do desfile havia sido alterada estava em todos os sites de moda e em alguns de fofoca. Entrei na minha rede social e falei algumas coisas sobre como seria a coleção, sobre os vestidos e roupas que eles ainda não tinham visto. Falei sobre ter passado mal e estar de repouso em casa, na verdade eu não estava de ‘repouso’, só estava em casa. Eu estava animada e feliz por poder voltar, mas não disse nada sobre minha volta e também não avisei aos meninos.
“É amanhã. Estou feliz... Com medo, mas feliz. Que o dia de hoje passe rápido.” – Postei e vi que também estava em sua rede social, quando resolveu postar algumas coisas.
“Droga, isso não poderia acontecer, já estava tudo certo. Odeio quando planejo tudo e as coisas mudam do nada! ):” “Não dá para mudar os planos de amanhã? Não estou animado para milhares de entrevistas, me desculpem! ): xx”. “Só para você não se esquecer, estou aqui, ainda te esperando...”.
A última frase veio acompanhada de uma foto, de um bilhetinho colado na minha câmera que eu havia deixado na Inglaterra. A foto da câmera frente a um espelho, no meu quarto e ele deitado na cama, abraçado a um ursinho. Estava desfocado, mas eu consegui enxergar nitidamente.
“Fique bem, príncipe encantado...” – Postei.
Eu esperava que ele visse, que entendesse que eu voltaria, que me esperasse. Acabei desligando o notebook e caminhei até a cozinha para comer alguma coisa, achei alguns pedaços de pizza na geladeira, peguei-os, esquentei e comi uma fatia, que me fez sentir viva por algum tempo. Minutos depois passei mal, novamente, vomitei e a falta de ar voltou por uns instantes. Em seguida, escovei os dentes e joguei-me na cama, me enrolei na coberta e fiquei lá o dia todo. Agora sim eu estava de repouso, fiquei assistindo TV até pegar no sono, dormi o dia inteiro, quando acordei eram 7 da manhã, meu celular tocou, atendi sem nem olhar o identificador de chamadas.
- Alô? – Disse ainda sonolenta.
- Boa sorte no desfile, princesa. – Disse e desligou, era ele.
- Obrigada, príncipe. – Disse mesmo que ele não ouvisse, queria ter falo algo antes que ele desligasse, mas não tive tempo e não retornei a ligação, pois era dia de coletiva de imprensa para eles, preferi não incomodar. Levantei-me e me preparei, estava ansiosa para ir rumo a loja, era minha última coletiva de imprensa no Brasil e o desfile também seria naquela noite, logo estaria de volta a Londres. Coloquei um vestido da minha coleção, rosa bebê, com estampas pequenas e delicadas num tom branco, algumas taxinhas douradas e um salto no mesmo tom do vestido. Minha maquiagem foi simples, o olhar marcado com delineador e uma boca rosa chiclete, fiz cachos nas pontas dos cabelos e os deixei soltos. Em seguida sentei-me e esperei a hora passar. Eu havia acordado muito cedo, me arrumado rápido de mais, as horas demoravam a passar, pareciam anos. Finalmente minha mãe acordou e ficou surpresa por me encontrar pronta. Ela se arrumou, tomou café da manhã e seguimos até a loja, não comi nada, estava sem fome e com a ansiedade que eu estava, me faria mal comer algo. Chegamos à loja antes de todos, saímos bem mais cedo que o normal, estava tudo deslumbrante, o cenário criado estava lindo, a iluminação toda especial, estava incrível, tirei uma foto e postei na minha rede social:
“Olhe como este lugar está incrível, em minutos acontecerá mais uma coletiva de imprensa.” Houveram muitos comentários, as pessoas estavam tão deslumbradas quanto eu, elogiavam a iluminação, a passarela, os objetos, era incrível. Caminhei até a passarela, olhando cada detalhe em volta. Nunca havia sonhado com nada daquele tipo, mas eu estava me sentindo realizada. Acho que devo desculpas ao meu anjo. Esperei mais algumas horas até todos chegaram, sentei-me frente a eles e por incrível que pareça, naquele dia eles não falaram muito sobre os meninos, perguntaram apenas sobre o que eles acharam da coleção, se era inspirada neles ou no meu namoro com . Respondi todas as perguntas calmamente, uma por uma. Em seguida tiraram algumas fotos e logo depois eu saí do local, faltavam apenas algumas horas para o desfile começar. Aquela coletiva de imprensa foi a mais longa em semanas, peguei o carro e voltei para casa. Minha mãe continuou na loja, recebendo todos os convidados e organizando as modelos junto a equipe, cheguei em casa e vi uma caixa com meu nome em cima do sofá. Era dos meus vestidos, aliás, um dos que eu havia deixado em Londres.
”Use este vestido na noite do desfile, é um dos meus favoritos, eu te amo. – Seu Príncipe.” –Dizia o cartão. Provavelmente, havia chegado hoje cedo e minha mãe esqueceu de entregar-me.
Era um vestido preto justo, com detalhes em correntes douradas e prata em cima dos ombros e nas costas, onde havia um decote. Nunca havia usado aquele vestido, era um dos meus favoritos, mas não houve alguma ocasião para usá-lo. Tomei um banho e voltei para o quarto, coloquei o vestido que havia me mandado, coloquei um salto alto vermelho, um batom no mesmo tom, marquei meu olhar com muito rímel, delineador e lápis preto. Prendi meus cabelos em uma trança que vinha de baixo para cima formando um coque desestruturado no topo da cabeça, a franja deu lugar a um topete, coloquei alguns anéis, pulseiras e estava pronta. Eu não queria me atrasar para o desfile, então peguei o carro e dirigi de volta até a loja.

XXXVII – A great night.


Ao chega à loja, muitos flashes foram disparados em minha direção, pude ouvir comentários como: “Nossa, como ela está linda”, “Que vestido incrível” e “Ela está perfeita”.
Os fotógrafos acumulavam-se para tirar as melhores fotos, sorri para as câmeras e me dirigi direto ao camarim improvisado, onde encontravam-se as modelos, maquiadores, cabeleireiros e toda a equipe que ajudaria a fazer do desfile um grande show. Caminhei entre as modelos para analisar os penteados e suas maquiagens. Tudo estava incrível, uma mais linda que a outra, ambas as garotas eram novas no trabalho, nenhuma havia desfilado para alguma grande marca, embora eu também fosse nova e estivesse nervosa, tentei acalmá-las. Algumas disseram que era uma honra desfilar com minhas peças e agradeceram a oportunidade, sorri ao vê-las felizes, estavam radiantes, agradeci por estarem lá e por fazerem parte de tudo. Juntei todas elas, ainda com suas próprias roupas e pedi para que o maquiador tirasse uma foto de todas nós juntas.
“Olhem só como as minhas modelos são maravilhosas e incríveis.”. – Postei em minha rede social e logo em seguida recebi duas interações de .
“Traga uma delas para mim, você me deve esta. Haha, elas são lindas, mas não chegam aos seus pés...”.
“Que dê tudo certo estamos torcendo por você.”.
“Totalmente incríveis, vocês estão lindas, elas ficarão ainda mais belas quando colocarem suas peças. #Sorte!”. – Disse .
“Boa sorte , estamos com você. Saudades.” – Postou .
“Estou vendo que está tudo incrível por aí, é uma pena não podermos comparecer, mas estamos com você em pensamento.” – Agora era a vez de .
Sorri ao ler cada palavra, mas não havia dito nada, ao menos não mencionou a mim. Resolvi verificar sua rede social, para saber se ele estava bem.
“Ela fica incrivelmente mais linda usando o meu vestido favorito :)”. – Ele havia postado junto a uma foto, dividida em duas partes. Do lado esquerdo uma fotografia da caixa com o vestido e o bilhete, do lado direito uma foto minha chegando à loja.
“É para você, mesmo que esteja longe, mesmo que eu esteja distante.” – Postei junto a uma fotografia que eu havia acabado de tirar.
O desfile começaria em alguns minutos, então colocamos um pequeno vídeo de introdução e logo em seguida a primeira modelo entrou na passarela, as criticas eram inúmeras, a maioria delas, construtiva. A cada nova peça apresentada, um novo comentário. O lugar estava lotado, apesar da mudança de data repentina. Estava tudo perfeito, as músicas, o cenário, a iluminação, as modelos, faltava apenas uma pessoa... Ele, para me deixar completamente feliz. O desfile findou e todas as peças foram apresentadas, entrei na passarela seguida de todas as modelos que aplaudiam, não apenas elas, mas também todos os convidados. Sorri e as vezes os flashes ofuscavam minha visão, mas eu estava feliz. Tiramos inúmeras fotos para as revistas de moda, em seguida fizemos uma social, champanhes e canapés para os convidados. Eu me encontrava exausta, quase não me sustentava em pé. Fiz um pequeno discurso de agradecimento a toda equipe que ajudou no evento e esperei que os convidados fossem todos embora, para que eu pudesse finalmente ir para casa. Quando cheguei, fui direto para o banho e depois caí na cama. No dia seguinte, acordei ao meio-dia, pulei da cama, me enrolando num roupão e direcionei-me até a cozinha, observando um bilhete sobre a mesa.
“Bom dia filhinha, dia de folga para você. Não fiz seu café da manhã, mas se quiser pode sair para comer fora ou pedir para que entreguem em casa, tem alguns telefones de lanchonetes e restaurantes na agenda, fique de olho na caixa de correios, chegará algo importante para você, te amo, desculpe pelo bilhete, sei que só ele pode fazer isso... Até mais tarde.”
Como ela é incrível.Caminhei até cozinha para preparar algo, pois eu estava comendo pouco desde que vim ao Brasil. Escolhi fazer panquecas, sei que isso me lembraria , mas era justamente o que eu queria. Quando estavam prontas, sentei-me no lugar em que eu costumava ficar quando estava com ele, a cadeira em minha frente estava vazia. Se eu estivesse em Londres, provavelmente ele estaria ali, ocupando aquele lugar com sorriso e seu olhar magnífico. Como de costume, tirei uma foto da cadeira vazia e postei em minha rede social.
“If today i don't see your face nothing's changed no one can take your place. It gets harder everyday…”. (Se hoje eu não ver seu rosto nada mudou, ninguém pode tomar seu lugar. Fica mais difícil a cada dia...) – Essa foi a legenda que acompanhou a fotografia.
Em seguida tomei o meu café bem devagar, estava com medo de passar mal novamente. Quando terminei de comer, corri até meu quarto, peguei meu notebook e procurei na internet sobre o desfile da noite anterior, queria ler as criticas, a maioria eram elogios e isso me deixou extremamente feliz. Fiquei um bom tempo lendo algumas matérias sobre o desfile, até lembrar-me sobre a caixa de correios, então corri para verificá-la, havia um envelope e tentei abafar meu grito ao ver seu conteúdo. Era minha passagem de volta para Londres, eu estava radiante e embarcaria na mesma noite. Minhas coisas já estavam arrumadas desde o dia anterior ao desfile. Meu celular tocou, fazendo-me parar de admirar a passagem.
- , , ... – Gritei entusiasmada. – Tudo bem? – Tentei manter o controle, eu estava louca para contar para ele, mas eu precisava chegar de surpresa.
- Como sabe que sou eu? E você está tão feliz. – Disse animado.
- O identificador de chamadas te denunciou. – Sorri. – Estou muito feliz e você como está? – Questionei.
- Queria fazer surpresa. – Resmungou . – Você está no viva voz, diga olá. – Cantarolou.
- Olá garotos. – Gritei.
- Olá . – Disseram em coro.
- Perceberam como ela está feliz? – Questionou .
- O que aconteceu ? Deu tudo certo no desfile? – Questionou , demonstrando entusiasmo.
- Deu tudo certo , está tudo maravilhosamente bem. – Respondi.
- E quando você volta para casa? – Questionou .
- Volte logo amor. – Disse .
- Bom... , decidi que não vou mais voltar. – Disse, para ouvir a reação dos garotos.
- Mas... – Hesitou e logo ficou em silêncio. Ouvi um barulho, como se tivessem batido em algo e deduzi que fosse ele, descontando a raiva em algum objeto.
- Vou ficar no Brasil por um tempo, talvez eu volte para Londres daqui uns três ou quatro meses. – Continuei.
- Como? Quatro meses? É muito tempo, você não pode fazer isso com . – Disse em defesa ao amigo, talvez por ter visto a reação do príncipe.
- Pode sim, porque ele não está mais aqui. – Disse e pude imaginar seus olhos >> demonstrarem decepção.
- Eu... Sinto muito. – Disse triste. Eu estava com medo, mas eu queria fazer uma surpresa, não poderia desmentir, mas se ele resolvesse me deixar, eu teria de aceitar sua decisão, mas faltava pouco tempo e eu torcia para que ele não tivesse desistido de mim.
- Vocês estão se massacrando, isso é tortura. – disse baixo, quase como um sussurro.
- Podemos começar a entrevista? – Alguém os questionou.
- Claro. – Disse , sendo simpático.
- , nos falamos mais tarde, se cuide. – Gritou .
- Eu preciso conversar com você. – sussurrou.
- Tchau . – Eles disseram em coro e desligaram.
As horas se passaram rápidas, tomei um banho, sequei meus cabelos, coloquei uma saia longa preta, uma botinha baixa na mesma cor, com detalhes de taxinhas, camisa social transparente, soltinha, por dentro da saia. Um fino cinto dourado, óculos grande de lente transparente e armação preta. Marquei meu olhar com rimel e delineador, um batom nude nos lábios, quando me dei conta já era quase hora de partir para o aeroporto. Peguei minha bolsa, levei minhas malas até a sala, que por sinal não era apenas a que eu havia trago, levei inúmeras coisas que havia deixado no Brasil a última vez que estive por aqui. Quando avistei minha mãe, abracei-a muito forte.
- Você está linda, ele vai amar te ver assim. – Sorriu admirando-me.
- Se ele quiser me ver. – Eu forcei um sorriso. – Obrigada por tudo mãe. Preciso ir, não quero me atrasar. – Continuei.
- Levo você até o aeroporto. – Disse, pegando uma de minhas malas, enquanto eu carregava a outra junto a minha bolsa. Fomos o caminho todo conversando sobre o desfile e sobre como seria voltar para Londres, eu estava ansiosa e com medo, mas ela respeitou meu nervosismo. Chegamos ao aeroporto, me despedi e ela ficou me vendo partir, fiz o checkin e embarquei, era tão maravilhoso voltar para casa, depois de todo aquele tempo. Eu estava tão acostumada a ver os meninos todos os dias, não estava acreditando que aquilo voltaria a acontecer. O avião decolou e fiquei pensando em como seria, se ele me evitaria, se havia desistido. Eu o amava e não aguentava mais ficar longe, senti que quando o visse, abraçaria-o fortemente,pedindo para que não me soltasse mais, para que não me deixasse partir, mas o meu orgulho seria capaz de me deixar fazer tal ação? Peguei meus fones de ouvido, coloquei para tocar minhas músicas favoritas, fechei meus olhos e me perdi em meus pensamentos, o caminho era tão longo, mas eu não conseguia dormir, estava muito ansiosa, então passei a viagem toda acordada. Horas depois, lá estava eu, no aeroporto britânico, pegando minhas malas e correndo até o lado externo. Analisei o ambiente, espontaneamente fechei meus olhos e senti a brisa fria percorrer por meu corpo e sorri, pois no Brasil era um tanto quente demais, peguei um táxi e fui em direção à minha casa, passei frente à casa de e quis entrar, aliás, a chave reserva ainda estava comigo, provavelmente não o encontraria no local, por estar fazendo show, resolvi entrar. Passei pela sala e a TV estava ligada, reproduzindo o vídeo que nós havíamos gravado juntos, o sofá estava marcado, as luzes acesas. Caminhei até seu quarto e a cama estava bagunçada, como se ele tivesse virado de um lado para o outro a noite toda, a cozinha estava sem louças, para falar a verdade, estava da mesma forma que deixamos da última vez que fui até lá. Não mexi em nada, apenas fingi que não havia entrado e fechei a porta, em seguida caminhando em direção a minha casa, as luzes estavam acesas e a TV ligada, reproduzindo também um de nossos vídeos. A diferença era o baixo som de soluços e choro que pude ouvir, fui em direção ao sofá, e percebi que era ele, abraçado a uma almofada, estava tão focado no que via que não percebeu minha presença, não consegui ser fria, apenas o vi ali e sorri. Deixei que as lágrimas escorressem pelo meu rosto, coloquei minhas malas no chão, sem fazer barulho e fiquei olhando-o por mais alguns segundos.

XXXVIII – I'm here for you.



Walk in The Sun - McFly

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- Sabe onde posso encontrar o garoto que morava na casa ao lado? – Quebrei o silêncio e continuei intacta, observando-o.
- Geralmente ele passa mais tempo na casa da namorada, mesmo sem a presença dela. Ele nunca deixou de amá-la, não esqueceu a garota nem por um segundo, embora ela tenha pedido para que o fizesse. – Encarou-me, seus olhos brilhavam por conta das lágrimas e quanto mais ele falava, mais elas escorriam.
- E onde está essa garota, que não está o abraçando neste momento? – Questionei, não impedi que as lágrimas escorressem.
- Ela foi embora e o deixou sozinho em algum lugar vazio e obscuro, não havia luz alguma, ele enxergava tudo preto e branco quando ela não estava por perto e se sentia pior a cada dia que passava. Por mais que ele implorasse sua volta, a garota não retornava... Ouvi dizer que ele sofreu muito todo esse tempo, porque precisa dela para ser feliz, para sorrir, mas acho que ela não entende isso muito bem. – Disse secando suas lágrimas.
- Ouvi dizer que ela sempre esteve ligada a ele, essa garota o amava, sonhava em viver ao lado dele, mas parece que o príncipe cometeu um erro e ela não conseguiu entender, ficou triste por muito tempo, achando que ele havia mandado-a embora, que não a amava mais. Talvez a estúpida garota tenha começado a entender os fatos agora, ela quer voltar... – Disse encarando-o, sua expressão era triste, mas prestou atenção em cada palavra, não parou de mexer as mãos, como se estivesse nervoso, como uma criança que quer tanto um brinquedo.
- Ela era minha namorada... – Hesitou, encarando o chão. – Mas, e você? Porque está chorado? – Questionou.
- Sabe o garoto da casa ao lado? Ele costumava ser meu namorado, mas eu o deixei sozinho, em algum lugar frio e sem luz alguma. Pensei que ele ficaria bem, porque é forte e corajoso, mas acho que ele teve medo do escuro. Passei semanas sem conversar com ele e isso me fez perceber que não consigo ficar longe. Quero voltar, mas... – Hesitei. – Não sei se ele me perdoaria. – Encarei-o, ainda intacto naquele sofá.
- Talvez ele tivesse medo do escuro, por se sentir sozinho. Mas acho que seu maior medo era precisar viver sem ela, enxergar o mundo em preto e branco para sempre... Ele irá perdoa-la. –Disse e direcionou seu olhar para a TV. – Você perguntou sobre aquela namorada, acho que ela deve estar voltando agora e se não estiver, vou esperá-la, porque ela vai ser minha novamente. – Levantou-se e encarou-me.
- Conheço uma garota que voltou por causa de seu príncipe, ela soube que ele a esperava e por isso voltou...
- Voltou para mim. – Interrompeu-me.
- Para seus braços. – Continuei, secando minhas lágrimas e ele correu até mim, abraçando-me fortemente, pegando-me pela cintura, acolhendo-me, mantendo-me calma e cuidando de mim. Aquele abraço forte capaz de fazer o mundo parar de girar, que me faz sorrir e ao mesmo tempo chorar, um sentimento único e inigualável, inexplicável. – Eu te amo, eu te amo tanto! – Disse abraçando-o ainda mais forte.
- Eu tive medo, medo que você não voltasse mais. Senti tanto a sua falta, não faz ideia do quanto foi difícil não poder falar com você todo esse tempo e saber que estava longe, me senti perdido. Que bom que você voltou, eu não sabia quanto tempo mais aguentaria sem você, me perdoe? Por tudo o que eu fiz? Perdoe-me... – Disse dando-me um beijo intenso, aquele que senti tanta falta.
- Pensei em você todos esses dias, o tempo todo. As vezes jurei ouvir a sua voz, sentir seu cheiro, sentir você perto de mim. – Sorri. – Mas eu senti falta de dormir ao seu lado, senti falta de admirar sua expressão sonolenta ao amanhecer, seus cabelos bagunçados, eu senti saudade de você. – Continuei, ainda abraçando-o. – Não consigo ficar longe de você, não consigo olhar para o lado e não encontrar seu olhar, porque machuca, me faz mal... TE faz mal, por isso voltei. – Disse em meio ás lágrimas que não cessaram em cair, enquanto ele me admirava com um sorriso nos lábios.
- Eu te amo, eu te amo muito, e por isso não parei de pensar em você, falar de você e até mesmo cantar pra você... Por isso não desisti. – Disse, secando as lágrimas que escorriam, ao piscar de seus olhos.
- Cantar para mim? – Questionei.
- Não apenas nos shows, mas gravei alguns vídeos cantando para você, para ouvir quando voltasse para nossa casa, para quando estivesse pronta para voltar para mim. – Sorriu.
- E agora estou. – Beijei-o e então, ele carregou-me até o sofá, colocando-me sentada e dando inicio aos vídeos. Ele ficou ao meu lado o tempo inteiro, abraçando-me e brincando com meus cabelos. Alguns trechos me chamaram a atenção, era como se fossem escritas para nós.
“Now that the pain is done,no need to be afraid.We don't have time to waste,just tell me that you'll stay.” ( Agora a dor acabou não precisa ter medo, nós não temos tempo para desperdiçar, apenas me diga que vai ficar.).
I'm lonely here tonight, I'm lost here in this moment and time keeps slipping by, and if I could have just one wish, I'd have you by my side. (Eu estou sozinho aqui hoje à noite, perdida aqui neste momento e o tempo continua deslizando e se eu pudesse ter apenas um desejo, eu desejaria ter você ao meu lado.)
Esses trechos me fizeram chorar, encarei seus olhos e estavam marejados.
- Não queria te fazer sofrer, não queria fazê-la chorar...
- Estou aqui com você agora, é o que importa. – Interrompi-o e aconcheguei-me em seu abraço.
- Quero que fique aqui comigo, até o fim dos meus dias. Quero que esteja ao meu lado, eu preciso que você esteja, preciso que queira ficar. – Sussurou.
- Quero ficar, vou ficar. – Disse e ele colocou em meu dedo o anel que eu havia devolvido-o na noite que precisei partir. Entrelaçou nossos dedos, segurando firme em minhas mãos.
- Espero que seja verdade, porque nunca duvidei do que sinto por você. Foi sempre tudo tão claro em minha mente. – Fechou os olhos por um instante e então o beijei.
- Eu amo você, príncipe. – Disse ainda próxima a seu rosto, ele abriu os olhos e sorriu.
- É tão bom estar com você, sentir seu cheiro, olhar nos seus olhos, poder te abraçar. – Beijou-me a testa.
- Senti sua falta e não consegui parar de pensar em você, no seu sorriso. Eu queria tanto sentir o seu abraço, seu beijo, seu corpo quente abraçando-me enquanto dormimos, eu preciso de você comigo...
- Sempre. – Completou.
- Está aqui a quanto tempo? – Questionei.
- Desde que saímos da entrevista, aquela em que te ligou. – Respondeu.
- E como foi a entrevista? – Encarei-o.
- Uma das piores, você havia acabado de falar que não iria voltar. Quis sair de lá e vir para sua casa no mesmo instante. – Expressou tristeza em seu olhar.
- Desculpe-me... Depois que você disse aquilo, sobre não estar mais aqui para mim, eu tive medo, pensei que te perderia, que você estava desistindo de nós. – Beijei-o.
- Eu nunca vou desistir... Eu disse que ia te esperar e fiquei aqui até você voltar, contando os segundos para vê-la entrar por aquela porta e correr para meus braços. – Disse, enquanto pegava-me no colo e levantava-se do sofá. – E você está magrinha, acho que precisa comer um pouquinho. – Brincou.
- Eu te amo... – Sorri. – E estou bem, não estou magra. – Mostrei a língua para provocá-lo. – Vou ligar para os meninos. – Disse enquanto pegava o celular.
- Não vai não, hoje você é só minha. – Puxou o celular de minhas mãos e desligou-o.
- Mas , também estou com saudade dos meninos. – Resmunguei.
- Está me dispensando? Não quer dormir comigo? – Sorriu, carregando-me até o quarto.
- Não vou recusas, mas amanhã cedinho os meninos viram para cá. – Sorri e beijei-o.
- Tudo bem. – Colocou-me sentado na cama.
- Quero a camisa que você está usando, quero sentir seu cheiro e dormir com ela. – Sorri encarando-o.
- Tudo bem. – Sorriu aproximando-se, tirei sua camisa, fazendo-o sorrir, em seguida tirei a roupa que estava vestindo e coloquei sua camisa. Joguei-me na cama, encolhendo-me de frio em baixo das cobertas. Ele sorriu ao me ver, então tirou seu jeans e deitou-se ao meu lado, abraçando-me forte.
- Eu te amo. – Sussurrei em seu ouvido.
- Ficar perto de você, ouvindo seus sussurros ao pé do ouvido. Senti tanta falta disso. – Beijou-me. Ficamos deitados até que eu pegasse no sono, às vezes abria os olhos ainda sonolenta, durante a noite e encontrava os olhos de admirando-me, ele sorria para mim e beijava meus lábios lentamente. As vezes me sentia imobilizada, tentava virar para o outro lado da cama mas não conseguia, porque ele me abraçava fortemente e mesmo dormindo não me soltou nem por um segundo. A noite estava muito fria, consegui sentir o calor de seus corpo me aquecer. Seu rosto tão próximo que eu era capaz de sentir sua respiração. Amanheceu e eu fui a primeira a acordar, sentei-me na cama e admirei-o dormir, ele tinha uma feição de anjo. Levantei-me caminhei até a cozinha para fazer o café da manhã, fiz Waffles com calda de chocolate, coloquei algumas frutas, torradas, chantilly, sucos e café na bandeja.
- Bom dia meu amor. – Sussurrei em seu ouvido e dei um leve sopro, fazendo-o arrepiar-se, coloquei a bandeja sobre a cama. – Fiz seu café da manhã, abra os olhos. – Baguncei seus cabelos.
- Bom dia princesa, eu estava com medo de abrir os olhos e não ver você. – Passou uma de suas mãos em meu rosto, enquanto confortava-se na cama. – É bom acordar com você ao meu lado. – Sorriu.
- Sempre vou estar aqui, não precisa ter medo, príncipe. – Selei nossos lábios.
- Dormiu bem ou estranhou dormir ao meu lado depois de tanto tempo? – Passou a mão sobre os olhos, para despertar de seu sono.
- Dormi perfeitamente, com um anjo ao meu lado. – Sorri e mordi um dos morangos que havia na bandeja.
- Ei, esse é o meu café da manhã. – Fingiu estar bravo.
- Toma seu café da manhã. – Coloquei um morango próximo aos seus lábios e ele o mordeu.
- Já disse que te amo? – Questionou.
- Hoje não. – Sorri.
- Eu te amo, eu te amo, te amo, te amo... – Disse em sussurros.
- Eu sei. – Sorri.
- Ei, não ria dos meus sentimentos. – Fingiu estar triste.
- Não estou rindo amor. – Imitei sua expressão.
- Posso fazer uma coisa? – Questionou, aproximando-se.
- O que você quiser. – Sorri.
- Feche os olhos. – Sorriu e assim o fiz. Senti algo frio em meus lábios e abri os olhos ao senti-lo lambuzando-me de chantilly. Em segundos aproximou-se rapidamente e passou sua língua quente e úmida sobre meus lábios. Isso me fez sorrir, peguei um dos morango e coloquei perto de seus lábios, quando aproximou-se para morder, tirei a fruta e beijei-o intensamente, um beijo rápido, com leves mordidas em seu lábio inferior. puxou-me pela cintura, colocando-me sentada por cima dele, nosso beijo começava a ficar ainda mais intenso, quando ele me empurrou para trás, fazendo-me deitar na cama e ficando sobre mim, segurou meus punhos contra o colchão, tentei me soltar para tocá-lo, tentativa em vão. Continuamos nos beijando, quando consegui me soltar, abracei-o fortemente, arranhando suas costas, isso o fez gemer entre o beijo, ele passou suas mãos em minha nuca acariciando-me e puxando meus cabelos levemente, isso me fez arrepiar e ele sorriu satisfeito, virou-se puxando-me para cima de seu corpo novamente, com o movimento ele acabou por derrubar a bandeja com o café da manhã, parei para olhá-lo e então ele começou a beijar meu pescoço, dando leves chupões, acariciei sua nuca, suas mãos frias passaram por baixo da camisa que eu usava, me encolhi e puxei seus cabelos, automaticamente ele pressionou seu corpo contra o meu, fazendo com que ficássemos ainda mais unidos. Levantou a camisa que eu vestia, tirando-a, passando seus dedos por minhas costas, sua outra mão acariciava minhas coxas, enquanto eu afagava seus cabelos bagunçando-os e passava minhas unhas com força em suas costas. Ele mordia meus lábios e apertava suas mãos contra meu corpo com mais intensidade, pegou o chantilly e passou em meu abdômen, abaixando-se e passando sua língua quente sobre meu corpo, retirando o chantilly que havia, enquanto suas mãos frias subiam por minhas costas procurando o fecho do meu sutiã, arquiei as costas e ele abriu o fecho, encarei-o e ele sorria, beijou meu abdômen e subiu até o busto, pescoço e lábios, em seguida tirou meu sutiã enquanto me beijava, parou para admirar-me e isso me fez corar, então puxei-o para perto novamente, fazendo-o beijar a extensão de meu pescoço, descendo em direção à meu busto.
- , ? – Gritou e pelo tom de sua voz, parecia estar subindo as escadas.
- Droga! – Reclamou .
- , levanta. – Empurrei-o, puxando o cobertor para cobrir-me e deitando de costas para a porta.
- , já estou indo, espera aí. – Gritou e levantou-se, tentando recolher tudo que havia caído da bandeja.
- O que acontec... – foi interrompido ao analisar o quarto.
- Nada. – disse fechando a porta do quarto, antes que me visse. – Espere lá em baixo, já vou descer. – Continuou.
- Tudo bem. – concordou e desceu.
- Você ligou para ele? – encarou-me.
- Não, não liguei. – Disse confusa. – Eu ia ligar depois do café da manhã. – Encarei-o.
- Tudo bem amor, vou descer e tentar dispensar . – Beijou-me a testa e caminhou até a sala, me vesti e direcionei-me até a porta do quarto para ouvir o que eles falavam.
- ? ... – Hesitou .
- E aí . – Respondeu entusiasmado.
- , tinha uma garota lá em cima com você? – Disse , alterando o tom de voz.
- Sim, mas...
- Sem mas, esta casa é da . Você levou uma garota qualquer para cama? Para a cama dela? Eu não acredito que você fez isso, que teve coragem de fazer isso com ela. – o interrompeu.
- Oi pessoal. – Gritou , e também pude ouvir a voz de e .
- Porque está só de boxer? Ele nunca fica assim. – Questionou confuso.
- Ele estava com uma garota lá em cima. – Disse , expressando raiva.
- O que? Uma garota? ? – Questionou , indignado.
- Mas essa garota é especial para mim... – tentou explicar-se.
- Não importa, é errado fazer isso com a e.. – Disse .
- Na casa dela... – o interrompeu.
- Na CAMA dela! – completou, balançando a cabeça negativamente.
- Quem é essa garota? Vou fazer o favor de avisá-la que você tem namorada, e farei questão de dizer que o nome dela é...
- ! – Interrompi , aparecendo no topo da escada e todos eles encararam-me surpresos.

XXXIX – I’m Back.


- Ela voltou! – correu e abraçou-me fortemente, em seguida todos eles correram e se juntaram em um abraço coletivo.
- Quando chegou? – beijou-me a testa.
-Porque não nos falou que estava voltando? – Questionou .
- Você está bem? Está pálida e magra. – Disse , apertando minhas bochechas.
- Não acredito que você está aqui, senti sua falta. Como você está? – Questionou , abraçando-me novamente.
- Quantas perguntas de uma só vez, deixem-na respirar. – Disse , puxando-me pelo braço.
- Vou tomar um banho e desço logo em seguida, para conversarmos. Tudo bem? – Sorri, indo em direção o quarto, em seguida seguiu-me.
- Espera. – Puxou-me para perto, fazendo com que nossos corpos colidissem.
- Aconteceu alguma coisa? – Encarei-o e ele me beijou , segurou-me pela cintura e levou-me até o quarto. – ... Os meninos estão nos esperando, vista-se. Vou tomar um banho e desço em segundos. – Disse tentando afastá-lo.
- Amor? – Encarou-me.
- Amor, vai lá. – Sorri, batendo levemente em sua coxa, fazendo o afastar-se. Vestiu um jeans preto e uma camisa simples branca, em seguida segui em direção ao meu banho, ao terminar, sequei meus cabelos, vesti uma calça jeans boyfriend, uma regata preta e desci até a sala, onde estavam todos eles e sentei-me ao lado de .
- Então, conte-nos como foi no Brasil? – Questionou , parecia empolgado.
- Foi ótimo, o desfile foi um sucesso, mas digamos que eu não estava completamente feliz, faltava alguma coisa sabe? – Encarei-os.
- Faltavam pessoas, exatamente nós cinco não é? – Gargalhou .
- Exatamente, faltavam vocês. – Sorri.
- Quando chegou aqui? – Questionou , puxando meus cabelos.
- Já começou a me maltratar? – Expressei um sentimento fingido de tristeza. – Cheguei ontem à noite. – Disse.
- Gosto de irritar você. – Bagunçou meus cabelos.
- Eu odeio você. – Ataquei-o com uma das almofadas e ele gargalhou.
- Se você chegou ontem à noite, porque não nos ligou? – Questionou .
- Porque eu não deixei. – abraçou-me.
- E a obedeceu a suas ordens? – Caçoou .
- Para falar a verdade, eu estava um pouco cansada e iria ligar, mas tive um convite irrecusável para dormir. – Brinquei. Ficamos conversando por um longo tempo, contei todos os detalhes de quando estava no Brasil e eles me contaram tudo sobre a turnê. Disseram também que haviam programado uma viagem ao Brasil, para assistirem ao desfile, mas a data foi alterada e eles não puderam comparecer e contaram que passou a maior parte do tempo trancado em minha casa.
- tentou fazer o café da manhã que você ensinou a ele, mas todos os dias ele jogava tudo na lixeira. – Disse , encarando-o.
- Não conseguiria comer panqueca sem ter você sentada na cadeira à frente. – justificou-se.
- Na verdade ele não conseguia comer, porque ficavam péssimas. – debochou.
- Então porque fazia? – Questionei sorrindo.
- Para lembrar de você. Lembrar o dia em que você me ensinou a fazê-las, o aroma faz com que as memórias tornem-se mais presentes. – encarou-me.
- Só nós sabemos como ficou. – Disse , admirando-nos.
- É bom ter você de volta, está feliz agora. – Sorriu .
- Ainda bem. – Caçoou . – Não sabe o quão chato pode ser. Você foi a única a se salvar de todas as crises de ódio, raiva e ignorância do senhor . – gargalhou ao debochar.
- Ele destrói tudo o que ver pela frente, destrói mesas e cadeiras. – encarou-me assustado.
- Quando está assim, ficamos em camarins separados, é horrível. – Disse .
- Ele dá socos nas paredes, é assustador. – Disse , com uma expressão séria.
- falando sério? Agora eu fiquei assustada. – Encarei-os.
- Vocês estão assustando ela, parem com isso. – Gargalhou .
- Parem com isso, vocês estão debochando demais. – Reclamei e cruzei os braços, encostando-me no sofá.
- Isso é justo, por ter ido ao Brasil. – retrucou.
- E por não nos avisar quando volto. – Completou .
- Por deixar o doutor preocupado. – Disse, como se fosse realmente um médico.
- Por me evitar... – Hesitou , que encarou-me forçando um sorriso, isso me fez abraçá-lo fortemente.
- E por não ter trago uma daquelas modelos para mim. – Brincou .
- , você é muito carente. – Brinquei. – Tudo bem. Eu mereço isso tudo, mas já estou perdoada, não estou? – Encarei-os, suas expressões ficaram sérias e isso me deixou assustada.

XL - I'm confused.


- Não. – Disseram em coro, e me atacaram com algumas almofadas.
- Cinco contra uma não é válido, injusto. – Gritei protegendo-me.
- Ninguém mandou sumir por tanto tempo. – Disse , fazendo-me cócegas.
- Eu me rendo. – Gargalhei.
- Na próxima vez, será pior. – Sorriu .
- Não haverá uma próxima vez. – Respondi.
- Se sumir novamente haverá. – bagunçou meus cabelos.
- Não vou sumir. – Disse sorrindo.
- Deveríamos fazer alguma coisa para matar a saudade, não acham? – Questionou .
- Sabe que eu também acho isso, deve ter muitas coisas para nos contar. – Concordou .
- Talvez tenha conhecido alguma garota para me apresentar. – Brincou .
- Não tive tempo nem de conhecer a minha mãe direito. – Gargalhei. – Mas tenho várias coisas para contar. – Continuei.
- Que tal pedirmos pizzas e colocarmos a conversa em dia? – Sugeriu .
- E poderíamos jogar alguma coisa. – Disse .
- Banco imobiliário? – Sugeri.
- Eu topo. – Concordou . – Vou ligar para a pizzaria. – Continuou, pegando o telefone.
- Vou pegar o jogo. – Fui em direção ao quarto, peguei o jogo em cima do armário e voltei até a sala. – Cadê todo mundo? – Questionei, analisando o local.
- Foram comprar refrigerantes, batatas e doces. – Sorriu , direcionei meu olhar à mesa de centro e sorri ao ver que as chaves do carro não estavam lá.
- Levaram meu carro, não é? – Sorri, colocando o jogo na mesa central.
- Sim. – Disse, direcionando-se até mim.
- Senti falta de você, pote. – Abracei-o.
- Eu também senti sua falta. – Apertou-me em seu abraço.
- Fiquei com medo de ser trocada. – Encarei-o.
- Eu pensei mesmo em trocá-la por alguém que tivesse uma amiga para me apresentar. – Sorriu.
- Bobo. – Debochei e bati levemente em seu braço.
- Sentiu muito a minha falta? – Questionou, jogando-se no sofá.
- Mas é claro, minha vida é um desastre sem vocês. – Sentei-me a seu lado, que aconchegou-se colocando a cabeça sobre minhas pernas, fazendo-as de travesseiro.
- Sei que não vive sem nós. – Gabou-se.
- Convencido, mas confesso, não vivo mais sem vocês. – Sorri.
- Gosto de ouvir você falar isso. Sinto como se eu fosse necessário e indispensável para alguém. – Mexeu em meus cabelos.
- Você sabe o quanto é necessário, é meu melhor amigo, que me ajuda, me perturba e me anima sempre. É especial e eu senti medo de nunca mais poder abraçar você ou então, que encontrasse uma amiga melhor que eu, com menos problemas. – Encarei-o.
- Senti sua falta. – Encarou-me, sua expressão era triste.
- , o que aconteceu? Você é um pedaço de mim, sabe disso. – Acariciei seus cabelos.
- Tem uma coisa que você não sabe ainda. – Encarou-me angustiado.
- Me conta, sabe que estou aqui para te ouvir, te ajudar, te proteger. Sabe que pode confiar em mim. – Baguncei seus cabelos.
- Antes de conhecer você, eu saia com uma garota e eu gostava muito dela...
- Ela te magoou, ? Vou matá-la. – Interrompi-o, minha expressão ficou rude.
- Não irá matá-la, porque ela foi embora. Disse que não poderia entrar em um relacionamento comigo, por não estar preparada para toda a mudança que eu causaria em sua vida. – Disse num tom de voz deprimido. – Ela me procurou quando você estava no Brasil, mas foi embora novamente, pelo mesmo motivo. Odiei-me por isso, por um momento quis ser apenas um cara normal, que sai na rua com os amigos, vai para festas e que ninguém conhece, por um momento quis não ser o do . – Encarou-me.
- Não fique assim, triste, isso vai passar. Não diga que queria ser um alguém normal, você sabe quantas pessoas sorri por sua culpa? Quantos olhares brilham ao ver você? Você não faz ideia do quanto as pessoas te amam. – Disse tentando consolá-lo.
- Sempre soube como sentiu-se quando você partiu. E dói muito e por mais que eu não tenha a tido por completa, quando ela se foi, me senti mal. – Disse e pude ver lágrimas escorreram de seus olhos.
- Estou aqui e vou cuidar de você, não deixarei ninguém te magoar, não deixarei essa dor te machucar. – Abracei-o. – Agora sorria, não quero vê-lo triste. – Disse, fazendo cócegas e beijando sua testa.
- Obrigada por voltar, por estar aqui, por cuidar de mim, embora eu devesse cuidar de você. – Sorriu.
- Você sabe que pode contar comigo sempre. – Passei meus dedos sobre seu rosto, secando suas lágrimas.
- tem sorte. – Encarou-me.
- Sorte? – Questionei.
- Por corresponder o amor dele. – Sorriu.
- Você encontrará alguém que te ame, tanto quanto amo . Você irá amá-la e cuidar dela, será feliz. – Disse afagando seus cabelos.
- E ela irá embora novamente? – Disse e já não me encarava.
- Não... Você é incrível, inteligente, engraçado, carinhoso, bonito e é o que todas as garotas esperam. – Sorri e ele voltou a encarar-me.
- Não tenho sorte no amor. – Respondeu.
- Não procure um amor, espere e ele irá te encontrar. – Disse beijando sua testa.
- Eu esperei, mas olha o que aconteceu. – Resmungou.
- Porque não era a pessoa certa. Coloque um sorriso no rosto e tudo ficará bem, você é um garotos que todas as sonham em ter. – Sorri.
- Todas as garotas... – Hesitou. – Menos você! – Levantou-se beijando minha testa, em seguida voltou se deitar. Analisei-o, pensando em milhares de coisas ao mesmo tempo, parecia que o mundo girava mais rápido, me deixando tonta. encarou-me, o clima estava no mínimo estranho e eu estava com medo de fazer tal pergunta, mas tomei fôlego e disparei.
- , você... – Hesitei. – Você gosta de mim? – Questionei confusa.
- ... – Hesitou – Eu...
- Voltamos meninas. – Gritou , entrando na casa e interrompendo .
- Que clima é esse? –Questionou , sorrindo.
-Clima? Não tem clima. – Disparei. – só estava me contando sobre “sua garota”. – Forcei um sorriso. – E ? – Questionei alterando o assunto.
- Está estacionando o carro. – Respondeu , enquanto entrava com algumas sacolas.
- O que vocês trouxeram? – Questionou , analisando os pacotes.
- O mesmo de sempre, doces e bobagens. – Respondeu .
- Está tudo bem, ? – Questionou .
- Está tudo bem. – Sorri, eu estava um pouco preocupada e ele havia notado.
- Essa garota é minha. – Disse ao avistar deitado sobre minhas pernas.
- Eu sei , eu sei. – Sorriu e levantou-se, sentando-se ao meu lado.
- Vamos jogar? – aproximou-se, puxando-me pelo braço, fazendo-me levantar. Sentou-se no sofá e puxou-me novamente, colocando-me em seu colo, abraçou-me e beijou a curva de meu pescoço.
- Eu te amo princesa, que bom que está aqui. – Sussurrou.
- Eu te amo, príncipe. – Me virei para beijá-lo.
- Não, eu amo mais. – Disse entre o beijo.
- Acho que não, eu amo ainda ma...
- Vamos jogar? – interrompeu-nos, encarando-me por alguns instantes e desviando o olhar.
- Tudo bem, vamos jogar. – Disse , num tom desafiador.
- Você vai perder , no final você sempre perde. – sorriu, debochando, em seguida encarou-me.
- Isso está me assustando. – Sussurrei para mim mesma.
- Vamos começar. – tirou os objetos da mesa de centro e colou o jogo no lugar, nos sentamos em volta da mesa central, e trouxeram as comidas e refrigerantes. A campainha tocou e correu para atender. aproximou-se e encarou-me.
- Isso é estranho, . – Encarei-o por alguns segundos e fugi de seu olhar, que parecia queimar-me por dentro.
- Você quer uma resposta, não quer? – Encarou-me, aproximando-se.
- Não sei se quero. Vou ajudar com as pizzas. – Levantei-me caminhando até a porta, fugindo de , que ficou intacto, encarando-me.
- As pizzas chegaram. – caminhou até a mesa central e eu o ajudei colocando as caixas sobre ela.
- Poderíamos começar a jogar, se não fossem essas caixas de pizza em cima do tabuleiro, não acham? – Sorriu .
- Claro. – Afastei as caixas.
- Sentem-se logo, vamos começar o jogo. – encarou-me.
- Vamos começar. – sorriu e sentou-se ao lado de , encarei-o confusa e me sentei entre e .
- Não vai sentar perto de mim? – Reclamou .
- vocês estão com sangue nos olhos, acho que estarei mais protegida perto dos ‘seguranças grandes e fortes’ . – Brinquei.
- Sente-se aqui , do meu lado e do . – encarou-me, sorrindo ironicamente.
- Não. – Tentei sorrir, mas estava desconfortável e confusa demais.
- Relaxa. – Sussurrou , encarei-o e ele sorriu, puxando uma mecha de meus cabelos.
- Está tudo bem. – Sorri.
- Não é o que parece. – Disse , empurrando-me levemente.
- Sobre o que estão falando? – Questionou , curioso.
- Sobre o jogo. – Respondeu , antes que eu pudesse dizer algo e apenas encarou-me com um olhar desconfiado. Não consegui encará-lo.
- Sobre o jogo é? Sei... – Debochou .
- Fique quieto. – encarou-o.
- Isso , bate aqui. – Disse, estendendo minhas mãos para que ele batesse e assim ele fez.
- Vamos começar. – Disse e então demos inicio ao jogo, conversamos e brincamos o tempo inteiro.
- Nós gravamos vídeos para você, . – Sorriu .
- principalmente. Ele estava aqui todos os dias, fazendo coisas que até hoje não descobrimos. – Disse .
- , era surpresa. – o repreendeu.
- Que tipo de coisas? – Questionei curiosa.
- Em breve, você vai saber. – Sorriu.
- Vai me deixar curiosa?
- Sim. – sorriu, mandando-me beijo. Fiz careta para ele, que continuou sorrindo.
Fizemos algumas coisas para lembrar você e tentar animar . – Disse .
- As maiorias das coisas não deram muito certo, mas tentamos. – Sorriu .
- Escrevemos bilhetes como lembrete, que você encontrará de vez em quando. – Completou .
- Encontrarei? – Encarei-os.
- Estão espalhados por lugares improváveis da casa, encontrará quando menos esperar. – Sorriu .
-Talvez você encontre algum na tampa do vaso sanitário. – Brincou .
- Realmente, lugar improvável. – Sorri.
- Temos fotos do tempo que passamos aqui. Fotos de e são as que mais encontrarão. – apontou para algumas fotografias na estante.
- ? – Eu sorri densa.
- passou a maior parte do tempo aqui comigo, amor. – Sorriu e apenas encarei-o, forçando um sorriso.
- Vou pegar alguns doces na cozinha. – Levantei-me.
- Os doces estão aqui. – encarou-me.
- Não gosto desses. – Sorri, caminhando até a cozinha, parei frente ao balcão e apoiei meus cotovelos, colocando as mãos no rosto. – E que seja apenas coisa da minha cabeça, que seja coisa da minha cabeça, que seja coisa da minha cabeça... – Repeti a mim mesma.
- O jogo não continua sem você. – caminhou até mim fechando a porta, me virei, respirando fundo. Aproximou-se ainda mais e colocou suas mãos no balcão, deixando-me entre seus braços. – Vamos voltar para a sala? – Sorriu e beijou-me a testa.
- ... , o que você está fazendo? Isso é loucura. – Encarei-o, procurando uma resposta.
- Por que loucura? – Questionou, apertando-me contra seu corpo e o balcão.
- . – Empurrei-o, afastando-me. – Você sabe, eu amo o . Por que está fazendo isso? Você é o meu melhor amigo. – Encarei-o. – Poderia responder a pergunta que eu te fiz antes dos garotos chegarem? Estou com medo da resposta, mas preciso ouvir. – Disse, segura.
- Você quer saber se eu gosto de você? – Questionou.
- Sim. – Afirmei.
- Bom, eu acho que... – Hesitou.
- Fale de uma vez . – Disse com os nervos a flor da pele.

XLI - Homemade videos.


- Sim. – Disse aproximando-se.
- O que? Não ... – Disse confusa, levando minhas mãos à cabeça e encarando-o.
- Deveria ter visto sua expressão durante essa última hora. – Gargalhou.
- Você estava fingindo esse tempo todo? – Questionei confusa.
- Você é incrível, mas pode ficar tranquila, o que sinto por você é coisa de irmão. – Sorriu abraçando-me.
- Você é um idiota. – Bati levemente em seu braço e empurrei-o. – Não teve graça. – Resmunguei.
- Foi engraçado, deveria ter visto o quão desconfortável você estava. – Gargalhou.
- Amor, sua vez de jogar. – Gritou , então caminhei até a sala e seguiu-me.
- Como estávamos dizendo, fizemos algumas coisas para você e queremos que assista aos vídeos. – empurrou-me para o lado.
- Vocês são uns anjos. Achei que me esqueceriam no dia seguinte. – Sorri.
- Você é uma boba, por pensar algo assim. – puxou-me para si, abraçando-me forte.
- Você é uma idiota, por pensar isso. – Gargalhou .
- Retardada. – Gritou , fazendo me encarar , esperando a próxima ofensa.
- O que foi? Não vou te xingar, sua besta. – Sorriu .
- ? – Encarei-o.
- Não vou falar nada, prometo. – sorriu e mandou-me um beijo.
- Só você para me salvar. – Sorri.
- Estou com ciúmes. – Brincou , abraçando-me.
- Estava com saudades dessas reuniõezinhas logo cedo ou no fim da tarde. – Disse e todos concordaram.
- Eu estava com saudades de você. – Disse , beijando a curva de meu pescoço.
- Não senti falta de ninguém. – Disse .
- Claro que não, por isso insistiu tanto para ligar para , não é? – Ironizou .
- Queria apenas saber como estavam as coisas. – tentou justificar-se.
- Sei que você me ama, admita que sentiu minha falta. – Debochei. - Senti um pouco sua falta. – Sorriu.
- Exatamente por isso você escreveu mais bilhetes do que todos nós juntos? – caçoou.
- Não sabia que me amava tanto assim. – Sorri.
- Não te amo, só senti sua falta. – Retrucou .
- Está tudo bem, não há nada de errado em me amar. – Disse, fazendo com que todos gargalhassem. Ficamos jogando e conversando até anoitecer, em seguida, resolvemos assistir aos vídeos que os garotos haviam gravado enquanto eu estava fora, sentamos no sofá e eles colocaram os vídeos para reproduzir.
“ Oi, sei que isso pode parecer idiota, mas sinto sua falta.Porque eu disse isso? Droga, na verdade eu sinto só um pouquinho de saudade... Ah, quem eu quero enganar? Estou de saco cheio do , ele fica chato longe de você, então se puder voltar para fazê-lo ficar legal de novo, eu agradeço. Tudo bem, vamos recomeçar, estou com saudades, de verdade e também está, muito mais que todos nós. Olhe como ele está dormindo jogado em sua cama, abraçando seu travesseiro como se fosse você (...)”
- Porque me gravou dormindo? – Reclamou .
“(...) Porque não volta logo? Ontem tentamos animar , mas não tem dado certo. Se não está jogado em sua cama, está no sofá. Só sai quando temos shows ou entrevistas e nem isso o anima mais... Ele espalhou fotos suas por todos os cantos da casa. Estamos sentindo sua falta, admito... Então volta logo... Beijo do !.”
- . – Encarei-o e encontrei um olhar triste, como se estivesse revivendo o momento em que gravou aquele vídeo. Ele sorriu um pouco tímido e voltou a encarar a TV.
- Silêncio que agora é minha vez. – Disse .
“Olá , está tudo bem? Espero que sim... Espero que esteja sobrevivendo longe do Doutor , hoje é o terceiro dia sem... – Segundo dia! – apareceu no vídeo corrigindo-o. – Quieto, é a minha vez de falar. – Reclamou. – Então como eu dizia, hoje é o segundo dia sem você aqui e parece que o tempo passa e você nunca volta, está difícil. não para de chorar, olha ele lá no sofá... – Pare de me gravar! – Reclamou , colocando as mãos para tapar o rosto. – Não fale nada , o vídeo é meu, então ninguém, além de mim, deve falar. –Reclamou novamente. – Então , ontem fizemos um show e dedicou todas as músicas à você, então pare de se torturar e de torturá-lo, volte logo para Londres, sentimos saudades... Até logo! Beijos... – !”
. - e não deveriam ter interrompido o meu vídeo. – Resmungou.
- Tudo bem , o vídeo ficou lindo, obrigada. – Sorri e ele retribuiu.
“O que falar? Não sei o que deveria dizer, alguém tem um roteiro? Vou tentar ser natural, é estranho conversar com uma câmera, isso parece terapia e me faz pensar que estou ficando louco, o que é estranho, porque já sou um pouco louco, você sabe, então... Vou começar falando sobre as mudanças, hoje a gente acordou, você não estava por perto e sabíamos que não te encontraríamos para dar ‘bom dia’ ou para um café da manhã, não sei como explicar, é estranho a sensação, é como se eu tivesse perdido alguém valioso, importante. Hoje você não estava aqui para fazer o café, amanhã não estará novamente e não gosto de saber disso, não quero me acostumar com sua ausência, não ver você o dia todo, não sou tão feliz como antes. Estou com saudades, aconteceu tanta coisa depois que você foi embora e implorei para que você voltasse, porque preciso tanto do seu abraço... Já disse que estou com saudades? Volta logo ou vou ter que te buscar, então me poupe o trabalho e venha logo irmãzinha. Te amo. Beijos de café... Ops, açúcar. – Sorriu e continuou. – Saudades... –.”
- ...– Estiquei meus braços chamando-o para perto e ele se jogou em meu colo, como um bebê desamparado.
- Que bom que está de volta, foi difícil sem você aqui... – Disse apertando-me em seu abraço.
- Estou de volta irmãozinho. – Sorri.
- Chega, saí daí , agora é o meu vídeo, saí de cima dela pra ela conseguir ver. – empurrou , fazendo com que ele caísse no chão e se sentasse ali mesmo.
“ Pare de me filmar , estou comendo. – Gritou . – Me dê essa câmera, é minha vez de filmar. Oi , tudo bem? Aqui não está tudo nas melhores fases, mas estamos tentando ficar bem sem você, veja isso... fez panquecas novamente, e as jogou no lixo, ele não consegue comê-las se você não estiver por perto para fazer companhia. Vamos passear comigo, até a casa de , ele não está lá, foi até a padaria, olhe aqui, está tudo igual da última vez que viu, não é? Até esta xícara com um pouco de café, está aqui há dias, a cama bagunçada, os mesmos vídeos passando na tv, mais panquecas no lixo, alguns bilhetes, vamos ler um: “Meu coração bate um pouco mais lento, essas noites estão mais frias agora que você se foi...”. Isso parece sentimental demais, ele não está muito bem. Aqui tem algumas fotos, e recortes de revistas de vocês juntos, viu? Ele ama você, ama muito... Silêncio , tem alguém vindo. – , o que está fazendo aqui? – Questionou , confuso. – Estou mostrando as coisas para , é meu vídeo para ela. – Justificou-se. – Oi amor, estou com saudades, volta logo. – acenou, forçando um sorriso para a câmera. – Viu, não sou o único com saudades, então, por favor volte logo. Estamos com saudades. Até mais. – .”
- Que tortura. – Disse secando as lágrimas que insistiram em escorrer.
- Desculpe, mas achei que seria a melhor forma de te fazer voltar. – justificou-se.
- Eu voltaria de qualquer forma, vocês são um pedaço da minha vida. – Respondi e apertou-me em seu abraço.
- Agora o vídeo mais chato de todos. – Disse , que tentou tapar meus olhos, para que eu não conseguisse assistir ao vídeo, mas foi em vão.

Here Without You – 3 Doors Down

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“ “Estou aqui sem você amor mas você ainda está em minha mente solitária, penso e sonho com você o tempo todo, estou aqui sem você, mas você ainda está comigo nos meus sonhos e esta noite, é só você e eu.” – Leu, o pequeno bilhete que segurava em suas mãos. – Espero que de alguma forma você consiga me ouvir, porque ouço sua voz onde quer que eu esteja, ela ecoa em minha mente, como se você estivesse aqui. Espero que não esteja tentando me esquecer, porque lembro de você o tempo todo e te procuro em todos os lugares onde por onde passo. Você consegue me ver? Porque consigo te enxergar em meus sonhos, todas as noites que consigo dormir, tenho visto você sorrindo para mim, mas quando acordo e não te encontro ao meu lado, é como se eu nunca mais fosse te ter aqui, é como se tivesse desistido de nós. Estou com saudades, então por favor volte logo, estou te esperando e vou continuar aqui por muito tempo, preciso de você, do seu abraço, do seu carinho. Volte logo, porque não sei quanto tempo posso aguentar longe de você, sinto sua falta, estou te esperando... Te amo!”
- ... – Encarei-o e pude ver lágrimas escorrerem de seus belos olhos >>, que tanto me encantavam.
- Sei que você está aqui agora, e que vai ficar, não vai? – Abraçou-me.
- Vou ficar do seu lado, sempre. – Disse, passando meus dedos por seu rosto.
- Promete? Porque preciso de você, do seu sorriso, olhar, abraço. Preciso saber que está comigo. – Beijou-me.
- Vai me fazer ficar? Preciso saber que quer acordar ao meu lado toda manhã, que vai estar comigo, não vai me deixar cair, irá segurar-me firme e enfrentará comigo todos os obstáculos, todos nossos medos. Não me deixe ir. – Sussurrei.
- Você não vai a lugar algum, porque não vou deixá-la partir novamente. – Segurou minhas mãos, algumas lágrimas escorriam por nossos rostos, talvez por sentirmos o mesmo, a sensação de perda e de recuperação.
- Não fique longe, porque preciso de você, mais do que nunca. – Sorri.
- Seja minha única princesa. – Encarou-me com seus maginificos olhos, que possuiam um brilho diferente.
- Posso ser o que quiser, contanto que me mantenha ao seu lado, para que eu possa admirar seu sorriso. – Passei minhas mãos em seu rosto um pouco úmido por conta das lágrimas.
- Eu amo você. – Disse, selando nossos lábios.
- Eu te amo. – Sussurrei.
- Parece cena de novela. – Debochou e todos gargalharam.
-Registrei tudo. Vocês podem assistir à esse video, o tempo todo. – Sorriu .
- , não! – Reclamei.
- Porque não? – Questionou confuso. - Estou chorando , isso deve ter ficado horrível. – Justifiquei.
- Você é linda de qualquer forma, sabe disso. – Sorriu .
- Você é bobo.
- Bobo e apaixonado por você. – Beijou-me a testa.

XLII - I'll be your safety.


- Hora de ir para casa. – Disse , levantando-se do sofá.
- Vou com você. – Disse .
- Se cuidem, boa noite. – beijou-nos a testa.
- Fiquem bem. – Acenou , caminhando até a porta.
- Tchau casal. – acompanhou .
- Boa noite, até amanhã. – Disse , enquanto caminhava até a porta. – cuida bem dela. – Ele acenou e seguiu.
- Agora somos apenas eu e você, novamente. – sorriu malicioso.
- ... – Encarei-o.
- O que foi? – Questionou.
- Esse seu sorriso. – Sorri e me afastei um pouco.
- Não estou pensando em nada malicioso, acredite. Estou pensando apenas em você comigo. –Puxou-me para perto novamente. Sorri, beijei seu pescoço levemente e caminhei para o quarto. – Vem cá. – Puxou-me para si, ainda no corredor. – Eu te amo. – Ele sorriu e beijou-me calmamente e com um tom de carinho.
- Senti falta disso... Do seu corpo quente aquecendo-me nas noites frias de Londres. Senti saudade do seu hálito, passeando por meu pescoço, quando sussurra em meu ouvido. E o seu abraço... Ah! O seu abraço que me acalma, como se nada pudesse me atingir, como se nada fosse me machucar. – Encarava seus olhos profundos, aqueles em que eu me perdia... Que me encontrava.
- Me desculpa por ter feito você ir embora, e por...
- Chega de desculpas. Estou aqui agora, com você, esqueça tudo aquilo, deixe para trás. – Interrompi-o.
- Você partiu por minha culpa... – Hesitou. – Eu sei, sou culpado por isso. – Disse, e seu olhar demonstrou tristeza.
- Você é culpado por eu estar aqui, por ter voltado para Londres. Você é culpado por ter feito eu me apaixonar perdidamente, você é a razão de eu ter voltado para casa, de eu estar aqui agora, em seus braços. Voltei por você, para você e essa é sua única culpa. – Disse e consegui enxergar um sorriso em seu rosto. – Eu quero que você fique comigo, a vida toda, você quer? – Questionei.
- Eu quero. – Afirmou. – Quero que esteja comigo para sempre, na verdade, preciso que esteja. – Sussurrou. – Você é como uma recompensa, a pessoa mais incrível que já conheci. – Pegou-me no colo e levou-me até a cama, colocando-me deitada e ficando sobre mim. O beijo ainda era o mesmo, calmo, lento, úmido e quente, as vezes ele parava para me observar e sorria.
- Quero estar com você. Não me deixe, nunca. – Encarei-o, acariciando sua nuca. Virei-me, fazendo com que ele se deitasse e eu ficasse sobre ele.
- Não vou deixá-la, prometo. – Sorriu. – Eu quero que você seja minha. – Beijou-me a testa.
- Sou sua como fui ontem, como à um mês atrás e como da primeira vez que meus olhos encontraram os seus. – Encarei-o.
- Só minha e de mais ninguém, para sempre? – Questionou sentando-se na cama, puxando-me para perto.
- De mais ninguém, apenas sua. Como tem que ser e como sempre foi. – Sorri. – E você? É meu para sempre? – Questionei.
- Seu, desde quando senti seu perfume. – Sorriu. - Nunca imaginei que pudesse encontrar uma garota boa o bastante, mas você apareceu e é melhor que qualquer uma delas, a mais bela de todas. Tem o sorriso mais lindo e o olhar mais sincero que já pude admirar. – Analisou-me.
- Meu sorriso é pleno por ter você, por estar ao seu lado e meus olhos refletem o amor que sinto, simples, mas sincero, como precisa ser. – Sorri.
- Fica comigo, sempre. – Sussurrou.
- Eu fico, mas prometa que me manterá perto, que segurará minhas mãos firmemente, para que eu não me perca e mantenha meu caminho ao lado do seu. Talvez algum dia, eu possa errar, talvez eu me perca em algum lugar, então, cuide de mim, abrace-me, me segure em seus braços e se eu estiver com medo...
- Eu protejo você. – Completou. – Farei com que suas dores sejam minhas para não vê-la sofrer, não te deixarei perdida, eu seguro suas mãos para que você se mantenha ao meu lado e se estiver frio lá fora, vou aquecê-la.– Segurou firme em minhas mãos e encarou-me, como se estivesse fazendo seus votos.
- Está frio lá fora, cuide de mim, aqueça-me, abrace-me, fique comigo e não vá embora, por favor, não vá embora, nunca. – Disse.
. - Vou cuidar de você. – Puxou-me para seus braços, acolhendo-me, segurando-me firme perto de seu corpo quente e colocando um cobertor sobre nós.
- Eu tenho medo... – Hesitei. – De perder você, tenho medo que desista de mim. – Continuei.
- O tempo é muito curto para temer. – Sorriu. – Viva os momentos, porque o frio pode estar lá fora, mas estou aqui para te manter aquecida, o tempo passa rápido de mais para coisas boas, então, não tenha medo, porque não vou desistir de você... De nós dois. Eu faria qualquer coisa por você, qualquer coisa pelo seu sorriso, eu daria minha vida por você. – Sussurrou.
- Você não pode dar sua vida por mim, eu não conseguiria sobreviver sem você. – Encarei-o, aquelas últimas palavras foram uma prova de amor, mas era torturador me imaginar sem ele novamente, senti como se estivesse perdendo-o.
- Se eu precisasse fazer isso um dia, você teria que acostumar-se. A vida continua e ensina. – Disse.
- Não acontecerá nada, não é? Não me deixará, você prometeu e eu confio em você. – Disse num tom assustado, abraçando-o o mais forte que pude.
- Não, não vai acontecer nada, vou ficar aqui sempre. Sabe que mesmo estendo longe e você não consiga me ver, é só ficar em silêncio que ouvirá minha voz, mesmo longe eu sempre estarei por perto, estarei com você, prometo. – Sorriu.
- Promete não me abandonar? – Questionei segurando sua mão.
- Prometo, nem se você quiser ir embora, vou segurá-la firme perto de mim, nos meus braços, até que você se acalme e resolva ficar, não vou deixar você ir para longe de mim de novo, vou cuidar de você, enfrentar seus medos. – Passou seus dedos sobre meu rosto.
- Quero que saiba que você é o motivo do meu sorriso pleno, do meu bom humor, do meu brilho no olhar, é você o motivo das mãos trêmulas, das borboletas no estômago, você é o motivo para que eu continue aqui, a única pessoa que me faz completa, que me abraça como ninguém, é você quem eu quero ao meu lado, até o fim. – Disse, vendo o sorrir timidamente.
- Vou estar aqui, vou abraçá-la, beijá-la e ser o que precisar que eu seja. Por você eu farei tudo, porque preciso ver o seu sorriso. – Acariciou meus cabelos.
- Confio em você. – Sorri.
- Se algum dia isso tudo chegar ao fim, você promete que nunca vai me esquecer? Promete que vai lembrar-se de mim e de todos os nossos momentos, das brincadeiras, dos sorrisos, das bobagens ditas, das palavras de amor, do brilho que meus olhos têm quando estou com você, promete? Promete que sempre vai lembrar-se disso? – Pediu.
- Isso não vai acabar, eu e você somos como um só. Não vou ter que lembrar, porque não ficarei longe de você. – Beijei-o.
- Você é como minha outra metade, a parte que faltava em mim, tudo o que não sou. Você me completa, Encontrei em você o que eu sempre estive em busca, o sorriso, o olhar, o coração mais incrível que alguém possa ter. Simplesmente o amor da minha vida, a minha garota, minha namorada, minha princesa. – Sorriu.
- É como se estivéssemos destinado um ao outro, como se isso já estivesse escrito em algum lugar, talvez nas estrelas, talvez nas estradas ou nas milhares de milhas que nos separavam, escrito pelo amor, pelo destino, pela certeza que seríamos como Venus e Marte, como o sol e a lua, completamente diferentes, mas tão completos e tão feitos um para o outro. Acho que agora os contos de fadas começam a fazer sentido, o príncipe encontrou sua plebeia, não é? – Acariciei sua nuca.
- Acho que o príncipe encontrou a princesa perfeita para um final feliz. – Sorriu, enquanto brincava com meus cabelos.
- Não um final. Para uma eternidade ao seu lado. – Sorri. – Porque a única certeza que tenho é que amo você. – Encarei-o.
- Eu amo você. – Sussurrou e beijou-me com serenidade.
- Abrace-me e não me solte nunca mais. – Sussurrei e assim ele o fez. Abraçou-me apertando-me contra seu corpo quente, mantendo-me tão perto que eu era capaz de sentir sua respiração e ouvir seu coração bater, forte e rápido.
- Eu vou cuidar de você. – Sorriu. – Feche os olhos e apenas me ouça. – Disse passando as mãos sob meus olhos.
- Estou ouvindo. – Sussurrei.


Kiss Me – Ed Sheeran

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- “Settle down with me, cover me up, cuddle me in, lie down with me and hold me in your arms and your heart's against my chest, your lips pressed in my neck, i'm falling for your eyes, but they don't know me yet and with a feeling i'll forget, i'm in love now. Kiss me like you wanna be loved, you wanna be loved, this feels like falling in love, falling in love, we're falling in love. Settle down with me and i'll be your safety, you'll be my lady. I was made to keep your body warm, but i'm cold as the wind blows, so hold me in your arms.” (Se acalme comigo, me cubra, me abrace, deite-se comigo e me segure em seus braços e seu coração está contra meu peito, seus lábios pressionados no meu pescoço, estou apaixonado por seus olhos, mas eles não me conhecem ainda e com um sentimento eu esquecerei, eu estou apaixonado agora. Me beije como se você quer ser amada, você quer ser amada, a sensação é como se apaixonar, se apaixonar, nós estamos nos apaixonando. Se acalme comigo e eu serei sua salvação, você será minha dama. Eu fui feito para manter seu corpo aquecido, mas eu estou frio como o vento que sopra, então me segure em seus braços). – Cantarolou em meu ouvido.
Adormeci enquanto ele cantava, mas no final pude o ouvi-lo sussurrar ‘eu te amo’ e beijar meu pescoço. Poderia viver eternamente aquele momento, como se o tempo nunca pudesse passar, como se ele fosse eternamente meu, como se eu fosse para sempre dele. Acordei no meio da noite passando mal, ainda dormia. Levantei-me e caminhei até o banheiro, apoiando meus braços na pia para apoiar-me, tentei controlar as náuseas e ânsias de vômito, a dor de estômago era muito forte. Sentei-me no chão do banheiro esperando que a tontura fosse embora, tossi muito e acabei acordando que caminhou até o banheiro, onde me encontrou no chão.
- O que aconteceu? – Questionou preocupado, enquanto ajudava-me a levantar.
- Não estou bem , estou com muita dor. – Reclamei.
- Vai passar. – Segurou-me, levando-me até a cama.
- Meu estômago dói muito, preciso colocar tudo para fora, acho que foram os doces que comi que não me fizeram bem. – Encarei-o.
- Vou levá-la ao hospital. – Disse preocupado, ainda um pouco perdido. - Não vou ao hospital. – Disse, voltando ao banheiro e caminhado até o vaso sanitário, coloquei o dedo na garganta, causando o vômito. – Estou melhor. – Disse segundos depois, tentando despreocupá-lo. – Acho que tirei de dentro de mim tudo o que não deveria ter entrado. – Continuei, direcionando-me até a pia e escovando meus dentes. manteve-se perto o tempo inteiro, para o caso de eu ficar fraca demais para aguentar meu próprio peso, segurando-me pela cintura e mantendo-me de pé.
- Vou ligar para minha mãe, ela deve saber algum remédio caseiro que cure isso. Será que é gripe? – Questionou confuso e preocupado, enquanto colocava-me sentada na cama.
- Amor, não vá acordar sua mãe, deixe-a dormir, estou bem, foi só um mal estar. – Insisti.
- Mãe? Tudo bem? Preciso da sua ajuda, é que a não está passando bem. Sim, ela voltou, e estamos bem agora, mas ela está com um enjoo, eu preciso da sua ajuda. Você tem algum remédio caseiro que eu possa fazer para ela melhorar? Ela sente dores no estômago e acabou de vomitar, ela está fraca também. – Ficou em silêncio por um tempo, talvez ouvindo o que sua mãe dizia. – Sim mãe, eu digo que quer vê-la, logo quando ela melhorar eu levo ela. Tudo bem mãe, obrigada pela receita, vou fazer este chá para ela. Boa noite, te amo. – Disse e desligou o telefone.
- Não era pra você ter ligado. – Reclamei. – Eu disse que já estava tudo bem. – Encarei-o.
- Ela mandou melhoras e disse que quer vê-la e me passou a receita de um chá com um gosto horrível que ela fazia para mim quando eu era criança, mas ele sempre curava qualquer coisa que eu tinha. Vou fazer para você. – Disse colocando-me na cama e cobrindo.
- Não sou mais criança. – Encarei-o.
- Tudo bem, mas você vai precisar tomar aquele chá, se quiser eu bebo junto com você, mas espera quietinha, vou prepará-lo. – Selou nossos lábios e desceu as escadas correndo para preparar o chá, aconcheguei-me na cama, que parecia imensa e completamente fria sem ao meu lado. Minutos depois, ele voltou com uma xícara grande que continha um liquido num tom esverdeado.
- Não quero, obrigada. – Sorri, encarando o chá.
- Beba só um pouquinho amor, isso vai te fazer melhor. – Insistiu. – Vou beber um pouco e você bebe o resto. – Disse dando alguns goles no chá, em meio a caretas.
- Esse chá não me atrai nenhum pouco, tenho mesmo que tomar? – Questionei.
- Só pouquinho. Se sentirá melhor. – Entregou-me a xícara, aproximei-a de meus lábios e dei um gole.
- Isso é horrível. – Disse, fechando os olhos fortemente.
- Eu sei, mas precisa tomar, bebe mais um pouquinho. – Continuou insistido.
- Isso é péssimo. – Disse entregando-o a xícara.
- Você vai ficar bem. Deite-se aqui comigo. – Puxou-me para perto e acariciou meus cabelos, fiquei deitada em seu peito e ele voltou a cantarolar a música.
- “I was made to keep your body warm but i'm cold as the wind blows, so hold me in your arms. My heart's against your chest, your lips pressed in my neck, i'm falling for your eyes…” (Eu fui feito para manter seu corpo aquecido, mas eu estou frio como o vento que sopra, então me segure em seus braços. Meu coração está contra seu peito, seus lábios pressionados no meu pescoço, estou apaixonado por seus olhos...) – Cantarolou e desta vez eu o acompanhei, cantando baixinho, olhando em seus olhos, fazendo com que seu sorriso ficasse ainda mais belo.

XLIII - cinnamon.


Acabamos adormecendo novamente. Acordei extremamente bem, ainda dormia. Resolvi preparar o café da manhã, levantei-me, vesti meu hobby, fiz minha higiene matinal e caminhei até a cozinha.
- BU! – Alguém gritou, assustando-me.
- ! – Suspirei forte. – Seu idiota. Ainda é bem cedo, achei que viria apenas para o café da manhã. – Disse tentando recuperar-me do susto.
- Vim para preparar o café da manhã. – Sorriu.
- , você não sabe cozinhar, lembra? – Encarei-o.
- Ah! É verdade. – Encarou-me. – , não me manda embora. – Disse e seu olhar demonstrou tristeza.
- , eu não mandaria você embora. O que aconteceu? – Questionei preocupa.
- Não, não aconteceu nada, mas... – Encarou o chão.
- Mas? – Questionei.
- Acabei de lembrar que sei cozinhar uma coisa, waffles. Sei fazer waffles doce, é uma sobremesa, se come com sorvete, mas podemos comer com calda de chocolate, mel, chantilly, aprendi a fazer essa com . – Disse com um falso entusiasmo.
- Ele nunca preparou isso para mim, ele gosta de fazer as panquecas de manhã. – Sorri.
- Então, vamos fazer Waffles à moda , que tal? – Sorriu, empurrando-me para o lado.
- Tudo bem, vamos fazer Waffles, mas você vai precisar ensinar-me a receita. – Sorri.
- Não, precisa do ingrediente secreto. Apenas eu e o , sabemos esse. – Disse orgulhoso.
- Vamos fazer e uma hora ou outra, vai precisar me contar o segredo. – Sorri. pegou todos os ingredientes e fizemos os waffles juntos. Conversamos sobre algumas coisas, mas percebi que ele não estava completamente feliz, alguma coisa havia acontecido e ele não queria me contar, não sei o motivo, mas ele parecia triste e assustado.
- , está tudo bem? – Questionei encarando-o, enquanto ele colocava a massa dos waffles para assar.
- Está tudo ótimo, tudo ótimo . – Disparou, colocando a massa na máquina de waffles e encarando-me.
- , está derrubando a massa fora da máquina. – Alertei.
- Ah! Droga. – Disse rude, enquanto tentava limpar tudo. Suas mãos estavam sujas e o balcão com massa de waflles espalhado.
- Está tudo bem, vem aqui. – Puxei-o pelos braços, fazendo-o sentar-se no banco frente ao meu. – Conte-me, o que está acontecendo? – Questionei preocupada.
- Não , está tudo bem. Só estou bravo por ter derrubado a massa aqui no balcão e agora está tudo uma bagunça. – Forçou um sorriu.
- Para com isso, . Até parece que não te conheço. – Repreendi. – Se fosse outra pessoa, eu até aceitaria um “tudo bem”, mas é você. Estou aqui para te ouvir, então para com isso e me conte o que está acontecendo, porque odeio vê-lo triste. – Disse e ele não encarava-me mais, então ergui seu rosto com uma de minhas mãos.
- Sei que está aqui para me ouvir, mas o problema é que ainda não me sinto bem para contar, é bobagem não se preocupe, mas não sei se quero contar isso para alguém, não sei se é necessário. Acho que consigo esquecer e apagar da minha mente. – Disse, segurando minha mão que estava em seu rosto.
- Pode contar quando estiver pronto. – Aproximei-me e o abracei forte, passando segurança, para que ele soubesse que poderia confiar em mim, como sempre.
- Obrigada, . – Apertou-me ainda mais em seu abraço.
- Vou acordar o . – Sorri e segui até as escadas.
- . – Chamou-me, me fazendo encará-lo. – É canela. – Sorriu e retribui, em seguida ele terminou de colocar a massa de waffles na máquina e caminhei até o quarto para acordar .
- . – Sussurrei em seu ouvido e dei um leve sopro, fazendo com que se encolhesse na cama, e puxasse-me para si. – Acorde amor, o café está quase pronto. – Disse baixinho, beijando seu pescoço.
- Deixe-me dormir mais um pouquinho e durma comigo. – Disse sonolento, sem nem abrir os olhos.
- Juro que queria muito poder dormir aqui com você mais um pouquinho. – Sussurrei. – Mas já chegou, está na cozinha nos esperando para o café da manhã. – Disse selando nossos lábios.
- já chegou? E ? – Questionou abrindo os olhos.
- Sim e faz um tempinho, quando levantei, ele já estava lá em baixo. – Sorri. – e os meninos ainda não chegaram. – Disse.
- Tínhamos marcado de irmos à alguns lugares para resolver coisas pendentes da banda. – Esfregou as mãos em seus olhos. – Acho que não vamos mais. – Analisou-me.
- Se for por minha culpa, podem ir. Estou melhor e vou ficar bem aqui em casa. , e podem me fazer companhia. – Sorri.
- Não, você passou mal. Preciso cuidar de você. – Aproximou-se e beijou-me a testa.
- Você pode ir com , estou bem. – Sorri.
- Não sei, vou conversar com primeiro. – Sorriu.
- Tudo bem, você quem sabe. – Selei nossos lábios. – Agora levante, vamos descer e esperar os meninos para o café da manhã. – Disse batendo levemente em seu braço.
- Tudo bem mandona, vou descer. – Levantou-se e caminhou até o banheiro para fazer sua higiene matinal, eu fiquei um tempo esperando-o, mas ele estava demorando um pouco.
- Vou esperá-lo na cozinha. – Sorri e caminhei até a porta, mas abriu a porta do banheiro, caminhou até mim e abraçou-me por trás.
- Bom dia meu amor. – Apertou-me contra seu corpo. – Beijo de bom dia? – Disse, virando-me para si e sorrindo.
- Bom dia, príncipe. – Sorri e beijei-o. Um beijo lento, calmo, com carícias na nuca e um abraço forte, me mantendo completamente junta ao seu corpo ainda quente. – Vamos descer? – Questionei separando nossos lábios.
- Não. Vamos ficar aqui mais um pouco, sem ninguém além de nós dois. – Segurou-me firme e caminhou até meu corpo chocar-se contra a parede fria, isso me fez arrepiar e me apertar ainda mais contra seu corpo, ele sorriu e analisou-me.
- A parede está muito fria. – Sorri tímida.
- Deixe eu te aquecer. – Beijou meu pescoço e apertou-me contra a parede colando todo seu corpo no meu, segurou-me pela cintura e puxou-me para cima, fazendo com que eu entrelaçasse minhas pernas em volta de sua cintura. Ele segurou-me e caminhou até a porta trancando-a. passava suas mãos frias por minhas coxas, apertando-as levemente, nosso beijo que havia começado lento e calmo, agora estava rápido e agitado, com desejo. Delicadamente colocou-me na cama e sorriu. Abriu o hobby que eu usava e admirou-me satisfeito, passei minhas mãos por sua calça xadrez, tirando-a. O celular tocou e ele não se moveu para atender, ajeitei-me na cama, puxando-o para mais perto, mas acabei vendo que a ligação era de , já havia algumas outras ligações perdidas. Deduzi que fosse algo importante então resolvi interromper.
- Amor. – Disse separando nossos lábios.
- O que foi? – Questionou confuso.
- Seis chamadas perdidas do . – Disse virando-me para alcançar o celular em cima do criado mudo. – Acho que é importante. – Continuei.
- Deixe isso para lá, ele vai ficar bem. – Sorriu e voltou a me beijar, mas o celular voltou a tocar.
- não vai ficar bem. – Disse afastando-me de . – Atenda o celular. – Sorri.
- É sério isso? – Encarou-me.
- Atende. – Peguei o celular e o entreguei.
- Vem cá. – Sorriu, atendendo o celular e puxando-me, fazendo com que ficássemos próximos. Ele estava sentado na cama e eu em seu colo, com minhas pernas envoltas em sua cintura. – O que foi ? Sim, eu estava um pouco ocupado. Estou com a , por quê? Não, não estamos fazendo nada. Tudo bem, . O que? Agora? Mas eu nem tomei café da manhã ainda. E o ? Ah! Droga, encontro vocês em meia hora, me esperem. – disse e logo desligou.
- O que foi? – Questionei preocupada.
- Preciso resolver algumas coisas da banda, agora. – Encarou-me confuso, colocando-me sentada na cama.
- Tudo bem, vamos tomar café da manhã. – Encarei-o.
- Não posso amor, desculpe. – Selou nossos lábios e levantou-se procurando roupas. – Vou comer no caminho. – Continuei.
-Tudo bem. – Disse, vestindo um short jeans e uma blusa de frio branca.
- Amor, não fica brava. – Beijou-me a testa. – Desculpe por ter que ir, mas te fará companhia e talvez venha para cá mais tarde, porque ele vai fazer algumas coisas com agora cedo, não vão poder vir tomar café com você. – Justificou, abraçando-me.
- Tudo bem, não estou brava, . – Forcei um sorriso e desci até a cozinha.
- Ele não vai tomar café comigo. – Resmunguei.
- O que aconteceu? – questionou confuso.
- vai sair com , e não vão poder vir e só restamos nós dois. – Encarei-o.
- Ainda bem, porque deixei os waffles queimarem. – Disse, fazendo-me rir.
- Ainda bem. – Disse, jogando-me no sofá, emburrada.
- Para com essa cara, agora. – Encarou-me.
- Ele podia tomar café conosco, pelo menos. Não acha? – Fiz uma pergunta retórica.
- Não vejo um sorriso em seu rosto e vou tirar a força. – Disse, fazendo-me cócegas.
- Para . – Gritei gargalhando e tentado fugir de .
- Que bom que estão se divertindo, não vão sentir minha falta. – Disse , irônico enquanto descia as escadas e encarava-nos.
- É, estamos. – Provoquei e ele balançou a cabeça negativamente.
- Parem com isso. – Repreendeu .
- Cuidado! – encarou . – E cuide dela para mim. – Continuou. – Tchau amor. – Encarou-me confuso, sem saber se eu estava ou não, chateada.
- Volte logo. – Caminhei até , abraçando-o.
- Eu volto logo. – Sorriu e beijou-me, em seguida, direcionou-se até a porta e partiu.
- Como vocês são dramáticos e românticos. – Debochou .
- Sem debochar. – Resmunguei.
- Vamos tomar café da manhã? – Questionou. – Acho legal irmos ao Starbucks, vamos? – Continuou.
- Estou sem ânimo, . – Encarei-o.
- Vai sim. Coloque uma calça e vamos. – Empurrou-me rumo às escadas. – Nós precisamos nos distrair hoje. – Disse pensativo.
- É verdade. – Forcei um sorriso ao lembrar-me de vê-lo triste, essa manhã.

XLIV - Surprise.


- Tudo bem, vou me arrumar. – Direcionei-me ao quarto, coloquei uma calça jeans preta, all star branco, camisa da mesma cor, jaqueta de couro preta, coloquei óculos escuro e cachecol. Voltei até a sala onde esperava-me. Estava sentado no sofá, encarando seus pés, segurando seu celular e o apertando forte. – ? Está tudo bem? – Questionei aproximando-me e ele apenas murmurou, sem encarar-me.
- , foi aquela... – Hesitei, procurando substituir a ofensa, por uma palavra adequada. – Aquela garota, não foi? – Sentei-me frente a ele, questionando-o, mas manteve-se em silêncio, com os olhos fixos em seu celular. – , conversa comigo, quero ajudar você. – Segurei suas mãos.
- Está tudo bem, não se preocupe. – Levantou o rosto, encarando-me. Havia lágrimas em seu olhar e isso me preocupou ainda mais. – Vamos tomar o café da manhã. – Secou suas lágrimas e levantou-se, deixando-me ainda intacta, analisando-o. – Vamos! – Encarou-me rapidamente e seguiu em direção à porta, respirei fundo, peguei minha bolsa, minhas chaves e o segui. Entramos no meu carro e seguimos até a cafeteria, mantendo o silêncio por todo o caminho, não queria invadir os sentimentos dele, era melhor deixá-lo pensando por um tempo. Em alguns minutos estávamos no estabelecimento, descemos do automóvel e nos sentamos em uma das mesas e fizemos nossos pedidos. manteve-se calado, encarando o movimento e o barulho estressante dos veículos no lado externo da cafeteria, as vezes fitava o visor de seu celular, que não soltou nem por um segundo.
- Vamos embora. – Levantei-me, puxando-o pelo braço.
- Por quê? Não tomamos o café da manhã. – Disse num tom confuso.
- Vou pedir o café para viagem. – Fui até o caixa e paguei pelas bebidas e alimentos, avisando que seria para a viagem. Esperei mais alguns instantes, até que eles pudessem entregar-me o pedido, em seguida puxei até o carro.
- Para onde estamos indo? – Questionou ao entrar no automóvel.
- Para longe dessa loucura, vamos ver a cidade de longe. – Respondi e ele apenas deu de ombros. Dirigi por algum tempo, até finalmente chegarmos onde eu desejava. desceu do automóvel, respirando fundo e encarando o azul do céu, com algumas nuvens. Embora estivesse frio, não havia sinal de chuva. Desci do carro, pegando nosso café da manhã, sentei-me sobre o capô e coloquei os alimentos ao meu lado. apenas encostou-se no carro e sorriu.
- Meu ponto de paz! – Encarou o horizonte.
- Por isso trouxe você para cá. Lembra quando me trouxe aqui? Você disse que sempre estaria ao meu lado e você sempre esteve. Então, quero que saiba. – Hesitei procurando por seu olhar, mas ele não me encarou. – Estou aqui e sempre vou estar. – Sorri, era exatamente a mesma frase que ele disse para mim quando me trouxe até aqui.
- Obrigada. – Sussurrou, ainda encarando o horizonte. Fiquei em silêncio analisando-o por alguns instantes e ele sorriu, um sorriso simples, que havia muito mais felicidade, do que tristeza.
- Do que está rindo? – Questionei.
- Me lembro do dia que trouxe você aqui. No final das contas foi engraçado, eu beijei você, lembra? – Encarou-me, gargalhando.
- Lembro... – Hesitei. – E você pediu desculpas, depois. – Sorri.
- Era o mínimo que eu podia fazer. – Sorriu.
- Você estava me salvando. Eu devia ter me desculpado por colocá-lo no meio de toda aquela bagunça. – Sorri e me afastei, para que ele sentasse no capô, junto a mim e assim ele fez.
- Ela me ligou hoje, quando eu estava em sua casa... – Hesitou. – Na verdade não era ela, era um homem, talvez o novo namorado. Pediu para eu não ligar para ela, porque eles estavam juntos e felizes. . – Encarou-me com lágrimas nos olhos.
- ...
- Ela pegou o celular dele e disse que não era verdade. Que eles não estavam juntos, mas pediu para que eu não voltasse a ligar, porque ela estava tentando recomeçar sem mim e que não precisava de quinze chamadas perdidas em meu nome, nem mensagens apaixonadas pedindo para que ela voltasse. Ela continua dizendo que não está pronta para um relacionamento comigo, que não quer ser a namorada do da . Eu queria poder ir atrás dela, onde quer que ela esteja e pedir pra que ficasse ao meu lado, porque a amo. Se eu fosse um cara normal, como os outros, ela estaria comigo, me amaria também, estaria ao meu lado e poderíamos andar de mãos dadas pelas ruas, ir ao shopping, jantar em algum restaurante, como pessoas normais, mas não dá. Para ela eu sou o , o garoto de uma boyband. – Disparou, sua voz estava trêmula.
- Vai ficar tudo bem, não posso dizer que vai passar logo, mas as coisas irão melhorar. Você vai encontrar alguém que te ame de verdade, que queira estar ao seu lado. Você sabe o quão incrível você é. – Segurei fortemente suas mãos.
- Não consigo passar um dia sem ligar para ela. – Disse, mostrando-me os inúmeros registros de chamadas de seu celular.
- Você precisa dar o primeiro passo, para que as coisas comecem a fluir. – Encarei-o, secando suas lágrimas.
- Acho que não consigo. – Disse encarando o visor de seu celular e pude perceber que o plano de fundo era uma foto dos dois juntos, ela era realmente muito bonita, aparentemente uma garota adorável e eles fariam um ótimo casal, era uma pena vê-lo daquela forma.
- Você precisa.
- Você me ajuda? – Encarou-me.
- Eu seguro sua mão, estou ao seu lado e sempre vou estar. – Sorri, entrelaçando nossas mãos. Ele encarou novamente o visor de seu celular,encarando uma de suas fotos com a garota, e em seguida a excluiu, repetiu o processo por inúmeras vezes com as demais imagens e as lágrimas não cessaram em cair e isso me torturava.
- Ah! Droga. – Gritou, descendo do capô e acelerando seus passos. Em seguida arremessou seu celular, transformando-o em mil pedaços. Sua atitude me preocupou ainda mais, fazendo-me correr em direção a ele.
- Calma, vai passar, vou cuidar de você. – Abracei-o fortemente e voltamos até o automóvel, ficamos lá por um bom tempo, admirando o horizonte. Ele ainda chorava, é de partir o coração, ver seu melhor amigo sofrer daquela forma. Quando se acalmou, tomamos o café da manhã e ele ficou em silêncio por muito tempo.
- Me sinto melhor. – Encarou-me. – Me sinto um pouco livre...
- Sei como se sente. Quando você desabafa, quando chora, é como se a metade de toda sua dor fosse levada embora, junto com as lágrimas. – Tomei um gole de café, que estava gelado por sinal e isso me fez apertar os olhos.
- Isso parece bom. – Encarou-me.
- Chorar? – Questionei confusa.
- Não, o café. – Sorriu.
- Está gelado, quer um pouco? – Entreguei-o o copo.
- Melhor que o meu. – Devolveu-me o café.
- Pode beber comigo, se quiser. – Sorri.
- Não, quero só pra mim.
- Ótimo, o de sempre voltou. – Sorri, bagunçando seus cabelos.
- Está voltando. – Sorriu e empurrou-me de cima do capô.
- Sorte que gatos caem em pé. – Debochei, enquanto ele gargalhava.
- Podemos ir para casa? – Questionou.
- Eu vou. Você vai ficar aqui, punição por tentar me derrubar. – Sorri, batendo levemente em seu braço.
- Quem entrar no carro por último, fica. – Correu, entrando no automóvel antes de mim e travando as portas pelo lado interior.
- ... Abra a porta. – Resmunguei, batendo no vidro.
- Vou pensar. – Gargalhou enquanto passava para o lado do motorista, ligando o carro e seguiu, como se estivesse indo embora.
- ! – Gritei ao correr atrás do veiculo, que seguia pela estrada deserta. – , você prometeu que ia cuidar de mim. – Apelei e então ele voltou, abrindo a porta e gargalhando.
- Me lembre de não fazer promessas. – Gargalhou, enquanto eu entrava no carro.
- Você é um idiota, nunca mais vou deixar a chave dentro do carro. – Resmunguei, tentando fazer minha respiração voltar ao normal.
- Sorte que cumpro promessas. – Gargalhou e ligou o rádio, colocando em uma música animada e aumentando o volume. Começamos a cantar como loucos, definitivamente estávamos nos distraindo. Ele dirigiu até chegarmos ao complexo, e nos jogarmos exaustos no sofá.
- Olá, família. – Apareceu , fazendo-nos pular do sofá com tamanho susto.
- . – Encarei-o.
- Você estava aqui? – Questionou .
- Tenho a chave, esqueceu? – Sorriu. – Estava tentando fazer o almoço. Não sei se ficou bom, vocês vão comer e dizer se aprovam. – Continuou.
- Eu dispenso. – Gargalhei.
- pode ser sua cobaia, ele sempre come as coisas que fazemos. – Debochou .
- não pode, por que vai passar o dia com a família. – Disse , sentando-se no sofá.
- Legal são exatas 16h e não tem ninguém gritando aqui, que dia estranho é esse? – Fiz uma pergunta retórica, mas eles assentiram afirmando.
- Vamos almoçar, quero que comam o que eu fiz. – Disse , nos puxando até a cozinha.
- Não quero andar, estou cansada. – Resmunguei.
- Cansada do que? Onde vocês estavam? – Questionou , curioso.
- Cansada de correr atrás do carro. – Gargalhou .
- Como assim? – Questionou , mais uma vez.
- É uma longa história. – Disse, jogando uma almofada em .
- Eu te conto, vamos para a cozinha. – Disse , direcionando-se até a mesma.
- Vou servir vocês. – Sorriu que caminhou até a mesa, colocando três pratos, talheres e copos sobre a mesma, logo depois aproximou-se com uma panela, colocando a comida em nossos pratos. – Espero que gostem. – Sorriu.
- , isso é macarrão instantâneo. – Gargalhei.
- É a única coisa que consigo cozinhar. – Disse nos fazendo gargalhar. começou a contar tudo o que havia acontecido hoje, pulando as partes em que ele chorava, jogava o celular tão forte, a ponto de chegar ao Afeganistão e deixou de lado todas aquelas partes ruins. gargalhou muito e debochou de mim o tempo inteiro, contei a eles sobre as fotos dos garotos que havia encontrado, aquelas que eles tiraram enquanto eu estava fora, e eles sorriram. Comemos a ‘comida’ que havia preparado, na verdade, dei duas ou três garfadas e em seguida nos jogamos no sofá.
- O que vamos fazer? – Questionei encarando-os.
- Onde está a câmera? Podemos tirar fotos e fazer um mural gigante na parede. – Sugeriu .
- Ótima ideia. – Concordou .
- Vou pegar a câmera. – Sorri e acelerei meus passos até meu quarto. – O que aconteceu aqui? – Olhei surpresa, pude sentir meus olhos brilharem e um sorriso tomar conta de meu rosto, havia alguns bilhetes e flores pelo quarto, uma foto gigante minha e de na parede, e ao lado uma com , , e . Peguei os bilhetes e os li, eram todos de , havia alguns de fãs também, dizendo nos apoiar. E isso me deixou confusa, como ele pode fazer tudo aquilo se não estava em casa? – ? – Gritei e os garotos subiram até o quarto.
- UAU!– Disseram em coro.
- UAU? Como assim? Não foi você que arrumou tudo isso? – Questionei confusa.
- Não, não fui eu. – Respondeu , surpreso.
- Gostei daquela foto. – apontou para nossa foto juntos.
- Como ele fez isso? – Questionei confusa. – Será que ...
- Não, não foi. Ele estava em casa hoje, liguei para ele. – interrompeu-me.
- Quem foi? – Questionei confusa.
- ? – Disse , mas logo mudou de ideia. – Não, está com . – Continuou.
- Então essa era a surpresa que ele disse ter feito para mim. – Sorri tímida.
- é sempre assim quando está apaixonado, faz coisas que incríveis. – Afirmou .
- E ele já esteve apaixonado muitas vezes? – Questionei curiosa.
- Não, pouquíssimas, acho que só uma vez. – Disse pensativo. – É, só uma vez e ele fazia tudo para impressionar a garota, mas o que ele faz por você, ele nunca fez por ninguém. É quase loucura amar alguém tanto quanto te ama. – Sorriu e pude sentir meus olhos brilharem.
- Olhe a foto. – Gritou , que registrou o momento em que estava próximo a mim e olhávamos para a mesma fotografia na parede.
- Não , foto surpresa não. – Resmunguei.
- Postei na minha rede social. – Sorriu.
- Depois eu vejo a foto, não quero me assustar agora. – Gargalhei. Peguei a câmera que estava ao lado da cama, no criado mudo e tirei foto de todo o quarto. Em seguida, puxei os garotos para a sala. Ficamos sentados no sofá, tirando inúmeras fotos, fazendo caretas, gargalhando e brincando, saíram várias fotos engraçadas e muitas outras fofas. Alguns minutos depois meu celular tocou, mostrando-me uma mensagem de .
“Clima de romance? Incrível... Que bom que está se divertindo sem mim. x”.
“Do que está falando? Amei a surpresa, obrigada amor... Volta logo, estou com saudades, espero que esteja tudo bem com você e ! Te amo” – Respondi.
- Quem era, ? – Questionou .
- e ele parece chateado... – Hesitei. – Não sei por quê. – Disse, procurando por uma resposta.
- O que ele disse? – Questionou e então, mostrei a mensagem a ele.
- Eu não entendi. – Disse encarando , que revirou os olhos ao ler a mensagem.
- ? – Questionou .
- sempre entende tudo errado. Coloquei a legenda da foto como “Clima de romance”, mas quis dizer entre a e o , acho que ele pensou que era entre vocês dois. – justificou-se.
- Então diz explica para ele, . – Disse .
- Vou mandar uma mensagem pra esse lento. – Debochou .
“Amor, desconsidere minha última mensagem é que estou com saudades, quero estar com você logo... Te amo! xx” – Era uma mensagem de .
“Quero estar com você agora, vem para casa... Te amo!” – Respondi sua mensagem de texto.
- , não precisa mais mandar a mensagem, ele entendeu. – Sorri.
- Provavelmente quem entendeu foi e disse que era bobagem ficar bravo por isso. – Disse .
- Com certeza, é muito maduro. quase não pensa quando se sente ameaçado... – Disparou .
- Ameaçado? – Questionei. – Isso é tão ‘mundo animal’. – Debochei.
- Eu não sou uma ameaça para . – encarou-nos assustado. – Sou apenas amigo da . disse que sou uma ameaça? – Questionou confuso.
- Não, mas ele é inseguro com relação aos seus namoros. Você sabe que ele não tem muita experiência com isso, então fica o tempo todo achando que pode perder a garota para outro. –Disse , como se aquilo fosse óbvio.
- Nunca notei isso, ele sempre me pareceu tão seguro. – encarou-o.
- Tudo bem, chega de falar disso. – Alterei o assunto. – Vão buscar o para mim? – Sorri.
- Se eu soubesse onde ele está, buscaria sim. – Gargalhou .
- Ah! Droga, ele não contou para vocês? Ele disse que estava indo resolver algumas coisas da banda. – Disse pensativa.
- Não, não que eu saiba. – Disse , jogando-me uma almofada. – Vou para casa, passar o resto do dia com minha família. – Sorriu, fingindo um pouco de meiguice.
- Vou com você. – Disse . – Você não se importa se eu for, não é? Preciso pensar um pouco e comprar um celular novo. –Sorriu.
- Tudo bem, pode ir. Se quiserem voltar, ambos têm a chave, é só entrar e me procurar pela casa. – Sorri.
- Então se cuida, fica bem e se precisar de alguma coisa, me lig.. – Hesitou . – Liga para o porque estou sem celular. – Disse , confuso e isso me fez gargalhar.
- Claro, se eu precisar não vou pensar duas vezes antes de ligar, obrigada pela companhia. – Sorri e eles me beijaram a testa.

XLV - Nightmare.


- Obrigada pela manhã! – abraçou-me e seguiu , que já havia saído. Deitei-me no sofá, encarando o teto da sala, esperando o tempo passar, esperando que entrasse pela porta e se deitasse ao meu lado, mas parecia que o tempo não passava. Tentei ligar para ele, mas caia direto na caixa postal, provavelmente ele havia se esquecido de carregar o celular antes de sair, tentei ligar para , mas também não consegui falar com ele. Comecei a perambular pela casa, eu já estava impaciente e era estranho ficar tão ansiosa assim. Caminhei até o quarto e admirei toda a surpresa durante minutos, em seguida levantei-me e encarei o lado externo, através da janela, esperando o automóvel dele estacionar, mas isso não aconteceu. Então, resolvi que iria esperá-lo em sua casa. Caminhei até a residência ao lado e entrei, analisei o ambiente e estava tão vazio quanto minha, mas a diferença era que ali, o perfume dele era mais presente, mais intenso. Caminhei até seu quarto e joguei-me em sua cama, abraçando seu travesseiro, até que peguei no sono. Acordei no meio da noite, ofegante e um tanto assustada. Olhei para os lados e não estava comigo, eu havia tido um pesadelo horrível, corri em direção à minha casa e vi o carro de estava estacionado. Tentei respirar normalmente antes de entrar pela porta, fechei os olhos por um instante, tentando afugentar o pensamento ruim que me rondava, então abri a porta esperando encontrá-lo.
- ... – Hesitei. – Amor? – Acelerei meus passos até a cozinha ao avistá-lo.
- Onde você estava? Fiquei preocupado com você, porque saiu de casa e não me avisou? Poderia ter deixado um bilhete. – Disparou caminhando até mim, envolto em um roupão de banho e encarando-me, parecendo um pouco bravo, mas apenas abracei-o fortemente. – O que aconteceu? Está tudo bem? – Questionou confuso.
- Está tudo bem com você? – Questionei analisando-o. – Sim, está tudo bem. – Tentei sorrir.
- Sim, agora que você está em casa. – Sorriu, relaxando sua expressão. – Mas, onde você estava? – Questionou.
- Estava em sua casa, esperando por você. – Justifiquei. – E acabei dormindo. – Murmurei.
- Desculpe-me por passar o dia todo fora. Tentei chegar o mais cedo possível, mas não consegui. – Abraçou-me e beijou o topo de minha cabeça.
- Tudo bem, contanto que você fique aqui comigo. – Sorri e selei nossos lábios.
- Isso tudo é saudades por eu ter passado o dia fora? – Sorriu.
- É muita saudade somada a um pesadelo horrível que tive. – Disse, puxando-o para o sofá.
- Que pesadelo, me conte? – Pediu, sentando-se ao meu lado.
- Esquece isso. – Tentei sorrir para afastar a lembrança daquele pesadelo. – Já passou. – Puxou-me para mais perto e acolheu-me entre seus braços quentes.
- Está tudo bem, estou aqui agora e nada de ruim vai acontecer. – Beijou-me a testa, mantendo-me segura, embora o medo ainda rondasse de vez em quando. Segurei firme suas mãos e ele sorriu.
- É incrível como as coisas ficam bem quando estou ao seu lado, é como se nada conseguisse me atingir. – Sorri. – Ah! Obrigada pela surpresa, amei as fotos e as flores, como você fez tudo aquilo? – Questionei curiosa.
- É segredo! – Ele disse passando o dedo indicador na ponta de meu nariz. – Eu te amo sabia? –Sorriu. O mais belo sorriso, dentes brancos e perfeitos, seus lábios rosados num arqueado longo esticado em seu rosto, seus olhos sinceros procuravam os meus e quando os encontraram, era como se eu pudesse ler tudo o que ele queria me dizer, era como se as palavras passassem como uma legenda dentro de seu olhar, e mesmo que não saísse som algum de nossos lábios, naquele momento tudo foi dito em meio ao silêncio que nos envolvia. Por um instante me senti trêmula, com frio talvez. – Vamos dormir? – Acolheu-me, passando suas mãos em meus braços para manter-me aquecida, nos levantamos e ele abraçou-me por trás e caminhamos juntos até o quarto.
- Vou tomar um banho, me espera? – Me virei para ele, passando meus braços em volta de seu pescoço.
- Claro, aproveito e arrumo essa bagunça. – Gargalhou, enquanto olhava os buquês e bilhetes que ele mesmo havia me presenteado. - Não é bagunça, isso foi maravilhoso. – Sorri, selando nossos lábios.
- Não demora, quero passar o resto da noite abraçado com você. – Sorriu.
- Não demoro. – Sorri e caminhei até o guarda roupas, pegando um pijama, em seguida direcionei-me até o banheiro, tomei meu banho e não lavei os cabelos, já era um pouco tarde e não queria perder tempo secando-o e dormir com ele molhado estava fora de cogitação. Me vesti e voltei ao quarto, já estava na cama, com um moletom cinza, não muito grosso, ele virou o rosto para encarar-me e sorriu. – O que foi? – Questionei admirando-o.
- Nada. – Desviou o olhar por um instante. – Vem aqui, deita aqui comigo. – Disse e eu apenas aproximei-me, aconchegando-me ao seu lado na cama.
- Como foi o ‘passeio’ com ? – Questionei.
- Fiquei o dia todo pensando em você. – Sorriu. – E isso foi bom. – Puxou-me para mais perto. – E aqui? Foi tudo bem com , e ?
- não pode vir, não estava muito bem, o dia não foi dos melhores, mas no final, apareceu e nos alegrou um pouco. Senti sua falta o tempo todo e queria que você voltasse logo, não queria ter deixado você ir. – Encarei-o.
- Eu queria não precisar ir sem você. – Murmurou. – Cada dia que passa, sinto que preciso ficar ao seu lado, cuidando de você, te protegendo. – Disse, mexendo em meus cabelos.
- A cada dia que passa sinto que... – Hesitei. – Sinto que te perco um pouco. – Encarei seu olhar, que agora pareciam tristes demais para me passar segurança.
- Desculpe-me. - Por quê? – Questionei confusa, não entendia a razão das desculpas, ele não havia feito nada para que eu pudesse o perdoar.
- Por estar ausente, por ficar longe de você as vezes, talvez seja por isso, que sinta que está me perdendo. – Encarou-me. – Você não vai me perder, porque sou só seu, você sabe disso, mesmo que as vezes eu esteja um pouco longe, eu sempre estarei pensando em você... – Passou sua mão em meu rosto. – Então não se preocupe com isso, porque você sabe... Onde quer que eu esteja, eu sempre vou voltar para você. – Beijou-me a testa e puxou-me, fazendo com que eu me deitasse em seu peito. Aquela última frase ecoando em minha mente, me confortando, me deixando em equilíbrio novamente.
- Toda vez que você sai, eu fico ansiosa para te ver voltar, te ver entrando pela porta dessa casa, que fica tão vazia sem você, sem o som do seu sorriso, fico perdida sem você aqui.
- Todas as vezes que eu saio eu quero voltar no mesmo instante. – Sorriu. – Cantar é o que eu mais gosto de fazer, mas as vezes eu só queria não ter que sair da cama, ficar o dia, a noite inteira com você sem fazer ou fazer nada. – Continuou.
- As vezes eu queria que você pudesse ficar, mas não vou ser tão egoísta assim, suas fãs também precisam de você. – Sorri abraçando-o forte.
- É por isso que eu te amo. – Sorriu apertando-me. – Você sabe me dividir com as pessoas. –Brincou.
- Eu sei que você é meu, então não custa nada dividir só um pouquinho. – Disse me gabando.
- Ainda bem que você sabe disso. Assim eu não preciso ficar te convencendo o tempo todo. – Debochou. Ficamos ali por mais um tempo nos olhando como dois bobos, acariciou meus cabelos até que eu pegasse no sono. Definitivamente, dormir abraçada a ele era a melhor coisa que pode existir no mundo, seu corpo quente esquentando o meu, suas mãos grandes envoltas em meus dedos frios, seus braços mantendo-me perto, mantendo-me segura ao lado dele e eu sabia, qualquer coisa poderia acontecer, mas enquanto eu estivesse com ele nada me machucaria. Ele era como meu porto seguro ou algo maior, era o meu forte, era como o motivo da minha existência, como se eu só existisse para estar com ele, para viver ao lado dele. A esse ponto da minha vida eu não conseguia me ver de outra forma, eu apenas queria, precisava ser dele e estar com ele o tempo todo, para sempre e se dependesse de mim, assim seria daqui pra frente, porque ‘ele’ era minha única certeza. Para mim bastava estar ao lado dele e então, eu teria o meu ‘felizes para sempre’ dos contos de fadas.
- ! – Acordei assustada, analisando o ambiente. Aquele pesadelo voltou a perturbar-me e agora parecia arrancar de mim uma parte maior, talvez meu coração, que acelerou como nunca antes ou meu pulmão, que procurava por ar e parecia que todo o oxigênio daquele quarto não era o suficiente. Ele não estava dormindo, não estava na cama, então levantei-me em um pulo e desci as escadas correndo esperando encontrá-lo na sala. – ? – Questionei, caminhando lentamente até a cozinha.
- Você acordou. Vim apenas tomar um pouco de água. – Disse virando-se para mim, estava em frente ao balcão. Comecei a me achar maluca, aquele sonho havia me atormentado por duas vezes, e se ele voltasse toda vez que eu fechasse os olhos? E se ele se tornasse real? Meu medo era quase incontrolável, tentei colocar uma expressão calma em meu rosto o que não pareceu funcionar. – Você está pálida, está tudo bem? Tome um pouco de água. – Disse, aproximando-se e me entregando um copo.
- Está tudo bem! – Afirmei pegando o copo, eu estava trêmula e assim continuei, tentei não mostrar a ele o medo em meu rosto, em meus gestos, em minha voz. Então coloquei o copo em cima da bancada. – Está tudo bem! – Repeti a mim mesma respirando profundamente.
- Certeza? – Analisou-me e apenas assenti afirmando, com medo que minha voz pudesse me trair. aproximou-se e segurou minhas mãos ainda trêmulas e eu as puxei rapidamente para que ele não sentisse e o tremor constante que havia naquele momento. – Pesadelo novamente? – Questionou. – É só um pesadelo, vai passar. – Segurou minhas mãos, agora mais firme, apertando-as entre as dele, quentes e macias demais perto das minhas. – Respira! – Encarou-me, eu estava confusa e com muito medo, senti as lágrimas se formarem em meus olhos e não fiz esforço algum para mantê-las guardadas por mais tempo. – Estou aqui... Fica calma, está tudo bem. – Puxou-me para seu abraço. Aquele pesadelo não poderia ser pior, perder era a única coisa que eu não conseguia imaginar e aquele mau sonho me mostrava como seria, cada segundo como se fossem anos, como se estivéssemos em câmera lenta, nos perdendo um do outro em algum lugar que se tornou escuro de mais depois de assisti-lo partir, por um motivo que eu não conseguia entender. Ele apenas seguia uma estrada vazia e então tudo escurecia e lá estava eu, perdida em mim mesma, pensando o porquê ele havia me deixado, eu tentava gritar para que ele voltasse, mas ele parecia não me ouvir, não olhou para trás enquanto seguia pela rua larga e deserta. Corri o mais rápido que pude, mas não o alcancei e senti que estava caindo num buraco sem fim. Sem ele eu não era nada e se realmente ele era a razão de minha existência, ele não poderia me deixar. O medo tomou conta de mim enquanto eu pensava naquele pesadelo, eu tentava analisar cada segundo em minha mente, mas isso me machucava tanto, parecia tão real e assombroso.
- Não me abandona nunca, por favor? – Pedi. – Promete? Promete que vai ficar comigo para sempre?
- Nunca vou te abandonar, você sabe que estarei aqui para sempre com você... Eu prometo. –Disse, mantendo-me colada em seu corpo, que parecia ainda mais quente, talvez por eu estar completamente gélida de pavor. – Já disse o quanto sou apaixonado por seu sorriso? Você deveria sorrir, amo quando faz isso. – Encarou-me, enquanto tirava uma mecha da frente de meu rosto. Tentei sorrir, mas não saiu tão naturalmente como seria se eu não estivesse com medo.

XLVI - Tiptoe.


- Estou aqui com você, está tudo bem. – Passou sua mão por minha cintura, segurando-me próxima a ele. Caminhamos novamente para o quarto, sentei-me na cama e fitei o chão, pensando naquele pesadelo, estava com medo de adormecer novamente e acordar sem ele ao meu lado. E se ele fosse embora? Abandonasse-me? Esquecesse-me? Ou apenas... Se estivesse distante? Longe o bastante para que eu não pudesse alcançá-lo... notou o quão assustada eu estava, pelo fato de observá-lo o tempo todo e não deixá-lo só. Eu tinha medo de que no minuto seguinte, ele desaparecesse. – Meu amor, não precisa ficar assustada, eu te amo, não vou desaparecer. – Disse enquanto apagava a luz, tudo ficou escuro e não pude enxergar seu rosto, então liguei o abajur que ficava ao lado da cama e me virei procurando , com um ar de assustada.
- Eu não consegui ver você... – Hesitei. – Desculpa. – Respirei fundo, tentando forçar os pulmões frenéticos a funcionarem normalmente.
- Vem cá. – Sentou-se ao meu lado, puxando-me para mais perto. – Você consegue sentir isso? – Segurou minha mão e pousou-a sobre seu peito. – Ele está acelerado porque estou com você. – Sorriu acariciando a superfície da mesma e beijou-me a testa, em seguida aconchegou-me em seu corpo. – Fique calma, isso tudo vai passar, estou com você e tudo vai ficar bem. Amanhã vou passar o dia todo com você, não tenho show. – Disse me tranquilizando. – Vem... Vamos dormir. – Apertou-me ainda mais em seus braços, mantendo-me aquecida.
Fechei meus olhos para tentar dormir, em vão, passei o resto da noite em claro, observando-o dormir, como um anjo, sua respiração fraca e uniforme, seus cabelos já bagunçados por conta do atrito com o travesseiro, sua expressão antes preocupada, agora se mantinha calma sem qualquer vinco na testa, ou sobrancelhas arqueadas, estava tranquilo e ainda assim completamente perfeito, como um príncipe, o meu príncipe. Vi a manhã chegar, os raios de sol reluzindo janela adentro, as paredes brancas faziam o quarto clarear ainda mais com o refletir das luzes, lá fora as folhas se balançavam lentas no topo das árvores. Levantei-me e fiz minha higiene matinal e em seguida voltei a sentar-me na cama, pensei em preparar o café da manhã, mas logo desisti, a ideia de deixar o príncipe adormecido na cama não me agradava, eu estava insegura com relação aos guardas armados que poderiam levar o príncipe embora, para longe da plebeia, embora ele chamasse de princesa. Essa coisa de comparar minha vida à um conto de fadas começara a ficar constante e cada vez mais maluca, me mantive em silêncio sentada à cama ao lado de , continuei a pensar que os contos de fadas sempre terminavam com um final feliz, embora pudessem acontecer coisas ruins em meio a história e se fosse assim, eu não me importaria de sofrer contanto que tivesse o meu ‘final feliz’. Sacudi a cabeça para espantar os pensamentos malucos e atordoados de minha mente exausta.
- Bom dia. – Esfregou os olhos, ainda sonolento. – Dormiu bem? – Questionou segurando minhas mãos que estavam frias demais, comparada às dele.
- Bom dia... – Analisei-o. – Sim, dormi bem... – Forcei um sorriso e fui convincente, pois ele retribui a expressão. Não queria preocupá-lo, então resolvi que era melhor apenas assentir. – Cozinha comigo hoje? – Alterei o assunto, ele assentiu positivamente e levantou-se, selando nossos lábios e em seguida, caminhando até o banheiro. Arrumei a cama, esperando-o voltar.
- Você está melhor? – Caminhou em minha direção.
- Sim, estou... – Disse, esperando que minha voz não me traísse. abraçou-me e selou nossos lábios, tirando um bilhete de seu bolso e entregando-me.
“Nenhuma distância pode nos separar!”. Eu apenas sorri ao ler.
- Escrevi ontem, enquanto estávamos longe. – Encarou o bilhete em minhas mãos.
- Senti falta disso. – Encarei-o, aqueles olhos >>, que brilhavam ainda mais com a claridade do ambiente. O olhar que eu me perdia, onde eu me encontrava. – E sabe do que eu também senti falta? – Questionei.
- Não, do que? – Ele mordeu o lábio inferior levemente e sorriu.
- Disso! – Beijei-o levemente. – E disso... – Caminhei até a cômoda, peguei a câmera fotográfica, liguei-a e ele correu até mim, pegando-a de minhas mãos e filmando-se.
- ”Sabe essa garota? Senti tanto a falta dela quando a fiz ir embora, não queria que ela fosse, mas por várias vezes cometi erros e um deles foi permitir que ela partisse. Eu a amo, ela é minha princesa, preciso dela a cada dia mais.” – Disse, posicionando a câmera sobre a cômoda, de modo que pudesse filmar nós dois. Meus olhos brilhavam, era inevitável e eu estava com um sorriso completamente bobo no rosto. – “Sabe que eu amo esse sorriso?” – Puxou-me para perto.
- Eu sou mesmo uma garota adorável. – Debochei.
- Convencida. Sabe o que eu também amo? – Questionou, posicionando a câmera no chão, filmando apenas nossos pés.
- Não, o que? – Encarei seu olhar.
- A forma que você arrumou para tentar ficar do meu tamanho... Ficando sobre a ponta dos pés. – Sorriu vitorioso.
- Ah! Por isso você colocou a câmera no chão? – Sorri, batendo levemente em seu braço.
- Também. – Sorriu. – É porque amo sua risada... – Hesitou, mordi meus lábios, um pouco tímida. – E a forma que você fica sem forças quando ri e caí sobre os joelhos. – Analisou-me.
- Isso não acontece. – Protestei e ele simplesmente começou a me fazer cócegas, dito e feito, estávamos caídos ao chão, gargalhando e implorando por ar. Posso afirmar que se o céu desabasse lá fora, não notaríamos. Continuamos dessa forma por um bom tempo, rindo um para o outro como dois bobos, até que pudesse levantar-se ansioso.
- O que quer comer hoje? – Questionou, estendendo-me seus braços, para ajudar-me a levantar.
- Panquecas... – Hesitei. – É a única coisa que sabe cozinhar. – Debochei.
- Mas devo lembrar-lhe, que sãos as melhores panquecas deste país. – Gabou-se e beijou-me a testa.
- Devemos ir ao mercado, acho que não tenho ingredientes. Vou colocar uma roupa apresentável, não posso sair de pijamas. – Disse virando-me e no mesmo instante fui puxada de volta para seus braços, que me apertou fortemente contra seu corpo, beijando-me e erguendo-me, para que meus pés não tocasse o chão.
- Eu te amo. – Sussurrou ao abraçar-me.
- Eu amo você. – Passei minhas mãos em seus cabelos e tentei colocar os pés ao chão, em vão, pois ele me manteve erguida sem esforço algum.
- Você não vai sair daqui. – Sorriu.
- Preciso me trocar, príncipe. – Continuei me esforçando para me soltar, embora eu não quisesse realmente sair daqueles braços quentes.
- Amo quando me chama assim. – Aquele sorriso voltou a surgir em seu rosto e conseguia fazer com que ele ficasse ainda mais encantador. Um sorriso quase inexplicável, se não fossem pelos milhares de adjetivos, que ainda assim mantinha a explicação muito vaga. O sorriso alargou-se fazendo com que as maçãs de seu rosto subissem naturalmente, obrigando seus olhos brilhantes a se fecharem em frestas. Antes de ele aparecer na minha vida, eu não sabia o quão bom era sorrir com o sorriso de outro alguém, ele me ensinou isso e para mim, sorrir o sorriso dele era a mais bela prova de amor. Ele era como o sol que clareava o quarto naquele momento, era como o meu flash de luz. – Eu amo quando você olha nos meus olhos e depois desvia o olhar, um pouco tímida. – Sorriu e encarou o teto por algum tempo, não hesitei em beijar seu pescoço e isso o fez me apertar ainda mais em seus braços.
- Eu... – Hesitei. – Preciso trocar de roupa. – Sussurrei debochando e ele revirou os olhos, colocando-me no chão. – Eu te amo. – Beijei-o na altura de seu tórax, onde eu alcançava, era pequena em relação a ele. sorriu e caminhou até o guarda roupas, direcionei-me até o banheiro, para me arrumar. Quando voltei, já me esperava pronto, blusa moletom preta, jeans azul escuro, touca e um tênis branco.
- Você está linda. – Analisou-me. Eu estava com um sobretudo, calça e camiseta preta, bota cano médio sem salto, um cachecol branco e os cabelos soltos sobre o ombro.
- Pare de ser bobo, estou normal! – Sorri. – Podemos ir? – Questionei.
- Claro. – Assentiu. Peguei minha bolsa e descemos até a sala, ele pegou a chave do carro e dirigiu até o supermercado. Caminhamos e entramos no estabelecimento, pegamos alguns itens que iríamos usar na preparação do nosso café da manhã e logo terminamos, fomos ao caixa e pagamos pelas compras. me fez levar as sacolas, brincando que eu era a mais forte da relação, quando me aproximei do carro avistei alguém que tive a impressão de conhecer, não tive certeza, estava um pouco distante.
- . – Disse entusiasmada, aproximando-se e analisando-o. – ! – Continuou, num tom quase inaudível.
- ! – Dei de ombros e continuei seguindo, percebi que havia ficado um pouco para trás e parei para esperá-lo. Eu não estava distante o bastante para não ouvir a conversa que ela tentava ter com .
“ – , eu queria... – Hesitou.
- , acho que não temos nada para conversar. – Disse .
- Eu sei. – Ela abaixou a cabeça, posso jurar que a vi chorar, mas estava distante para ter certeza disso. – Só queria me despedir... – Continuou dizendo sem encará-lo. Comecei a achar que ela estava fazendo-se de ‘coitada’ para que pudesse consolá-la.
- Despedir? Você está indo embora? – Questionou , confuso. Embora houvesse uma expressão de alívio em seu rosto, ele não sorriu.
-Eu iria até a sua casa, mas não será mais preciso. Vi o seu carro e resolvi poupar você de qualquer transtorno que eu pudesse causar. Estou indo embora, é isso. – Voltou a fixar seu olhar em e parecia esperar algo, mas ele se manteve intacto frente a ela. Confuso talvez, ou triste?
- Eu não sei o que dizer. Acho que... – Procurou por palavras certas, mas e ela interrompeu-o.
- Poderia me dar um abraço? – Pediu e por incrível que pareça, ele não hesitou em dar um passo à frente e acolhe-la com seus braços. Aqueles braços que eram meus, agora acolhiam a garota que fez do nosso namoro um verdadeiro caos. Fechei os olhos por um instante, evitando ver aquela cena, era angustiante e embora ela estivesse partindo, nada havia mudado entre nós. Analisei seus corpos colados e isso era frustrante.
- Eu preciso ir. A minha namorada está me esperando. – Disse ele, soltando-a.
- Espero que fique bem. – Ela sorriu, estava próxima demais a ele, enquanto eu assistia aquela cena ridícula que ela era capaz de fazer. – Acho que vou sentir sua falta. – Disse num sussurro, não tão baixo, pois consegui ouvir. virou o rosto e encarou-me, um olhar confuso e sem reação, recuou um passo. – Tchau, meu . – Sorriu e beijou seu rosto, ele se afastou, confuso.Pude jurar que ela o beijou, não por completo, mas o canto de seus lábios. Revirei os olhos, furiosa com a reação da garota. Meus nervos estavam a flor da pele, segui caminhando até ambos, mas veio a meu encontro, puxando-me contra seu corpo, evitando que eu pudesse pintar no rosto da garota, a marca de minhas mãos. Tentei lutar contra ele, mas foi em vão, ele com certeza era o mais forte da relação. Passou seu braço por volta de meu ombro, abraçando-me de lado e beijou-me o topo da cabeça.
- Eu te amo. – Encostou-se na porta de seu carro preto, que cintilava ao sol.
- Porque parou pra falar com ela? – Reprovei, enquanto colocava as sacolas no banco traseiro.
- Porque ela está indo embora, agora podemos ser completamente felizes, para sempre. – Comemorou.
- Ela te beijou? – Questionei incerta.
- Não. – Disse confuso, um pouco pensativo.
- Eu te odeio. – Murmurei, encarando-o.
- Não me odeia não. – Puxou-me e me deu vários beijos no rosto. Tentava fugir de seus lábios beijados pela ‘naja’. – Não vai me beijar? – Questionou.
- NÃO! – Reprovei.
- Pare de ser ciumenta, não a beijei. – Sorriu, apertado-me pela cintura. Olhei seus olhos incríveis, ainda mais belos por culpa dos raios de sol que penetravam em sua íris colorida, que agora ficara ainda mais viva e vibrante. Fiquei paralisada, admirando o quão belo podiam ser um par de olhos >>, cada dia mais lindos, mas sempre os mesmo olhos. – Você é minha vida. –Roubou um selinho e sorriu. – Sou só seu. – Encostou seus lábios úmidos nos meus, mantendo-nos unidos por alguns segundos, mas me afastei, ele colou nossas testas e pousou uma de suas mãos em meu rosto. – Eu te amo. – Fixou seu olhar no meu, logo em seguida abraçou-me e eu cedi, mantendo-me junto a ele. – Agora vamos para casa. – Sorriu, soltando-me e beijando-me a testa. Entramos no carro e seguimos em direção a nossa casa.

XLVII – Cooking with the boss.


- Ela te beijou, não foi? – Questionei com o olhar fixo na estrada e ele continuou em silêncio. – Eu sabia. – Continuei.
- Foi sem querer. Eu amo você, não tem motivo para ficar brava. E, aliás, não foi um beijo, foi um ‘beijinho’. – Justificou-se, da forma errada, mas justificou-se.
- Você não está facilitando. – Murmurei, cerrando os olhos.
- Desculpe-me. – Disse. Mantive-me em silêncio o tempo todo, tentando esquecer, para não brigar com ele novamente, aliás, quando ela ‘o beijou’ ele se afastou. Chegamos ao complexo e ele estacionou o carro em frente à minha casa. – Amor, para com isso. – Disse quebrando o silêncio, enquanto saia do carro e caminhava em minha direção.
-Não quero brigar, fique em silêncio e saia de perto. – Disse abrindo a porta de trás do carro, onde estavam as compras e ele simplesmente abraçou-me e beijou-me a testa, fazendo-me sorrir.
- Droga! Eu mandei sair de perto. – Balancei a cabeça negativamente e ele sorriu vitorioso. – Quer saber, vou esquecer isso. – Abracei-o e em seguida me virei novamente para pegar as compras.
- Ótimo. – Sorriu. – Amor, pega um cd dentro do porta-luvas e tranca o carro pra mim, por favor? – Disse , pegando as compras de minhas mãos e entregando-me a chave do automóvel, apenas assenti e selei nossos lábios. Abri o porta-luvas e não havia cd algum, apenas dois pequenos bilhetes.
“Eu quero estar com você, eu quero sentir seu amor, eu quero deitar ao seu lado, eu não posso esconder isso mesmo que eu tente.”
“Eu nunca tive palavras para dizer, mas agora estou pedindo para você ficar só um pouco mais em meus braços”.

Sorri ao ler os bilhetes, ele sempre fazia isso e eu ainda acreditava que encontraria CDs, como sou ingênua. Tranquei o veiculo e entrei em casa, ele estava tirando as compras da sacola e colocando-as no balcão.
- Eu te amo, sabia? – Gritei da sala, mostrando os bilhetes a ele.
- É, eu sabia sim. – Sorriu, caminhando em minha direção e selando nossos lábios.
- Vamos fazer o nosso café da manhã? Estou morrendo de fome. – Sugeri.
- Vamos. – Puxou-me pela mão.
- Quero as melhores panquecas do país. – Sorri.
- Pode deixar, o chefe irá prepará-las. – Disse pegando um pequeno embrulho dentro da sacola de compras.
- ? O que é isso? – Analisei confusa.
- Você já vai ver, espere aqui. – Disse deixando a cozinha.
- Tudo bem. – Concordei, mesmo sem entender absolutamente nada. Enquanto ele não voltava, resolvi limpar e arrumar a mesa.
- TCHARAM! – Adentrou a cozinha com um chapéu de ‘mestre cuca’ e um avental branco escrito “Mr.”
- Onde você arrumou isso? – Questionei gargalhando.
- Comprei no mercado, enquanto você foi pegar as batatas. Gostou? – Disse, desfilando pela cozinha, minhas pernas começaram a perder a força, resolvi sentar no chão para não cair sobre os joelhos, não conseguia parar de rir. – É melhor parar com isso, porque eu também tenho um para você. – Entregou-me um embrulho com um chapéu e um avental rosa, escrito “Mrs.”.
- Eu não vou vestir isso, não adianta. – Disse analisando o embrulho.
- Pare de rir. – Sorriu, estendendo as mãos para ajudar-me a levantar.
- Isso é ridículo, . – Eu continuava a gargalhar, era inevitável. – Mas você está fofo e eu gostei do “Mr e Mrs” escrito na frente. – Apontei, indicando as estampas.
- Vem cá. – Disse, puxando-me até o grande espelho que havia na sala.
- Olhe como estamos bonitos. – Gargalhou.
- Maravilhosos. – Debochei.
- Vamos tirar uma foto. – Disse pegando o celular.
- Não! Ninguém pode nos ver nesse estado. – Afundei meu rosto em , escondendo-me.
- É sério, vamos tirar uma foto. – Ele apontou para a estampa e enquanto gargalhávamos ele tirou a foto. postou a foto em sua rede social com a legenda. “Hora de cozinhar!“. Caminhamos até a cozinha novamente, para preparar nosso café da manhã, mas antes me dirigi até o quarto e peguei a câmera em cima da cômoda.
- CHEFE , DIGA OLÁ PARA SEUS TELESPECTADORES! – Gargalhei, enquanto gravava-o.
- OLÁ TELESPECTADORES, OLÁ PRINCESA! – Sorriu acenando.
- O que vamos aprender hoje no “Cozinhando com ”? – Debochei.
- Vamos aprender a fazer as melhores panquecas e os melhores waffles de La face da terra. – Beijou as pontas de seus dedos, como se fosse um verdadeiro chefe.
- La face da terra? – Questionei sorrindo.
- Da face da terra. Eu falei em espanhol. – Piscou um dos olhos.
- Tudo bem, mi amore. – Debochei. – Chefe , vamos passar sua receita? – Gargalhei.
- Claro que não. Minhas panquecas e meus waffles são os melhores, não vou passar a receita. As pessoas não podem preparar as melhores panquecas, se os melhores waffles são os meus. – Sorriu.
- Bela frase. – Gargalhei, porque o que ele havia dito, não fazia sentido algum.
- Vamos fazer Waffles primeiro. – Disse pegando os ingredientes.
- Vou falar a receita. Farinha de trigo, ovos, leite...
- NÃO! Você vai acabar com minha carreira. Meus Waffles, minha receita. – Sorriu. – E você não sabe o meu toque especial. – Continuou.
- O toque especial é canela. – Sussurrei para a câmera.
- Como você sabe? – Questionou intrigado.
- me contou. – Pisquei um dos olhos.
- Vou matar o , eu sabia que não podia confiar nele. – Fingiu estar bravo. – Mas você não sabe o segredo das panquecas. – Deu uma risada maléfica.
- Açúcar, MUITO açúcar. – Provoquei.
- Como é que você sabe tudo? – Questionou incrédulo.
- Tenho meus contatos e não esqueça que aprendeu a fazer panquecas comigo. Mais tarde essa receita estará no nosso site, WWW.chefe...
- Nosso site está fora do ar, por causa dos acessos. Minhas receitas são famosas. – Interrompeu-me, pegando a câmera de minhas mãos.
- O site deve estar fora do ar mesmo, depois dos waffles que tentou fazer seguindo sua receita. – Debochei.
- é um desastre na cozinha. – Sorriu, balançando a cabeça negativamente.
- Vamos continuar com nossa receita. – Sorri.
- Você pega o trigo, mistura bem com os ovos e com o leite. – Disse batendo os ingredientes.
- Em seguida, você joga sete pacotes fechados de açúcar. Isso mesmo, com plástico e tudo. O plástico é comestível e dá mais consistência. – Gargalhei.
- Não são sete, ficou maluca? São nove e os plásticos dão mesmo mais consistência. – Brincou. – Depois, você coloca tudo na máquina de waffles. – Continuou. – As panquecas, são o mesmo processo. – Gargalhou.
- Enquanto o chefe assa as panquecas e coloca os waffles na máquina, você lava a louça e arruma a mesa, para não deixar bagunça logo no café da manhã. – Disse olhando para câmera.
- Vamos para o comercial, o “Cozinhando com ” volta já, com toda a receita pronta. –Novamente ele beijou a ponta de seus dedos e eu desliguei a câmera.
- Ótimo, agora vou arrumar essa bagunça toda. – Sorri.
- Podemos ter nosso próprio programa de TV, isso não é legal? – Encarou-me.
- Claro, podemos ganhar nosso dinheiro, ter filhos e sustentar nossa família. – Gargalhei, enquanto lavava a louça. - Exato. Seria legal ter crianças correndo pela casa, enquanto cozinhamos biscoitos na noite de natal. – Sorriu. - Podemos pensar nisso. – Sorri. – Acho que os waffles estão prontos. – Continuei. - É, estão e as panquecas também. – Jogou a panqueca para cima, pegando-a com a frigideira.
- Pare de tentar colocar fogo na casa. – Debochei e ele revirou os olhos. Enquanto eu lavava os últimos pratos, arrumava a mesa.
- Ótimo, podemos finalmente tomar café. – Disse animada.
- E dessa vez ninguém vai entrar pela porta, até porque ela está trancada. Os garotos estão com a família, então, temos o dia todo só para nós. – Disse , colocando as panquecas na mesa. – SORRIA! VOLTAMOS COM O NOSSO “COZINHANDO COM ”. – Apontou a câmera para mim.
- Essas são as nossas panquecas e Waffles. – Disse apontando para a mesa.
- E esses são os nossos maravilhosos uniformes de chefes, por isso a partir de hoje, o programa se chama “Cozinhando com Mr. & Mrs. ”. – Apontou para as estampas.
- Estamos lindos nesses aventais, estou me acostumando e me apegando a eles. – Disse, fazendo uma expressão ridícula de apaixonada.
- Ótimo, porque toda manhã iremos usá-los para cozinhar. – Sorriu, piscando um dos olhos.
-Obrigada pela sua companhia. Voltamos amanhã com “Cozinhando com ”. - “Cozinhando com Mr. & Mrs. .” Mudamos o nome do programa hoje. Acabamos de mudar, que memória. – Interrompeu-me, debochando.
- Então voltamos amanhã com “Cozinhando com Mr. & Mrs. ”. – Dei ênfase na frase, fazendo aspas com as mãos.
- Tenham um ótimo dia. Um beijo para o , que gostaria de estar aqui conosco, deliciando esse prazer, que é minha culinária. – Gargalhou.
- Agora vou me deliciar, mas vou guardar para você , porque você merece. – Sorri.
- merece? Se você diz. – Analisou-me sorrindo.
- Sim, ele merece. – Em uma expressão infantil, mostrei a língua para ele.
- Voltamos amanhã com “Cozinhando com Mr. & Mrs. Mal criação”. – Sorriu e desligou a câmera. – Sabe o que é legal? – Disse, sentando-se.
- Não, o que é legal? – Questionei.
- A partir de amanhã, os shows são por perto. Vou passar o dia com você, vou para o show à noite e volto para cá novamente. – Disse, mordendo o waffles.
- Isso é incrível. – Posso dizer que meus olhos brilharam.
- Agora vamos passar mais tempo juntos. – Sorriu.

XLVIII – I'd fall anywhere with you.


- , espere um minuto. – Levantei-me e corri em direção ao banheiro. Eu estava passando mal novamente, estou assim desde que fui para o Brasil, talvez porque eu não conseguia comer direito, acho que meu estômago acostumou-se com isso. Apenas deu tempo de fechar a porta e virar para o vaso sanitário, para que eu começasse a vomitar tudo o que havia ingerido no café da manhã, isso acontecia involuntariamente, mas não queria contar para . Nunca contei para ninguém e queria esconder até de mim mesma, mas era impossível e toda manhã era a mesma coisa, durante semanas, não queria deixá-lo preocupado com uma coisa simples como essa, que logo iria passar, eu tinha certeza, estava demorando um pouco, mas ele não precisa saber.
- Amor, você está bem? – Questionou preocupado.
- Sim príncipe, eu estou bem. – Afirmei despreocupando-o, tentando falar em meio às ânsias que voltavam o tempo todo, tentando fazer com que minha voz não denunciasse o meu mal estar momentâneo. Sentei-me no chão até recuperar as forças para levantar e escovar os dentes, em seguida saí do banheiro e estava parado em frente à porta, encarando-me um pouco confuso, preocupado, assustado ou coisa do tipo, a expressão dele era totalmente confusa e inexplicável.
- O que houve? Porque saiu correndo? – Questionou aproximando-se.
- Ah... – Hesitei. – Nada demais. Me senti um pouco mal, achei que ia vomitar, mas foi alarme falso. – Forcei um sorriso.
- Talvez tenha sido toda essas bobagens que preparamos no café da manhã. Precisamos comer algo saudável. – Reprovou. – Quer que eu te leve ao médico, princesa? – Questionou e seus olhos novamente se tornaram preocupados.
- Está tudo bem, não se preocupe. – Afundei-me em seu peito, abraçando-o fortemente. – O que vamos fazer hoje? – Questionei, alterando o assunto.
- Tenho planos para o dia inteiro. – Sorriu.
- E o que vai ser? – Questionei, afastando-me e seguindo em direção a cozinha, sentando-me.
- Vamos para o bosque, lembra dele? – Questionou sorrindo.
- Aquele lugar é maravilhoso, como poderia me esquecer? – Sorri.
- Está pronta? – Questionou. – Tenho outros planos para nossa noite. – Encarou o relógio em seu pulso esquerdo. – São 11h03min. Podemos sair em uma hora? Enquanto você se arruma, preparo algumas coisas para levarmos. – Aproximou-se, beijando-me a testa.
- Tudo bem. Vou me arrumar e desço em alguns minutos. – Corri para o quarto e joguei-me na cama, exausta, tonta e enjoada, mas não podia estragar nosso dia, finalmente iríamos passar o dia ‘inteiro’ juntos e sem ninguém pra interferir. Eu amo os garotos, são meus melhores amigos, mas eu precisava de um tempo só com o príncipe. Ter um tempo para admirar os olhos dele, sem que nenhuma ‘almofada’ fosse atirada em nossos rostos, poder ficar abraçada com ele, sem que peça comida, e reclamem sobre nosso momento romântico e resmungasse sobre não ter uma garota. Depois de um tempo, finalmente levantei-me e caminhei para o banho, lavei meus cabelos e os sequei, fiz cachos nas pontas, deixei uma parte solta e o outro lado estava preso por uma presilha de rendas em flores brancas, coloquei um vestido rodado simples na cor branca, com uma camisa azul clara por cima e um cinto bege. Coloquei também uma sapatilha nude, passei um batom rosa chiclete e um delineador nos olhos. Separei para uma calça jeans preta, camisa branca, jaqueta de couro, caso o tempo esfriasse e um coturno acinzentado, peguei minha bolsa que estava no quarto e desci até a sala novamente.
- Estou pronta. Pode ir se arrumar, eu termino aqui. – Disse enquanto descia as escadas e jogava a bolsa sobre o sofá.
- Você está linda. – Sorriu admirando-me. – Esse vestido é um dos meus favoritos, agora. – Abraçou-me.
- Você sempre fala que os vestidos que uso são seus favoritos, estou começando a não acreditar. – Brinquei.
- Amo você de vestido, fica elegante. – Mordeu o canto dos lábios, eu sabia exatamente o que viria depois daquela reação.
- Não me beije, estou de batom. – Gargalhei e afastei-o.
- Tudo bem se eu ficar de batom, gosto dessa cor. – Gargalhou e selou nossos lábios.
- Vá se arrumar. Separei sua roupa, está na cama, uma das minhas preferidas. – Pisquei e ele subiu as escadas correndo. Fui para a cozinha e analisei o que ele havia preparado. Havia frutas, sucos, sanduiches naturais e algumas batatas, mas eu sabia que ele só estava levando aquilo tudo porque eu havia passado mal. Resolvi acrescentar na cesta, nossas comidas prediletas, chocolates, balas, refrigerantes, bolos, chantilly, salgadinhos e mais algumas bobagens que me faziam bem, até melhor do que essas ‘frescuras’ de comidas saudáveis. Peguei uma toalha de mesa xadrez, branca e vermelha, copos descartáveis, guardanapos e alguns talheres. Coloquei tudo dentro da cesta e a fechei. Encostei-me no balcão pensando, talvez eu estivesse esquecendo alguma coisa, faltava apenas a câmera, então fui até o quarto buscá-la.
- Terminei de arrumar a nossa cesta. É um piquenique? – Sorri ao avistar no quarto, ainda sem camisa e ao telefone.
- Vamos passar o dia todo fora, iríamos ficar com fome, então, sim... É um piquenique. – Afirmou. – Tudo bem, ! Fico te devendo essa, novamente. Tchau. – Sorriu e desligou.
- Está tudo pronto, só falta você terminar de se arrumar e podemos ir. O que vai ficar devendo ao ? – Questionei curiosa, enquanto pegava a câmera em cima do criado mudo.
- Nada, é que ele queria passar o dia aqui e eu pedi para ele não vir. – Sorriu e jogou o celular na cama.
- Coitadinho do . Ele vai passar o dia sozinho hoje? Ele podia ir com...
- Não, ele não pode ir com a gente, porque tem uma coisa para fazer e não vai ficar sozinho, acho que vai ficar junto com . – Interrompeu-me. – Vamos? – Abraçou-me e caminhamos para fora do quarto.
- Seu celular...
- Não vou levar, espero que ninguém me ligue hoje. – Gargalhou e caminhamos até a sala. – Vamos no meu carro. –Pegou a chave e a cesta que estava na cozinha.
- Com o tempo, vou me acostumar com a mordomia, você precisa parar com isso. – Selei nossos lábios e ele apenas sorriu. O dia tinha começado mal, mas o café da manhã compensou e eu acabei esquecendo ou tentando esquecer tudo que havia acontecido na frente do mercado. Aliás, ela não estava mais aqui e ele estava comigo agora. dirigiu por algumas horas, liguei o rádio e deixei numa estação de música pop.
- Ah! Eu amo essa música. – Disse entusiasmada e cantando.
- É sério? Eu odeio essa música e essa rádio é péssima. – Disse trocando de estação e cantando a música que tocava.
- E essa é maravilhosa, não é? – Disse irônica. – Até macarena é melhor. – Debochei e voltei para a estação anterior.
- Então entraremos num acordo? Sem som algum. – Resmungou, ainda mudando de estação.
- Não... Você deve ter algum CD que a gente goste. – Abri o porta-luvas e havia um cd com um bilhete grudado.
“Para sempre é muito tempo, mas eu não me importaria de passar ao seu lado...”.
- Você quer ouvir o CD? – Encarou-me sorrindo, ele sabia o quão feliz eu ficava cada vez que lia algum bilhete dele e de uns dias para cá eu havia encontrado inúmeros bilhetes dentro do porta-luvas, o que é estranho porque não o vejo escrever nenhum deles, mas são escritos com sua letra.
- Claro que quero ouvir – Sorri colocando o cd e cantou acompanhando a letra. A música se chamava “
I Wouldn’t Mind” do “He is we” e era magnifica. Fomos o caminho inteiro ouvindo o CD, aliás, faltavam algumas horas para chegar. O tempo passou rápido enquanto cantávamos, conversávamos, riamos e olhávamos o movimento na rua.
- Chegamos? – Questionei.
- Sim. – Disse estacionando o carro.
- O dia está maravilhoso e esse lugar está ainda mais bonito que a última vez que viemos. – Desci do carro e analisei o ambiente, admirando toda a beleza do local.
- Uma das coisas que mais gosto nesse bosque, é que ele é como um lugar ‘pessoal’ pelo fato de não ser muito frequentado, quase ninguém conhece esse lugar... E digamos que quase todas as vezes que estive aqui, não havia ninguém, como hoje e da última vez que viemos. – Disse pegando a cesta, trancando o carro e caminhando até mim. Continuei intacta, admirando a paisagem. O lugar era coberto por flores de todas as cores e perfumes, inúmeras árvores e alguns arbustos em volta. Caminhei até um lugar totalmente plano e estendeu a toalha de mesa ao chão, para sentarmos. Colocou a cesta no centro da toalha e sentou-se, puxando-me para perto.

XLIX – I do.


- Eu poderia ficar aqui pra sempre com você. – Sorri analisando-o, aqueles olhos que brilhavam intensamente, o sorriso calmo e simples, como tudo nele. pegou a câmera e ligou-a, colocando-a em um lugar onde pudesse filmar a nós dois,fixou seus olhos nos meus e foi como se o tempo estivesse parando, parecia que tudo em volta estava em câmera lenta, as folhas se balançavam pausadamente nas árvores, o cheiro das diversas flores se misturando numa única e doce brisa, algumas borboletas coloridas voavam em torno de nós, senti as mãos frias de tocarem meu rosto, acariciando levemente e ao mesmo tempo me puxando para mais perto de si, seus olhos continuavam fixos nos meus, um sorriso que ofuscava o brilho do sol daquela tarde não tão fria, seu perfume maravilhosamente misturado com o cheiro de seu corpo, se espalhava pelo lugar.
- Eu te amo. – Disse próximo ao meu rosto, seu hálito quente contrastava com suas mãos geladas que seguravam minha face. – E sei que isso não é o bastante, e nada seria... – Selou nossos lábios num beijo calmo. – Mas eu preciso que acredite, confie em mim, saiba que quando digo que te amo é porque é exatamente o que sinto. – Sorriu. – Eu te amo e não quero que duvide disso, porque você é a minha princesa e é a única mulher que eu sempre quis ter, é como se fosse feita para mim, como se fosse uma parte de mim. – Sorriu analisando minha expressão, eu estava completamente encantada com cada palavra que ele dizia. – Sabe o que o chocolate tem em comum com o amor? – Questionou pegando um bombom na cesta.
- É tão bom quanto? – Questionei em dúvida.
- Também. – Sorriu. – Quando você ama de verdade, o gosto pode ser doce e suave, mas quando não ama o suficiente, o sabor pode ser um tanto amargo. – Continuou, aproximando de meus lábios, o chocolate para que eu mordesse.
- E o nosso amor? – Mordi o chocolate e continuei analisando-o atentamente.
- Doce e suave... – Hesitou. – Talvez eu não saiba amar, mas eu te amo com todas as minhas forças, da forma mais pura que poderia existir, do mesmo jeito que meus pais se apaixonaram quando crianças aqui, neste mesmo bosque... – Colocou a outra metade do bombom em sua boca e fixou os olhos no embrulho do mesmo em suas mãos. – Sei que ainda é cedo, mas tenho certeza do que sinto por você. – Ele analisava o pequeno embrulho dourado e brincava com o mesmo. – Sei que o sonho de toda mulher é entrar na igreja com um vestido branco, buquê de flores, ver os convidados sentados nos grandes bancos, os padrinhos e madrinhas no altar ao lado do padre, a dama de honra trazendo as alianças e ter certeza de que o noivo vai estar a sua espera, que independente de qualquer obstáculo vocês sempre vão superar juntos... – As palavras pareciam sair como canções de seus lábios, ele voltou a procurar por meus olhos, que agora estavam marejados. – Sei que é o seu sonho, porque eu estou vendo nos seus olhos, mas... Quer casar comigo? Aqui? Agora? Sem ninguém? Sem convidados, sem aliança de ouro, sem padre? Só nós dois? – Sorriu e ergueu um arco dourado com um pequeno nó em cima, era o embrulho do chocolate representando uma aliança. – Casa comigo? –Segurou minha mão esquerda, esperando uma resposta. – Eu espero para ver você entrar na igreja toda de branco, todo aquele blá blá blá de não poder ver o vestido antes da hora e todos aqueles preparativos. Mas casa comigo? – Sorriu.
- Eu amo você. – Beijei-o lentamente. Posso ter certeza de que esse foi o beijo mais calmo e apaixonado que pude dar. – Isso responde a sua pergunta? Eu te amo, eu te amo muito. – Sorri e dei vários beijos em seus lábios. Peguei um chocolate na cesta, abri e coloquei-o em minha boca, sorri para , que aproximou-se e mordeu a outra metade.
- Agora você é oficialmente a ‘minha’ princesa.
- Ouvi dizer que a aliança é colocada no dedo anelar, porque ele é o único que possui uma veia conectada ao coração. Você vai ficar ao meu lado para sempre? – Questionei admirando seu olhar, aqueles olhos incríveis, agora também molhados por algumas lágrimas. Enrolei o embrulho do chocolate assim como a dele.
- Para sempre. – Sorriu. – Feche os olhos princesa. – Sussurrou e segurou minhas mãos na altura dos nossos ombros, deixando-as apenas encostadas umas nas outras.
“- Princesa , você aceita como seu príncipe e marido, até o infinito e além?” – Questionou, em alto e bom som. – Você aceita se chamar ? – Sussurrou. As lágrimas escorriam de meus olhos que se mantiveram fechados.
- Ao infinito e além. – Sorri e não pude ver sua expressão, mas ele segurou minha mão esquerda e colocou a pequena aliança de papel e beijou-a.
“- Príncipe , você aceita como sua eterna princesa e esposa, até o infinito e além?” – Questionei, minha voz estava trêmula e eu estava absurdamente feliz.
- Ao infinito e além, para sempre minha princesa. – Sussurrou. Abri meus olhos e coloquei a aliança em seu dedo, beijando-a, assim como fez comigo.
- Eu te amo. – Dissemos juntos.
- Acho que o noivo já pode beijar a noiva. – Sorri e jogou-se sobre mim, beijando-me intensamente, fazendo com que deitássemos sobre a toalha xadrez que cobria o chão. Em seguida deitou-se ao meu lado, sorrindo, colocou sua mão direita por baixo de meu pescoço apoiando-o, sua mão esquerda acariciava meu abdômen parando sobre minha barriga.
- Imagine nosso futuro, nos casamos oficialmente, compramos uma casa, você continua desenhando suas roupas, eu continuo cantando e depois de alguns anos seria legal ter uma família. Um casal, o que você acha? Observar as crianças correndo pela casa enquanto fazemos biscoitos natalinos, em seguida vê-las querendo mexer a massa e enfeitar a casa para a noite de natal, fazer chocolate quente para acompanhar os biscoitos e esperar para que “tio , , e ” entrassem pela porta, para ver nossas crianças correrem gritando: “Tiiiiiio trouxe presentes?”; “Tio bate aqui!”; “Tio a comida está na mesa.”; “Tio que horas o papai Noel vai chegar, ele vai descer pela chaminé não é mesmo?”; “Mamãe já podemos ligar as luzes de natal?”. E você vai dizer: “Claro meus anjinhos, pede para o papai ajudar vocês” e então eles vão correr até mim e dizer: “Papai, ajuda a gente a ligar as luzes de natal?” e eu irei pegá-los no colo e brincarei de aviãozinho, levando-os até as luzes, depois todos nós sentaremos frente à lareira e contaremos histórias. e contarão sobre coisas assustadoras e dinossauros e nossa menininha vai ficar com medo, e correrá para os braços do Tio e vocês dois começarão os contos de fadas até que ela durma, enquanto eu e brincamos de lutinha com o nosso garoto, até que ele fique exausto o bastante para adormecer, e pegarão os sacos de dormir e colocarão no meio da sala, nossos anjinhos ficarão no sofá esperando o papai Noel com os presentes e nós ficaremos conversando sobre tudo o que aconteceu na nossa vida até aquele dia, quando tivermos certeza de que nossos anjinhos estão realmente dormindo, colocaremos os presentes em baixo da árvore. Dormiremos todos na sala, todos juntos.
- E acordaremos com eles gritando “Mamãe, papai, tio , olhem nossos presentes.”. E nosso pequeno garoto irá se jogar em cima do , assim como nós fazemos, enquanto nossa garota sentará no colo do tio , que a ajudará a desembrulhar o seu presente, então irá dizer: “ Pequenos, olhem atrás da árvore!”. As crianças correrão até lá e vão encontrar uma pequena caixa com um filhote de cachorro, com um laço em sua cabeça e eles gritarão “Papaiii, ela pode se chamar Maggie?” e você vai dizer: “Claro, ela é de vocês, agora ela é da família também.” Nossas crianças vão direcionar o olhar para os garotos e dizer “Ela pode ser nossa filha!”. E iremos rir. Ele pode se chamar Embry e ela Emily, o que você acha? – Sugeri.
- Vamos ter a vida inteira para escolher os nomes, mas gostei de Embry. – Sorriu. Sua mão subiu de minha barriga até meu rosto, depois seguiu até minha nuca, acariciando-a levemente. Fechei os olhos para senti-lo ainda mais perto. apertou-me contra seu corpo e beijou-me, acariciando meus cabelos. Continuamos deitados admirando o céu, até a brisa começar a ficar mais forte que os raios do sol.
- Amor, espere um pouquinho, vou buscar a jaqueta que deixei no carro. – Levantou-se cuidadosamente.
- Volte logo. – Sorri, sentando-me. Percebi que a câmera ainda estava gravando, então desliguei-a, alguns minutos depois, voltou e sentou-se atrás de mim, colocando sua jaqueta sobre meus ombros.
- Pronto meu amor, o frio vai passar. – Beijou a curva de meu pescoço.
- Está tudo bem anjo. Você pode colocar a jaqueta e abraçar-me para que não sintamos frio. –Entreguei-o a mesma e assim ele o fez. Peguei meu celular e havia algumas ligações perdidas de e ele havia deixado uma mensagem.
“Oi , é o , preciso falar com o , passe para ele enquanto eu conto até dez... Um, dois, três, quatro...” - Mensagem do para você, amor. – Entreguei o celular antes de terminar de lê-la, ele sorriu ao ler o que lhe era dito, fiquei extremamente curiosa para saber sobre o que eles estavam falando, mas não me contou, apenas disse que não havia gostado da minha mensagem de ‘caixa postal’.
- Podemos trocar a sua caixa postal. – Sorriu.
- Tudo bem, eu preciso mesmo trocar isso há um tempão. – Peguei o celular para gravar a nova mensagem.
- Comece a falar no três... Um, dois, três. – Contou.
- Oi, aqui é a ...
- Futura Mrs. ! – Gritou interrompendo-me.
- Não posso atender no momento, mas deixe um recado que retornarei... – Gargalhei.
- Pronto, agora a mensagem está bem melhor. – Disse pegando um morango na cesta.
Resolvemos comer um pouco, e da minha parte, pouco mesmo, eu estava com medo de passar mal novamente, então evitei comer muito. Ele pegou a câmera e novamente a ligou, nos gravando, se levantou e correu pelo pequeno bosque, escondendo-se de mim e eu corri atrás dele, quando o alcancei pulei em suas costas, fazendo com que caíssemos e rolássemos colina abaixo, era como se fossemos duas crianças e me fazia cócegas o tempo todo. As horas passaram bastante rápidas, quando nos demos conta, já eram 17h, então resolvemos voltar para casa. – Já está um pouco tarde e minha outra surpresa já está pronta. Então devemos ir. – Disse colocando as comidas de volta na cesta.
- Outra surpresa? – Questionei confusa.
- Sim, acho que é a melhor do dia. – Beijou-me, enquanto ajudava-me a levantar.
- Você é o melhor namorado do mundo. – Disse caminhando até o automóvel.
- Marido. – Sorriu. Pegou a cesta e a toalha que estava forrada ao chão e colocou-as no banco traseiro do veiculo, entramos e então ele dirigiu de volta, fechei os olhos por um instante e quando voltei a abri-los já estávamos quase em casa, eu havia dormido o caminho quase inteiro. segurava minha mão, sorri ao ver.
- Desculpa por ter dormido todo o caminho. – Ajeitei-me no banco.
- Tudo bem minha menina, o dia foi cansativo e eu sei que você não dormiu bem de ontem pra hoje. – Encarou-me.
- É... – Mordi o lábio, tentando fugir do assunto.
- Tudo bem, não vou falar deste assunto. – Acariciou a superfície de minha mão. – Acho que tem algo no porta-luvas. – Sorriu.
“Eu te amo, é a única certeza que tenho, obrigada por aceitar ser uma , minha menina.”
Fiquei imaginando em que momento ele poderia ter escrito e colocado o bilhetinho ali, talvez enquanto eu dormia, não sei, só sei que o pequeno bilhete estava lá e lindamente escrito com sua letra firme e delicada.
- Obrigada por... – Hesitei. – Por me fazer feliz, por dizer que me ama e estar ao meu lado, obrigada por ser meu príncipe. – Observei-o dirigir. Ele sorria, parecia satisfeito e completo.
- Eu te amo princesa. – Disse ao estacionar o carro.
- Eu te amo Mr. . – Sussurrei e descemos do carro, peguei a cesta no banco de trás e entrei em casa, seguiu-me, coloquei a cesta na cozinha e caminhei até o quarto, joguei-me na cama, exausta e respirei fundo.
- Está muito cansada? Se estiver podemos adiar a segunda parte da surpresa. – Analisou-me e deitou-se sobre mim.
- Só um pouco, mas vou tomar um banho e vou ficar bem. – Sorri animada.
- Certeza? Hoje de manhã você não se sentiu muito bem... Se quiser podemos fazer isso amanhã. – Beijou-me.
- Certeza anjo, estou bem. – Disse tentando levantar-me, sem sucesso, ele era bem mais forte que eu, e me manteve intacta. – Posso tomar um banho? – Continuei.
- Claro, se conseguir sair daqui. – Sorriu e beijou meu pescoço bem lentamente, segurei em seus cabelos puxando-os levemente, fazendo com que seus olhos encontrassem os meus, então selei nossos lábios e me virei ficando sobre ele, que sorriu malicioso. Beijei sua testa e caminhei para o banho, lavei meus cabelos, sequei-os e fiz um coque meio solto, passei um batom vermelho e um delineador nos olhos, coloquei um vestido preto colado no corpo, com um decote “v” no busto e um salto vermelho. Quando voltei ao quarto, esperava-me, já pronto, provavelmente teria arrumado-se no outro banheiro, ele estava com uma calça de sarja preta, uma camisa branca de mangas longas, uma gravata também preta e um blazer na mesma cor.
- Você está... Incrível. – Admirou-me, enquanto eu pegava outra bolsa e transferia meus documentos para a mesma.
- Obrigada e você está um príncipe como sempre. – Aproximei-me dele, que estava sentado na cama.
- Podemos ir?
- Para onde iremos? – Questionei curiosa.

L - The old building.


- Segredo... – Levantou-se, pegando-me no colo e levando-me até a sala, pegou as chaves e caminhamos até o automóvel. Eu não fazia ideia do lugar que ele estava levando-me, mas eu confiava tanto nele e sabia que não iria me decepcionar.
- Para onde estamos indo? – Questionei novamente, estava muito curiosa, queria saber o que ele havia preparado e como havia feito, queria saber qual a surpresa quede acordo com seria ‘a melhor do dia’.
- Vamos jantar. – Sorriu sem encarar-me, parecia um anjo travesso, fazendo arte e divertindo-se com minha expressão curiosa.
- Jantar? – Forcei um sorriso, aquela palavra ecoou em minha mente várias vezes e pude sentir meu estômago girar. Eu estava insegura, talvez eu estragasse a noite perfeita que poderíamos ter. - Você precisa comer, voltou do Brasil muito magra, te faltou comida? – Brincou. – Ou você quis parecer aquelas modelos magérrimas que desfilaram para você? – Sorriu analisando-me por um instante, enquanto parava no farol vermelho.
- Engraçadinho. – Mostrei a língua, como uma criança de cinco anos. – E não sei se você lembra, mas meu namorado não estava lá para cuidar de mim e me lembrar de que devo comer! – Brinquei.
- Ah! Você não é o , me esqueci disso. – Gargalhou. – Seu namorado é um idiota, mas ele tentou cuidar de você mesmo que estivesse longe. – Disse num tom sério, talvez não tivesse sido uma boa ideia falar sobre aquele assunto. Comecei mal, estragando a noite e me arrependi por ter dito aquilo. – Você não precisa comer muito, talvez tenha passado mal hoje cedo, por não ter comido bem na noite anterior. – Continuou, agora sua expressão era séria, sua testa vincada pela preocupação.
- Desculpe-me. – Tentei inverter a reação que minhas palavras causaram. – E isso não faz sentido, . – Encarei-o, tentando encontrar motivos para convencê-lo de que estava tudo bem comigo.
- Não mesmo, mas você precisa comer. Nem que eu tenha que te dar de colherzinha em colherzinha. – Sorriu, agora sua expressão era calma e doce.
- Onde vamos jantar? – Tentei alterar o assunto, mas ainda falando de comida.
- Quando chegarmos, você vai descobrir. Agora, feche os olhos. – Pediu e não demorou muito até estacionar o veiculo.
- Chega de suspense. – Fechei os olhos e fiz bico protestando, novamente como uma criança de cinco anos.
- Continue com os olhos fechados. Se abri-los, vou saber. – Ouvi a porta abrindo-se e o bater da mesma fechando-se, em seguida abriu a porta do passageiro, segurou minha mão para me ajudar a descer, pois meus olhos ainda estavam fechados, vendou-me com algo que não sabia exatamente o que era, mas posso jurar que era sua gravata e subimos alguns degraus. – Cuidado com a escada, vamos devagar. – Segurou-me forte pelos braços, mantendo-me equilibrada e segura.
- Chegamos? – Questionei ansiosa.
- Fique aqui e não se mova, volto em um segundo. – Soltou-me e fiquei intacta esperando-o voltar. – Pronto. – Disse tirando a venda de meu rosto e selando nossos lábios, continuei com os olhos fechados, enquanto me perdia em seus lábios úmidos que beijavam os meus.
- UAU! – Analisei o ambiente. Eu estava parada naquele terraço, onde ele disse pela primeira vez que poderia cuidar de mim. O lugar estava iluminado por algumas pequenas luzes em volta de uma mesa, havia uma tenda completamente fechada, mas era iluminada por dentro, talvez um candelabro, não sei exatamente. Vários bilhetes estavam espalhados pelo local, algumas flores em volta da mesa e da tenda. Estava tudo tão maravilhoso.
- Vamos passar a noite aqui, princesa. O que acha? – Sorriu, entregando-me um lindo buquê de rosas vermelhas e beijando a curva de meu pescoço.
- São maravilhosas. – Sorri. – Este lugar. Está tudo tão lindo... – Hesitei. – Não vai adiantar se eu perguntar como fez tudo isso, não é? – Passei minhas mãos em volta de seu pescoço.
- Não, não vai adiantar. – Colocou a gravata envolta em seu pescoço, sem dar o nó e puxou-me pela cintura. Seu corpo, como sempre, mais quente que o meu, mantendo-me aquecida. – Eu gosto deste lugar, porque foi exatamente aqui que nos beijamos pela primeira vez... Estou fazendo isso certo? – Questionou passando uma de suas mãos em meu rosto.
- Está se saindo melhor do que imaginei. – Brinquei. – Obrigada por cuidar de mim. – Sorri, acariciando sua nuca, aproximou-se e beijou meus lábios lentamente, um beijo calmo, mas com desejo.
- Faço o melhor que posso, mas ainda assim, não acho que sou o melhor. – Abraçou-me. – Só espero que não se canse de mim... – Hesitou. – Porque nunca vou me cansar de você. – Sussurrou.
- Promete que nunca vai me olhar e pensar “eu não deveria estar com essa garota”? – Sorri.
- Prometo, você é minha favorita.– Beijou-me o ombro. – Vem... – Segurou-me pela mão e como um legitimo cavalheiro, puxou a cadeira, para que eu me sentasse. – Esse vai ser o nosso primeiro jantar juntos, a sós e quero que seja perfeito, porque estou em falta com você. – Sorriu timido.
- Você não está em falta comigo. O nosso último jantar foi ótimo, embora você ficasse parado, encarando-me, sorrindo e não tenha dito nada, nem se movido, nem saído do porta-retrato e virado alguém sentado na cadeira à frente. – Sorri irônica.
- Sei que estou te devendo um jantar desde aquele dia. Não fica brava comigo. – Sorriu e segurou minha mão sobre a mesa.
- Está tudo bem, já superei. – Gargalhei e apertei suas mãos. – Sinceramente, não estou com fome, tenho mesmo que comer? – Questionei tentando convencê-lo.
- Vai comer sim, só um pouquinho meu amor... Por mim? – Sorriu. Droga! Como negar algo para alguém que tem o sorriso mais belo do mundo? – Prometo que paro de insistir se você comer só um pouco. – Beijou-me a testa.
- Tudo bem, me dou por vencida, não posso contra você. – Revirei os olhos e sorri. Em seguida, alguém adentrou com uma bandeja, pratos e taças, me virei para olhar quem era e sorri ao ver. – ? – Disse surpresa, ele estava vestido como um garçom ou algo do tipo, ele apenas assentiu um pouco confuso e encarou .
- ! – colocou suas mãos no rosto.
- Não encontrei ninguém, então, me deve essa . – Sussurrou perto de e sorriu. Ele nos serviu um tipo de vinho e uma comida que eu não conhecia. Ao sair beijou meu rosto. – Tenham uma boa noite. – Disse baixinho e seguiu.
- O garçom não pode beijar a mulher dos clientes. – gritou resmungando e seguiu gargalhando. – Esse não era o combinado. – disse um pouco envergonhado.
- Está tudo bem, tudo está perfeito. Temos a noite toda só para nós dois. –Sorri admirando-o. Bebi um pouco do vinho, enquanto ele dava garfadas em seu prato.
- Come só um pouquinho princesa, isso tem o gosto bom. – Disse pegando um pouco da comida no prato e levando até minha boca, eu hesitei, mas provei e realmente era ótima, um gosto diferente, não era doce nem salgada, mas era maravilhoso.
- Isso é maravilhoso. Satisfeito? – Disse comendo mais um pouco.
- Você se sente satisfeita? – Questionou.
- Desde a primeira garfada.
- Então, coma mais um pouquinho e ficarei satisfeito. – Analisou-me atento, seus olhos percorriam por meu rosto. – Só mais uma garfada? – Insistiu.
- ? – Reprovei. – Por favor, estou satisfeitae não quero estragar nossa noite. – Justifiquei.
- Princesa... – Hesitou, levantei-me e me sentei em seu colo, beijando seus lábios. – Chega de insistir, tudo bem? – Disse entre o beijo.
- Você é injusta, como pode me pedir algo nesta situação? – Analisou-me, passando sua mão por minha coxa e apertando-a levemente. – Não pode fazer isso. – Mordeu o lábio inferior e sorriu malicioso.
- Sabia que você iria ceder. – Sorri vitoriosa.
- Mas saiba que não vou. – Encarou-me. – Só mais uma garfada. – Sorriu.
- Não, acho você um chato. – Sorri.
- Olha o aviãozinho... – Disse pegando um pouco da comida no garfo e levando até minha boca.
- , eu não sou criança. – Protestei.
- Abre a boca. – Pediu e assim o fiz, mastiguei com relutância, sentindo meu estômago girar e dar mortais triplos, esforcei-me para engolir aquela garfada que insistia em permanecer na boca e finalmente consegui. – Ótimo! – Sorriu.
- Ótimo! – Resmunguei, levantando-me e me afastando da mesa.
- Meu amor, não fique brava comigo. – Disse num tom de voz triste.
- Não me sinto bem. – Reclamei sem encará-lo.
- Droga! Desculpe-me por insistir. Eu deveria ter respeitado você, desculpa por estragar nossa noite, novamente. – Disse abraçando-me.
- Não me sinto bem por estar fazendo tudo errado, estar estragando nossa noite, não é culpa sua... – Disse segurando suas mãos que me abraçavam pela cintura. – Me avise quando eu estiver sendo chata, mandona ou birrenta. – Continuei.
- Minha menina. – Virou-me para que pudesse olhar em meus olhos. – Você não é chata... – Hesitou. – É um pouco mandona, birrenta as vezes, mas você esqueceu de mencionar teimosa. – Sorriu.
- Eu te odeio. – Empurrei-o gargalhando. fez-se de ofendido e sentou-se em um banco que havia no terraço. Fiquei admirando-o por alguns segundos, ele encarava o céu, as estrelas brilhavam, a lua iluminava o lugar. – Ei... – Sussurrei, aproximando-me, por trás do banco. – Sabe, conheci um príncipe e foi aqui neste mesmo lugar que nos beijamos pela primeira vez. – Disse passando minhas mãos em seus cabelos e descendo por seu tórax, ele ficou imóvel, ainda admirando o céu. Pousei meu queixo na curva de seu pescoço. – Já faz um tempo que estamos juntos e sem dúvidas ele é o amor da minha vida. – Sussurrei e mordi levemente o lóbulo de sua orelha, fazendo-o arrepiar-se.
- E qual é o nome desse cara que você chama de príncipe? – Questionou, passando sua mão por meu pescoço e acariciando minha nuca.
- Você quer saber o nome dele? – Questionei. – É , ... – Sussurrei num som uniforme e baixo.
- Não consegui ouvir. – Sorriu.
- ! – Sussurrei mais uma vez, beijando a extensão de seu pescoço e acariciando seus cabelos. Ele fechou os olhos. – é o nome do meu menino. – Sussurrei mais uma vez bem próxima ao seu rosto.
- Fala de novo? – Me pediu extasiado.
- ... ... – Sussurrei e puxei seu cabelo, fazendo com que sua cabeça inclinasse levemente para trás, seus olhos me fitaram curiosos, seu sorriso era malicioso. Beijei seus lábios e ele se virou puxando-me para si, segurou-me firme e colocou-me, em seu colo em questão de segundos. Minhas mãos passeavam por seu cabelo e acariciavam sua nuca, com um pouco de força, deixando-o encarar o céu, tentou voltar os olhos para meu rosto, mas o impedi, beijando seu pescoço lentamente, pude vê-lo fechar os olhos e sorrir, suas mãos que estavam em minha cintura desceram até minhas coxas e a pressionaram contra seu corpo, sorri,e continuei beijando-o, subindo os beijos até a região de sua orelha. – Eu te amo ... – Sussurrei e ele segurou minhas mãos, virando se para mim e beijando meu pescoço. Apertando-me contra seu corpo quente.

LI - Puzzle.




Everything - Lifehouse

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- Eu te amo. – Analisou-me e sorriu, voltando os beijos em meu pescoço, abaixando a alça de meu vestido preto. me levantou, colocando-me com os pés no chão e abraçando-me pela cintura, colando-me em seu corpo, seus beijos começavam a ficar mais fortes e mais intensos, suas mãos passeavam por meu pescoço e costas enquanto eu afagava seus cabelos. começou a empurrar-me levemente, andando ainda junto a mim e apertando-me contra seu corpo, percebi que estávamos entrando na tenta, que ainda não havia visto por dentro, quando estávamos dentro do local, me virou de costas para si, pressionando-me contra seu corpo, enquanto seus braços fortes me mantinham segura. Meus olhos rapidamente passearam pelo local, onde havia um colchão de casal ao chão, lençóis e cobertores brancos e vermelhos assim como as muitas almofadas, velas, um candelabro ao lado direito do colchão, pétalas de rosas espalhadas por todo o espaço. Senti suas mãos subirem lentas de meu quadril até a lateral de meu busto, senti meus braços arrepiarem-se quando ele beijou a curva de meu pescoço e deu um leve sopro, a sensação térmica fez com que me curvasse para trás, nos unindo ainda mais, colei meu rosto no de , seus lábios passeavam até meu lóbulo mordendo-o levemente, suas mãos apertavam minhas coxas, brincando entre a barra do vestido justo e minha pele.
Uma de minhas mãos acariciava sua nuca, a outra acompanhava seus movimentos constantes em minha coxa, num ato firme suas mãos subiram até minha cintura e ele me virou bruscamente, fazendo com que nossos corpos se chocassem. Ele me analisou sorrindo malicioso e eu mordi meu lábio inferior provocando-o, apertou-me contra seu peito e deu alguns passos longos até chegarmos à borda do colchão, segurou-me delicadamente, deitando-me no mesmo e ficando sobre mim, meus olhos observavam seus gestos e movimentos, calmos e às vezes um pouco agitado. Tirei meus sapatos assim como ele fez, sem interromper o beijo ou o contato visual, quando o beijo ficava muito rápido e intenso ele o interrompia procurando por ar, minhas mãos acariciavam suas costas enquanto ele subia a barra de meu vestido, seus lábios quentes e úmidos beijavam meu pescoço, sua mão esquerda puxou a alça do meu vestido, abaixando-a por completo. Seus lábios beijavam toda a pele que estava exposta, minhas mãos procuravam os botões de sua camisa, abrindo-os, analisou-me satisfeito e deu uma leve mordida em meu pescoço, tirei seu blazer e em seguida sua camisa, agora minhas mãos frias passavam por suas costas quentes, nua, minhas unhas, como garras, arranhavam-no com força, fazendo-o gemer ao pé do ouvido, seu gemido era baixo e ofegante, quase contido, me esforcei e me virei, ficando em cima dele, suas mãos, que se mantinham em minhas pernas, subiram por minhas costas procurando o fecho do vestido, minha boca brincava de morder seus lábios, pescoço e orelha, meus gemidos eram tímidos e abafados pelos beijos constantes, eu podia vê-lo fechar os olhos e morder os lábios quando as coisas fugiam de seu controle, ele me pressionava contra seu corpo semi nu. Impaciente por não encontrar o zíper, minhas mãos seguraram as dele levando-as até o fecho, ele o abriu rápido, puxando o vestido para cima, tirando-o por completo, sentei-me por cima dele, levantando-o, para que ficássemos na mesma altura, seus olhos procuravam ansiosos, pelos meus, suas mãos percorreram a extensão de meu sutiã vermelho de rendas preto. Uma de suas mãos em minha nuca acariciavam meus cabelos fortemente e a outra se emprenhava em abrir a lingerie, nós estávamos em sincronia, nossos gemidos abafados pelo beijo, nossos movimento calmos e lentos ficavam mais rápidos e intensos, sua mão esquerda soltou meus cabelos, bagunçando-os, deixando com que caíssem pelos ombros, sua mão direta soltou o fecho do sutiã, então ele deslizou as alças do mesmo, puxando-os por completo, seus olhos percorreram meu corpo, suas mãos me acariciavam, passando por meu busto levemente. Meus braços estavam envoltos em seu pescoço, puxou meus cabelos, fazendo com que minha cabeça inclinasse para trás, passou suas mãos afastando os cabelos do meu rosto e ombros e então beijou meu pescoço, fazendo o percurso até meu busto, beijando entre meus seios e dando leves sugadas, fechei os olhos e mordi os lábios contendo os gemidos, ele soltou meus cabelos e eu voltei a analisá-lo, agora minhas mãos que puxavam seus cabelos fortemente, seu sorriso era malicioso, ainda mais que antes, empurrei-o para trás e ele ficou me observando.
Minhas mãos percorriam seu corpo até chegar ao fecho de sua calça, abrindo-a lentamente, ele parecia satisfeito e eu sorri. Tirei-a lentamente enquanto acariciava suas pernas, ele fechou os olhos com força e sorriu, logo eu estava novamente com meus lábios nos dele, suas mãos apertavam meu corpo, pressionando-me contra si, me virou, prensando-me contra o colchão, eu podia senti-lo por completo, ele prendeu meus braços, não deixando com que eu o tocasse, seus lábios desceram por minha barriga, chegando até a fita lateral de minha lingerie, onde havia um laço, ele analisou meu olhar e sorriu puxando com a boca, uma das fitas laterais, soltando-a. Deu um beijo leve em meu quadril e voltou os lábios aos meus enquanto suas mãos tiravam minha lingerie, acariciou a lateral de meu corpo e voltei a arranhá-lo com força, minhas mãos brincaram no elástico de sua boxer preta, logo tirando-a, ele sorriu ao ver minha impaciência. continuou por cima de mim, agora ele estava entre minhas pernas e me beijava intensamente, suas mãos apressadas que desejavam me sentir, apertavam-me fortemente, fechei meus olhos sentindo seu hálito quente em meu pescoço, ele mordia levemente minha orelha e se movia de forma que éramos quase uma única pessoa.
- Tem certeza? – Sussurrou ofegante.
- Sim. – Disse quase como um gemido.
- Eu te amo. – Dissemos ofegantes entre o beijo, entre os movimentos que ficavam ainda mais intensos, entre os gemidos que agora eram altos e não mais contidos. Agora eu me sentia completa, era inteiramente meu e eu era completamente dele, éramos como um só, como uma peça de quebra cabeça que se encaixa perfeitamente na outra. Aquele momento foi como se nada pudesse mudar, como se ele fosse meu para sempre, como se ele estivesse comigo para sempre.
- Obrigada pela melhor noite da minha vida. – Sussurrei encarando seus olhos magníficos.
- Você é incrível, obrigada por ser minha. – Disse ainda ofegante, enquanto beijava meu ombro, sorri e selei nossos lábios num beijo calmo, lento e úmido, num beijo de agradecimento. abraçou-me, me mantendo entre seus braços quentes e então adormecemos. Acordei ouvindo um barulho estranho, abri meus olhos e analisei em volta e percebi aquilo não era um sonho, me senti aliviada e radiante, mas ouvi novamente um barulho estranho.
- Amor acorda, acho que é hora de irmos para casa. – Sussurrei, beijando-o.
- Bom dia meu amor. – Puxou-me para mais perto, abraçando-me forte, pelo visto não era só eu que estava radiante.
- Você está bem? – Questionei, admirando seu semblante alegre.
- Ótimo e faminto. – Sorriu, sentando-se ao meu lado. – E você?
- Ótima. – Sorri e levantei-me, vestindo minhas roupas.
- Sem fome? – Questionou curioso.
- Bem pouco. – Encarei-o. - Quero mais um pouquinho de você... – Sorriu malicioso.
- Você me tem. – Aproximei-me beijando-o. Deitou-me no colchão e ficou sobre mim, beijando-me entusiasmado, subindo a barra do vestido e abrindo o fecho, suas mãos puxavam meus cabelos, assim como eu fazia com os dele, seus lábios insaciáveis procuravam por minha pele, suas mãos apertavam-me fortes e intensas. subiu a barra do vestido até minha barriga, suas mãos foram rápidas ao chegar aos laços de minha lingerie, eu sorri, seus olhos faiscavam um brilho que nunca havia tido, eram como chamas. Nossos perfumes se misturavam novamente, como na noite anterior. O barulho ecoou novamente, do lado externo da tenda. – Acho que precisamos ir. – Disse, procurando por ar.
- Sério? – Sorriu, colando nossas testas um na outra.
- Parece que tem alguém lá fora. – Disse, afastando-me um pouco de e ajeitando o vestido, ele colocou suas roupas e me levantei esperando-o.
- Eu te amo, muito. – Sussurrou, abraçando-me.
- Eu te amo, príncipe. – Sorri selando nossos lábios. – Vamos para casa. – Disse me virando para sair da tenda, mas ele puxou-me pelo braço e me colocou de volta no colchão, subindo por cima de mim e beijando meu pescoço, segurando minhas mãos entre o colchão.
- , temos que ir. – Disse tentando me soltar.
- Você quer mesmo ir embora? – Sorriu, ainda com a boca em meu pescoço. – Acho que alguém vai precisar ceder. – Mordeu minha orelha levemente.
- Eu ficaria aqui ou em qualquer outro lugar para sempre, contanto que você estivesse comigo. – Sorri. – Acho que alguém vai ter que ceder...
- Eu também princesa, em qualquer lugar que você estivesse, onde você estiver. – Beijou meus lábios e depois minha testa. – Posso ficar assim o dia todo. – Sorriu, provocando-me.
- Não pode não... – Hesitei. – Estou com fome! – Eu tinha certeza que dessa forma ele iria ceder.
- Eu poderia ficar, mas não vou te deixar com fome. – Afastou-se.

LII - Searching for solutions.


- Sabia que você iria ceder. – Sorri vitoriosa e saí correndo da tenda. – Opa! – Disse ao esbarrar em alguém, virei o rosto para ver quem era. – Desculpe-me, não foi minha intenção e... – Disparei analisando o senhor alto, de cabelos grisalhos que encarava-me com indiferença.
- Claro que não foi sua intenção. – Disse rude ao me interromper.
- Isso não vai dar em boa coisa. – Pude ouvir resmungar, enquanto aproximava-se rapidamente, ficando ao meu lado.
- ! – Sorri beijando seu rosto, ele fez careta e sorriu, em seguida, ficou a um passo de distância. Não entendi exatamente o que fazia naquele local, mas ele analisava a expressão do senhor que ali estava.
- ... – Disse o senhor ao vê-lo sair da tenda. – Você sabe o que foi dito sobre imprudências.
- Bob... – hesitou. – não estava fazendo nada demais, esteve com ele ontem à noite e certificou-se disso. – Continuou.
- Tudo bem , isso não tem a ver com você ou com . – Disse o senhor Bob, num tom calmo, analisando , em seguida, direcionou seu olhar para mim.
- Desculpe, sou , prazer! – Disse simpática, esticando uma de minhas mãos para cumprimentá-lo, o senhor parecia menos rancoroso e gracioso.
- Bob, vamos conversar sobre isso depois. – caminhou até mim e segurou minha mão para que eu não cumprimentasse o senhor, que encarou-me sem dar importância.
- , vamos conversar sobre isso, agora. – Bob, aquele senhor que me parecia gracioso à alguns instantes atrás desapareceu, dando lugar a um homem arrogante.
- ! – disse num tom baixo, que perto da voz de Bob, parecia um sussurro. Ele não encarou-nos e puxou-me pelo braço, arrastando-me para o saguão, enquanto ficava para conversar com o senhor que eu ainda não sabia quem era, exatamente.
- Antes que pergunte... – Hesitou . – Este é Bob, ele é nosso produtor e se encarrega para que não nos metamos em encrenca. – Continuou.
- E ele é sempre assim com ? – Questionei.
- costumava dar trabalho... – Hesitou.
- Então?
- Então, Bob pega no pé dele, para que se mantenha nos trilhos. – Sorriu.
- Você está rindo? – Analisei sua expressão, para ter certeza.
- vai ficar bem, embora ele tenha sérios problemas em relação ao Bob. Ele tenta nos manter longe das mídias ruins, não é legal que nos vejam bebendo excessivamente, saindo com muitas garotas ou fumando, então ele é um tipo de babá. E como é o que mais tem precisado, Bob tem feito seu trabalho. – Justificou.
- Isso é ruim, não é? não poderá me ver? – Questionei, estupidamente fora de mim. – , ele pode fazer isso? Ele pode proibir o de me ver? – Questionei atordoada por meus pensamentos.
- Ei, calma. Ele não pode fazer isso, mas se fizesse estaria contra a decisão de Bob, eu e os meninos também. – Encarou-me, seu olhar era doce, calmo e reconfortante, respirei fundo procurando tranquilizar-me, a ideia de viver sem rondava meus pensamentos, eu não viveria sem ele, jamais.
- ! – Bob cumprimentou-o com um aceno e partiu sem nem me olhar.
- Ele não devia ter vindo aqui. – Reclamou , aproximando-se.
- Ele não devia, mas você sabe o motivo, não sabe? – Questionou .
- Por favor, sem lição de moral. – Disse . – Podemos ir? Por favor. – Encarou-me, seu olhar era triste, talvez seus pensamentos estivessem tão confusos quanto os meus.
- Tudo bem, podemos. – Disse. – Só me deixe pegar os bilhetes que ficaram lá em cima, na tenda? – Pedi.
- Deixa , eu pego tudo e depois levo eles para você. Deixa que eu dou um jeito em tudo. – encarou-me, um pouco pensativo.
- Obrigada , fico te devendo. – o cumprimentou.
- Obrigada, te vejo depois . – Beijei seu rosto, me despedindo. e eu voltamos para casa e foi ele quem preparou o café da manhã.
- Waffles, torradas, panquecas, sanduiches naturas, sucos e muita fruta. – Disse, colocando a bandeja sobre mim, que estava no sofá.
- Linda bandeja, você está melhorando na cozinha, está quase tão bom quanto eu. – Brinquei. – Nada de doce no café da manhã? Marshmallows? – Analisei a bandeja.
- Ninguém cozinha melhor do que você, mas confesso que estou melhorando, estou aprendendo. – Pegou um morango e o mordeu. – Sem doces de manhã, não faz muito bem. – Continuou.
- Príncipe, você esqueceu o iogurte. – Sorri.
- Ah! Eu sabia que estava faltando alguma coisa. Como posso esquecer o seu iogurte? – Gargalhou.
- Poderia pegar um para mim? E eu perdoo seu esquecimento. – Gargalhei.
- Só se você me der um beijo. – Aproximou-se e eu o beijei, então ele correu até a cozinha e pegou um copo de iogurte natural.
- Obrigada, meu amor. – Agradeci.
- Eu amo quando você fala assim. – Beijou-me a testa. Tomamos o café da manhã, na verdade eu comi um morango ou outro e tomei o iogurte, rezando para que os alimentos não insistissem em sair de meu estômago. estava faminto, comeu algumas frutas, panquecas, waffles, torradas, suco e dois sanduíches.
- Que apetite. – Disse admirada, me perguntando para onde iria tanta comida, se havia algum compartimento secreto que armazenava todo aquele alimento. – O que vai fazer hoje? – Questionei enquanto colocava a bandeja sobre a mesa de centro.
- Vou ficar junto com minha princesa. – Respondeu, deitando-se em meu colo.
- Hoje tem show?
- Sim e você deveria ir, faz um tempo que não vai a um show. – Acariciou minha mão.
- Não amor, acho melhor eu ficar em casa hoje, me sinto um pouco cansada. – Sorri, os olhos de analisaram meu rosto com preocupação e suas mãos entrelaçaram entre as minhas segurando-as firmemente.
- Amor, você está bem? De uns dias para cá você tem tido mal estar. Podemos ir ao médico amanhã, hoje, agora se quiser. – Questionou, a testa vincada de preocupação.
- Está tudo bem meu amor, não é nada. – Acariciei seus cabelos acalmando-o, ele ficou em silêncio e pensativo por um longo tempo. – Olhe para mim? – Pediu.
- Estou olhando. – Seus olhos hipnotizantes penetravam os meus, como se quisessem ler minha mente, como se pudessem.
- Hoje quando eu for para o show, quero que você fique pensando em mim. – Seu olhar parecia triste.
- Você fala como se eu pudesse te esquecer. – Disse incrédula.
- Só quero que saiba, que não importa o quão longe eu esteja, sempre vou estar com você. – Sorriu. – Promete que não esquecer?
- Claro, eu prometo... Seria como perder um pedaço de mim. – Abracei-o, aconchegando-o sobre mim.
- Acho que deveríamos dormir mais um pouco. – Sugeriu ele, sonolento.
- Talvez você possa me levar para o quarto. – Disse bagunçando seus cabelos, me pegou no colo e caminhou até o quarto, colocando-me na cama. Enrolei-me no cobertor e ele se jogou sobre mim, abraçando-me, logo adormecemos. Depois de algumas horas acordei com meu celular apitando, era uma mensagem de minha mãe, ela pedia para que eu verificasse meu e-mail, peguei o notebook e li o que ela havia me mandado. – Droga! – Resmunguei num tom baixo, para não acordar , mas foi em vão.
- O que houve? – Questionou ainda sonolento.
- Preciso desenhar uma coleção inteira em uma semana. – Justifiquei.
- Ótimo, isso quer dizer que as coisas estão indo bem. – Disse animado. – E quer dizer também que o nosso tempo juntos irá diminuir e isso não é nada legal. – Disse pensando, parecia procurar por uma forma de podermos passar um tempo juntos. Embora essa semana não fosse atribulada para ele, para mim começaria a ser, eu teria que sair para comprar tecidos, ir a loja da minha mãe, desenhar, costurar e criar uma coleção inteira.
- Posso desenhar de manhã e ficar com você antes de ir para o show, podemos tentar fazer isso, podemos fazer isso dar certo. – Sugeri.
- Claro, podemos dormir e tomar o café da manhã juntos. – Sorriu entusiasmado.
- , posso perguntar sobre o que aconteceu esta manhã? – Questionei insegura.
- Sobre Bob? – Sua expressão se tornou séria por alguns instantes.
- Sim... – Hesitei. – Ele pode te fazer ficar longe de mim? – Questionei preocupada.
- Ele não pode, porque não vou deixar. – Respondeu analisando-me e sorriu. – Mas isso não quer dizer que ele não vá tentar. – Continuou, seu sorriso desapareceu novamente, seus olhos se voltaram para o vazio, sua mandíbula rígida pela raiva que parecia sentir.
- Mas ele pode conseguir? – Meus olhos denunciaram meu medo ao deixar que algumas lágrimas escorressem.
- Não princesa, ele não vai conseguir. Sabe por quê? – Questionou e balancei a cabeça negativamente em resposta. – Porque o vilão não consegue acabar com a felicidade dos mocinhos. – Justificou. – Não é assim que acontecem nos contos de fadas e filmes? – Sua expressão ficava mais calma à medida que ele se forçava a acreditar em suas próprias palavras.
- Não fique longe de mim, fique ao meu lado anjo. Não vá embora nem hoje, nem amanhã e nem nunca, por favor, eu não sei mais viver longe de você. É como Julieta sem Romeu, é como se minha existência não fizesse sentido... – Disse explodindo em um poço de emoções e despejando em todo meu medo e insegurança.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo. – Abraçou-me, apertando-me contra seu peito. – Não vou a lugar algum sem você, porque é o seu amor que me mantém vivo, é isso que me fortalece, ficar sem você seria como cair em um poço sem fim, eu não aguentaria. Fique calma, eu estou aqui e sempre vou estar, porque mais do que nunca, eu sou completamente seu, corpo, alma e coração. – Sussurrou enquanto acariciava meus cabelos e me mantinha em seus braços firmes, quis olhar em seus olhos, mas não pude pois seus braços quentes e rígidos me mantiveram imóvel, minha cabeça pousada em seu peito, ouvindo o pulsar forte dentro de seu corpo.
- Vai ficar tudo bem. – Suspirei. – Se você ficar ao meu lado.
- Eu vou ficar. – Beijou o topo de minha cabeça, nos calamos pensativos, com medo de perder um ao outro, era certo que eu não suportaria ficar longe de por muito tempo, então precisaríamos estar ainda mais juntos do que antes, ainda mais unidos em um só. O celular dele apitou e ele pegou-o para ver o que era.

LIII - Work it out.


- Droga! – Reclamou jogando o celular sobre a cama. – Ele começou cedo desta vez. – Continuou.
- O que houve? – Questionei confusa.
- Era me contando a nova de Bob. – Resmungou. – Nossa semana estava livre. Bob agendou entrevistas para as nossas tardes. Ele sabe que precisamos de tempo, precisamos respirar um pouco. – Disse pensando numa forma de fugir daquilo.
- Entrevista para todos os dias da semana? – Questionei confusa, assustada, um misto de sentimentos que era impossível de explicar.
- Não sei, não deu detalhes, mas talvez tenhamos um ou dois dias livres. – Respondeu-me. Ele continuava pensativo e lembrei-me do que havia dito mais cedo: vai ficar bem, embora ele tenha sérios problemas em relação a Bob...”. A frase ecoou em minha mente de forma incomum.
- , está tudo bem, podemos conciliar isso. Não fale nada com Bob, tenho medo de que ele possa piorar as coisas, podemos fazer algo antes de você ir para as entrevistas e se for pouco tempo, posso ir aos shows à noite. – Disparei preocupada com o que Bob poderia tirar de mim, , a única coisa que realmente importava.
- Vou conversar com os meninos, talvez eles possam me ajudar, e são meio que os ‘favoritos’ de Bob, por não terem dado trabalho a ele. Talvez possam fazer alguma coisa para que Bob pegue leve comigo. – Ainda estava pensativo, talvez procurando por soluções mais rápidas. – E se isso não der certo, eu dou outro jeito. – Continuou.
- E porque Bob pega tanto no seu pé? – Questionei tentando entender os motivos reais do senhor alto, de cabelos grisalhos.
- Amor, não quero falar sobre isso...
- Preciso saber, as decisões dele também afetam a mim, a nós dois. – Interrompi-o, ele fechou os olhos fortemente e respirou fundo.
- Tudo bem... – Disse relutante. – Quando você voltou para o Brasil e todo o tempo que esteve lá, não fui um bom garoto. Podemos dizer que eu passava as noites acordado, me atrasava para os shows, tratava todos mal, inclusive os meninos, briguei com milhares de vezes e quase saímos no braço, e tentavam manter a situação controlada nos bastidores, e se manteve afastado por muito tempo... – Hesitou. – Bob cuidou para que eu não batesse em nenhum fotógrafo na rua, ultrapassar os limites de velocidade das vias ou bebesse todas as garrafas de Whisky que eu pudesse aguentar, Bob quem me buscava na porta das baladas e me arrastava para casa. Até que você voltasse foi assim, não houve um só dia que não dei trabalho à Bob e aos meninos. – Contou-me completamente decepcionado com si mesmo.
- Não posso acreditar que tudo isso aconteceu enquanto eu estive fora... – Disse assustada. – Me sinto culpada por estarmos vivendo isso agora. – Completei.
- Não sinta-se. Fui eu quem não mantive o controle de mim mesmo, que fiz tudo errado, você não podia fazer nada para mudar isso. – Disse num tom de voz triste. – Desculpe-me, eu vou reverter tudo. – Completou, sua voz que mais cedo era alegre como uma canção de natal agora era fraca e baixa, quase inaudível.
- Sim, eu poderia ter mudado tudo, eu poderia ter falado com você todas as vezes que me ligou, poderia ter voltado, ter dito que te amava, isso mudaria tudo . Se eu tivesse acertado, isso não teria acontecido, não teríamos que viver isso agora, não há como Bob mudar de ideia? – Questionei confusa, culpada, triste, com medo e completamente perdida.
- Não se culpe, princesa. – Pediu. – Talvez ele pense sobre o assunto, mas ele não é de mudar de ideia e agora, ele não pode mais cancelar as entrevistas que marcou.
- Todas as vezes que liguei para ouvir a sua voz, eu devia ter dito que te amo! – Disse decepcionada comigo mesma, como pude errar desta forma? Negar todo o amor que sentia por ele? Como pude ser tão rude comigo mesma? Com ele? Eu me perguntava o tempo todo, mas não havia respostas para todas essas perguntas que pareciam ainda mais confusas do que meus pensamentos.
- Eu te amo. – Sussurrou.
- Você pode dizer que tudo vai ficar bem? – Pedi. – Para que eu me sinta segura.
- Vai ficar tudo bem, minha menina. – Disse. – Vai ficar tudo bem com nós dois. – E novamente, isso soava como algo que ele dizia para se convencer, como se estivesse repetindo as palavras para que sua cabeça acreditasse no baixo som que saia de seus lábios.
- Porque tem sido tão complicado? – Questionei a mim mesma. As respostas eram confusas e insistiram em sair dos meus lábios. – , porque é tão complicado para nós? Porque é quase impossível estarmos felizes? Talvez não devêssemos estar juntos, está tudo tão errado. Eu te amo, mas...
- Ei, não fala nada. Sei que está tudo uma bagunça, está tudo de ponta cabeça para mim também, tenho mil perguntas e nenhuma resposta que faça sentido para elas. – Interrompeu-me não querendo ouvir as bobagens que eu dizia. – Agora mais do que nunca, deveríamos ficar juntos, não podemos deixar com que nenhum obstáculo acabe com o que temos. – Disse, sua mão acariciava meu rosto enquanto seus olhos fixavam profundamente nos meus.
- Desculpe-me, eu não devia ter dito isso, mas não sei se sou forte o bastante para passar por esses obstáculos...
- Estou com você, vou ficar ao seu lado o tempo todo, não vou deixar ninguém te machucar, mas, por favor, não diga que você não quer tentar. – Disse e sua voz tornou-se trêmula. Eu tinha medo de perdê-lo e de vê-lo sofrer. – Diz que não vai me deixar, por favor? – Pediu segurando meu rosto entre suas mãos firmes e frias, mantendo-me imóvel. Procurei por ar respirando fora do ritmo, meus olhos se encheram de lágrimas novamente, desviei os olhos dos dele e fechei-o por um breve momento.
- Não vou te deixar, não quero ficar longe de você. – Minhas mãos pousaram sobre as deles, que se mantinham em minha face. – Eu não posso ficar longe. – Sussurrei.
- Sei que não quer ficar longe, eu também não quero. – Selou nossos lábios. – Princesa... Abra os olhos? – Pediu passando os dedos sobre minhas lágrimas.
- Eu não quero ver você chorando, príncipe. – Disse segurando suas mãos e entrelaçando nossos dedos, inclinei a cabeça para baixo sem encará-lo.
- Eu não vou chorar... – Sussurrou, a voz ainda trêmula em meio aos soluços que ele tentava conter. – Está tudo bem, olhe pra mim, minha menina. – Levantou meu rosto com uma das mãos. – Você me ama, não é? – Questionou.
- Você tem duvidas? – Questionei confusa. – É claro que eu amo você. –Abracei-o, o mais forte que pude, ele sorriu e o som de seu riso não parou de ecoar em minha mente.
- Você confia em mim? – Questionou.
- Eu confio... – Hesitei. – Mas tenho medo por nós. – Continuei.
- Eu sei meu amor, mas vou cuidar disso. Não precisa ter medo, isso vai passar. – Disse, brincando com minhas mãos, agora ele estava seguro e parecia ter certeza de tudo o que dizia. Ficamos mais alguns minutos deitados na cama, ele me manteve aquecida e junto ao seu corpo por todo o tempo, brincava com meus cabelos, enquanto eu brincava nos botões de sua camisa.
- Meu anjo, você precisa se arrumar para o show. – Lembrei-o.
- Não posso ficar aqui cuidando de você? – Questionou.
- Queria que pudesse, mas você precisa ir. – Baguncei seus cabelos. – E você sabe, não pode se atrasar, não pode dar motivos ao Bob. – Forcei um sorriso. – Vou ficar esperando você voltar. –Beijei seu rosto e ele sorriu.
- Eu volto logo, não olhe o relógio, assim o tempo passa mais rápido. – Jogou-se por cima de mim, beijando todo o meu rosto e pescoço, fazendo-me rir. dirigiu-se até o banho e logo saiu, vestiu-se e voltou a deitar na cama.
- Meu amor, vai correndo, você está atrasado. Sabe que Bob está pegando no seu pé... Então por favor, não dificulte nossa vida. – Alertei resmungona.
- Tem certeza que não quer ir comigo? – Questionou.
- Vou ficar esperando meu príncipe voltar. – Sorri.

LIV - Advice.


- Seu príncipe volta logo, fique bem. – Beijou-me e caminhou até a porta. – Promete que vai sentir minha falta? – Sorriu e eu assenti positivamente. – Ah! Qualquer coisa, me ligue. – Acenou e seguiu. Minutos depois, meu celular apitou e eu peguei-o para ver o que era. Era uma mensagem que dizia: “Eu te amo princesa, fique bem e me espere.”. Sorri ao ler, e logo em seguida, respondi: “Não vou olhar o relógio, eu te amo e volta logo”. Virei-me na cama esperando o tempo passar e rezando para que voltasse logo, tentei não olhar o relógio, mas parecia que eu estava ali há uma eternidade, mas o tempo não passava e ainda eram 19h quando a campainha tocou. Corri para atender e fiquei surpresa ao ver quem era.
- Olá querida, tudo bem? – Sua voz doce, seu sorriso gracioso e seu olhar alegre analisaram-me curiosos.
- Sra. . – Sorri ao vê-la. – Tudo bem... – Completei. – Entre, não está, mas posso te fazer companhia até que ele volte. – Disse simpática e então ela entrou.
- Bom, ele me ligou e pediu para conversar com você, então resolvi vir até aqui. – Explicou-me enquanto sentava-se ao sofá.
- pediu isso? Mas por quê? – Questionei confusa e sentei-me ao seu lado.
- Ele me contou sobre seu mal-estar, está preocupado com você. – Encarou-me apreensiva.
- Sra. , está tudo bem comigo. É apenas um mal-estar que vem de vez em quando, mas isso logo passa, ele se preocupa com coisas sem importância alguma. – Disse despreocupada.
- Minha querida, está realmente tudo bem? – Encarou-me como se já soubesse o que eu escondia. – Você foi ao médico? se preocupa com você, não são ‘coisas sem importância’ quando se trata de você. Sabe o quanto ele te ama e se preocupa com qualquer coisa que te faça mal. – Continuou, agora ela reprovava minhas justificativas e minha atitude.
- Não fui ao médico, não achei necessário ainda. Sinceramente, não sei até que ponto as coisas estão bem, digo isso não em relação a mim, mas sobre eu e ... – Hesitei. – Eu tenho sentido um medo constante de perdê-lo e tudo tem dado tão errado para nós que eu tenho pensado se realmente era para estarmos juntos. Essa ideia me assusta. – Justifiquei, um pouco insegura. Nunca havia conversado com a Sra. sobre essas coisas, mas ela me parecia tão doce, era como minha mãe e isso me deixou mais a vontade para conversar.
- Não sinta medo. – Segurou minha mão. – Você sabe, te ama. Ele te deu este anel, está vendo? – Apontou para o anel de família, em meu dedo. – E isso significa muito, não só para ele, mas para todos nós. – Sorriu, o sorriso dela era como o de , dentes brancos e lábios que se estendiam sobre o rosto, fazendo os olhos fecharem-se levemente. – não se esqueceu de contar sobre isso, ele também está assustado. Bob nunca foi tão protetor sobre ele, não como está sendo agora. A verdade é que Bob tem medo que fuja dos compromissos, acha que você pode influencia-lo nisso. – Continuou, serena e calma.
- Mas como? A única coisa que tenho feito é cuidar para que não se atrase, para que cumpra todos os horários. – Disse confusa.
- Eu sei, acredito que Bob esteja errado sobre você. deve se policiar mais sobre isso, sei que ele quer muito passar mais tempo com você, mas faltar, atrasar-se para os compromissos não vai ajudá-los em nada. – Disse, reprovando as atitudes de .
- Sra. , o que devemos fazer para que Bob confie em mim? – Questionei analisando-a, talvez a resposta fosse óbvia.
- Vocês precisam mostrar que conseguem conciliar a profissão de vocês dois, precisam fazer com que as coisas deem certo e isso não será fácil, mas precisam tentar. – Respondeu atenciosa. – Mas tem que tentar ainda mais que você... – Sorriu um pouco confusa. –Sei como ele age quando realmente gosta de alguém, ele é cabeça dura, então quando, e se ele tentar sair da linha, coloque-o de volta, porque até agora Bob não fez muita coisa. – Completou alertando-me.
- Podemos fazer isso. – Disse insegura, quase não conseguia acreditar em minhas próprias palavras, por um momento a sala pareceu girar abaixo de meus pés.
- não quer te perder, ele não vai aceitar que Bob tente afastar vocês, ele te ama e é possível ver em seus olhos quando ele fala sobre você. – Sorriu, mais uma vez aquele sorriso doce, ela parecia gostar de mim, o medo que eu tinha de desagradar aos pais de havia passado, ao menos a metade do medo havia sumido. Levei-a para a cozinha, fiz chá e biscoitos para nós, conversamos por mais algumas horas até que voltasse exatamente ás 23h11min.
- Princesa, eu cheguei. – Gritou enquanto entrava pela sala. – Minhas duas mulheres favoritas. – Sorriu ao encontrar eu e sua mãe na cozinha. – Oi mãe, tudo bem? – Abraçou-a e ela afirmou positivamente com a cabeça, respondendo-o. – Oi amor, voltei logo, não é? – Sorriu, selando nossos lábios.
- Demorou uma eternidade, embora conversar com sua mãe tenha feito o tempo passar bem mais rápido. – Sorri admirando-o.
- Mãe, você conversou com essa cabeça dura? – Questionou, como se eu não estivesse ali.
- Sim, conversei e realmente ela é um pouco cabeça dura, assim como você, mas acho que ela entendeu tudo direitinho e vai seguir as dicas que dei. – Sorriu.
- Não sou cabeça dura. – Protestei.
- Então, você vai ao médico? – Questionou, encarando-me ansioso.
- Não, mas vou dar um jeito para as coisas começarem a dar certo. – Sorri e ele expressou decepção. – Ei, para com isso, estou bem. – Abracei-o por trás e ele sorriu.
- Eu me rendo, desisto... – Disse e eu sorri vitoriosa por tirar aquela ideia de “médico” de sua cabeça. – Por enquanto.
- Bem, acho que os dois estão ótimos agora. Já é um pouco tarde, então acho que vou indo. – Sra. disse levantando-se.
- Não Sra. , é tarde. A senhora pode dormir aqui. – Convidei-a, a chamei de senhora por educação já que ela era muito jovem e bonita.
- Querida, obrigada pelo convite, mas vou voltar para casa, obrigada pelo chá. – Sorriu simpática e educada.
- Obrigada por tudo, principalmente pelos conselhos. – Agradeci. parecia confuso e pensativo.
- Mãe, eu levo você para casa. – Disse pegando a chave de seu automóvel.
- Não meu amor, fique em casa com , eu estou de carro. Obrigada pela carona, mas fique. – Deu um beijo em seu rosto. – Se cuidem, vejo vocês em breve. – Sorriu e o abraçou.
- Vou me cuidar, se cuide também. – Respondeu-lhe.
- Querida, prometa que vai ficar bem. – Pediu-me. – Cuide-se e cuide de , enquanto estou longe. – Sra. beijou meu rosto e abraçou-me forte.
- Pode deixar, obrigada. – Sorri. Então a levamos até a porta e ela seguiu até seu veiculo, quando desapareceu no horizonte, fechou a porta e abraçou-me.
- Então? – Questionou curioso.
- Sua mãe é incrível, inteligente, animada e me ajudou bastante. – Sorri. – Ela me lembra a minha mãe... – Suspirei.
- Ela é incrível e gosta muito de você. – Sorriu orgulhoso. – Sei que sente falta de sua mãe, mas se quiser eu divido a minha com você, enquanto não pode abraçar a sua, pode abraçar a minha se quiser. – Sorriu.
- Eu gosto muito dela também, confesso que o medo que tinha de conhecer seus pais passou um pouco. Seria ótimo ter uma segunda mãe. – Sorri. – Obrigada por pedir a ela para que viesse. – Selei nossos lábios.
- Eu sabia que você ficaria mais calma se tivesse alguém para conversar. Sei que tem algumas coisas que você pensa e não me conta, não sei por quê... – Disse sem dar muita importância.
- Vamos esquecer isso e as coisas ruins que aconteceram com a gente também, tudo bem? – Pedi e não dei tempo para que ele respondesse, beijando-o levemente. Ele foi andando comigo até o sofá, deitando-se por cima de mim, fazia frio em Londres, minhas mãos completamente frias passavam pela nuca de , as mãos dele estavam em minha cintura, mantendo-me próxima a ele. Um de seus braços passou por de baixo do meu corpo, segurando-me por completa , sua mão livre subiu minha camiseta enquanto ele acariciava a lateral de minhas costelas fazendo com que eu me encolhesse no sofá.
- Acho que minha mão está muito fria. – Sorriu, quando assenti afirmando. Seus olhos analisavam-me atentos, o sorriso levemente malicioso no rosto, nossas pernas entrelaçadas umas nas outras, ele ficou admirando-me por alguns instantes. Eu analisava cada traço de seu rosto, cada detalhe, forma, movimento que ele fazia. Ele voltou a me beijar e eu sorri com sua reação. Sua mão agora estava em minha nuca, mantendo nossos lábios colados num beijo quente, úmido e rápido.
- Vamos com calma, tudo bem? – Sorri, afastando-o um pouco.
- Está calor aqui, você não acha? – Questionou rindo, levantou-se e sentou-se na outra ponta do sofá.
- Está com calor? – Questionei mordendo o lábio inferior e ele assentiu afirmando. – Então, tire a jaqueta. – Aproximei-me e abri sua jaqueta levemente, ele sorriu. – Tudo bem, vou parar com isso. – Selei nossos lábios.
- Por quê? Eu gosto. – Sussurrou em meu ouvido ao me abraçar.
- Bobo... – Sorri. – Você já comeu alguma coisa? Preciso dormir, amanhã tenho que acordar cedo. – Reclamei. – Não acredito que vou voltar a acordar cedo. – Resmunguei.
- Eu vou comer qualquer coisa. Não acredito que não vou ter a tarde livre amanhã, pra ficar com minha menina.
- Então vá logo comer, quero dormir com você. – Dei um selinho nele e o empurrei para levanta-lo do sofá.
- Ei, ei, estou indo mandona. – Sorriu e caminhou até a cozinha. Eu estava querendo brincar com ele, então comecei a segui-lo por onde ele fosse e a atrapalhá-lo a fazer o que estava tentando. Ele tentava fazer um sanduiche, mas eu ficava perseguindo-o e barrando sua passagem, ele sorria, as vezes me pegava no colo e me tirava de seu caminho. – Ei, como é que é? Vai ser assim agora? Vai me perseguir? – Questionou encarando-me e sorrindo. – Aposto que se eu fizer isso você vai se irritar. – Continuou.
- Tudo bem, vou parar com isso, mas você tem que me dar um beijo antes. – Chantageei parada em sua frente.
- Quantos você quiser, mas não precisa parar de me perseguir, eu até gosto. – Sorriu e puxou-me pela cintura, colando-me em seu corpo e abaixando um pouco para me beijar, fiquei na ponta dos pés, ele hesitou, encarei-o confusa esperando sua próxima reação, que foi me pegar no colo e colocar-me em cima do balcão da cozinha. – Agora você está do meu tamanho. – Brincou.
- Estou mais alta agora. – Sorri e ele ficou admirando-me, minhas pernas puxaram-no para mais perto, ficando em volta de sua cintura, ele analisou-me surpreso.
- Você não disse que iria parar com isso? – Questionou com aquele sorriso malicioso no rosto.
- Você não disse que gostava? – Retruquei colocando minhas mãos em sua nuca e puxando-o para mais perto.
- Eu gosto, mas... – Ele começou a dizer, mas não deixei com que terminasse, beijando-o lentamente enquanto acariciava sua nuca, as mãos de foram até minhas coxas, apertando-as fortemente. – As vezes perco o controle de mim mesmo. – Sussurrou entre o beijo, que começava a ficar mais rápido.
- Eu sei. – Sussurrei em seu ouvido, em seguida beijei seu pescoço.
- Sabe? Então porque faz isso? Gosta quando eu perco o controle? – Sorriu.
- É uma tática. – Encarei-o.
- Tática? – Questionou confuso.
- Precisa aprender a se controlar. – Justifiquei. – E eu vou te ensinar. – Sorri maliciosa e mordi o lábio inferior, as mãos de começaram a subir minha camiseta, então soltei minhas pernas de sua cintura e me apoiei em meus braços, analisando-o.
- Sério? – Disse incrédulo. – Você é injusta. – Reclamou e afastou-se, encostando-se no gabinete e encarando-me, desci do balcão e parei frente a ele, seus olhos fitaram os meus. Ele me abraçou fortemente e beijou meus lábios com desejo, suas mãos andavam por meu corpo de forma incomum.
- Até você aprender a se controlar. – Sorri e me afastei um pouco, ele encostou-se ao balcão e voltou a fazer seu sanduíche, gargalhei da situação.
- Você acha engraçado? Porque isso? – Resmungou.
- Sim, eu acho... – Respondi. – Controlar-se perto de Bob, para você aprender a não desafia-lo, sabe que isso pode ser ruim para nós dois e continua fazendo o mesmo, chegando atrasado aos compromissos. – Continuei.
- Ainda te acho injusta. – Resmungou sorrindo.
- Eu te amo. – Admirei-o, enquanto ele comia.
- Eu sei... – Analisou-me. – Eu também te amo. – Disse e me abraçou o mais forte que pode, quase me deixando sem ar algum.

LV - Breaking the agreement.


- Preciso de um banho. – Disse soltando-me dele e seguindo.
- Sabe que eu também... – Abraçou-me por trás e caminhamos juntos até o quarto.
- Nem pense nisso. – Sorri. – Você toma banho depois de mim. – Disse pegando uma toalha e o roupão de banho.
- Não pensei em nada, só no banho. – Sorriu analisando-me. – Até porque você resolveu fazer greve, não é? – Mordeu o lábio inferior e jogou-se na cama.
- Não é greve, meu amor. – Deitei-me sobre ele. – Você sabe o porquê de tudo isso. – Continuei.
- Ah! Sei, sei. Todo aquele blá, blá, blá do Bob. – Resmungou. – Mas isso não justifica nada. – Me virou, prensando-me contra a cama.
- Justifica. Está vendo? Você é um pouco impulsivo, tem que se controlar, se não Bob não vai nos deixar em paz. – O reprovei.
- Tudo bem, prometo que vou melhorar. – Disse.
- Ótimo. – Sorri. – Agora vou para o banho. – Empurrei-o para o lado e ele sorriu totalmente frustrado.
- Não posso ir junto, posso? – Questionou encarando-me curioso.
- ! – Analisei-o.
- Tudo bem, entendi. – Sorriu passando a mão nos cabelos. – Vou tomar banho lá em baixo, quem terminar primeiro espera o outro para dormir, tudo bem? – Disse pegando a toalha de banho e o roupão.
- Tudo bem, não demora muito. – Pedi.
- Não vou demorar, aposto que termino antes de você. – Disse saindo do quarto. Fui para o banho, não lavei os cabelos, pois não queria dormir com eles molhados e seca-los demoraria muito tempo, logo terminei, enrolei-me no roupão e fui até o quarto, ainda não estava lá, coloquei uma lingerie preta e uma camisola de seda e joguei-me na cama, esperando por ele. – Pronta para dormir? – Questionou quando voltou, se desenrolou de seu roupão, ficando apenas com uma boxer preta. – Pronta? – Sorriu malicioso.
- Claro, estou com muito sono. – Sorri fechando os olhos, e em seguida encarei o teto.
- Ótimo. – Apagou as luzes e deitou-se ao meu lado na cama, abraçando-me. – Vamos dormir, amanhã você acorda bem cedo princesa. – Sussurrou.
- Preparado para esta semana? – Questionei encarando-o.
- Não, nenhum pouco. – Beijou minha testa. – Mas se é assim que tem que ser... – Hesitou. – Podemos fazer dar certo, não podemos? – Sorriu, seus olhos se fecharam um pouco e seus lábios se esticaram no rosto.
- Sim, podemos, mas nossa semana vai ser difícil e corrida. – Reclamei.
- Vai dormir minha menina, amanhã você acorda bem cedo. – Alertou. – Beijo de boa noite. – Ele selou nossos lábios. – Eu te amo. – Sussurrou ao pé do ouvido e me abraçou.
- Te amo príncipe. – Disse sonolenta. Nossa semana seria corrida, quase não teríamos tempo para nos ver, eu trabalhando de manhã e a tarde e também, dando entrevistas e fazendo shows de noite uma semana inteira tentando conciliar as profissões, talvez não fosse tão difícil.

Dia um:
“I wanna be with you, I wanna feel your love, I wanna lay beside you…”
Mesmo que você não esteja aqui, mesmo que você não saiba.

Era segunda-feira e acordei ás 5 da manhã, dormi pouquíssimo, mas eu precisava estar na loja antes que todos os funcionários chegassem, levantei da cama e fui em direção ao banheiro, ainda com os olhos fechados. Fiz minha higiene matinal, troquei de roupa, coloquei um jeans escuro de cintura alta, salto preto, uma camisa branca transparente, sutiã de renda, um sobretudo preto e cachecol, fiz uma maquiagem bem simples e voltei para o quarto, parei por um instante para admirar meu príncipe dormir, como um anjo, calmo, sua respiração leve e num ritmo constante, sorri totalmente apaixonada e caminhei até a cama.
- Eu te amo, meu anjo. – Sussurrei em seu ouvido. Mesmo que ele não pudesse me ouvir, beijei seu rosto e segui até a cozinha, peguei um iogurte e comi um sanduiche natural, com muito esforço e isso não deu certo, logo eu estava novamente debruçada em frente ao vaso sanitário, colocando tudo o que eu havia comido para fora, mais uma vez. Respirei fundo, escovei os dentes e me certifiquei que ele ainda estava dormindo, peguei meu celular, minha bolsa e a chave do carro e caminhei rumo à loja. Enquanto estava parada no farol vermelho me curvei para pegar um CD no porta-luvas, e havia um bilhete de .
“Bom dia meu amor, espero que esteja sentindo-se bem. Um ótimo dia de trabalho, eu te amo. Volte logo para casa, porque eu preciso de você aqui princesa.”
Sorri ao lê-lo, melhor do que o bilhete seria ele estar ao meu lado naquele momento.
- Impossível! – Disse a mim mesma, pois sabia que seria egoísmo querer que ele estivesse ali, contando que ele trabalhou a noite anterior e trabalharia até tarde neste dia também, mas continue pensando sobre eu e ele nos esforçarmos um pouco mais para ficarmos juntos. Cheguei à loja, estacionei o veiculo e entrei, caminhei até o escritório, onde era minha sala antigamente, tudo continuava igual a não ser pelas cortinas coloridas que substituíam as antigas cortinas azul marinho. Caminhei pela loja ainda vazia, analisei as roupas da antiga coleção, tentando imaginar o que poderia criar de diferente, tive algumas ideias e comecei a desenhar, procurei por alguns tecidos na loja, mas não havia muitos, resolvi que teria que comprar alguns tecidos para a amostra. Saí da loja antes mesmo que os funcionários chegassem e direcionei-me até uma loja de tecidos, passei algumas horas escolhendo tipos e cores, percebi que já eram quase 13h e havia me entretido muito, com certeza ficaria chateado por eu “quebrar” nosso acordo, olhei meu celular esperando que houvesse algumas ligações perdidas ou mensagens dele, mas não havia nada. Porque o silêncio me faz pensar que ele esta bravo? Talvez ele só esteja... Dormindo, talvez. Tentei ligar para ele, mas não fui atendida, talvez ele esteja mesmo chateado. – Droga! – Resmunguei. Comprei alguns tecidos e voltei para o automóvel, dirigi o mais rápido que pude, até chegar em casa, estacionei e peguei os tecidos, o bilhete, minha bolsa e sai do carro trancando-o, estava com as mãos cheias de coisas e abri a porta com muito esforço, ele estava na sala, em pé, olhando alguma coisa no celular.
- ... Amor, desculpa pelo atraso é que eu estava na loja de tecidos e a hora passou tão rápido que não percebi. – Disse colocando todas as coisas em cima do sofá. – Acho que...
- Já são quase 14h, daqui a pouco estou indo para a entrevista e... Acho que você quebrou o nosso acordo. – Disse decepcionado.
- Você poderia ter me ligado, mandado alguma mensagem, você sabe como eu me concentro em meu trabalho. – Justifiquei, reclamando de sua atitude.
- Pensei que você não via a hora de voltar para casa. Achei que você pudesse estar pensando em mim. – Disse caminhando até a cozinha e eu o segui, percebi a mesa posta para dois e um café da manhã incrível que ele devia ter preparado. – Mas parece que me enganei. – Sentou-se no banco ao lado da bancada.
- Mas é claro que eu pensei em você, , olha o que estamos fazendo, estamos discutindo no primeiro dia? – Questionei incrédula e caminhei parando em sua frente, ele não me encarou, continuou com os olhos fixos em seu celular. – ? – Disse baixo e ele virou o rosto para me olhar. Alguém buzinou em frente a casa.
- É o Bob, tenho que ir. – Aproximou-se e beijou o topo de minha cabeça. – Comprei sua bebida favorita na Starbucks, está em cima da mesa. Tenha uma boa tarde. – Disse pegando sua jaqueta e saindo, eu o segui até a sala e ele partiu.
- Droga! – Gritei assim que ele saiu, ouvi o barulho da porta se abrindo novamente e encarei atenta.
- Quase esqueci meu ipod. – Entrou correndo pela sala e o pegou na mesinha ao meu lado.
- Sério? – Questionei triste.
- Não. – Sorriu. – É que eu me arrependi de sair sem te dar um beijo e dizer que te amo. – Abraçou-me, me mantendo em seus braços por alguns segundos, até que Bob voltasse a buzinar. – Te amo princesa. – Sussurrou e me deu um beijo rápido. – Vou tentar não quebrar o acordo. – Sorriu.
- Eu te amo, volte logo... E me desculpe por me atrasar, eu deveria ter prestado mais atenção, me desculpe. – Pedi e Bob buzinou novamente. – Vá logo, antes que Bob entre aqui e te carregue no colo. – Gargalhei enquanto imaginava a cena.
- Fique bem e qualquer coisa já sabe...
- Eu te ligo. – Completei sua frase, selei nossos lábios e o empurrei porta a fora. Foi a ação mais contraditória da minha vida, empurrei-o querendo puxá-lo de volta e mantê-lo comigo.
Eu esperava que ele, diferente de mim, cumprisse o nosso acordo de não se atrasar e passar o pouco tempo que tínhamos livre, juntos. Peguei algumas folhas de sulfite, meu lápis e me sentei no banco da cozinha, colocando canetas coloridas, canetinhas, lápis de cor, tecidos, tesoura, cola, borracha, régua e alguns botões sobre a bancada, comecei a desenhar alguns vestidos longos, com muitos detalhes e alguns bem coloridos, fiz uma pausa pensando em que horas iria chegar, talvez a entrevista demorasse, ou não. Respirei fundo e peguei a bebida que ele havia comprado para que eu tomasse no café da manhã, o qual me atrasei mais ou menos duas horas. Realmente não entendia porque ainda insistia na ideia de tentar comer ou beber qualquer coisa, tomei alguns goles da bebida e logo me senti mal, corri ao banheiro e deixei que a bebida saísse pelo mesmo lugar por onde entrou, fechei os olhos por alguns instantes e pude sentir tudo girar, meu estômago doía, a garganta queimava, esperei recuperar o fôlego e as forças e me levantei, escovei os dentes e joguei-me no sofá, fechei os olhos por um instante e quando voltei a abri-los estava ali, sentado no chão ao lado do sofá acariciando meus cabelos, sorri ao vê-lo.
- Está tudo bem, meu amor? – Questionou preocupado.
- Sim está tudo bem, estava apenas com sono, porque não dormi quase nada na noite passada. – Justifiquei, estava mentindo novamente, não me sentia nenhum pouco bem, mas não queria preocupá-lo. – Porque você está com essa carinha de preocupado? – Questionei passando os dedos em seu rosto que estava apoiado no sofá.
- Não é nada, é que eu estava vendo você dormir e você parece uma princesinha, sua respiração estava fraca e descompassada, você está cansada? – Pousou a mão em meu peito, para sentir o pulsar de meu coração.
- Cansada não, estou exausta. – Sorri. – Não se preocupe não, meu amor. Está tudo bem, eu juro. – Afirmei. – Você chegou faz muito tempo? – Questionei mudando de assunto.
- Não faz tanto tempo, acho que uns 30 ou 40 minutos. – Brincou com meu cabelo enquanto falava, sua voz calma e serena como uma canção de ninar.
- Que horas são agora? Estou estragando nossos planos novamente? – Questionei arrumando-me no sofá, meu estômago ainda reclamava por ter colocado tudo o que eu havia ingerido, para fora.
- São 17h amor, daqui a pouco preciso me arrumar para o show. – Respondeu sentando-se ao meu lado. – Você não está estragando nada, sei que está cansada, tudo bem. – Sorriu e beijou-me a testa.
- Vou me arrumar pra ir ao show com você. – Levantei-me.
- Não amor, você está abatida. Quero que fique em casa e descanse, tudo bem? – Pediu novamente preocupado, seus olhos pareciam tristes.
- Quero ir ao show com você, quero compensar o tempo que não tivemos hoje mais cedo, por culpa minha. – Justifiquei.
- Não, você vai ficar em casa quietinha, amanhã quando estiver melhor você pode ir. Olhe para você, não está bem, não importa o quanto você negue, sei que você está se sentindo mal, então você vai ter que me ouvir ao menos uma vez. Fique em casa, descanse, por favor. – Insistiu, sua expressão era triste e confusa, sua testa vincada de preocupação.
- Tudo bem. – Cedi. – Mas amanhã eu vou. – Protestei.
- Como minha namorada é teimosa. – Beijou-me e sorriu.
- Já disse que eu amo esse seu sorriso? – Questionei.
- Esse meu sorriso? – Questionou confuso.
- Sim, é o sorriso de quando você me beija. – Disse admirando-o.
- Quer ver esse sorriso novamente? – Aproximou-se lentamente.
- O tempo todo. – Sussurrei analisando-o. Eu podia sentir seu hálito misturando-se ao meu, ele sorriu antes de selar nossos lábios, sua mão direita acariciava minha nuca, mantendo-me em seu beijo, sua mão esquerda em minha cintura puxando-me levemente para cima dele, nos olhamos por alguns instantes, aquele sorriso novamente ali, algumas mechas de meus cabelos deslizaram caindo sobre seu rosto, ele sorriu e fechou os olhos, beijei sua testa, ele voltou a abrir os olhos e passou a mão em meus cabelos, colocando-os atrás de minha orelha. Meus dedos contornavam todo o seu rosto, enquanto ele analisava meus gestos, sorri quando ele ficou com uma cara de bobo.
- O que foi? Porque está rindo? – Questionou confuso.
- Você está com uma carinha de bobo, é tão fofo. – Sorri e beijei seu rosto.
- Não é cara de bobo, é de apaixonado. – Abraçou-me. – Eu estava pensando em como você é linda, em como eu tive sorte de conhecer e ter você, minha menina, minha princesinha...
- Sua mulher. – Interrompi-o.
- Você promete que será minha mulher daqui um tempo? – Questionou ansioso.
- Você sabe que sim, sou apenas sua. – Disse e então ele me beijou, mantendo-me segura, mantendo-me por perto. Pousei minha cabeça em seu peito, ouvindo seu coração pulsar calmamente.
- Você me ama, princesa? – Questionou segurando uma de minhas mãos.
- Claro, príncipe. – Sussurrei.
- Fala que me ama? – Pediu segurando firme em minha mão.
- Eu te amo, eu te amo mais do que qualquer outra pessoa possa amar, mais do que eu mesma sou capaz, te amo pra sempre. – Disse e pude ouvir seu coração acelerar rapidamente. – ... Seu coração está acelerado, agora. – Analisei sua expressão.
- É porque você disse que me ama. – Beijou o topo de minha cabeça, enquanto acariciava a superfície de minha mão. – É assim toda vez que você diz. – Sorriu. – Você pode falar sempre? – Pediu.
- Sempre, porque é a verdade, eu te amo e você sabe disso. – Abracei-o.
- Eu te amo, minha menina. – Beijou-me a testa. – Minha princesa, preciso me arrumar para ir ao show. – Disse aconchegando-se no sofá.

LVI - Red tie.


- Tudo bem amor, não se atrase. Bob pode ficar bravo. – Debochei e ele fez careta. Em seguida levantou-se e caminhou até o quarto. Me mantive no sofá por mais alguns minutos, esperando que ele voltasse, mas por conta de sua demora caminhei até a bancada da cozinha e comecei a desenhar alguns modelos novos. Quando percebi, já estava me dando um beijo de despedida, estava atrasado, o acompanhei até a porta e ele partiu em disparada à casa de shows, voltei para a bancada e continuei a desenhar, devo dizer que o tempo passou voando. Olhei para o relógio e percebi que logo estaria de volta, nunca havia notado o quão rápido o tempo passava quando eu começava a desenhar, comecei a pintar um de meus vestidos, era um longo e preto com rendas, alguns detalhes em pedras preciosas, um decote em “v” na parte de trás. Encarei aquele desenho e era realmente um vestido lindo, mas faltava algo que eu não sabia o que era.
- Que vestido lindo. – Assustei-me quando me abraçou, não havia percebido que ele já estava de volta, não houve algum barulho do automóvel ou da porta se abrindo. – Já cheguei meu amor. – Beijou a curva de meu pescoço.
- É só um esboço, não sei se vai ser da coleção, acho que está faltando algo nele. – Justifiquei olhando para o desenho. – O tempo passou rápido hoje. – Sorri.
- É lindo, acho que é o meu favorito. – Disse e caminhou até a geladeira pegando queijo, presunto e em seguida o pão que havia dentro do armário.
- Mas você não viu os outros, ainda. – Analisei sua expressão. Ele fazia um sanduiche o mais rápido possível, parecia faminto.
- É, mas imaginei você usando ele, e sabe? Você ficou ainda mais incrível. Poderia usá-lo no evento que temos semana que vem? – Pediu.
- Evento? – Questionei confusa.
- Na verdade é a pré-estreia de um filme, quero que vá comigo e você poderia ir com este vestido, seria a mulher mais linda de todas. – Disse voltando a aproximar-se da bancada.
- Posso pensar no assunto. – Sorri. – Cuidado para não derrubar alguma coisa nos desenhos. – Alertei.
- Sou cuidadoso. – Afirmou. – Acho que deveria ter uma abertura aqui. – Apontou. – Para mostrar a perna.
- Como não pensei nisso? – Questionei. – Você poderia ser estilista Mr. , vai ficar incrível. – Sorri e aproximei-me para beijá-lo, ele se curvou para frente, batendo no vidro de Ketchup e derrubando-o sobre o desenho.
- ! – Gritei. – Senhor “cuidadoso”, falei para você tomar cuidado com isso. – Reprovei-o.
- Calma amor. Foi apenas uma manchinha, eu resolvo. – Disse afastando o vidro de Ketchup e pegando um paninho, tirando o excesso do molho, em seguida pegou a canetinha vermelha e desenhou um grande laço por cima da mancha. – Está vendo? Resolvido, agora o seu vestido tem um acessório a mais, um grande laço vermelho na altura do ombro. – Explicou. Encarei-o confusa. – Não gosta? Desculpe-me, vou tomar mais cuidado com isso. – Disse triste, decepcionado. Analisei o desenho e quanto mais observava-o, mais eu tinha certeza de que era aquilo que estava faltando.
- Ficou incrível, está perfeito. – Sorri admirada.
- Sério? – Questionou incrédulo.
- Sem dúvidas e agora esse é o meu vestido favorito. Ficou incrível, era o que estava faltando... Você estava faltando. – Sorri analisando-o.
- Desculpe-me por demorar, tivemos uma pequena reunião depois do show. – Abraçou-me por trás.
- E porque não me avisou? – Questionei.
- Eu te mandei uma mensagem, amor. – Respondeu confuso.
- Ah! Meu celular está sem bateria e acabei me esquecendo de recarregá-lo. – Coloquei as mãos sobre o rosto.
- Não estamos conseguindo cumprir nossos horários juntos. – Encarou-me.
- Estamos com milhares de trabalhos, como vamos conseguir cumprir nossa promessa? – Questionei pensativa.
- Acho que se você não tivesse esquecido dela quando foi comprar os tecidos, teríamos conseguido ficar muito mais tempo juntos. – Encarou-me, me senti estranhamente insegura, assustada, talvez um pouco com medo.
- Agora a culpa é minha? – Soltei-me de seus braços e fiquei frente a ele, encarando-o. Essa definitivamente era minha tática de defesa, fugir, jogar toda a culpa sobre ele, mesmo que ele não tivesse culpa alguma.
- Todo esse tempo que devíamos estar juntos... – Hesitou. – O tempo que combinamos, o NOSSO tempo, você some, vai para outros lugares. – Disse nervoso. Sua voz era um pouco mais alta do que o normal, não chegava a ser um grito, mas era dura, grosseira, me machucava completamente.
- Outros lugares? Eu fui comprar os tecidos para fazer os vestidos, não sei se você lembra, mas VOCÊ me colocou nisso tudo. – Gritei. Sim, disse muito mais alto que ele e já não bastava o tom de voz, eu me impus sobre ele. Caminhei em sua direção fazendo com que ele recuasse alguns passos. Falei sem pensar, gritei sem pensar e logo me arrependi por ter dado ênfase ao fim da frase... Aliás, eu não deveria nem ter dito aquilo, mas já era tarde para arrependimentos, embora eu me visse em um lugar obscuro. Meu rosto demonstrava decepção por minhas palavras, mas talvez ele não tenha notado a ênfase ao fim, impossível, a forma que eu disse tudo aquilo pareceu destruí-lo, eu o vi cair num abismo sem fim, eu o joguei naquele lugar.
- Você tem razão, eu sou o motivo disso, sou eu o motivo de ter deixado você ir embora e por te manter tão longe de mim. – Abaixou o rosto, balançando a cabeça negativamente.
- Eu não quis dizer isso, falei sem pensar... Eu estou feliz. – Disse encarando o teto, outra tática que dava certo de vez em quando, ela evitava que as lágrimas escorressem.
- E eu fiz a escolha errada quando resolvi publicar seus trabalhos. – Ainda com os olhos fitando o chão ele deixou a cozinha. Mais uma vez, estava ali sozinha, pensando sobre como reverter toda a situação, sobre como ‘nunca mais jogar uma bomba em meu namorado’.
- , espera... – Disse ainda parada em frente ao balcão, mas ele foi para o quarto sem sequer olhar para mim. Eu estava errada, a culpa não era dele, era minha, que não conseguia cumprir com a promessa mais fácil, ficarmos juntos. Fui até a sala, sentei-me no sofá e coloquei a cabeça sobre meus joelhos, me pus a pensar em algo que não me fizesse chorar, mas não deu certo, o medo de perdê-lo voltou com mais força naquela noite e o pior de tudo, ele não estava ali para dizer que iria ficar tudo bem. Deitei-me no sofá, e os pensamentos ruins me fizeram adormecer, acho que o choro que pesava meus olhos também me ajudou a dormir mais rápido do que eu teria, se nenhuma lágrima tivesse escorrido.
Dia dois:
“And the tears stream down my face…”

Acordei às 8h da manhã, fiquei impressionada com as três horas que consegui dormir aquela noite, um recorde, porque em noites de brigas, medo e pensamentos ruins, uma longa noite de sono é dormir por uma hora. Havia um cobertor sobre mim, ele não estava ali quando acordei. Estava tudo em silêncio, deduzi que ainda estivesse dormindo. Caminhei até o banheiro, fiz minha higiene matinal e voltei até a sala, eu estava pronta para pedir desculpas sem que as lágrimas de desespero e decepção escorressem. Fui em direção ao nosso quarto e ele não estava lá, o banheiro estava vazio também.
- ? – Disse em um tom audível, mas não obtive resposta, desci as escadas e fui até a cozinha, talvez ele tivesse ido até lá sem que eu tivesse percebido. Para a minha decepção. Como se não bastasse à noite anterior, ele não estava lá, a única coisa que encontrei foi um bilhete sobre a mesa.
“Resolvi não te acordar, assim como eu, você aparentava não ter dormido muito bem, evitei barulhos para que você não despertasse, vou tomar café fora hoje... Acho que te vejo depois da entrevista!”
Esqueci completamente da entrevista. Coloquei minhas mãos sobre o rosto. – Eu te amo! – Disse num tom quase inaudível, olhando para o bilhete, que diferente de todos os outros não dizia: “Tenha um bom dia” ou “Quero te ver logo.” Droga! Acredito que essa tenha sido uma das piores brigas, ele se sente culpado por eu ter voltado ao Brasil e por minha falta de tempo. Todo o esforço que tive em fazê-lo acreditar que ele não tinha nada a ver com isso, tinha ido por água abaixo naquela noite.
Tudo continuava intacto na casa, meus desenhos sobre o balcão, o ketchup um pouco afastado do caderno, o pano com a mancha vermelha estava ao lado e o sanduíche que estava preparando ontem antes da briga, hoje se encontrava na lata de lixo. Sentei-me no banco ao lado do balcão e fiquei observando o desenho do vestido preto. Devo dizer que fiquei ali por um bom tempo, pois ouvi meu estômago roncar e esse era um barulho que não me lembrava de ouvir nas últimas semanas, talvez fosse um bom sinal, comi um sanduiche de frios e em seguida tomei um suco de frutas vermelhas. Como eu imaginava, na verdade eu tinha certeza, lá estava eu correndo para o banheiro e me debruçando novamente sobre o vaso sanitário e toda a pouca comida que eu havia ingerido, involuntariamente saiu por onde entrou, mas dessa vez fiquei por mais tempo que o normal, ajoelhada e debruçada. Quando não havia mais comida alguma, expeli um tipo de ‘espuma’, como se meu estômago estivesse avisando que estava completamente vazio. E agora ele realmente estava, me surpreende eu não ter colocado a minha alma, sanitário abaixo. Depois de um longo tempo sentada, me reergui novamente, escovei os dentes e resolvi tomar um banho, liguei a torneira esperando que a banheira enchesse e pela segunda ou terceira vez na vida eu a usaria, era relaxante e eu precisava me manter sentada, porque continuar de pé poderia me fazer cair ou desmaiar por um tempo. Tranquei a porta do banheiro, tirei minhas roupas, ficando apenas com as peças íntimas, prendi meu cabelo em um coque e encarei meu reflexo no grande espelho.
- Não é possível que depois de tantos vômitos involuntários eu ainda não caiba no meu vestido para o desfile. – Pensei. Eu estava uma baleia... Bom, era assim que eu me via, para ser mais sincera. Eu era magra, quando voltei do Brasil fiquei ainda mais e tudo parecia piorar, mas eu me via rechonchuda demais para parecer uma boneca no meu desfile. Eu precisava estar magérrima para que eles me elogiassem... E também para que prestassem atenção em meu trabalho ao invés das minhas gorduras. – Você precisa ir ao médico. – Disse em um tom quase inaudível. É aquela coisa de ‘voz do bem’, que te manda fazer a coisa certa. – Você está ótima, não precisa ir ao médico, não precisa preocupar ainda mais a . – Disse, convencendo a mim mesma. Balancei a cabeça para tirar aqueles pensamentos de minha mente, tirei minhas roupas intimas e entrei na banheira, que era completamente confortável para mim. Todos os tipos de pensamentos rondavam minha mente: “ Trabalho, , minha mãe, , coleção nova, , Bob, , trabalho do , e... Não, não era de novo, eu tentava não pensar que ele pudesse ser um problema para mim, tentava tirá-lo de minhas preocupações e colocá-lo em um lugar melhor em minha mente.Pensamentos confusos o bastante, eu pensava nos preparativos da próxima semana, e nele... De novo, estava rondando meus pensamentos e aqueles olhos tristes pareciam fixos em mim”. – Chega! – Reclamei a mim mesma. Minhas mãos seguraram a borda da banheira e eu me ajeitei um pouco mais para baixo, afundei meu rosto por completo na água, analisando o teto através da água transparente sobre minha face, me mantive ali por alguns segundos, forçando-me a aguentar ao máximo, tapando a respiração como se meus pulmões não implorassem por ar. Por segundos tudo pareceu clarear, todos os pensamentos ruins haviam sumido e eu só conseguia ouvir a mim mesma, três ou quatro segundos de paz interior, minha mente pareceu não funcionar durante aquele tempo. Minhas mãos automaticamente me forçaram a subir a superfície, respiração ofegante, os pulmões tomando todo o ar que havia naquele local. Revigorante, mas tudo pareceu voltar à triste realidade quando eu já não estava submersa. Fiquei na banheira até que a água esfriasse por completo, pensando, lavei o rosto para acordar do transe que eu parecia ter entrado, peguei a toalha, me sequei e enrolei-me no roupão de banho.
Ouvi o barulho de um automóvel do lado externo, abri a porta do banheiro e caminhei até a janela, achei que pudesse ser ele, mas era alarme falso, o veiculo que parava quase em frente a minha casa estava novamente sendo ligado, pude ver a motorista encarar-me confusa e se afastar com o mesmo. Acho que assustei a moça, não é normal ter uma garota de roupão olhando desesperadamente para dentro do veículo e ter o rosto coberto por decepção, ao ver que a pessoa que dirigia não era quem esperava. Ainda em meu quarto, coloquei um short simples e uma camisa de , para que eu pudesse senti-lo comigo, era hábito colocar a camiseta dele, ainda mais depois de nossas brigas, fui até a cozinha terminar meus vestidos, me peguei fechando os olhos para sentir seu perfume e escrevendo algumas coisas, por várias vezes. Quando eu percebia que estava muito aérea, eu voltava a focar nos desenhos. As horas se passaram e perdi a conta de quantas foram às vezes em que corri para a janela, ao ouvir o motor de algum carro aproximar-se, nenhuma das vezes era , então desisti de fazer isso. Concentrei-me no trabalho e esperei que ele voltasse para que pudesse me desculpar. Sorri ao ouvir o barulho da porta.
- Garota mimada. – Disse. A voz não era do príncipe, embora esse fosse tão lindo quanto um, era , fazia tanto tempo que ele não vinha até minha casa, que acabei esquecendo que havia dado uma chave a ele. Como se ele não invadisse de vez em quando.
- Ei, garotão. – Sorri ao vê-lo, estava com saudades, já não o via há alguns poucos dias. – Ele não veio? – Continuei, num tom quase inaudível.
- Estou muito bem, obrigado. – Debochou.
- Desculpe-me, como você está? – Levantei-me e caminhei em sua direção, abraçando-o fortemente.
- Estou bem, mas e você? Está magrinha, não está te alimentando direito? – Sorriu. –Até entendo o porquê você está tão magra, ele é realmente péssimo na cozinha.
- Não estou muito bem... Magra? Ótimo, preciso estar assim para o desfile. – Sorri. – Muito bom saber que meu amigo não se esqueceu de mim e resolveu usar a cópia da chave de casa. – Debochei, era tão fácil ficar feliz na presença de .
- Na verdade, estou passando um pouco de fome, minha mãe foi passar uns dias fora e bom, não sei cozinhar. – Disse. Automaticamente joguei nele um dos panos que estavam ao meu lado. – Agora vou responder a pergunta que me fez quando cheguei. – Continuou, olhando fixo em meus olhos, confesso que isso me deixou um pouco apavorada. – Ele só virá depois do show. Bob marcou outra entrevista para ele. – Disse segurando minhas mãos.
- Bob. Só podia ser, ele não consegue nos deixar em paz? – Caminhei até a sala e ele me acompanhou.
- Já conversamos sobre isso, me disse que também falou com você sobre o assunto.
- É conversamos, mas não tivemos muito tempo juntos, então isso faz com que a gente brigue... Como ontem. – Lembrei.
- Ele também me contou sobre isso, se sente culpado novamente. – Jogou-se no sofá.
- Eu sei e a culpa de ele sentir culpa é toda minha... Entendeu? – Questionei, perguntando-me se ele havia entendido a má explicação.
- É, acho que sim. – Sorriu. – Mas me conta, outro desfile? – Disse empolgado.
- Sim. Preciso terminar a coleção nova ainda essa semana. O desfile é na próxima, estou tentando cuidar de tudo e bom, preciso comprar alguns tecidos e resolver algumas coisas ainda... Percebe que não estou dando conta de tudo isso? estou tentando. – Sorri derrotada. – Quer me acompanhar? – Questionei. Eu tentava fazer tudo antes que chegasse, para evitar mais brigas.
- Bem, não tenho planos melhores, então sim. – Sorriu.
- Vamos? – Puxei-o pelo braço, para que ele levantasse do sofá e peguei minha bolsa em cima da mesa de centro.
- Claro! Eu dirijo. – Pegou a minha chave em cima do balcão da cozinha.
- Ótimo, porque não estou com pique para isso. – Sorri aliviada e fomos em direção ao centro de Londres fazer as compras para o desfile. Fui com a camisa xadrez vermelha e preto de , um pouco grande em mim, mas eu não estava disposta a sair sem ele, sem o cheiro dele. Comprei alguns novos tecidos e seguimos até um grande salão para alugá-lo para a próxima semana e por sorte aquele ainda estava disponível. Isso tomou algumas horas, olhei para o relógio e eram 18h40min. – Ótimo, precisamos correr. – De acordo com minhas conversas com ao longo do caminho, chegaria no máximo ás 19:30h.
Passamos na Starbucks antes de voltar para casa, compramos nossas bebidas e tomamos no carro.
- encosta, por favor. – Pedi ao sentir a droga do enjoo me atacar e assim ele fez. Abri a porta do carro e me curvei, colocando minha cabeça para o lado de fora e novamente toda a bebida já não estava mais em mim. Ergui minha cabeça e encarei , que agora estava com o rosto coberto de preocupação.
- Vou te levar ao médico. – Analisou-me assustado.
- Não! Estou bem, foi apenas um mal estar, até parece que você nunca teve isso. – Disse me recompondo e pegando uma bala de hortelã na bolsa. – Você quer? – Ofereci.
- Não, obrigada. – Continuou analisando minha expressão. – Você tem certeza que está bem? – Questionou incrédulo.
- Estou, pode confiar. – Tentei disfarçar meu nervosismo, não queria deixá-lo preocupado e muito menos ir ao médico. – Vamos, preciso chegar em casa antes de ! – Fixei o olhar na estrada, então ele ligou o automóvel novamente e seguiu. apertou o freio bruscamente e parou encarando-me para mim, analisei-o assustada. Sorte não ter nenhum carro atrás.
- ! – Meus olhos procuravam desesperados por uma resposta.
- Você não está grávida, está? – Questionou.
- O que? Você quase me mata do coração para perguntar se eu estou esperando um bebê? – Encarei-o, mordi os lábios tentando evitar o riso.
- Bom, contou-me sobre o seu enjoo e agora eu presenciei a cena, então deduzi que pudesse ser isso. – Continuou, esperando por uma resposta.
- Claro que não estou, temos juízo. – Afirmei e percebi o alívio que habitou sua alma e não pude conter o riso, pude vê-lo rir também.
Seguimos até minha casa e por sorte ainda não havia chegado, passei a tarde me divertindo com e isso me fez esquecer um pouco sobre a briga. Ele resolveu ir para casa, deixando-me com tempo para pensar no que dizer a quando ele chegasse, embora os minutos sozinha me fossem úteis, eu não queria que ele fosse embora, eu me sentia um pouco mal naquela casa vazia, ouvindo apenas o som da minha respiração, mas ele tinha que ir, pois precisava ligar para , para irem juntos para o show, ele me convidou, mas dispensei. Convenhamos que foi só por educação, pois ele sabia que não iria. Pensei em surpreendê-lo dizendo que aceitava o convite, mas desisti da ideia assim que a tive, não estava mesmo com ânimo algum.
Aproveitei o tempo para ligar e conversar com minha mãe, estava com saudades de ouvir a voz dela, contei sobre os vestidos e sobre , foi uma conversa rápida pois ela precisava fechar a loja. Em seguida, liguei o rádio, coloquei um dos meus CDs favoritos, enquanto desenhava, a música me deu inspiração para mais modelos e distraiu minha mente, novamente ouvi o barulho da porta e antes de deixar que meu sorriso bobo aparecesse de desespero, saudades, dor e arrependimento, certifiquei-me de que realmente fosse ele e então meu sorriso apareceu. O tempo sozinha não me adiantou de nada, pois eu não sabia o que dizer, apenas corri em direção a ele e o abracei forte.


I’ll be your strength- The Wanted

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- Princesa! – Disse enquanto me abraçava tirando meus pés do chão. Seus olhos talvez tão confusos quanto os meus, mas um sorriso acolhedor o bastante para me fazer querer ficar ali por muito tempo. Quis pedir desculpas, quis dizer que estava arrependida, mas as palavras não saiam de meus lábios, olhei em seus olhos que pareciam dizer algo, pareciam dizer “vai ficar tudo bem” e eu realmente quis acreditar que fosse.
- Amor... Por favor, me desculpe eu não quis dizer aquilo, mas... – Tentei encontrar uma explicação coerente para justificar o erro de tê-lo culpado por tudo o que eu tenho feito de errado. – Por favor, apenas... Desculpe-me! – Balbuciei.
- Eu sei, tudo vai ficar bem com a gente, você sabe, sempre fica. – Tentou sorrir, um sorriso derrotado, acabado pelo pesar de suas lágrimas. – Olhe princesa... – Hesitou. – Sempre quis ser quem você precisava, quis ser a pessoa que você quer estar perto. Sempre dei o melhor de mim para fazê-la sorrir, porque você sabe que eu amo o seu sorriso, mas se falhei por uma, duas, três ou quatro vezes, desculpe-me, estou fazendo de tudo para acertar. – Seus olhos eram fixos nos meus, suas mãos seguravam meu rosto, não me deixando fugir, mas eu também nem queria sair dali. – É difícil acertar sempre, mas eu continuo tentando, então tenha paciência comigo. – Pediu. Eu estava mais uma vez errada, arrependida e completamente sem palavras diante dele, o amor da minha vida se culpando por meus erros, cedendo pelo medo de me perder, desculpando-se por algo que não fazia sentido algum, tentava encontrar minha própria razão, me orientar e quanto mais eu me esforçava mais me via perdida, completamente perdida em mim mesma, nos olhos tristes do príncipe encantado. Questionando-me constantemente o porquê aquela princesa, ou plebeia era tão burra? Sem resposta alguma, mais uma vez.
- Você sempre acerta. – Disse-lhe. – Eu que não sou boa o suficiente para perceber, para agradecer o quão bom você tem sido para mim. Não se culpe por meus erros. – Minhas mãos frias de nervoso passeavam pelo rosto do príncipe encantado, secando suas lágrimas.
- Tenho medo de te perder.
- Tenho medo de te fazer me perder. – Encarei-o.
- Eu vou continuar aqui. – Sussurrou. – O príncipe nunca desiste de sua princesa, não importa a batalha que ele terá que enfrentar. – Seus olhos eram calmos, sua voz leve e serena como nunca antes.
- Obrigada por ser meu príncipe, por me salvar de mim mesma. – Tentei sorrir, em vão, meu sorriso não surtiu efeito algum em , mordi meu lábio inferior frustrada.
- Vamos, vamos para cama. – Fiquei aliviada por ser hora de dormir, nunca fui boa com essa história de pedir desculpas, de ‘discutir relacionamento’. Caminhamos até o quarto e me deitei, ele foi para o banho, tentei não dormir enquanto o esperava voltar, meus olhos se fecharam por alguns minutos e quando voltei a abri-los ele já estava ali ao meu lado, estava abraçado a mim e ainda acordado, voltei a fechar os olhos e me aconcheguei em seus braços quentes e protetores, respirei fundo, eu estava exausta.
- Estou aqui princesa, vai ficar tudo bem, vou cuidar de você. – Disse e beijou o topo de minha cabeça, acho que ele não percebeu que eu estava acordada, meus olhos continuaram fechados e eu só podia sentir seu perfume, então adormeci.

LVII - I need help.


Dia três:
“You know I'll be, your life, your voice, your reason to be my love, my heart is breathing for this…”


Acordei ás 8h, ele já não estava na cama, o que me deixou surpresa e confusa. Fiz minha higiene matinal e caminhei até a cozinha, lá estava ele, usando aquele avental e fazendo o café da manhã, parei para admira-lo e por algum tempo ele não percebeu minha presença.
- Ei, bom dia princesa. – Caminhou até mim. – Porque acordou cedo? Estragou o café na cama. – Sorriu.
- Bom dia meu amor. – Sorri e passei meus braços em volta de seu pescoço. – Estraguei? Se quiser eu volto pra cama e finjo que nada disso aconteceu. – Brinquei.
- Boba. Podemos tomar café da manhã aqui na cozinha. – Puxou-me para mais perto. – Beijo de bom dia? – Sorriu.
- Bom dia anjo. – Selei nossos lábios.
- Vem, preparei panquecas... – Puxou-me pela mão e nos sentamos à mesa. – Está com fome? – Analisou-me apreensivo.
- Estou faminta. – Disse entusiasmada e o sorriso que eu tanto amava resurgiu, fazendo-me sorrir automaticamente. – Me passe o mel, por favor? – Pedi enquanto pegava uma panqueca e colocava sobre o prato. não parou de me observar e notei que ele sorria. – O que foi? – Questionei.
- Nada, só estava com saudades de ver você comendo alguma coisa... – Sorriu. – Parece bobo, mas, eu estava com saudades de tomar café da manhã com você. – Disse, entregando-me o mel.
- Pare de ser bobo. – Peguei a cobertura e joguei sobre a panqueca. – Vai ficar me olhando comer? – Questionei sorrindo. – Coma um pouquinho das ‘melhores panquecas do país’. – Disse colocando um pedaço da panqueca em sua boca, e dando-lhe um selinho em seguida.
- Todos os nossos cafés da manhã poderiam ser assim, não é? – Disse brincando com uma mecha de meu cabelo.
- Mesmo se não fossem todos iguais a este, basta você estar ao meu lado. – Baguncei seus cabelos.
- Eu te amo. – Ele parecia tão seguro do que dizia e seus olhos estavam fixos nos meus, sorri e selei nossos lábios. Tomamos nosso café da manhã e embora eu não estivesse com tanta fome, consegui dar algumas garfadas na panqueca sem que meu estômago reclamasse.
- Hora de trabalhar. – Suspirei, encarou-me insatisfeito, mas tentou sorrir.
- Vou arrumar a cozinha enquanto você trabalha e vou assistir TV até que você termine. – Disse enquanto recolhia a louça suja da mesa.
- Tudo bem, vou ficar aqui no balcão. – Levantei-me, sentando-me na cadeira em frente ao balcão. Comecei a desenhar, arrumava a cozinha, por várias vezes peguei-me admirando-o e sorrindo como boba, as vezes podia vê-lo me analisar e sorrir também, logo ele terminou de arrumar a cozinha e então caminhou até a sala, jogando-se no sofá, ligando a TV e assistindo um programa qualquer, num volume muito alto.
- , abaixa a TV um pouquinho? – Pedi.
- Tudo bem. – Ele abaixou o volume. Eu ainda estava tentando me concentrar nos desenhos, o que era difícil, pois a TV parecia estar no volume máximo, as ondas magnéticas pareciam bloquear toda a minha criatividade.
- ... A TV. – Reclamei.
- PRONTO! – Desligou-a, parecendo um pouco irritado. Continuei a desenhar, algumas rendas, laços, vestidos longos e curtos. Passaram-se algumas horas e eu continuava no mesmo lugar, impaciente andava de um lado para o outro pela sala, olhando de cinco em cinco minutos para o relógio, o que me fazia rir, então ele saiu da sala e foi até o quarto, provavelmente, lá era o seu lugar favorito da casa, o tempo passou e ele não voltou, me concentrei nos desenhos e nas novas formas que pude dar a coleção.
- Chega de trabalhar, meu amor. – abraçou-me e deu uma leve mordida em meu pescoço. – Já é nossa hora, não é? – Questionou impaciente. – Fica um pouquinho com o seu namorado? – Pediu encarando-me com seus olhos magníficos, os quais eu não podia negar nada.
- É claro que sim. – Disse virando-me para ele. – Então o que você quer fazer hoje, meu amor? – Questionei mexendo em seus cabelos.
- Eu quero voltar no tempo, pode ser? – Questionou meio confuso.
- Acho que não é possível... – Hesitei. – Ou melhor, podemos voltar no tempo. – Sorri. – Podemos fazer nada hoje, ficar jogados no sofá o dia todo, nos gravando e rindo de coisas bobas. – Sugeri.
- Parece que leu minha mente. – Seus olhos brilharam como uma pedra preciosa, seu sorriso esticado em seu rosto perfeito. – Podemos assistir um filme. – Pegou-me no colo e caminhou até o sofá, colocando-me sentada e jogando-se sobre mim.
- , deixe-me ir pegar a câmera? – Pedi empurrando-o levemente para que se levantasse e me deixasse ir até o quarto e assim ele o fez, direcionei-me até o andar de cima e peguei a câmera na mesinha ao lado da cama e havia um bilhete ao lado.
“Eu estava impaciente esperando que desse a nossa hora, fiquei gravando vídeos, mas quero que os veja quando eu não estiver aqui. Assim você não vai sentir a minha falta, meu amor... Eu te amo, hoje ainda mais que ontem princesa.”
Corri até a sala com a câmera nas mãos e joguei-me sobre , que sorriu, sabendo o motivo de minha reação.
- Eu te amo, eu te amo. – Sussurrei beijando-o enquanto ele sorria.
- Agora você não vai sentir minha falta, porque eu sempre vou estar com você. – Abraçou-me fortemente enquanto acariciava minha nuca.
- Meu amor... – Disse, enquanto o filmava, ele fazia caretas e sorria.
- Você é linda. – Interrompeu-me.
- Nós podemos... – Tentei continuar.
- Eu te amo muito... – Falava junto comigo.
- Podemos assistir a um filme? – Sorri.
- Casa comigo? – Continuou.
- Eu te amo. – Sorri e selei nossos lábios. - Qual o filme você quer assistir? – Questionou. – Pode ser qualquer um, não vou prestar atenção mesmo. – Sorriu.
- Porque não vai prestar atenção? – Questionei confusa.
- Quero ficar admirando minha namorada. – Sorriu. – Daqui à uma hora, tenho que ir embora e não quero desperdiça tempo... – Bagunçou meus cabelos.
- Então tudo bem, não vamos assistir mais filme algum. – Encarei-o, ele sorriu satisfeito e logo em seguida, a campainha tocou.
- Não atende não princesa, deixe tocar até ir embora. – Sussurrou. Sorri e fiquei em silêncio abraçada a ele, a campainha tocou mais duas vezes e então parou. Ouvimos a porta se abrir.
- Porque não atenderam a porta? Sabiam que eu estava tocando a campainha? – Questionou. Era que reclamava enquanto entrava na sala, comecei a gargalhar e ele ficou sem entender.
- Eu queria ficar só com minha namorada, . – ajeitou-se no sofá.
- Ah! Claro, eu havia esquecido-me de que Bob não dá um tempo para vocês respirarem. – levou as mãos à cabeça.
- Oi . Eu estava com saudades. – Levantei-me e corri para abraçá-lo.
- Ei pequena , como você está? – Questionou abraçando-me forte, era acolhedor e confortável.
- Estou bem e você? – Questionei soltando-o e encarando-o atentamente.
- Está bem mesmo? Está magrinha, quase sumindo. O Dr. recomenda comer mais e ir ao médico. – Alertou. – E eu estou bem, obrigada. – Continuou.
- Eu estou bem Dr. . – Sorri.
- ? – analisou-o preocupado.
- Eu sei , mas ela é cabeça dura, não me ouve. – Balançou a cabeça negativamente. – Ela não escutou nem a minha mãe. – Reclamou.
- Sério? – questionou analisando-me. – Como foi capaz de desobedecer a Sra. ? – Tentou abafar o riso e jogou uma almofada nele.
- Não desobedeci, eu estou bem, já disse. – Resmunguei.
- Você vai ao médico. – analisou-me preocupado.
- Não vou, . – Respondi, como uma garota mimada.
- Vai sim e ponto final. – Insistiu.
- Pare com isso, você não é meu pai. – Disse num tom rude.
- Você não vai me fazer mudar de ideia. – Ele foi calmo.
- ? – Encarei-o, esperando que ele intercedesse ao meu favor.
- Eu acho que tem razão... – Começou, nem esperei que ele terminasse e saí da sala. – ... Espera.
- Ei, deixa, eu falo com ela. – Pude ouvir dizer enquanto eu subia as escadas. Fui até meu quarto e joguei-me sobre a cama.
- Droga! – Gritei abafando minha voz no travesseiro.
- Está tudo bem pequena. – se aproximou, sentando-se ao meu lado.
- Porque está fazendo isso? Eu estou bem, estou bem. – Eu disse enquanto algumas lágrimas escorriam de meus olhos, eu sabia que havia algum problema comigo, mas não podia aceitá-lo.
- Não estou fazendo isso para te magoar. – Hesitou. – Só quero que você fique bem. me contou sobre o enjoo e você está tão magrinha e visivelmente frágil. – Mexeu em meus cabelos enquanto falava.
- Estou bem. – Disse num tom quase inaudível. Meu estômago girou dentro de mim, então corri ao banheiro me debruçando sobre o vaso sanitário, colocando para fora todo o alimento que eu havia ingerido ainda a pouco, tentei recuperar o fôlego entre as ânsias de vômito, fechei os olhos por uns segundos, tentando manter a respiração constante, voltei a vomitar por mais algumas vezes. havia fechado a porta do quarto para que não me ouvisse vomitar, para que não se preocupasse ainda mais. Meu estômago e minha garganta queimavam e doíam muito, fiquei sentada no chão e aproximou-se me analisando confuso e preocupado. Voltei a vomitar e ele segurou minha mão. Retomei a respiração tentando normaliza-la, tentando mantê-la constante, passei a mão sobre a boca para limpá-la, havia sangue em minha mão, em meus lábios.
- , o que está acontecendo comigo? – Disse desesperada. – ... ... – Estava assustada, ainda com mais medo, chamei por esperando que ele pudesse explicar o motivo de eu ter vomitado sangue. Mas ele não pode.
- Fique calma... – Tentou me acalmar, mas estava tão assustado quanto eu, me abraçou apertando-me contra seu corpo para me dar sustentação ao nos levantarmos, me apoiei nele e minha mão manchou sua camisa branca, então ele me levou e colocou-me na cama. – Calma, nós vamos ao médico agora e tudo vai ficar bem, fique calma, respire fundo. – Continuou.
- , eu estou doente... – Falei tentando conter as lágrimas. Eu podia ver tudo piscar, escurecer lentamente, me senti fraca e vi tudo girar. – Por isso eu não queria ir ao médico, eu tinha medo, tenho medo de descobrir que eu estou doente.
- Fique quietinha, nós vamos ao médico agora e tudo vai ficar bem. – Encarou-me e algumas lágrimas escorreram de seus olhos. Ele parecia ter medo de me perder, ter medo de não conseguir me apoiar.
- Fique aqui comigo... – Segurei em sua camisa, tentando fazer com que ele não saísse do meu lado. A porta se abriu levemente e ficou dois segundos nos observando sem entender absolutamente nada, seus olhos ficaram tristes e preocupados.
- Amor o que aconteceu? – Correu até mim, sentando-se ao meu lado e puxando-me para si. Eu estava muito fraca, apenas tombei dos braços de para os de , e ele me analisaram ainda mais preocupados.
- ... É sangue na sua camisa? – Questionou, tentando raciocinar.
- Vamos , precisamos levá-la ao médico, AGORA! – Disse levantando-se e pegando minha bolsa que estava ao lado da cama. pegou-me no colo e levou-me até o carro, enquanto pegava as chaves e trancava a casa. Meus olhos estavam pesados e minha garganta queimava, eu piscava tentando enxergar melhor, mas a cada vez mais eu podia ver tudo escurecer.
- Amor fique acordada... – disse aflito. Eu não havia batido a cabeça ou algo do tipo, mas ele estava com medo de que eu fechasse os olhos e nunca mais abrisse-os. – vai mais rápido! – Gritou.
- Estou indo o mais rápido possível, já estamos chegando. – Respondeu-lhe em gritos de desespero.
- ... ! – Hesitou – Olhe para mim, abra os olhos, por favor... – Segurou meu rosto, apoiando-o em seu peito, eu podia ouvir seu coração acelerado, sua respiração forte, ofegante, me esforcei ao máximo para responder às suas chamadas, mas a única coisa que eu consegui fazer foi segurar em sua mão. – Vai , vai... – Gritou impaciente. Eu não estava inconsciente, mas não tinha força alguma para me mover, para me sustentar em pé, pude sentir algumas gotas quentes caírem sobre meu rosto e pelo ritmo da respiração dele, completamente descompassada, percebi que chorava, eram suas lágrimas que molhavam meu rosto.
- Chegamos! – Disse e senti me pegar no colo novamente. Ele estava desesperado, procurando por doutores e enfermeiros e minutos depois pude sentir meu corpo ser deitado em uma cama. Eu já não ouvia a voz de por perto, só conseguia ouvir , sua respiração e minha mão molhada por suas lágrimas.
- Princesa? Você consegue me ouvir? – Hesitou. Queria poder dizer que eu conseguia ouvi-lo, que eu sabia que ele estava ali, mas eu não podia. – Vai ficar tudo bem... Vai ficar tudo bem, eu sei que vai. – repetia por várias vezes.
- Pronto , eu já fiz a ficha dela, eles vão levá-la para um quarto e examiná-la. – Voltei a ouvir a voz de , que estava assustado, nervoso talvez.
- Por favor, senhores. Preciso levá-la, com licença. – Alguma voz que eu não conhecia, disse e senti segurar minha mão mais firme.
- , deixe-o leva-la... – Disse , num tom firme.
- Não posso deixá-la sozinha... Ela vai sentir medo, tenho que estar ao lado dela. – Justificou. – Quero ficar com ela. – Sua voz era trêmula.
- Eu... – Hesitei, esforçando-me para falar. – Estou bem. – Continuei, com muita dificuldade, mas ele precisava ouvir minha voz. Não pude ver sua reação, meu olhos estavam fechados, eles pesavam, não consegui abri-los.
- Deixe-a ir... Vai ficar tudo bem. – Então deixou que nossas mãos deslizassem, até que eu não o sentisse mais. Se estivesse vendo aquela cena, poderia dizer que o segurou, para que pudessem me levar. Minutos depois, eu simplesmente apaguei, não ouvia mais barulhos, vozes ou nada do tipo.
Quando abri os olhos, vi a escuridão através da janela, estava ao lado da cama e segurava minha mão. Fechei meus olhos novamente, por mais alguns instantes.
- Será que se eu beijar a princesa, ela vai despertar e abrir os olhos? – acariciou meus cabelos e passou os dedos frios em meu rosto.
- Sim... Ela vai despertar, porque... Você é o príncipe dela. – Minha voz era fraca e falhada, seus olhos percorreram meu rosto e então ele sorriu.
- Você está melhor? – Questionou ainda preocupado e então beijou a superfície de minha mão.
- Estou conseguindo abrir os olhos... E enxergar os seus, então estou melhorando. – Tentei sorrir. – Obrigada por... Por ficar comigo, o tempo todo. – Entrelacei meus dedos nos seus.
- Tente não se cansar muito, quero você de volta em casa logo. – Encarou-me ainda preocupado, mas sorriu.
- Você está com medo? – Questionei, tentando ajeitar-me na cama.
- Eu tive medo de te perder. Quando te vi deitada, chorando e o sangue na camisa do , me senti fraco, perdido, com muito medo. – Analisou-me, agora ele parecia mais calmo, seus olhos eram doces, embora algumas lágrimas escorressem. – Mas eu sabia que precisava ser forte para que você ficasse também. – Tentou sorrir.
- Não chora meu anjo. – Fiz uma pausa para recuperar o fôlego. – Acho que está tudo bem agora. – Forcei um sorriso, que não convenceu nem a mim mesma. Olhei para o lado e havia uma bolsa de soro ligada ao meu braço. – Odeio agulhas. – Reclamei, fechando os olhos com força.
- Está tudo bem. – Sorriu. – Não está doendo, está? – Tirou uma mecha de meu cabelo que estava em meu rosto.
- Não... – Analise a agulha. – Mas ainda assim, eu as odeio. – Resmunguei e ele sorriu mais uma vez. – Está rindo de que? Só porque não é você que está nessa cama. – Reclamei.
- Boba, eu faria qualquer coisa para estar deitado no seu lugar, contanto que você estivesse bem. – Sorriu. – E você já está bem melhor, está até a mesma resmungona de sempre. – Puxou uma mecha de meus cabelos.
- E você já está o mesmo namorado chato que me puxa o cabelo. – Sorri. – Se você estivesse aqui, eu iria querer estar no seu lugar, para que você não sofresse. – Analisei-o.
- Você está sofrendo muito? – Questionou.
- Não, só essa agulha que está me incomodando... – Disse e pude ver a porta se abrir.
- ... Como ela está? – entrava assustado no quarto.
- Ela é forte, . – sorriu, analisando-me.
- E aí maninha? Você nos deu um baita susto. – aproximou-se da cama, ele estava sorrindo, mas com um ar de preocupação nos olhos e sobrancelhas arqueadas.
- Acho que estamos bem. – Sorri. – Todos nós, não é? – Questionei analisando os garotos.
- ... – começou.
- Está em choque! – Completou .
- Como? Onde ele está? ... Preciso falar com ele... – Tentei me arrumar sobre a cama, tentando ficar sentada, procurando-o pelo quarto e tentando vê-lo no corredor, em vão.
- Ei, calma, fica quietinha. – chamou minha atenção.
- Eu preciso vê-lo. – Hesitei. – Preciso que ele veja que estou bem, para que ele fique também... – Continuei, ofegante. Estava preocupada com o estado que eu poderia ter deixado , eu o vi chorar e sentir medo. ajudou a me arrumar sobre a cama e lançou um olhar furioso para ele, queria que eu continuasse deitada e descansasse. O que seria impossível se eu não visse .
- ? – Encarei-o e ele entendeu exatamente o que quis dizer, então saiu do quarto e logo voltou com .
- Pequenina. – aproximou-se da cama e me abraçou.
- Aí... – Reclamei ao senti-lo esbarrando na agulha que estava em meu braço.
- Desculpe-me. – Pediu. Seus olhos estavam úmidos pelas lágrimas, seu coração e respiração acelerados. – Eu estava assustado...
- Como uma garotinha. – Disse .
- E com tanto medo, sei que deveria te acalmar e cuidar de você, mas eu fui fraco. – Hesitou. – Me desculpe. – Continuou.
- Assustado como uma garotinha. – caçoava.
- , já chega. – reprovou e ele sorriu.
- Está tudo bem . Obrigada por ficar ao meu lado e por me manter segura. – Sorri e ele sorriu de volta, beijou-me a testa e ficou ao lado da cama junto a e .
- Onde está a nossa moribunda? – entrou fazendo bagunça no quarto, sendo seguido por , que sorria.
- Chegou o bagunceiro. – Revirei os olhos e todos riram.
- Trouxe flores para a frágil garota. – mostrou um buquê de rosas.
- Olha só, ... Flores para você. – gargalhou, contagiando e todos que estavam no local.
- Obrigada ! – Sorri agradecida.
- E então, está tudo bem agora? nos contou o que aconteceu e nem dá para acreditar. – aproximou-se e beijou meu rosto. não parou de me analisar nem por um segundo, ele olhava meus pequenos gestos, percebi que as vezes respirava pausadamente, como se pudesse fazer a minha respiração voltar ao ritmo, se normalizar.
- Eu me sinto bem melhor agora. – Sorri. - Logo você vai para casa e vamos cuidar de você. – disse num tom ainda mais protetor do que antes.
- , , me abracem, por favor... – Pedi e eles aproximaram-se. – Mas cuidado com meu braço. – Gritei e eles sorriram. – Eu estava com tantas saudades de vocês. – Disse abraçando-os, com cuidado, mas um abraço forte e reconfortante, não queria que eles me soltassem. e sorriram como bobos, e ficou nos olhando por alguns segundos, então revirou os olhos.
- Chega, não é? – disse puxando os meninos de cima de mim. – Acho melhor vocês irem, ela precisa descansar. – Lembrou.
- Deixem-nos aqui, . – Reclamei.
- Você precisa descansar, pare de teimosia. – Retrucou.
- Quando você voltar para casa, o Dr. vai ajudar a cuidar de você. – Sorriu e beijou-me a testa.
- Pequena moribunda, fique bem logo para podermos fazer guerra de travesseiros. – bagunçou meus cabelos.
- vai cuidar de você. Volto amanhã ou mais tarde. Se cuida pequena. – beijou minha bochecha e arrumou meu cabelo.
- Ei irmãzinha, já sabe... – Sorriu. – Fique bem, se cansar do me ligue e eu venho ficar aqui com você. – Sorriu. – Comprei um novo celular, te mandei uma mensagem com o número. Se for ficar aqui a noite toda eu venho te ver amanhã. – abraçou-me cuidadoso. – Eu te amo maninha. – Sussurrou em meu ouvido. – E obedece aos médicos, ouviu cabeça dura? – Beijou-me a testa e afastou-se.
- Obrigada por virem me ver e por estarem ao meu lado. – Sorri.
- Não foi nada , eu prometi cuidar de você. Sou o segurança. – sorriu.
- Eu sou o Dr. , se precisar de qualquer coisa é só me ligar...
- O doutor mais molenga que eu já vi. – caçoou. – Eu sou da família, sou seu irmãozinho. – Gabou-se sorrindo.
- Só eu que não sou nada? – resmungou.
- Você é meu faminto, favorito. – Pisquei para ele.
- Eu sou o favorito. – Sorriu entusiasmado.
- E eu sou o namorado dela. – sorriu. – Que vai expulsar todos vocês daqui, porque ela tem que descansar. – Empurrou os meninos porta a fora.
- Tchau , fique bem. – Gritaram enquanto saiam. analisou-me e eu sorri.
- O que foi? – Questionou confuso.
- O jeito que você falou que é meu namorado. – Sorri. – Tão possessivo. – Brinquei.
- Mas eu não sou o seu namorado? – Questionou aproximando-se da cama.
- Você é o amor da minha vida. – Segurei sua mão e ele sorriu.
- Que bom que você está melhor. Quero levá-la para casa e poder te mimar um pouco. – Sussurrou.
- Eu quero voltar o mais rápido possível! – Suspirei.
- Descansa um pouquinho. – Pediu. – Vou ficar aqui o tempo todo, segurando sua mão. – Ele ergueu a mesma e a colocou em seu rosto. – Dorme um pouquinho, vou ficar aqui para que nada de ruim aconteça.
- Obrigada por estar aqui. – Sorri analisando-o ali, tão meu. – Eu não quero dormir, eu quero ficar olhando o seu sorriso. – Passei meu polegar sobre seus lábios.
- Eu te amo princesa. Vou estar aqui sorrindo, quando você acordar. – segurou minha mão e a beijou demoradamente. Sua outra mão acariciava meus cabelos. Como ele é injusto, ele sempre soube que mexer em meus cabelos me dava sono. Acho que dormi a noite toda, porque quando voltei a abrir os olhos já estava claro, na verdade já eram 13h e muitos minutos.

Dia Quatro:
“Moment in time. I'll find the words to say...”


- Bom dia minha menina. – encarou-me, parecia exausto. – Está melhor?
- Ei. – Respirei fundo. – Você dormiu aqui? – Questionei preocupada.
- Está se sentindo melhor? – Questionou novamente.
- Um pouco. Você está exausto, dormiu nesta poltrona? – Questionei sentindo-me culpada. A poltrona era menor que ele e parecia muito desconfortável.
- Está tudo bem com você, então estou ótimo. – Sorriu.
- Odeio quando você não responde minhas perguntas. – Reclamei.
- Sim, eu dormi aqui, mas está tudo bem comigo. Satisfeita agora? – Respondeu-me, fingindo estar bravo.
- Ótimo. – Sorri vitoriosa. – Preciso ir ao banheiro, não sei se consigo ficar de pé sozinha. – Disse sentando-me sobre a cama e em segundos ele estava ao meu lado, segurando-me, levou-me até o banheiro e segurou-me pela cintura, escovei os dentes e ele me colocou de volta na cama. – Obrigada! – Sorri.
- Tudo bem. – Semi cerrou os olhos.
- O que houve? – Questionei confusa.
- Nada. – Sorriu.
- ? – Briguei.
- Estou imaginando a sua cara ao tomar o café da manhã. – Continuou.
- Eu não vou comer nada desse lugar. – Reclamei.
- Vai sim, se você não comer, não vai poder ir para casa. – Fez carinha de triste.
- É sem gosto, sem sal. Odeio comida sem tempero. – Murmurei.
- Mas se a senhorita quiser ir para casa, vai ter que comer ‘isso’. – Lembrou-me.
- Sério? – Cruzei os braços.
- Só um pouco, tudo bem? – Pediu e então uma enfermeira entrou no quarto com uma bandeja e colocou sobre a cama e logo saiu.
- Que coisa é essa? – Questionei olhando para um tipo de pasta branca, enquanto fazia careta.
- Eu acho que é mingau. – Gargalhou.
- Mingau? Eu não comia isso nem quando era criança. Não quero, obrigada! – Afastei a bandeja.
- Vai comer sim, porque quero te levar para casa ainda hoje. – Insistiu.
- Não gosto disso. – Encarei-o.
- Você não provou, aposto que isso é bom. – Sorriu e colocou um pouco na colher. –Tome, come! – Aproximou a colher de meus lábios.
- Não, eu não vou comer isso. – Empurrei sua mão. – Come você, se for bom eu provo. – Eu sorri.
- Tudo bem. – Suspirou. Então ele encarou aquele mingau, respirou fundo e colocou uma colherada na boca. – Hum... – Hesitou. – Isso é realmente... Horrível, como eles querem que alguém melhore comendo esse tipo de coisa? – fez careta.
- Está vendo? Eu estava certa. – Mostrei a língua para ele, que não resistiu em me beijar. –Você está com gosto de mingau ruim de hospital. – Reclamei e ele riu.
- Você precisa comer isso aqui. – Analisou-me.
- Não consigo. – Coloquei as mãos sobre a boca.
- Para de ser birrenta. – Sorriu. – Vamos dividir, pode ser? Aí você pode me beijar sem reclamar que estou com gosto de mingau ruim. – Brincou.
- Como você é insistente . – Reclamei.
- Preciso ser, porque a minha namorada é uma cabeça dura. – Analisou-me atento. – Vai, um... Dois... Três... Abre a boca. – Gargalhou, tapei o nariz e engoli com muito esforço, aquela comida horrível, ele também comeu um pouco, reclamando do gosto, assim como eu.
- Chega! Não aguento mais, não quero vomitar de novo. Meu estômago e minha garganta ainda doem. – Reclamei e imediatamente colocou a tigela de lado.
- Tome um pouco desse suco. – Entregou-me um copo. Era um suco de laranja, natural e não estava muito ruim. – Muito bem! – Sorriu satisfeito e aproximou-se para me beijar.
- Não, senhor ‘gosto de mingau’, não quero sentir aquele gosto horrível novamente. – Reclamei e ele encarou-me frustrado. – Tome um pouco de suco. – Entreguei o copo a ele, e então ele bebeu. – Agora vem cá... – Puxei-o pela gola de sua camisa e ele sorriu, selando nossos lábios, um beijo lento e longo.
Não recebi alta, para falar a verdade, fiquei três dias naquele lugar, com aquela agulha em meu braço, era tudo muito monótono, me forçando a comer, os meninos indo me visitar, entrada e saída de enfermeiros o tempo todo, muitos exames, vômitos e mais soro, eu precisava estar forte para poder voltar para casa. O doutor entrou no quarto algumas vezes e explicou que o que eu tinha era quase uma anorexia nervosa, explicou todos os perigos que há nesta doença e tentou me conscientizar, pareceu bem mais assustado que eu, então manteve-se ao meu lado, os meninos trouxeram algumas roupas para , que não saiu do hospital nem por um minuto. Embora a comida seja ruim e a sua poltrona não seja confortável, era como se ele se sentisse perfeito ali.
Acordei com o barulho da porta e abri levemente meus olhos, pude ver saindo, sorri por um momento, seria muito bom, ele estava preso demais naquele lugar, mas então eu pude ouvir a voz de Bob...
“- Você não deveria estar aqui. Faltou a todas as entrevistas nesses últimos dias... – Hesitou. – Você quer acabar com sua carreira por causa dela? – Disse exaltado.
- Ela não vai estragar a minha carreira. Você quem está fazendo isso, quando sabe que estamos juntos e ainda assim continua tentando nos afastar. – alterou seu tom de voz, mas pude ouvi-lo tentando controlar. Tudo ficou em silêncio por um minuto.
- Os garotos estão trabalhando duro por sua culpa. O seu egoísmo pode acabar com sua carreira, você não foi aos últimos shows, não apareceu nas entrevistas e nem se deu ao trabalho de ligar avisando. Você não publicou alguma nota sobre o que está acontecendo, está todo mundo no escuro , as coisas não podem ser na hora que o pequeno ‘astro’ resolve. Os meninos estão assumindo todas as suas entrevistas e não falam sobre o seu sumiço, eles apenas dizem que ‘você está passando por maus momentos’. Maus momentos? Essa garota é um péssimo momento constante... – Bob disse furioso.
- Ela é o único motivo de eu estar com a cabeça no lugar, eu poderia ter me tornado como você, que só pensa em dinheiro e não liga para o que as pessoas sentem... – Hesitou. falava baixa, eu quase não podia ouvi-lo, então me levantei, ficando ao lado da cama, apoiando-me na mesma. – É por isso que você está sozinho hoje. – Continuou. – Vá embora e não volta mais, quando eu puder, vou voltar e se o problema for a minha ausência, eu publico uma nota hoje. Meus fãs precisam de uma resposta.”
entrou no quarto tentando não fazer barulho. Encarou-me surpreso e assustado, assim como eu. – Você ouviu? – Questionou, ele parecia decepcionado e não me encarava.
- Absolutamente tudo. – Respondi. – Você precisa ir . Bob tem razão. – Disse cabisbaixa, não era fácil ouvir que sou um estorvo na vida do meu namorado, que posso acabar estragando a carreira e o sonho dele.
- Os meninos me ligaram enquanto você dormia e disseram que está tudo bem, que estão conseguindo fazer tudo dar certo... – Direcionou o olhar para seus pés. – Então... Não pede para eu ir, tudo bem? – Ergueu sua cabeça, aproximando-se. – Você sabe que eu não vou, não é? Mesmo se pedir, será uma tentativa falha da sua parte, tentar me afastar de você. – Sorriu de lado. – E há boatos de que a minha princesa, vai voltar para casa hoje. – Sorriu, da forma que eu mais amava e eu apenas retribui abraçando-o, eu beijando-o em seguida.
- Isso responde todas as suas perguntas? – Sorri.
- Com certeza. – Continuou abraçando a mim. – Exceto uma. – Encarou-me preocupado.
- Qual? – Questionei assustada.
- O porquê a senhorita está de pé? – Reclamou. – Você sabe que não deve se cansar, se o médico te ver assim, é capaz de te mandar ficar aqui mais uns três dias. – Sorriu enquanto exagerava.
- Ah! É que eu ia... – Balbuciei.
- Você ia? – Sorriu.
- Ao banheiro... Eu ia ao banheiro, era onde eu estava indo. – Direcionei meu olhar para a porta, desviando do dele.
- É sério? – Continuou encarando-me e sorrindo.
- Você estava falando muito baixo, eu precisava tentar ouvir. – Reclamei e ele gargalhou.
- Vem, fique quietinha. – pegou-me em seus braços e me colocou de volta na cama, como se eu fosse incapaz de fazer isso sozinha.
- Com licença casal. – Um homem jovem e alto entrou no quarto com uma prancheta nas mãos. Eu e apenas direcionamos nosso olhar para ele. – Senhorita , deveria ter vindo antes ao médico. – Me chamou a atenção, me olhou como se dissesse, “Eu avisei”.
- Eu me sentia bem, mas...
- Sem mas, dona ... Você vai poder ir para casa hoje, mas te darei uma lista de tudo o que você deve comer e dos remédios que deverá tomar. – Continuou.
- E o que preciso fazer para que ela melhore, Doutor? – Questionou , aflito.
- Você precisa cuidar para que ela coma as três refeições diárias, certifique-se de que comerá alguma fruta ou cereais entre os intervalos das refeições principais e tome os remédios. – Respondeu. – Como eu já disse, ela estava entrando num quadro de anorexia nervosa. Isso não pode acontecer, olhe para você, é linda, tem uma carreira e um namorado que passou a noite em claro vendo você dormir. Você realmente quer se machucar assim? – Questionou. Encarei que desviou o olhar dos meus.
- Não, eu não quero magoá-lo, se essa foi a pergunta. Mas eu não consigo conter as ânsias de vômito. – Reclamei.
- Comece devagar, comendo pouco e ficando de repouso, absoluto. – Recomendou. – Fazendo isso seu organismo irá voltar a se acostumar com os alimentos, mas você vai precisar ser muito regrada com relação às refeições. – Alertou.
- Vou mantê-la nas regras. – afirmou.
- Ele parece um bom namorado, vai te ajudar bastante. – O doutor sorriu e acariciou a superfície de minha mão.
- Ele é, é quem me mantém com a cabeça no lugar. – Sorri.
- Então espero que ele possa te manter a mesa nas horas de refeição também. – O Doutor olhou para e depois para mim.
- Eu vou fazer isso, não se preocupe, caso eu não consiga, eu a trago de volta para vocês. – Eles gargalharam, mas confesso, não achei graça alguma.
- Bem aqui estão todas as recomendações. Todas as refeições que devem ser feitas, os remédios que ela deve tomar para ajudar que o organismo volte a aceitar os alimentos. – Entregou a , a lista era enorme e eu suspirei. – Aqui, você está de alta, pode se trocar, ir para casa e lembre-se, fique de repouso até estar forte o bastante para caminhar sozinha. – Alertou-me mais uma vez, enquanto tirava a agulha de meu braço.
- Não vou deixá-la sair da cama. – afirmou.
- Se cuidem! – O doutor disse e saiu.
- Porque você não me acordou mais cedo? Já que ficou aí me vendo dormir? – Resmunguei.
- Você ouviu o doutor, tem que descansar. Foi exatamente por isso que eu não te acordei.
- Como você é chato... E o amor da minha vida. – Sorri. – Preciso de ajuda para me vestir. –Disse um pouco confusa e ele sorriu malicioso. – Nem me olhe com essa cara, eu estou quase morrendo. – Reclamei e sorri.
- Não fala assim, amor. – Encarou-me triste.
- Tudo bem, mas vamos logo, quero ir para casa. – Sorri. Ele me ajudou, havia trago roupas limpas para mim no dia anterior, provavelmente enquanto eu dormia ele apareceu por lá novamente. Coloquei um moletom e pantufas, eu estava parecendo uma doente, exatamente o que eu era naquele momento, uma doente. Peguei minha bolsa e me pegou no colo.
- Você continua linda, como sempre. – Elogiou-me. - E você mentiroso. – Sorri. – E precisa parar de me pegar no colo, posso andar sozinha. – Resmunguei.
- Vamos para casa maninha. – sorriu, ao avistar-me.
- Finalmente, este lugar me deixou maluca. – Resmunguei.
- Então faça com que tudo saia bem, para não ter que voltar para cá. – Alertou-me.
- É... – Suspirei.
- Isso é por minha conta, e se depender de mim, ela não volta para cá. – disse caminhando pelos corredores, carregando-me em seus braços.
- Por favor, me coloque no chão. – Pedi.
- Não, não pode se cansar. – Justificou.
- Eu posso andar apoiada em você e no . Vou me comportar bem, eu prometo. – Pedi mais uma vez.
- Nada disso. – Ele sorriu. - Ah! – Resmunguei e afundei meu rosto tentando me esconder.
- Isso é sério? – reclamou.
- É... Você não publicou nada, então deduzi que... Talvez eu devesse. – justificou confuso.
- Valeu cara, te devo essa. – sorriu. - O que foi? – Virei meu rosto para analisá-lo, então me deparei com fotógrafos na porta do hospital. – Ah! Não deixem ninguém me ver. – Resmunguei escondendo-me.
- Calma meu amor, eles não vão te perturbar, não agora. – Disse e continuo a andar. Passamos pelos fotógrafos com dificuldades, até chegarmos ao carro. Ele me colocou no banco traseiro e entrou comigo, então dirigiu até chegarmos em casa.
- Chegamos. – disse estacionando. pegou-me no colo novamente.
- , não complica, eu consigo andar. – Reclamei.
- Tudo bem, você pode andar, mas vou ficar segurando você. – Colocou-me no chão e eu sorri agradecendo-o, então ele tirou de seu bolso uma câmera portátil e começou a filmar.
- Ah! Não, espera... O que é isso? – Questionou ao ouvir uma música muito alta, que parecia vir de dentro de minha casa.
- Party rock is in the house tonight, everybody just have a good time and we gonna make you lose your mind, we just wanna see ya… Shake that! – cantarolou fazendo uma dança completamente ridícula, em frente à porta de casa. – Bem vinda de volta! – Disse abrindo-a e eu gargalhei.
- Lar doce lar! – Disse ainda parada. Entramos em casa, me deparei com os garotos dançando como loucos, pulava no sofá, jogava almofadas para cima e apenas dançava. Analisei em volta, havia um bolo em cima da mesa, uma faixa de ‘seja bem vinda de volta’ e algumas bexigas coloridas. balançou a cabeça negativamente, enquanto balançava a cabeça no ritmo da música e posicionava-se ao meu lado. me segurou pela cintura e me levou até o centro da sala. Os meninos começaram a dançar a minha volta, eu gargalhava, e me balançava, tentando acompanhá-los, eu ainda não estava forte o bastante para isso, então eu me movia, com ajuda dos meninos que balançavam meus braços e que segurava-me.
- Everyday I'm shufflin'. – Cantamos em coro. Estávamos gargalhando, nos divertindo e dançando até que a música parou de tocar.
- ... – Reclamei.
- Sente-se no sofá e fique quietinha. Não pode agitar-se muito. – Alertou-me.
- Seja bem vinda de volta, . – Disse , abraçando-me.
- Obrigada. – Sorri e todos eles me abraçaram. analisou-nos, e em seguida, aproximou-se, empurrando , e para longe de mim, só não empurrou porque era ele quem estava sustentando meu peso.
- Agora você tem que descansar. – Encarou-me.
- Já descansei demais no hospital, . – Sorri.
- É bom tê-la de volta. – Disse .
- É bom voltar. – Analisei o ambiente e suspirei aliviada.
- Sou a favor de comermos o bolo que fizemos. – apontou para a cozinha.
- Um bolo confeitado, com aparência maravilhosa e uma caligrafia extremamente linda, escrito ‘’. E vocês querem mesmo que eu acredite que vocês fizeram? – Gargalhei.
- Tudo bem, não foi. – gargalhou e pude ver dar um tapa em seu braço.
- Dissemos que insistiríamos até o fim, para que ela acreditasse. – Reclamou e apenas encarou-o debochando.
- Parece bom... – Analisei.
- E está realmente bom. – passou o dedo no glacê e colocou na boca.
- Preciso de algo assim, os dias no hospital à base de comida sem gosto não me fizeram muito bem. – Pisquei. pegou-me e me levou até o sofá, colocando-me no canto, sentada sobre milhares de almofadas, deixou a câmera ligada, que por sinal ficou o tempo inteiro nos filmando, desde que chegamos. Ele a deixou em cima da mesa de centro, perto de mim, e em seguida foi até a cozinha.
- Olha só, tão moribunda. – Disse e apenas arremessei uma almofada em sua direção, que passou muito longe, por sinal. – Tão cega! – Gargalhou.

- Você tem sorte por não poder te espancar. – Resmunguei. – Espera eu melhorar, quero ver você me chamar de moribunda. – Continuei.
- Se você melhorar não será mais moribunda, então, não te chamarei assim mesmo. – Sorriu vitorioso. voltou com dois pratos fartos de bolo, entregou para mim e , enquanto entregava os outros dois para e , e voltaram para a cozinha novamente.
- Nossa isso está bom. – Disse em meio à garfadas.
- E tem que estar, pagamos caro. – debochou sentou-se ao meu lado.
- Sério? Foi caro? – Analisei-os com um olhar arteiro e mordi os lábios, prendendo o riso. – Ótimo! – Peguei o bolo e afundei no rosto de , que ficou completamente sujo de glacê. voltou até a sala junto a , com refrigerantes nas mãos, e gargalharam, todos eles. – , seu rosto ficou aqui no prato. O que é isso? Base e pó de arroz? – Analisei a louça em minhas mãos, observando a maquiagem que havia ficado na sobra de bolo.
- Vim da entrevista agora. – Disse tentando tirar o glacê que havia em seus olhos e passando em minha bochecha.
- , aproveita que você está de pé e pega mais um pedaço de ‘bolo caro’ para . – debochou e eu gargalhei. entregou-me sua fatia e voltou a cozinha para buscar outro para ele.
- é um anjo, ele tem que parar com isso ou vou ficar de costume. – Comentei.
- Eu paro quando você melhorar. – Ele voltou à sala, jogou um pano para que se limpasse, sentou-se sobre o braço do sofá. Afastei-me, empurrando mais para o lado, para que ficasse confortável. Eu comia bem devagar por recomendações médicas, já não vomitava mais, os dias no hospital conseguiram corrigir isso. analisava-me atento e admirava-me sorrindo. Eu achava estranho todos ficarem analisando-me o tempo todo, mas eu gostava.
- Chega né? Já comeu demais. – disse pegando o prato de bolo de minhas mãos.
- Não , eu gosto disso. – Reclamei.
- colocou muito e se continuar comendo, pode passar mal. – Alertou-me. – Toma , coma. – Gargalhou enquanto pegava o prato.
- O não passou mal e está no terceiro prato. – Protestei analisando-o e ele parou de mastigar, encarou-me com as bochechas cheias de bolo.
- Cara, isso é muito bom. – Falou sem nem engolir e voltou a mastigar. Todos sorriram.
- Que tal uma partida de vídeo game? – sugeriu.
- Só se for de luta. – Disse levantando-me para pegar os controles, puxou-me no mesmo instante. – Calma, eu estou bem e não estou morrendo... Não estou aleijada também. – Sorri. – Não precisa se preocupar tanto, se eu não estiver bem, eu aviso. Pode confiar. – Sorri e ele retribuiu. Levantei-me e peguei os controles e ele só me observou.
- Eu primeiro. – Gritou e entreguei o controle para ele.
- Eu sou o Goku. – Gritei em fração de segundos.
- NÃO... Não... Eu sou o Goku. – Resmungou.
- Tarde de mais, já sou eu... – Apertei o botão para selecionar o personagem e ele apenas me encarou decepcionado. Coloquei o controle sob minha camiseta, e quando o jogo começou, apertei todos os botões de uma só vez.
- Para de apelar... – Reclamou . – Você já tem o Goku, não vale fazer isso... Você está apertando todas as teclas de uma vez, não vale. – Resmungou enquanto colocava o controle sob sua camisa e fazia como eu.
- ROUND ONE! – Gritou , pegando o caderno em cima da mesa, para anotar os pontos.
- Como estão suas expectativas para a luta de hoje? – Disse , fingindo que o controle da TV era o microfone e com a câmera na mão.
- Eu acho que o Goku vai ganhar. – Gritou .
- E você ? Quem acha que vai ganhar? – o filmou, estava, como sempre, comendo. fez uma pausa esperando a resposta, mas nada foi dito. – está torcendo para , porque ele não falou nada e ninguém sabe o nome do lutador do , é uma espécie de baleia rosa. – Justificou filmando a si mesmo e gargalhando.
- É O MADIMBU. – Gritou. – E olha só isso. – apertou um dos botões fazendo com que seu personagem se transformasse. – Agora eu sou um cara forte e rosado. – Gargalhou.
- E morto. Xeque mate! – Disse tirando o controle de baixo da camiseta ao ver o boneco de caído sobre o chão.
- Você apelou. – Ele passou o controle para .
- Você também e nem por isso ganhou. – Rebati, passando o controle para que estendeu as mãos.
- Mas você estava com o Goku. – Resmungou.
- ROUND TWO! – gritou. O controle um continuou com o mesmo personagem, assim como o dois. O único que perdeu do Goku foi o e isso deixou-o frustrado, pois todos debocharam. Os garotos colocaram os controles sobre a mesa e foi até o quarto buscar a outra câmera, já que a portátil estava com a bateria quase esgotada, foi junto para pegar o violão. foi levar o prato até o gabinete, pois finalmente havia parado de comer, e voltou com um pequeno papel em suas mãos.
- , você não passa mal? – Questionei olhando-o admirada.
- Não! – Gargalhou. – Olha o que eu achei. – Entregou-me um bilhete.
“E tudo o que sinto por você, eu escrevi em um pedaço de papel... Na verdade, em vários pedaços, eu amo você.” – Sorri e guardei-o em meu bolso. desceu com o violão e cobertores, desceu em seguida com a máquina e alguns travesseiros. Já passava das 23h e os garotos não tiveram show, por isso ficaram a noite toda comigo. afastou a mesa de centro e eles arrumaram os edredons, almofadas e travesseiros no chão, nos sentamos todos em um circulo e os garotos começaram a cantar e tocar, sentei-me entre as pernas de e ele me abraçou, enquanto cantava em meu ouvido. A primeira música que tocaram era do Bruno Mars, Just the way you are, depois tocaram um medley, em seguida adormeci nos braços de . Quando acordei, os meninos já estavam todos dormindo e eu estava deitada ao lado de , que me acordou para que eu tomasse o remédio, ele colocou seus braços por minha volta, mantendo-me colada em seu corpo, onde eu podia sentir sua respiração e ele a minha, em seguida voltamos a dormir.

LVIII – Memories.

Dia cinco:
Time escapes me...

Acordei com a ligação da minha mãe, dando-me uma bronca pelo meu descuido de não tê-la avisado que havia sido internada. Ela disse que se não fosse a TV e as revistas, não descobriria que eu estava doente, me disse também que havia adiado o desfile, pois eu não daria conta e que eu tinha mais alguns dias até ficar bem para poder comparecer, ela não se importava com a loja e a coleção, ela estava realmente preocupada com minha saúde. Eram 9h e todos ainda dormiam, levantei-me e caminhei até a cozinha, abri a geladeira e procurei por algo que eu pudesse comer, vi aquele bolo e não resisti em pegar um pedaço, coloquei uma fatia no prato, na verdade uma grande fatia, eu sentia fome, talvez por causa dos remédios que eu estava tomando, peguei uma colher e me sentei à mesa, comecei a comer o bolo, mastigando-o rapidamente, logo comi toda a fatia que eu havia servido, então coloquei mais um pedaço, dei algumas colheradas e então senti a ânsia me perturbar novamente, corri até o banheiro e coloquei todo o bolo ingerido para fora de meu estômago, já faziam alguns poucos dias que aquilo não acontecia, mas aconteceu novamente. Debrucei-me sobre o vaso sanitário, e em segundos meu estômago estava vazio novamente. – Ai! – Gemi, dei descarga, quando me virei para levantar e ir até a pia, avistei escorado no batente da porta, de braços cruzados analisando-me atento.
- Desculpe! – Disse-lhe encarando-o confusa, caminhei até a pia e escovei os dentes, ele não se moveu, não disse um palavra se quer, apenas analisou-me, a mesma expressão de antes, olhos atentos aos meus gestos. Por um instante o silêncio reinou, então ele o quebrou.
- Eu vi que você comeu bolo... – Começou. Eu afirmei, balançando a cabeça positivamente. – Você é louca? – Sua voz alterou-se um pouco e me assustei. – Acho que você vomitou a parte pensante do seu cérebro. – Pude ver um meio sorriso, um sorriso de deboche. Sua voz voltou ao tom inicial. – Você não pode fazer isso, você tem que comer devagar e pouco. – Alertou.
- Eu sei, mas estava com fome e não pude resistir... – Comecei. – E eu comi devagar, eu juro. – Menti.
- Vem aqui pequena... – me puxou para seus braços e me manteve segura por alguns minutos. – Vamos, vamos procurar seu cérebro. – Debochou, dei um tapa em seu braço e ele sorriu, então fomos abraçados até a sala e nos jogamos sobre o sofá.
- Então... O que perdi? – esfregou os olhos e encarou-nos, na sala abraçados. Fitei assustada, não queria que soubesse que passei mal novamente. – Hum, acho que perdi muita coisa, parece que dormi demais, porque aparentemente o meu amigo está abraçado com minha namorada, é isso mesmo que estou vendo? – Brincou.
- Não, não é isso que está vendo, acho que você ainda está sonhando ... Ninguém está abraçando sua namorada. – soltou-me e começamos a rir.
- Está tudo bem, meu amor? – levantou-se e beijou-me a testa. analisou-me com expectativa, ele queria que eu contasse a sobre meu mal-estar.
- Está tudo bem. – Tentei sorrir. – Beijo de bom dia. – Sussurrei enquanto ele ainda estava próximo a mim e selei nossos lábios.
- Vou escovar meus dentes. – Sorriu. – Espere um minuto. – Direcionou-se até o banheiro.
- E então? – analisou-me curioso.
- Então... – Hesitei. – Obrigada por não contar. – Agradeci aliviada e ele sorriu.
- Você deveria contar e sabe disso. – Alertou. – Mas se você não quer, não sou eu quem vou dizer, mas saiba... A partir de hoje você vai ter mais um para te controlar, ver se você está comendo direito e tomando os remédios... – Continuou.
- Eu quem vou cuidar dela, você não vai fazer nada. – Resmungou voltando à sala.
- Eu e vamos ajudar, lembre-se, foi você quem pediu para que cuidássemos dela. – Debochou.
- Eu disse: “Quando eu estiver longe”. – fez sinal de aspas com os dedos.
- Tudo bem, senhor super protetor. – ironizou e sorriu.
- Outro beijo de bom dia. – Abraçou-me e beijou a curva de meu pescoço, em seguida, meus lábios.
- Tomou café da manhã? – Abraçou-me passando seus braços por cima dos meus.
- Já...
- Não, acabamos de acordar e estamos famintos, não é? – interrompeu-me.
- Hã? É, claro... Famintos. – Disse confusa.
- Então, vamos tomar café da manhã. – levantou-se do sofá e puxou-me.
- Vamos... Vou acordar os meninos, pode ir para a cozinha, eu e já vamos. – Sorri. Ele beijou-me a testa e saiu. Cruzei meus braços e fiquei analisando por uns instantes. – O que foi aquilo? – Questionei confusa.
- Aquilo foi eu colocando comida no seu estômago... – Respondeu encarando-me. – Ou você esqueceu que acabou de colocar todo o bolo, dentro do vaso sanitário? – Reprovou-me.
- Ahhhh. – Resmunguei.
- , , acordem... – Gritou.
- Vão ficar sem café da manhã! – Completei e logo eles se levantaram, reclamando pela gritaria. Esperamos com que os garotos fizessem sua higiene matinal, para que pudéssemos tomar café. Sentamos-nos à mesa e a mesma já estava posta, havia arrumado tudo, uma toalha de mesa verde, xícaras brancas, panquecas, pães, frios, café, chá, leite, cereais, e inúmeras outras coisas.
- Tome , coma um pouco disso. – colocou uma tigela com leite e cereais em minha frente, encarei-o confusa.
- O que tem aqui? – Questionei.
- Tudo. Cereais, frutas e para ficar mais saboroso, caldas. – Sorriu.
- Isso é uma bomba calórica. – Analisei a tigela.
- Uma bomba de vitaminas. – argumentou. – Te fará bem. – Alertou.
- Tudo bem. – Encarei novamente, analisando quantas calorias eu ganharia em troca de uma porção daquelas, em seguida coloquei uma colherada dos cereais em minha boca e eles demonstraram felicidade. – Ah! Minha mãe me ligou, dizendo que adiou o desfile. – Encarei-os.
- Estarei na primeira fila. – Disse , orgulhoso.
- Todos nós estaremos. – sorriu.
- Obrigada pelo apoio. – Agradeci.
- Bob resolveu nos deixar em paz e finalmente, as coisas estão mais fáceis. – encarou-me, seus olhos brilhavam, demonstrando felicidade. Terminamos o café da manhã, conversando sobre o desfile e o show dos garotos, em seguida voltamos para a sala.
Por espontânea vontade, comecei a agredir com uma almofada, coisa de amigos que querem se divertir e não encontram um modo melhor. Ele gargalhava, sua risada era alta e contagiante.
- Sei que está muito divertido, mas vou precisar acabar com isso. – Disse , puxando a almofada de minhas mãos.
- , você sabe que ela não pode fazer esforço. – reprovou-o.
- Eu não fiz nada, ela que estava me batendo. – Justificou-se, prendendo o riso.
- Não posso mais fazer nada, é isso? – Reclamei.
- Não enquanto os chatos estiverem por perto. – jogou-se ao meu lado e abraçou-me forte.
- E agora? – Questionei.
- Agora vamos precisar sequestrá-la, para podermos nos divertir. – Sussurrou.
- Gosto da ideia. – Sorri. – Onde está ? – Questionei.
- Estou aqui. – Aproximou-se. – Bem, vou para casa. , tomou seus remédios? – Questionou preocupado.
- Não, ainda não deu hora de tomá-los, mas obrigada pela preocupação. – Sorri.
- Como eu disse eu vou para casa, qualquer coisa me ligue, tudo bem? – Disse, direcionando seu olhar para , que apenas assentiu positivamente. – Fique bem pequenina, se cuide e por favor, vá devagar na hora de comer. – abraçou-me. – Se passar mal novamente, me ligue, venho correndo te salvar. – Sorriu e beijou-me a testa.
- Sei que viria... – Sorri agradecendo-o.
- Eu e também iremos. Temos entrevista em alguns minutos, , e não se esqueçam que a de vocês é mais tarde. – Alertou .
- Qualquer coisa me ligue e viemos correndo com a ambulância. – Caçoou. – Fique bem. – abraçou-me e seguiu até a porta.
- Se cuide, moribunda. – Sorriu , aproximando-se. – E mais tarde eu e viremos ficar com você, enquanto vai para a entrevista com os meninos. – Seus olhos pareciam dizer algo, sorriu como se fosse aprontar. – Até mais tarde. – Beijou-me o rosto e saiu junto a e .
- Precisam de ajuda em algo? – Questionou .
- Não, está tudo bem, obrigada . – Disse , sentando-se ao meu lado.
- Então vou para casa também, volto mais tarde para ver como você está. – beijou-me a testa e seguiu rumo a sua casa.
- Estamos a sós, como da primeira vez que vim até sua casa. – sorriu, abraçando-me e colocando-me em seu colo.
- Você ainda lembra? – Questionei.
- Você não lembra? – Fingiu estar ofendido.
- Lembro. Foi a primeira vez que me chamou de princesa. – Sorri.
- Princesinha, foi o que eu disse naquele dia. – Corrigiu-me.
- Foi a primeira vez que...
- Você segurou a minha mão. – Completou e repetiu o gesto, como se fosse a primeira vez. Segurou uma de minhas mãos próxima a seu corpo, e acariciou a superfície da mesma.
- Você se lembra. – Disse admirada.
- Porque não me lembraria? Cada segundo ao seu lado é especial para mim. Tento memorizar cada passo seu, cada sorriso, cada olhar, porque eu não quero perder tempo pensando em outras coisas que não estejam relacionadas a você, eu não quero piscar os olhos e perder a visão que tenho do seu sorriso, dormir e não ouvir o som da sua risada ou não sentir seu cheiro, seu abraço, seu toque, não te sentir perto de mim... Cada segundo, eu tentei decorar seus gestos, o tempo todo, para quando eu estivesse longe eu pudesse te sentir comigo, mas mesmo assim, é impossível, porque você é imprevisível, você é completamente diferente de tudo, de todas. Cada dia o seu sorriso é diferente e cada vez mais eu me apaixono por ele, cada dia o seu beijo é mais doce, cada dia minha menina cresce um pouco mais, cada dia... Você é ainda mais minha... – Segurava minha mão, acariciando-a. – E desde a primeira vez que ficamos sozinhos, eu sabia que havia algo mais entre nós e eu quis que você fosse minha, assim como é agora... Minha, minha princesa. – Passou sua mão sobre meu rosto e sorriu, seus olhos analisaram meus lábios, que mais do que nunca, sorriam para ele.
- Eu te amo... Você não sabe o quão maravilhoso é tê-lo comigo, poder acordar e ver o seu sorriso, ter você cuidando de mim o tempo todo... Eu não sei o que seria, se você não estivesse ao meu lado, se eu não pudesse sentir você aqui... Se Deus tivesse me privado de você, não sei como seria... Incompleta, talvez? – Sussurrei. – Eu te amo meu príncipe, meu menino, meu anjo... – Continuei e então ele selou nossos lábios, sem dúvidas o melhor beijo de todos, era como se estivéssemos com saudades, mesmo estando sempre perto, como se nossos lábios nunca tivessem se tocado, mas se desejado por anos. Como se fosse da primeira vez, mas ainda mais envolvido por haver tanto amor, carinho, saudade, cumplicidade em nós, o beijo mais calmo e agitado que pudemos dar. Simples e sem explicação, as sensações eram únicas e misturadas demais para serem descritas.
- Eu te amo e você já deve estar cansada de ouvir isso, mas enquanto meus olhos não se fecharem para sempre, meu coração continuará pulsando por você. – Minha mão pousava sobre seu peito, sentindo o ritmo acelerado e forte de seu coração.
- Eu te amo. – Sorri, nunca fui boa com palavras, e como sempre, elas sumiam no momento de expressar o que eu sentia, mas ainda assim, mesmo se eu tivesse todas as palavras do mundo, não seria o suficiente.
- É hora do seu remédio. – alertou. – Vou buscá-lo para você. – Caminhou até a cozinha, em seguida entregou-me um copo com água e o comprimido.
- Obrigada. – Sorri.
- Você está bem? – Questionou sentando-se a minha frente.
- Estou. Apenas um pouco cansada, talvez um pouco fraca. – Sorri, lembrando-me de ter passado mal.
- Vou levá-la para a cama e você vai dormir um pouquinho. – Sorriu. – O médico pediu para que você ficasse de repouso, então precisa descansar enquanto isso. – Disse, pegando-me no colo.
- , eu posso andar. – Disse, enquanto ele caminhava até o quarto.
- Deixe-me te levar, não reclame... Quando nos casarmos, farei a mesma coisa e entrarei em casa com você nos braços, como os casais tradicionais. – Sorriu.
- Vamos nos casar? – Questionei sorrindo.
- Claro. Vamos nos casar, ter filhos e cachorros. – Disse, colocando-me na cama. – Não quer se casar comigo? – Questionou.
- Claro que quero, mas não acha que interromperia sua carreira? – Questionei, confesso que me casar era uma das coisas que eu mais queria. Saber que ele é oficialmente meu e que ninguém poderia tirá-lo de mim, não ter aquela insegurança de poder perdê-lo, saber que todas as noites ele estaria a me esperar em casa, ter a completa certeza de que ele seria apenas meu e de mais ninguém. Ele se manteve em silêncio, um pouco aéreo, pensativo, olhando para lugar algum. – Está tudo bem? – Questionei e ele sacudiu a cabeça, saindo de seus pensamentos.
- Sim. – Afirmou. – Mas,então... – Hesitou. Analisei-o atentamente, sentado na cama a meu lado. Seus olhos procuraram os meus. – Então, se eu pedisse para casar com você, agora, você diria não? – Questionou.
- Por quê a pergunta? – Analisei-o, ele sorriu de lado.
- Tudo bem... – Seus olhos eram confusos, talvez, tristes. – Achei que me amava o bastante...
- E eu te amo. – Interrompi-o.
- Então por quê? – Questionou.
- Por quê eu te amo? Eu te amo pelo seu sorriso, pelo jeito que cuida de mim, pelo som da sua risada, por sua voz... - Não! – Sorriu, interrompendo-me. – Por quê diria não?
- Eu não disse isso. – Sorri. – Você diria sim? – Encarei-o, ele ficou em silêncio por alguns segundos.
- Acho que sim... – Hesitou.
- Nossa, eu achei que me amava o bastante. – Caçoei, abraçando-o e o fazendo sorrir. Em seguida, ficou sobre mim, prendendo meus braços entre o colchão e suas mãos. – Você vai pedir para casar comigo? – Gargalhou, a melhor risada do mundo, meu áudio favorito.
- Só se prometer aceitar. – Sorri.
- Prometo. – Aproximou-se lentamente de meu rosto, encarando-me por alguns segundos. – Eu prometo. – Sussurrou em meu ouvido e em seguida mordeu meu lóbulo. – E você promete ser minha? Para sempre? – Questionou soltando meus braços e passando suas mãos sobre meu cabelo. – Promete? – Pediu dando-me um selinho e mantendo seus lábios colados aos meus. Minhas mãos rapidamente passaram por seus braços, indo até sua nuca e puxando-o para mais perto.
- Sou sua. – Sussurrei. – Para sempre. – Continuei, pude ver um sorriso em seus lábios antes que ele me atacasse com um beijo quente, rápido e com desejo. Minhas mãos passeavam procurando a parte inferior da camisa de , suas mãos firmes e ágeis, me mantinham colada em seu corpo, ele me pressionava contra o colchão. Lentamente tirei sua camisa, sua mão esquerda apertava minha coxa puxando-a para ficar ao lado de sua cintura, seus beijos eram cada vez mais rápidos, até que ele pudesse separar nossos lábios e sorrir.
- Você está fraca. – Balançou a cabeça negativamente. – Você precisa descansar, princesa. – Alertou.
- Fique aqui comigo? – Pedi.
- E quem disse que eu iria embora? – Sorriu, deitando-se ao meu lado e abraçando-me. – Eu poderia passar minha vida inteira aqui, olhando para você.
- Não me importo em ficar doente se você estiver cuidando de mim. – Sorri.
- Eu me importo, tenho medo de te perder... – Apertou-me em seu abraço.
- Você não vai me perder. – Afirmei. Ficamos abraçados, então ele começou a cantar minhas canções favoritas, até que eu pudesse adormecer. Quando acordei não estava ao meu lado, mas sentados no sofá ao lado da cama estavam e , analisando-me atentos.
- Finalmente a ‘bela adormecida’ acordou. – Caçoou .
- O que vocês estão fazendo parados aí? – Questionei confusa, esfregando meus olhos. – Onde está...
- foi para a entrevista, ele não quis te acordar e pediu para que ficássemos com você. – interrompeu-me.
- E porque resolveram ficar sentados no sofá, me olhando dormir? – Sorri.
- Porquê ele disse: “Não tirem os olhos dela, não deixem-na esforçar-se demais, façam-na comer e blá blá blá...” – imitou a voz de , fazendo-me sorrir.
- Venha , vamos comer alguma coisa. – puxou-me pelo braço, me ajudando a levantar.
- Não estou com fome. – Disse, caminhando até o banheiro para fazer minha higiene bucal.
- Isso não é novidade. – revirou os olhos. – Você vai ter que comer, se não o chato do se namorado vai nos matar. – Resmungou.
- O que tem para comer, então? – Questionei enquanto escovava os dentes.
- Pizza! – Disse , entusiasmado.
- Você está maluco? Ela precisa de comida saudável. – Reprovou .
- Tudo bem, podemos tentar cozinhar alguma coisa. – Sugeriu .
- Não vou comer nada do que vocês prepararem. – Gargalhei.
- Vamos à algum restaurante, não sei... Você precisa comer. – Disse , encostando-se no batente da porta do banheiro.
- Nós vamos, comemos alguma coisa e voltamos para casa, tudo bem? – Sorri.
- Pegue sua bolsa. – Disse , segurando-me pelo braço.
- Está tudo bem, não vou cair, nem desmaiar. – Sorri, mas ainda assim ele não largou o meu braço nem por um instante.
- Só por precaução. – Sorriu.
- Você dirige. – jogou as chaves do carro para . Em seguida, meu celular apitou, mostrando-me uma mensagem de .
“Ei, se já estiver acordada, coma alguma coisa, não faça muito esforço, espero que tudo fique bem enquanto estou longe. e são loucos, então, não faça nada do que eles pedirem, a não ser que eles digam que fui eu quem disse. Eu te amo, até mais tarde.”
- O idiota? – Zombou .
- Ele pediu para que eu não fizesse nada que vocês mandassem. – Gargalhei.
- Venha, vamos logo. – nos apressou. dirigiu até um restaurante no centro da cidade, logo chegamos, conseguimos uma mesa por pura sorte, o lugar estava lotado. Pedimos nossos pratos, que minutos depois chegaram à mesa, percebi que havia muitos fotógrafos observando-nos, do lado exterior do restaurante e me senti um pouco incomodada.
- Podemos voltar para casa? – Pedi.
- Mas você quase não comeu . – analisou-me preocupado. – Você está passando mal? Quer ir ao médico? – Questionou agitado.
- Está tudo bem comigo, só não quero ser fotografada nesse estado. – Disse tentando tapar meu rosto com o livreto de cardápio do restaurante.
- Não tinha notado a presença de todos eles. – analisou a janela do restaurante, vendo alguns fotógrafos que se amontoavam para tirar fotos.
- Venha , vamos embora. – ajudou-me a levantar, passou seu braço por minha cintura, mantendo-me segura. Caminhamos até o balcão do restaurante, pagou a conta, enquanto pedia para que eles colocassem o almoço para viagem.
- Está tudo bem, pequena? – aproximou-se com alguns embrulhos nas mãos.
- Está tudo bem, só quero sair daqui e se possível sem que eles me fotografem. – Resmunguei. se pôs ao meu lado direito e ao esquerdo, segurando-me pela cintura, dando-me apoio. Caminhamos até a porta de saída, eles tentavam me proteger dos fotógrafos que havia no local. Tentei tapar meu rosto, eu estava com olheiras enormes e assustadoras. Chegamos rapidamente ao automóvel e logo fomos embora.
- Está tudo bem, pequena moribunda? – Questionou , tentando analisar-me através do espelho do veiculo.
- Obrigada por me ajudarem. – Agradeci.
- Vou levá-los para um lugar incrível que conheço. Lá não deve ter fotógrafo algum, é um lugar lindo. – Disse , entusiasmado.
- É muito longe? – Questionei.
- Não, não é muito longe. – Sorriu.
- ? – analisou-o confuso.
- Calma, será legal. – Afirmou e continuou a dirigir por mais alguns minutos.

LIX - Where is my angel?

My heart is breathing for this…

- Chegamos. – Alertou , enquanto estacionava o carro.
- Um parque abandonado? – Questionei analisando em volta.
- Venha, . – puxou-me pelo braço.
- Devagar pequena. – segurou-me pela cintura, apoiando-me, mesmo sabendo que era desnecessário. – pegue as comidas e bebidas? – Pediu e assim ele fez, caminhamos até uma pequena casa que havia no local. Aquele lugar era um parque, parecia abandonado, havia alguns brinquedos velhos, um escorregador, balanço, uma gangorra e uma pequena casinha, todos já com a tinta desgastada por conta da chuva. Entramos na pequena casa e soltou-me para que eu pudesse sentar, sentei-me ao lado da mesinha e ele a minha frente, logo aproximou-se e sentou-se junto a nós.
- Temos comida, bebidas e uma casinha. – Disse , animado.
- Nada nos falta. – sorriu.
- Eu não diria isso. Não temos uma toalha para forrar essa mesa empoeirada. – Passei meu indicador sobre a mesma e mostrei a eles.
- Dou um jeito. – tirou a camisa e forrou a pequena mesa. – Bem... Agora nada nos falta! – Repetiu sua frase anterior, sorrindo.
- Vai ficar sem camisa? – Questionei confusa.
- Você queria um pano para forrar a mesa, não queria? – Questionou.
- Isso é constrangedor. – Reclamou . – Não vou conseguir almoçar. – Gargalhou.
- Acho que eu também não conseguirei, . – Zombei.
- O que? Sou lindo, mas não precisam ficar parados aí, me olhando dessa forma. – Gargalhou. – Venha cá, me dê um abraço. – Puxou-me, me apertando contra seu peito.
- Que desagradável! – Brinquei, enquanto gargalhava.
- Vamos comer, depois podemos brincar no parque, igual quando éramos crianças. – sorria e havia um brilho em seus olhos, como nunca antes.
- De onde você conhece esse lugar? – Questionei curiosa.
- Costumava vir aqui com a minha avó, antes de ela ficar muito doente e falecer. Ela ficava conversando comigo, enquanto eu corria e brincava neste parque. – Analisou o lado externo da casa, através da porta. – Este lugar continua o mesmo, nada mudou. – Sorriu. – Parece até que... – Hesitou. – Quando eu sair lá fora, ela estará sentada em um dos balanços, cantando algumas cantigas de roda para mim. – Analisou.
- Esse lugar é calmo e apesar da tinta desgastada dos brinquedos, é bonito e me sinto bem aqui. – Sorri. – Obrigada por nos trazer. – Segurei a mão de que apenas sorriu.
- Eu sinto muito. – analisou-nos.
- Tudo bem, . – sacudiu a cabeça para espantar os pensamentos. Almoçamos, eles me fizeram comer toda a comida e por isso demoramos um pouco mais dentro da casinha. – Finalmente, pequena. – Suspirou.
- Acho que vou explodir. – Resmunguei.
- Está tudo bem? – Questionou , preocupado.
- Sim, está tudo bem. – Gargalhei da expressão espantada que ele fez e saí correndo para fora da casa.
- Ei, volte aqui. Você não pode correr, não pode fazer tanto esforço. – Gritou.
- Me obrigue. – Corri e pude vê-lo me seguir.
- Eu vou te pegar, anã. – Gargalhou. Ele era rápido, estava quase me alcançando.
- Ei, esperem por mim. – Gritou , enquanto corria, juntando-se a nós.
- Vocês correm como duas garotinhas. – Gritei e quando virei o rosto para analisar a distância que havia entre nós, pulou em cima de mim, derrubando-me na grama alta e fofa. – Ai! – Resmunguei.
- Garotinha, não é? – Sorria. – Vamos ver, então. – Começou a fazer cócegas em mim, me fazendo gargalhar.
- , para, para. – Gritei ainda gargalhando.
- Repita comigo... Eu acho o a pessoa mais linda do mundo. – Gargalhou.
- Nunca. – Gritei, tentando fugir dele, mas era impossível, não tinha forças para fugir. Risadas me fazem perder a força.
- Ahá! – Gritou ao pular nas costas de , empurrando-o para longe de mim.
- Venha . – puxou-me e me colocou em suas costas, em seguida correu e tentava nos alcançar.
- , vamos cair. Vai devagar. – Gritei me segurando o mais forte possível, e fechando meus olhos.
- Consigo correr mais do que isso. – Gargalhou acelerando os passos.
- Devagar .
- Há! – pulou sobre nós, fazendo com que caíssemos todos.
- Aí! – Gritei, ao ser arremessada das costas de , direto ao chão.
- , ... Está tudo bem? – aproximou-se assustado.
- Se machucou? – analisou-me.
- Não, está doendo o meu tornozelo. – resmunguei.
- , vamos levá-la ao médico. – abaixou-se, pegando-me no colo e automaticamente comecei a gargalhar e no mesmo instante, ele me largou no chão novamente.
- Ai! – Resmunguei, deitando-me e admirando o céu.
- Está tudo bem? – Questionou sentando-se ao meu lado.
- Tudo bem, deita aí. – Empurrei-o e ele se deitou no chão ao meu lado, seguido por , que ficava procurando figuras nas nuvens. Ficamos alguns minutos olhando o céu, sem falarmos nada.
- Olhem, é um coelho, ali estão as orelhas, o nariz... – apontou para uma das nuvens.
- Como você é bobo, aquilo não parece um coelho. – Sorri, e logo se levantou, puxando-me pela mão.
- Vamos ao balanço. – Sorriu e me arrastou até o brinquedo. Sentei-me em um dos balanços, ele sentou-se ao meu lado e começou a cantarolar uma cantiga enquanto nos balançávamos.
- Essa era a música que sua avó cantava para você? – Questionei analisando-o.
- Era sim. – Forçou um sorriso.
- Está tudo bem? Se quiser podemos voltar para casa. – Sugeri.
-Ei, não. Está tudo bem, quero que se divirta, quero que aproveite o tempo fora de casa, ao ar livre. – Sorriu.
- Eu não me importo, se você não estiver bem, podemos voltar, comer alguma coisa em casa, assistir algum filme. – Disse preocupada e ele sorriu, não poderia ver triste, ele sempre foi alegre e engraçado, eu não queria vê-lo mau.
- Eu posso empurrar? – aproximou-se.
- Eu primeiro. – Gritei e então ele me empurrou. – Você está muito fraquinho. – Sorri e ele empurrou ainda mais, então quando o balanço estava no ponto mais alto, eu me soltei e pulei, como fazia quando era pequena. – Agora você , duvido ir mais longe do que eu. – Provoquei. o empurrou e pulou, caindo ao meu lado e gargalhando. Paramos, esperando o ar voltar aos nossos pulmões, as gargalhadas eram intensas, não me lembrava da última vez que eu havia sorrido assim.
- Acho que vai chover. – alertou, analisando o céu. Assim que terminou de falar as gotas d’água começaram a cair fortes e grossas.
- Acho que é hora de irmos para casa. – Levantei-me do chão e corri tentando fugir da chuva.
- Acho que é hora de... Guerra de areia. – Gritou , jogando um pouco da areia molhada em mim.
- Pare com isso, . – Joguei areia nos garotos e assim começamos a guerra, como havia dito. Tentei não me sujar muito, mas era impossível. Gargalhávamos e nos divertiamos muito, até que pude ouvir uma voz conhecida.
- Espere... Calma. – Era quem gritava, mas o que ele estava fazendo ali? Como ele soube que estávamos naquele lugar?
- O que vocês pensam que estão fazendo? – aproximou-se furioso.
- Estamos nos divertindo, apenas. – analisou-o confuso.
- Como se divertindo, ? Ela está doente, deveria estar de repouso. – Disse alterado.
-Ei, Está tudo bem. – Aproximei-me dele.
- Está tudo bem? Olhe só para você, está molhada. – Reprovou. – , vocês não deveriam ter trago ela para cá. Olhem esse lugar, ela não pode fica exposta assim, confiei em você para cuida dela...
- Acalme-se . – Disse , puxando-o pelo braço.
- Como acalmar? Olhe para ela. – puxou-me para perto de seu corpo, passando as mãos sobre meu braço para me aquecer. – Ela está frágil. O que vocês estavam pensando quando a trouxeram para cá? – Questionou.
- Que você está proibindo-a de se divertir. – encarou-o.
- Eu estava protegendo-a. – Disse num tom de voz alterado.
- Ela não vai melhorar ficando deitada em uma cama, . – Argumentou .
- Sei como cuidar dela, espero que vocês não atrapalhem na recuperação. – encarou-os.
- E isso quer dizer o que? – Aproximou-se .
- Quer dizer que eu não quero que vocês...
- , chega. – o interrompeu. – Está tudo bem, vai para casa... – Disse, ficando entre e .
- Vamos embora. – puxou-me pelo braço.
- Pare. , pare com isso. – Gritei, soltando-me dele.
- O que houve? – Analisou-me confuso.
- Porque você fez isso? Eu estou bem, estou ótima. Hoje sorri como não faço há muito tempo e isso foi graças a eles, quero que desculpe-se. – Pedi.
- Eu estou preocupado com você, estou tentando cuidar de você... – Hesitou. – Então, deixe-me fazer isso do meu jeito, por favor. – Suspirou e segurou minhas mãos.
- Ah! – Sacudi a cabeça negativamente e soltei-o.
- Vamos para casa. – Alterou-se. – Você está toda molhada e vai resfriar-se. – Segurou meu braço, puxando-me.
- Você está me machucando. – Disse, tentando me soltar.
- Você tem que descansar. – Fixou seus olhos nos meus, mas não parecia o mesmo .
- Já disse que estou bem. – Me virei e corri até , que permanecia paralisado analisando-nos. – Desculpe, desculpe por isso, . – Abracei-o.
- Tudo bem pequena, depois nos falamos. – Sorriu fraco.
- ,desculpe-me pelo , não sei o que deu nele... – Tentei explicar a reação de .
- ... – chamou-me impaciente.
- Ele só está tentando cuidar de você. – Sussurrou . – Vai fica tudo bem. – Abraçou-me.
- Não , não está tudo bem e não ficará. – Disse tentando conter as lágrimas, eu estava envergonhada, me senti culpada pelo desentendimento dos meninos. Não consegui reconhecer , ele estava extremamente autoritário, ele não é dessa forma. analisou-me confuso, em seguida, direcionou seu olhar para que aproximava-se. Me virei, ficando de costas e a única coisa que pude sentir foi sua mão firme, segurar meu braço fortemente e puxar-me em direção ao automóvel. Ele abriu o carro e colocou-me dentro do veículo. Questionei-me onde estava o meu , aquele que cuidava de mim, esse que estava em minha frente não era ele, me machucando e me levando contra minha vontade, ele tinha uma forma de me convencer a fazer as coisas e definitivamente essa não era a certa.
- O que você estava pensando quando veio para cá? – Gritou, extremamente nervoso.
- Pare de gritar... – Hesitei. – Eu estava precisando me divertir, você está me sufocando . – Reclamei.
- Deixe-me tirar essa sua roupa molhada. – Puxou-me para perto, abrindo o botão do meu jeans.
- Pare com isso, eu sei me cuidar. – Gritei nervosa.
- Eu estou tentando te ajudar. – Justificou-se.
- Eu estou bem, não preciso de ajuda. – Eu o afastei.
- Trouxe um casaco, tire essa roupa molhada e coloque-o. – Entregou-me um sobretudo preto.
- Como você chegou aqui e porque tratou daquela forma? – Questionei tentando encontrar respostas em sua expressão.
- Saíram algumas fotos de vocês... – Hesitou. – estava com você nas costas, e outra com você no colo.
- O que? Tudo isso por achar que eu e ... – Hesitei, não consegui terminar a frase. Eu estava alterada, não pude acreditar no que ele havia dito.
- Eu não sei. – Aproximou-se puxando minha camiseta. – Não sei o que pensar agora. – Disse enquanto eu colocava o sobretudo.
- Vai embora, ... Agora! – Encarei-o e algumas lágrimas insistiam em escorrer de meus olhos, mas mantive meu tom de voz firme e seguro, continuei forte apesar de tudo.
- Olhe para mim... – Sussurrou. – Eu quero que você fique bem. – Segurou meu rosto.
- Eu estou bem, já disse. – Resmunguei.
- Ei, deixe-me cuidar de você... – Puxou-me para si e beijou-me a testa.
- Chega! Eu preciso de tempo, eu... – Hesitei. – Eu não sei...
- Você quer terminar? – Questionou, analisando-me confuso.
- Eu quero... Eu preciso pensar. – Afastei-me.
- É por causa do ? Você e ele estão?...


Point Of View - McFly


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- , o que tem de errado com você? Sempre soube que ele é meu amigo. Eles são meus melhores amigos. – Apontei para o lado externo, através da janela, observando os garotos perplexos, analisando o automóvel, enquanto ainda estavam na chuva. – Incluindo você e . Melhores amigos estão ao seu lado para cuidar de você, te fazerem sorrir e lembrar-se das melhores coisas da vida, que é ser feliz, independente de qualquer coisa, de estar triste, desapontado ou doente, sem impor limites...
- Mas eu estou cuidando de você... Estou tentando. – Disse cabisbaixo.
- Mas e a felicidade independente de qualquer coisa? E as brincadeiras que sempre tivemos? Os momentos que vivemos um para o outro? E tudo...
- Tudo? Você jogou no lixo, você apenas descartou. Nos descartou, estamos desgastados, acabados. – Interrompeu-me.
- É claro, onde está a confiança, ? – Questionei. – Desconfiou da sua namorada e das pessoas que cuidaram dela quando você esteve fora. – Olhei para a janela e apontei para , que junto aos garotos caminhavam até a pequena casinha, para se proteger da chuva que ficava cada vez mais forte. – Aquele é o meu garoto faminto, ele tem cuidado de mim, extremamente bem. – Em seguida apontei para . – Aquele ali é meu segurança grande e forte e ele me trouxe para este lugar maravilhoso, para que eu pudesse me divertir. E o ? Ele quem cuida de mim quando eu me machuco... Quando você me machuca. Desde cortes nas mãos, até coração partido. – Voltei meu olhar para a janela. – Aquele é meu irmão, ele quem estava comigo quando você beijou a , ele quem me levou para um mundo paralelo... Onde ele esquecia de tudo, um lugar vazio, mas que se tornava cheio por todos os pensamentos que o atormentava, a pessoa que me ajudou a ficar na Inglaterra, até que você assinasse a minha passagem de volta, ele nos ajudou em relação ao Bob... – Hesitei. – E o mais importante, foi por causa dele que eu conheci você... Açúcar e café não faz sentido sem ele... Sem você! – Encarei seus olhos e pude vê-lo chorar. Droga! Eu o machuquei, mas isso doía mais em mim. – E você... Meu príncipe, meu anjo, você segurou a minha mão...
- Para que não sentisse medo... – Completou.
- Você deitou no meu colo...
- Eu amo quando você meche no meu cabelo.
- Você me abraçou...
- Eu não queria que você sentisse frio.
- Você flertou comigo...
- Eu já sentia necessidade de você.
- Você me protegeu...
- Eu precisava disso, porque se acontecesse algo a você, eu jamais me perdoaria.
- Você dormia comigo...
- Porque eu queria que você entendesse, que eu sempre estaria lá.
- Os bilhetes, os chocolates, as flores, os dias que passávamos juntos na cozinha, quando você me levava para o trabalho ou quando você parava para me admirar. Onde foi parar tudo isso? Você sempre me fez sorrir, mas está me sufocando agora. – Olhei para baixo, fitando minha mão que estava sobre sua perna e ele a segurou, passando os dedos sobre o anel que havia me dado.
- Eu escolhi você... – Sussurrou.
- E você é minha escolha, mas pode ter sido a errada. – Afastei minhas mãos da dele. – Talvez eu saiba desde o começo. – Encarei-o, seus olhos captavam cada gesto meu, suas mãos frias pousaram sobre meu rosto, puxando-me lentamente para mais perto, meus olhos se mantinham atentos, enquanto enxergavam lágrimas silenciosas e incolores deslizarem sobre sua pele lisa e escorrerem sobre suas covinhas, que antes davam lugar ao seu sorriso, seus lábios tocaram os meus, fazendo-o fechar os olhos, como um anjo. Eu não poderia fazer o mesmo, ele estava machucado... Um anjo machucado, era como se eu tivesse quebrado suas asas... E as minhas? Era como se ele as tivesse cortado, e eu estava ali, as vendo sangrar. Minhas mãos o afastaram de mim, mas contradizendo minha própria ação, segurei fortemente sua camisa, ele me abraçou fazendo com que minhas mãos ficassem entre nossos corpos, afundei-me em seu peito, sentindo-me segura. – Fique aqui. – Sussurrei o mais baixo que pude.
- Vou ficar, princesa. – beijou o topo de minha cabeça.
- Não, você precisa ir... – Afastei-me mais uma vez.
- O que aconteceu conosco, pequena? – Questionou.
- O que aconteceu com você, ? Eu te perdi. – Respondi.
- Não me perdeu, eu estou aqui minha menina, eu sempre vou estar...
- Você está diferente, não é o meu príncipe, eu não sei...
- Como? Sou eu, o seu . Porque você está dizendo isso? – Seus olhos eram tristes e marejados, tentei não encará-lo, não queria vê-lo chorar novamente.
- Vá para casa. – Eu devia ter dito “vá para sua casa.”, mas ainda havia esperança de que ele estivesse na minha... Na nossa casa. Mesmo que eu precisasse ser forte, mesmo que não fizéssemos as pazes, eu ainda queria vê-lo, como de costume. Ele apenas encarou-me e segurou minhas mãos.
- Você não me ama mais? – Questionou, seu olhos continuavam fixos nos meus, fiquei em silêncio, analisando-o, vendo-o ficar distante, mesmo estando em minha frente. – Tudo bem... – Hesitou. – Eu... – Ele apenas selou nossos lábios e eu saí do carro.
- Vá para casa. – Pedi, então ele abriu a mão deixando apenas a minha sobre. Acho que de todas as coisas que eu disse, não tê-lo respondido foi a pior de minhas ações, deixei que minha mão deslizasse sobre a dele e novamente pude ver lágrimas em seus olhos, dessa vez ainda mais grosas, passei meus dedos sobe suas bochechas coradas, com a intenção de secar as lágrimas que não cessaram o abracei como se fosse o último, como se fosse o primeiro. – Eu amo você... Não esquece. – Sussurrei em seu ouvido e então segui sem olhar para trás, ele ficou me vendo ir embora, me vendo partir para longe e o pior, eu estava deixando-o. Como pude? Caminhei até pouco antes da pequena casa onde estavam os meninos, que se protegiam da chuva, que agora já havia diminuído, pude ver se aproximar do carro de , provavelmente os meninos haviam ligado para ele, fiquei analisando-o e abriu a porta do carro. O silêncio era gritante, fui capaz de ouvir os baixos sussurros e minha própria respiração ofegante.
- “Quer que eu volte com você? – questionou a . - Não, ela precisa de você. Peça desculpas aos garotos por mim. – Hesitou. – Cuide dela, tire-a da chuva.” analisou-me por alguns instantes, o abraçou e lhe disse algo que não pude ouvir, talvez o som de sua voz tenha sido abafado pelo som dos soluços, tanto meus, quanto de . Eles se separaram do abraço e sequei minhas lágrimas que se misturavam com as gotas da chuva, caminhou até mim, enquanto o meu olhar continuava conectado ao de . - Vem, tudo vai ficar bem... Saia da chuva para não se resfriar. – abraçou-me e me levou para dentro da casinha. Todos eles me analisavam preocupados, sem dizer nenhuma palavra.
- Está tudo bem. – Fechei os olhos e suspirei. Então pude ouvir a porta do carro fechar-se e o motor ranger, aos poucos o ruído foi ficando mais baixo, até que não pudesse mais ouvi-lo, silêncio absoluto por alguns instantes. As lágrimas começaram a correr de meus olhos, descontroladamente, por ele ter partido. – Eu o mandei embora... Acabou... A minha vida. – Em instantes todos eles estavam ali, abraçando-me, cuidando de mim, apoiando-me.
- Vamos para casa. – me abraçou e caminhamos até o carro. Ele quem dirigiu, foi no banco da frente, o banco traseiro, junto a mim, e . Logo chegamos e então fomos em direção a minha casa.
- Tudo bem! – Disse quando aproximou-se para me ajudar. Caminhamos até a casa e entramos.
- Você precisa comer alguma coisa. – puxou-me para cozinha.
- Vou para o banho. – Soltei-me e caminhei até o banheiro, liguei o chuveiro e deixei a água escorrer pelo meu copo, algumas lágrimas também escorreram, eu estava confusa, precisava pensar, precisava de tempo, espaço, eu não queria machucá-lo... Eu não quis.
- Pequena, está tudo bem? – Questionou , batendo na porta. – Já faz mais de trinta minutos que você esta aí.
- Já vou descer! – Respirei fundo, tentando controlar minhas lágrimas. Desliguei o chuveiro e me vesti, coloquei um jeans preto, bota, camiseta banca e uma camisa xadrez por cima, arrumei meu cabelo e caminhei até a sala.
- Está tudo bem? – analisou-me.
- Vai ficar. – Tentei sorrir. – Preciso ficar sozinha. – Disse. – Vocês se importam?
- Fique bem. – Abraçaram-me e saíram. Fiquei intacta pensando em tudo o que havia feito. – Droga! O que estou fazendo? – Questionei a mim mesma. Resolvi caminhar um pouco, andei algumas quadras enquanto pensava, mas logo voltei para casa, era pouco mais de 18h. Resolvi ir à casa de , toquei a campainha e ele não atendeu, seu carro estava lá, girei a maçaneta e por sorte a porta estava aberta. Seu celular estava sobre a mesa da cozinha, havia duas ligações não atendidas, eram de ... Mas será possível que e ? Não, ele não faria isso. – ? – Caminhei pela sala. – ? – Me dirigi até seu quarto e por sorte ele estava lá. – Precisamos conversar. – Disse.
- Você quer fazer isso? – Questionou.
- Você é quem sempre foge, . – Ironizei.
- Não comece com isso, . Eu não quero brigar. – Caminhou aproximando-se.
- Ela voltou, não foi? – Questionei, mas tive medo da resposta.
- Sim, ela voltou. – Respondeu. – Mas está tudo bem. Nada mudou entre nós...
- Você vive dizendo que está tudo bem ou que ficará tudo bem, mas olhe para nós, . Quando foi que perdemos tudo o que tínhamos? – O interrompi.
- Acho que... – Hesitou. – Perdemos tudo quando você deixou de me amar, no momento que parou de olhar em meus olhos. – Gritou, era a primeira vez que ele se alterava a ponto de gritar daquela forma, o som ecoou pela casa, como se suas palavras nunca pudessem parar de serem repetidas. E isso machucava tanto.
- Então olhe para mim e diga tudo o que está pensando agora. – Minha voz era trêmula e denunciava o meu nervosismo.
- Você não quer ouvir o que tenho para falar. Não vai aguentar. – Continuou.
- Diga, . – Gritei tentando controlar as lágrimas que já queriam transbordar. – Eu aguento ouvir tudo o que você tem a dizer, então...
- Eu estou cansado, cansado de fazer tudo e sempre estar errado. Cansado de tentar te proteger e você me afastar dizendo que não precisa de mim. Eu já pensei, já pensei em ir embora, porque eu não posso cuidar de você. É impossível, você não permite, você consegue entender?
- Vá... Vá embora. Não vou te pedir para ficar, não vou te obrigar a ficar comigo, então... Se você quiser ir, esse é o momento. – Disse em meio às lágrimas. Seus olhos, confusos, frustrados e tão tristes quanto os meus, me pediram desculpas.
- Então... – Hesitou. – Desculpe. – Levantou-se e caminhou em direção à porta, eu o segui. Ele deixou sobre o balcão da cozinha, uma pequena caixa e um bilhete, assim que saiu, fui até a mesma e o peguei.
“ Queria que você me escolhesse. Queria que você fosse só minha, que você dissesse que me ama, que me pedisse para ficar, eu preciso de você, hoje, amanhã e sempre. Porque amor não é só uma palavra, é entregar-se de corpo, alma e coração... Eu te amo princesa.”
Os soluços ficavam mais intensos a cada palavra lida, a cada letra daquele bilhete escrito por ele. Peguei a pequena caixa e a abri, havia uma joia, parecia um anel de noivado e um segundo bilhete.
“ Sei que você disse que é cedo demais, mas percebi o quanto tenho medo de te perder... Eu te amo e escolhi você! Então... Casa comigo?”
Fiquei observando aquele anel e aqueles bilhetes, tentando retomar o fôlego entre os soluços, em seguida peguei a caixinha e os pequenos pedaços de papel, caminhei até minha casa e procurei pela chave do meu automóvel, peguei minha bolsa e saí, indo em direção ao meu carro, o de continuava estacionado frente a sua casa. Escrevi a resposta ao bilhete, junto a mais algumas coisas e comecei a dirigir o mais rápido que pude. Eu tinha certeza que ele estaria lá... Os minutos passaram se arrastando, o rádio estava ligado e todas as músicas me faziam lembrar dele, desde as mais lentas até as mais agitadas. – Dia longo... – Suspirei mais tranquila. Eu esperava encontrá-lo naquele bosque, onde seus pais se conheceram, onde nos ‘casamos’, eu esperava poder passar a noite olhando o céu e as estelas, junto a ele. Estacionei a poucos metros do lugar, peguei a caixinha e os bilhetes e caminhei até conseguir vê-lo, mas ele não estava sozinho, havia alguém e um carro com as portas abertas, parei há alguns metros distantes e continuei analisando-o.
- “Então era isso... – Ele sorriu e entregou uma pequena aliança de papel a garota.
- Isso é tão bonito... – Disse ela e então percebi que era .
- Não é tão valioso... – sorriu fraco. – Talvez pareça até um pouco bobo, eu não sei. – Desviou seus olhos da garota.
- É sincero. – Disse ela, segurando seu rosto e virando-o para ela novamente. – Você sempre foi assim. – Entregou-o um outro anel de papel. – Espero que tudo se resolva, que você fique bem! – Abraçou-o, então percebeu que eu estava ali. Por alguns instantes imaginei que ela fosse beijá-lo, mas não foi o que fez, em seguida sussurrou algo que não pude ouvir, então me virei em direção ao meu veiculo e voltei a analisá-los por segundos, pude ver apontar para mim, encarou-me, nossos olhos fixos um no outro, continuei a andar e ele estava paralisado.
- Vai, vai lá..." –
o empurrou de leve e ele correu até mim. Entrei no carro o mais rápido que pude e coloquei o cinto de segurança, ele adentrou ao veículo sentando-se ao meu lado.
- Desce do carro! – Suspirei tentando controlar meu tom de voz, mas ele não desceu. – Eu sempre soube que você gostava dela... Eu lembro como você ficou quando ela foi embora. – Encarei a estrada.
- Como assim? Eu gostar da ? – Questionou.
- Vi como você estava sorrindo para ela...
- O que tem de errado conosco? Comigo? Com você? – parecia procurar por respostas.
- O que há de errado comigo? O que há de errado, foi eu ter me apaixonado por você. Ter permitido que você entrasse na minha vida, não ter conseguido controlar todos os sentimentos em relação a isso. – Gritei enquanto arrancava com o carro. – Eu não queria te amar, eu não vou mais fazer isso... – Gritei o mais alto que pude, minhas lágrimas deixavam minha visão distorcida.
- Eu te amo. – tentou tocar minha mão.
- Eu te odeio... Te odeio, quero que você vá embora e que me odeie também. – Meu tom de voz continuava alterado e a única coisa que consegui enxergar através do retrovisor foi a dor que cobriu a expressão de por completo, como se eu estivesse atacando-o com um canivete.
- Isso me machuca tanto. – Disse. Evitei encará-lo, não queria ver seus olhos chorarem, então fixei meus olhos na estada.
- Isso era algo que talvez eu preferisse ouvir. A dor seria menor do que te ver com ela, com a garota que sempre tentou te manter longe de mim... Tentou te levar para longe, sem te dar chances de dizer sequer uma palavra, sem ao menos um adeus. – Hesitei. – Ela conseguiu, não foi? – Senti uma enorme dor no coração, como se tudo estivesse acabando naquele momento, sem que pudéssemos nos desculpar pelos erros, sem um último beijo de despedida. Nem todas as milhões de gotas salgadas que escorriam dos meus olhos, foram capazes de lavar meu coração e pela primeira vez na vida a dor não transbordou o suficiente, quanto mais eu chorava, mais doía. Encostei novamente o carro.
- SAI do carro. – Disse num tom forte e alto, tentei me manter o mais firme possível, para não pular nos braços dele, que tanto me deixavam segura, mas que agora só me traria dor.
- Eu te amo... – Gritou.

LX - It's a lover's final breath

- Pare de falar isso, não minta... – Apoiei-me ao volante, tapando meus ouvidos. – Por favor, , desça do carro. – Disse tentando manter minha voz num tom uniforme.
- Não vou deixá-la voltar para casa sozinha, não neste estado. – Justificou-se.
- ... Por favor, deixe-me voltar para casa, eu preciso... Pensar! – Tentei encará-lo.
- Eu não vou sair. Desista, desista de me mandar embora. Vou ficar, mesmo que você não queira, estou aqui... – Sussurrou num tom fracassado e triste. – Você me ama? – Questionou-me, em meio à sua respiração pesada.
- Não ... – Hesitei, fitando a estrada que havia adiante. – Eu não sei! – Minhas lágrimas escorriam, fazendo minha voz falhar, aquelas palavras me machucaram tanto quanto a ele. O quão sádica eu podia ser? Machucá-lo não era a melhor ideia, fazendo isso eu estaria criando feridas em mim mesma, me autodestruindo. Virei meu rosto para analisá-lo, ele se manteve recostado no banco, a cabeça pousada sobre o mesmo, fitando o teto, suas lágrimas também escorriam, mas, discretas pelos cantos dos olhos, escorrendo pelas têmporas e se perdendo em sua infelicidade momentânea, ou não, ele mordeu os lábios por duas ou três vezes, tentando evitar que o som de seu choro, de sua dor, ecoasse naquele carro. “Eu te amo, amo mais do que qualquer coisa!” Pensei comigo mesma, mas o orgulho me impedia de dizer qualquer coisa. Droga!
Eu sabia que seria em vão implorar para que ele descesse, então num surto de nervosismo, arranquei com o automóvel. As grossas lágrimas transbordavam de meus olhos, até que eu me vi completamente cegada por elas, eu estava em alta velocidade, numa estrada escura, iluminada apenas pelos faróis do automóvel. Minha turva visão pode enxergar uma enorme parede de pedras, que cercava entorno da grande curva daquela estrada, congelei por alguns segundos, meus reflexos me abandonaram, pude sentir segurar minha mão e girar o volante para a direita tentando acompanhar o curso daquela rua, em vão, a velocidade em que estávamos fez com que o carro capotasse, voando pelos ares como um pedaço de papel, e sendo lançado bruscamente direto á grande e firme muralha. Pude ver ser arremessado contra a grande parede que destruiu toda a lateral do carro, assim fazendo com que ele ficasse preso nas ferragens. Eu estava tonta e minha cabeça doía, tudo parecia estar girando rápido, rápido demais.
- ... – Tentei reorganizar meus pensamentos. O que havia acontecido? Em poucos segundos estávamos apenas discutindo dentro do veiculo, agora me vejo totalmente tonta e ele ao meu lado, aparentemente desacordado. – ! – Gritei desesperada, após perceber que havia sangue em seu rosto,assim como em seu fêmur, preso ás ferragens, ele estava parado, olhos fechados. Eu estava assustada, com medo, sem reação, o que eu poderia fazer? Eu o machuquei, ainda mais do que ele fizera comigo. – , acorda! – Gritei assustada, o mais alto que pude. Seus olhos se abriram lentos e pesados e ele gemeu de dor, parecia fraco, sua respiração lutando para se manter constante, tudo parecia ficar em câmera lenta agora.
- Eu te amo! – Disse, sua voz era baixa, quase como um sussurro. Seus olhos, cansados se fecharam. Tive ainda mais medo de que eu não pudesse mais ver seu magnífico olhar brilhar para mim, medo de não encontrar nos olhos dele, a minha calma, minha segurança, minha paz e principalmente, o amor da minha vida.
- Fique comigo! – Sussurrei, mas ele já não respondia, embora seus olhos estivessem novamente abertos, estava fraco, sua respiração oscilava. – Calma, vou dar um jeito, vou te tirar daqui, a dor vai passar... – Disse tentando acalmá-lo, tentando convencer-me de que tudo iria ficar bem. Observei em volta procurando o celular, analisei a estrada por alguns segundos até que a luz do farol ofuscou minha visão e alguém aproximou-se rapidamente.
- Meu Deus! Fiquem calmos, eu vou ligar para a ambulância. – Disse a garota desesperada, era . Não a encarei, mas pude vê-la pegar o celular, discar alguns números, falando com ansiedade e pressa o endereço do local.
- , aguente firme, só mais um pouco. Eles estão vindo para ajudar! – Disse tentando mantê-lo de olhos abertos. – fique comigo... Fique comigo! – Eu gritava com medo, quando podia vê-lo fechar os olhos levemente. Ele, mesmo sentindo dor esforçou-se e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.
- Pode dizer que vai ficar tudo bem? – Disse com exaustão em suas palavras, com um descompasso na respiração. – Por favor... – Pediu. Suplicou. Eu hesitei, tive medo de que não ficasse, tive medo que minhas palavras não soassem como eu queria.
- Vai ficar tudo bem. – Disse baixo.
- Fique comigo princesa? – Sussurrou, falhando.
- Eu fico, eu fico com você... – Involuntariamente deixei que meu corpo recostasse sobre o dele, que gemeu de dor mais uma vez.
- Está tudo bem. – Alertou. – Eu te amo, pequena... E amanhã quando voltarmos para casa. – Hesitou a procura de ar. – Porque depois disso, vamos precisar passar uma noite no hospital. – Ele tentou sorrir, uma tentativa de humor falha, pois pareceu sentir dor e logo seu sorriso desaparecera. – Eu quero que você prepare panquecas, as melhores do país, depois das minhas. – Tentou brincar, falhou novamente. Eu não podia sorrir, não ali, naquela situação. – Eu preciso descansar um pouco agora, então antes que eu feche meus olhos, antes que eu não veja mais os seus... – Hesitou. – Eu quero mais um beijo. – Pediu e assim eu o fiz, selei nossos lábios levemente e ele deu um meio sorriso. Pousei minha cabeça em seu peito, e pude ouvir seu coração bater, agora mais fraco.
- Então fique comigo, fique acordado... – Pude ver seus olhos se fecharem lentos e cansados. – Eu te amo, eu te amo fique comigo... Não me deixe, , não me deixe... – Supliquei, eu tinha medo de perdê-lo, eu sabia disso, mas naqueles minutos tudo pareceu ainda pior, eu tinha a plena certeza de que se ele me deixasse, eu não viveria, não sem ele. Sua respiração era fraca e quase imperceptível agora. A única pessoa que eu conseguia enxergar era ele, como se tudo em volta estivesse se transformando em um borrão, eu só queria tirá-lo daquele lugar. Pude ouvir a sirene aproximando-se, luzes vermelhas brilhavam em volta. Meu medo se intensificou e as lágrimas escorriam lavando meu rosto.
- Ei, acalme-se... Você sabe que vai dar tudo certo. – Sussurrou com esforço, ainda sem abrir os olhos.
- Amor, eles vieram te ajudar... Abra os olhos... – Pedi tentando controlar as lágrimas. Ele não respondeu. – ... , por favor, não me deixe sozinha, fique comigo... Eu te amo! – Gritei. Eu estava recostada em seu peito, seu coração palpitava descompassado, fraco, me deixando.
- Ei! Não faça esforço, vamos tirá-los daí. – Disse um homem ao lado da janela. Alguns enfermeiros aproximaram-se junto a uma maca. Com algum esforço eles conseguiram abrir a porta do motorista, que não estava tão danificada. – Você sente dor? – Um dos enfermeiros apertou minha nuca.
- Não, estou bem. Salve a ele. – Disse observando ao meu lado.
- Sente náuseas? Sua cabeça dói? Está sentindo dor em algum lugar? – Questionou novamente.
- Não, Já disse, estou bem. Olhe para ele, salve-o, ajude ... – Gritei num tom desesperador. Aqueles enfermeiros que deveriam ser a ‘ajuda’ não estavam cuidando dele. Eu estaria bem, contanto que ele estivesse.
- Precisamos tirá-la daqui primeiro. Acalme-se. – Justificou.
- Eu faço qualquer coisa para vocês salvarem ele. Se precisar que eu saia andando, eu saio, mas ajudem-no. Tirem-no daqui. – Pedi. Implorei.
- Fique calma! – Alertou-me.
- Calma? Como quer que eu fique calma? Tire-o daqui e então eu estarei bem. – Gritei, era um misto de medo, raiva de mim mesma, desespero. Era tudo, tudo de ruim caindo sobre minhas costas, como se eu precisasse carregar toda a dor que há no mundo. Eu tinha esperanças de que ele saísse de lá bem... Mas como poderia? Pude ouvir seu coração parar de bater. Assisti meu anjo me deixar.
‘- Você consegue sentir isso? Ele está acelerado porque estou com você. ’
Então, essa sou eu? Capaz de fazer o coração de acelerar e em seguida, pará-lo. Que tipo de pessoa eu sou? Que tipo de monstro? Porque fiz isso com ele? Como pude machucá-lo? Eu não viveria com isso, eu não poderia... As lembranças de todos os momentos ao lado dele começavam a passar como se estivesse em um filme e depois tudo estava confuso novamente, pessoas gritavam do lado externo do automóvel, rostos assustados tentando passar tranquilidade. Que grande mentira. Em segundos, todas as brigas e palavras ruins que dissemos um ao outro ecoavam em meus ouvidos, perturbando minha mente sã. Não, não sã, minha mente insana, talvez por estar tão perturbada eu não tenha o enxergado direito, não tenha escutado, conversado, agora acabou, eu o matei, eu matei o amor da minha vida?
Os paramédicos foram rápidos ao me tirar do carro, mas enquanto estivesse ali, era como se tudo passasse em câmera lenta. Os bombeiros preparavam os aparatos para cortar as ferragens, um dos médicos me examinou para se certificar de que estava tudo bem comigo. Eu não me importava com nada, não me importava com a minha cabeça que latejava e meu corpo dolorido, eu só me importava com ele, que eu acabara de colocar numa situação deplorável, numa situação que ele não precisava estar. Pedi para que eles não me colocassem um colar cervical e nem me prendessem a uma maca, eu queria vê-los salvar o meu menino, queria que ele me visse quando abrisse os olhos. Ele iria abri-los.
O barulho do alicate de pressão cortando as ferragens como se fosse um pedaço de papel ressoava no local. Fui em direção ao carro, mas eles me afastaram, eu chorava como nunca antes. Pude ver aproximar-se com um ar de desespero e um pouco de alívio.
- O que aconteceu? Você estava tentando se matar? – Segurou-me pelos cotovelos.
- Não sou uma suicida, ! – Disse e então ele me abraçou.
- Tudo isso por causa do ? – Ele não percebeu que estava lá. Não era tudo por culpa dele, era tudo culpa minha.
- Eu o machuquei... Ouvi sua respiração falhar... Seu coração parar de bater... Ele me deixou, . A culpa foi minha... – parecia confuso, por alguns instantes pensativo. Analisou em volta e avistou , e perplexos observando o carro, ele pareceu entender o que eu havia dito. Deu três passos em direção aos meninos, agora podia ver ser retirado do interior do automóvel, ainda desacordado.
- Ah! Não. Meu Deus, não pode ser! – Foram as únicas palavras que ele proferiu, em seguida levou as mãos à cabeça, balançando-a negativamente, provavelmente tentando esquecer a imagem anterior de seu melhor amigo sendo carregado. Os meninos aproximaram-se e estavam muito abalados.
- A culpa é minha, ele desviou o carro para me salvar e eu o machuquei. Eu... – Hesitei. – Eu tenho o sangue dele em minhas mãos. – Fiquei paralisada, sem reação alguma, analisando o líquido vermelho reluzir em minhas mãos.
- Ele vai ficar bem, irá para o hospital e voltará para casa em breve. – abraçou-me. Ele não sabia que eu havia escutado os últimos batimentos cardíacos de . Ele iria me odiar se soubesse, todos eles iriam. Eu mesma me odiava por isso, queria morrer, se alguém merecia isso, esse alguém sou eu.
- Amanhã, amanhã ele estará em casa e prepararei as panquecas que ele me pediu... – Disse fracassada, tentando me enganar. Eu não podia acreditar que ele não estaria lá no dia seguinte. e não me encararam por muito tempo, estavam abalados demais.
- Cuide dela, acho que não somos tão fortes quanto você e . Vamos continuar aqui! – beijou-me a testa e se afastou um pouco, abraçou-me afagando meus cabelos e o seguiu.
abraçou-me de forma que seu queixo ficasse apoiado sobre minha cabeça, seus braços me apertavam forte contra seu corpo, protegendo-me. Por quê? Ele deveria me odiar agora, ele deveria estar me condenando, desejando que fosse eu ao invés de . Eu podia senti-lo respirar ofegante, talvez pelo nervosismo, seu coração acelerado pela ansiedade que o atormentava, já que ele não sabia muito sobre o estado do amigo. Por três vezes ele suspirou profundamente, deixando falhar seu emocional de ferro.
- Deixe-a comigo! – aproximou-se e assentiu com a cabeça, para que fosse de encontro aos outros, que agora estavam ao lado de . Segurei as mãos de e nos aproximamos de , que estava na ambulância. Pudemos ver seu tórax levantar-se centímetros da maca e voltar, quando tentaram reanimá-lo com aquele desfibrilador, por exatas sete vezes. Eu não tinha noção alguma de tempo, não sabia quantos minutos haviam se passado desde o momento em que o acidente ocorreu, eu estava perdida. Alguns enfermeiros se empenhavam no balão de oxigênio em seu rosto, tentando fazer com que sua respiração voltasse.
- Vamos lá garoto, você é forte. Vamos lá, acorde... Mas uma vez... Um, dois, três... – O médico anunciava mais uma descarga elétrica sobre o corpo do príncipe desacordado. – Acorde para olhar nos olhos da sua namorada... Ela é linda não é mesmo?... Novamente... Um, dois, três... – E pela nona vez seu corpo se ergueu a poucos centímetros daquela maca. Eu queria estar ao lado dele, queria tocá-lo, talvez se eu o beijasse ele acordaria. Não, ele não acordaria, não com o beijo de uma quase assassina.


Vesper’s Goodbye – Nick Jonas



- Vamos lá garoto... Olhe para ela. – Disse o médico, enquanto fazia um tipo de massagem cardíaca com suas mãos. - E... Ela... É... min... minha! – Sussurrou pausadamente, sua voz era pesada e cansada, disse forçando-se a abri os olhos. Então, ele havia voltado.
- É isso aí garoto! – O médico sorriu. – Vamos levá-lo para o hospital, ele ainda está perdendo muito sangue. – Gritou.
- Vou com vocês! – Entrei na ambulância e pude ver os meninos correndo para o carro.
- Estamos logo atrás. – anunciou e foi até seu veículo.
O caminho parecia mais longo que o normal e as coisas continuavam como se estivessem em câmera lenta, lutava contra a falta de ar constante. Segurei sua mão e ele fixou seus olhos nos meus, seu olhar era calmo e tranquilo, como quando ele acordava pela manhã, era o mesmo brilho. A paz pairava sobre sua face, apesar da dor e da grande quantidade de sangue que escorria de seu supercílio. Passei minha mão sobre sua bochecha pálida, talvez pela perca de sangue, e ele deu um meio sorriso, aposto que sentiu dor.
- Tudo ficará bem. – Sussurrei e minhas lágrimas, malditas, escorriam ao ver os olhos dele, ao ver a minha vida se esvaindo em sangue, em dor e por minha culpa. Ele se esforçou ao máximo para balbuciar algumas palavras.
- Eu... Te amo... – Hesitou, procurando por ar. – Você me ama, minha menina? – Suspirou cansado, seu olhar era de expectativa.
- Eu te amo mais do que tudo. – Disse apressada. – E mesmo que eu tenha te mandado embora, você sabe que foi da boca para fora, não sabe? Sabe que desde o primeiro dia, você era o meu destino. Você me escolheu. – Ele deu um meio sorriso quando eu disse a última frase. – O desfile é daqui alguns dias e preciso de você comigo, para segurar minha mão, para me dar forças. Você criou toda a coleção junto a mim, as pessoas precisam saber quem é a minha inspiração. – Ele segurou forte em minha mão. – Eu te amo, preciso de você comigo.
- Eu... Estarei lá. – Suspirou.
- Me perdoa, me perdoa por isso? Por toda essa loucura. Você não precisava me salvar, você deveria ter deixado o carro bater daquela forma, você não se machucaria tanto, eu preciso que você fique bem, eu...
- Te salvaria... Quantas vezes fossem necessárias. – Ele ergueu sua mão livre e acariciou meu rosto. – Eu morreria em seu lugar... Não... Me... Perdoaria... Se... Você... Se... Machu... Machucasse... Te... Amo... – Suspirou, seu último suspiro antes que seus olhos perdessem o brilho e se fechassem lentamente para nunca mais abrir, deixando que escorresse sua última lágrima. Sua mão que á segundos atrás apertava a minha, agora apenas repousava sobre a maca. O barulho do monitor cardíaco soou intenso, parecendo gritar.
- Eu escolhi VOCÊ! Não me deixe, por favor... ... Você prometeu! – Minhas lágrimas fluíam, ele havia voltado por tempo o suficiente para que eu pudesse ouvir pela última vez um “Eu te amo” em sua voz. Novamente o médico tentou trazê-lo de volta, onze vezes, sem sucesso.
- Você precisa deixá-lo ir. – Doutor Anthony. Estava escrito em seu jaleco.
- Eu preciso dele comigo, por favor, Doutor, não desista dele! – Supliquei.
- Ele não pode mais voltar. Eu sinto muito. – Anthony lamentou minha perda. Os minutos se arrastavam lentos, agora pior do que antes, pareciam faltar milhas de distância até que chegássemos ao hospital, mas já não era necessária tanta pressa, os olhos dele nunca mais voltariam a brilhar. Analisei o lado exterior através da janela e havia começado a chover, como se o céu chorasse a dor de perdê-lo. Quando chegamos ao hospital os enfermeiros pediram para que eu descesse da ambulância e levaram para algum lugar dentro do hospital, eu me vi sem chão, minhas pernas fraquejaram e minhas lágrimas se misturavam com as gotas da chuva, caí sobre meus joelhos, desamparada, chorando e soluçando por ele ter partido. Num flash de imagens, pude ver abandonar seu carro no meio do estacionamento e correr até mim, me abraçando ao se aproximar, ele provavelmente havia deduzido os fatos. O Sr. E Sra. se aproximaram, não o bastante para que eu pudesse implorar o perdão deles. Os meninos provavelmente os avisaram. Ela parecia não entender, mas quando percebeu que era eu quem estava ao chão, Sra. também caiu em prantos, adentrou ao hospital o mais depressa possível até que eu pudesse perdê-la de vista. se manteve firme ao meu lado, o tempo todo.
- Venha, saia da chuva... Era o que ele diria! – segurou-me firme pelos braços e me ergueu, puxando-me para uma parte amparada por uma tenda, ainda do lado externo do hospital. – Ele prometeu não te abandonar... Então isso não irá separá-los...
- Eu nos separei, ... A culpa é minha, fiz isso com ele, o mandei embora de uma vez... E ele foi! – Não me esforçava para conter as lágrimas. Os meninos entraram no hospital e minutos depois voltaram, com a notícia de que no dia seguinte seria o velório, assim dito pelo Sr. . Quanto a Sra. , ela não queria falar com ninguém, mas eu precisava me desculpar, precisava contar o que aconteceu, precisava pedir perdão a ela. Tentei me desvencilhar de e caminhar até a recepção para implorar o perdão dos . e me seguraram pelo braço, enquanto eu me debatia para soltar-me deles, foi até a enfermaria e voltou com um calmante, há essa hora a notícia já havia se espalhado e vários fotógrafos estavam em volta do local.
- Tome isso, vai se sentir melhor. – mostrou-me um comprimido e me deu um copo de água.
- Eu não quero ser dopada. Quero sentir a dor, quero sentir o que ele sentiu. – Disse afastando as mãos de , que revirou os olhos, inconformado.
- Hora de ir para casa. – Alertou . – Se ela continuar aqui, enlouquecerá. – Sussurrou para que apenas ouvisse e falhou, ele não era o melhor em falar baixo.
- Eu não vou. Ficarei aqui, com ... Até o último minuto. – Respondi firme, tinha certeza que não ia sair dali, ficaria ao lado dele.
- Não, você não vai ficar aqui. – puxou-me pelo braço, arrastando-me em direção ao automóvel. – Vamos para casa!
- , não! Quero ficar, preciso ficar com ele, ele precisa de mim, por favor, ... – Eu implorava. – Me solte, deixe-me ficar. – Lutava conta ele, mas que droga, ele era forte, tanto quanto .
- Você não pode ficar, temos que ir para casa. – Manteve-me em seu abraço de ferro.
- , você não pode obrigá-la. – interferiu, fazendo com que encarasse-o hesitante.
- , era o que ele faria... Vou cuidar dela como se ele estivesse aqui. Isso tudo é uma tortura, ela quer ficar porque quer torturar-se, ela ouviu... – Hesitou. – Ela não pode permanecer aqui, ela vai enlouquecer se ficar. – voltou a caminhar, obrigando-me a ir até o carro, nos acompanhou, enquanto deixávamos para trás e .
- ? – chamou-o confuso e o garoto o olhou por cima do ombro. – O que ela ouviu? – Suspirou, tentando controlar sua voz para que não saísse trêmula, tentativa falha, eu quase pude o ouvir chorar.
- ... Eu... – não o encarou, beijou o topo da minha cabeça e me apertou ainda mais em seu abraço. – Eu sinto muito! – Continuou.
- Desculpe, desculpe-me ! – Pedi. Eu me sentia na obrigação de pedir perdão a todos eles, a toda família , eu me sentia suja, mal, uma criminosa. O garoto encarou seus pés, frustrado, talvez ele já soubesse o que eu ouvira, talvez ele só precisasse de uma afirmação para poder me odiar em paz, para poder me culpar até que eu não aguentasse mais, não sei, ele estava decepcionado demais, nem sua expressão pudera revelar qualquer sentimento a meu respeito. , eu também o perdi?
- Vem, vou cuidar de você! – puxou-me.
- Vamos ficar aqui para dar apoio aos . Se precisar me ligue, depois nos falamos. – deu um meio sorriso, completamente forçado. Por quê ele precisava fingir que estava bem? Por quê todos eles precisavam fazer isso? Por quê fingir o tempo todo quando eu sabia que eles estavam tão mal quanto eu? Isso me machucava ainda mais, me culpava ainda mais. Eu merecia.
dirigiu, enquanto foi no banco traseiro junto a mim. Quando passamos pelo grande e imponente portão de ferro do hospital, milhares de flashes foram disparados em nossa direção. dirigiu de volta para minha casa, a chuva não cessou. Quando chegamos, ele estacionou e nós descemos, eu esperava que aquilo tudo fosse um pesadelo. Abri a porta e analisei em volta.
- Príncipe, eu cheguei... – Direcionei meu olhar para o sofá, em seguida caminhei até a cozinha, analisei o banheiro e a porta estava aberta, subi as escadas e os quartos estavam vazios, eu esperava que ele estivesse lá, eu precisava que estivesse. Desci as escadas novamente, abri a porta e segui até a casa ao lado, a dele.
- , volte aqui. – correu em minha direção e puxou-me, segurando meu braço quando eu ia girar a maçaneta.
- , ele tem que estar aqui! – Soltei-me e abri a porta de uma só vez. – Anjo? – Entrei analisando o ambiente, seu celular estava sobre a mesa, o procurei por toda a casa, mas estava vazia. – Ele saiu e esqueceu o celular, quando voltar vou dizer para ele ser menos desligado. – Disse incrédula. – e encaravam-me paralisados, tristes.
- , você sabe que... – Hesitou .
- Ele não vai voltar, não é? – Questionei. Eu sabia a resposta, mas precisava que alguém dissesse que ele voltaria, que nada daquilo tinha acontecido, queria acordar agora, olhar para o lado e vê-lo sorrindo, com aquele cabelo bagunçado e os olhos levemente inchados, mas eles balançaram a cabeça negativamente. – Eu não vou conseguir viver sem ele, esse lugar está cheio de lembranças, eu não vou conseguir olhar para o lado sabendo que não vou vê-lo.
- A dor amenizará com o tempo, nós vamos estar ao seu lado. Como sempre estivemos. – abraçou-me e me levou de volta para casa.
- Não... A dor não vai amenizar, eu quem causei tudo isso... Fui eu, , eu o matei... – Quando disse as últimas palavras me senti vazia, fria, maligna, minha cabeça pesava, era como se eu carregasse um piano nas costas, e essa não era das melhores sensações.
- Hey, para com isso, não é culpa sua. – procurou por palavras. – Foi um acidente, não você. – Encarou-me, seus olhos eram piedosos, mas calmos. Pensei em perguntar por que ele estava mentindo para mim, mas eu já sabia a resposta, era para que eu não enlouquecesse. Foi o que disse .
- , olhe para mim. – Pediu , sereno, enquanto eu me perdia em meus devaneios. Ergui meus olhos, que antes encaravam o chão, para encontrar os dele, dois globos brilhantes e úmidos em seu rosto. – Se você ficar se culpando... – Hesitou, e então posou as mãos em meu rosto, segurando-o para si. – Você vai enlouquecer. – Concluiu. – Então, fique calma, nós vamos ficar com você, vamos cuidar de você. – Abraçou-me, me juntando em seus braços acolhedores e quentes. Suspirei, tentando colocar as ideias em ordem, mas a imagem de era ainda muito recente, os últimos segundos de sua vida não paravam de se repetir em minha mente, como se eu estivesse vivendo aquele momento por milhares e milhares de vezes. Ainda era tudo muito presente, e parecia que eu podia ouvir a voz dele e a pior parte, o tempo todo eu podia me ouvir gritando que o odeio, e ele dizendo o quanto me amava.
- ... Eu te permito chorar, mas só por esta noite. – tentou brincar, mas eu não consegui sorrir. – Agora, vai tomar um banho, você está toda molhada, coloque roupas secas e quentes. Não queremos você doente... Vá logo. – Empurrou-me vagarosamente até o banheiro, sua voz soava calma e divertida, embora o momento não fosse propício. era controlado o bastante para guardar suas emoções e tentar conter as minhas de forma até sensível. Adentrei ao banheiro e me dirigi até o Box, abri o registro e enquanto as primeiras gotas caiam, eu me despi, deixei que a água escorresse sobe meu corpo. A água parecia fervente e queimava cada centímetro de minha pele, mas eu não me importei, pelo contrário, quanto mais eu me machucasse melhor eu me sentia, a dor talvez amenizasse o peso que havia em minhas costas, em minha mente. As lágrimas também escorriam, mas não pelo queimar de minha pele e sim pela culpa, dor, desespero que eu sentia por não ter mais o meu . 'Meu', como eu podia chama-lo de meu? Eu o matei. Fiquei o máximo de tempo possível dentro do banheiro, eu queria fugir dos olhos tristes de , queria poder fugir de e de todos eles, queria ter morrido naquele acidente, queria que fosse eu ao invés de .
- ? Está tudo bem? – Gritou do outro lado da porta, sua voz parecia preocupada. – ? – Chamou uma vez mais.
- Já vou sair! – Disse numa voz fraca, esperando que ele tenha escutado. Passei a toalha em volta de meu corpo, percebi que apenas o roupão de estava no banheiro, então eu o peguei e vesti, seu perfume exalou, afogando-me nas lembranças, porque o olfato traz tantas lembranças? As roupas dele ficavam gigantes em meu corpo pequeno. Olhei-me no espelho por alguns instantes, meus olhos estavam inchados e meu rosto parecia constantemente assustado, respirei fundo uma, duas, três vezes, e então saí, dando de cara com um preocupado demais.
- Cuidado. – Alertou. Segurando-me pelos braços quando meu corpo se chocou com o dele. Eu não esperava que ele estivesse tão próximo à porta. – Venha, agora você vai comer alguma coisa.
- Eu passo! Não estou com fome. – Protestei.
- Mas precisa comer... Então, vamos para a cozinha. – Puxou-me pelo braço. agora não parecia abalado, não tanto quanto antes, mas mesmo assim eu conseguia vê-lo em um conflito interior, uma guerra de seus sentimentos contra sua força, uma força que eu desconhecia.
- Você demorou! – Disse , ao perceber que entrávamos na cozinha. - Queria não ter que sair de lá nunca. – Respondi enquanto sentava-me na cadeira ao lado da bancada.
- Não fala isso. – Repreendeu-me , dei de ombros.
- Esse roupão está enorme em você. – analisou-me e sorriu.
- É do... – Hesitei e desviei meu olhar. – Ainda tem o cheiro dele. – Inspirei para mais uma vez sentir seu perfume, como se ele estivesse ali
. - Eu sei. – Deu um meio sorriso. – Mas você fica linda com as roupas dele, são grandes. – Brincou. – Ele continua com você, sempre vai estar aqui. – Continuou.
- , eu acho que você precisa deixá-lo ir. – sentou-se ao meu lado.
- Eu não posso... Preciso dele comigo, eu preciso das lembranças, eu o mandei embora, mas eu não queria... , , vocês sabem disso mais do que qualquer outra pessoa. – As lágrimas voltaram a escorrer.
- Ei, pequena, olhe para mim. – Pediu aproximando-se, ficando do outro lado da bancada e segurando minhas mãos. – A culpa não é sua, você precisa parar de dizer isso, precisa ficar bem, daqui alguns dias é o seu grande desfile, você não pode se jogar num abismo sem fim. – Ele me olhava nos olhos enquanto eu tentava fugir deles. – Hoje você pode chorar, sei que está doendo, sei que isso deve estar pesando muito, mas nós estamos aqui e não vou deixa você acabar com sua vida assim. – Completou.
- Nada faz sentido sem ele...
- Isso vai passar pequena, nós vamos fazer melhorar. – interrompeu-me, me abraçando de lado.
- Agora, coma um pouquinho. – entregou-me um prato de sopa, que provavelmente ele comprou enquanto eu tomava banho e também uma xícara de chá. Não protestei, dei algumas colheradas, mas aquele maldito nó na garganta quase não me permitiu engolir, fiquei encarando a sopa naquela pequena tigela, enquanto a colher a misturava, por muitos minutos.
- Tome um pouco de chá e vá descansar, amanhã iremos... – Hesitou. – Você sabe... – analisou-me, agora ele parecia um irmão mais velho preocupado, um irmão que eu não tive. Tomei o chá e caminhei até meu quarto, me mantive em silêncio, eu não tinha vontade de falar com ninguém, não tinha vontade de estar viva, me vesti e joguei-me na cama, desolada, desamparada, em prantos, até que meus olhos começaram a pesar e eu adormeci. Acordei e percebi que estava sendo observada.
- ? – Estava surpresa, ele não era a pessoa que esperava encontrar em meu quarto, muito menos observando-me com aqueles olhos tristes, porque ele estava ali?
- Tudo bem? – Questionou e logo arrependeu-se.
- Não. – Analisei-o, ele não me encarou.
- disse que iremos sair daqui a três horas. – Alertou. – Então... Eu te espero lá em baixo. – Levantou-se e seguiu até a porta.
- ? – Chamei-o e o garoto se virou para me olhar. – Me desculpe? Por te feito isso, por te machucar, e aos meninos. Não era a minha intenção machucá-los. Por favor, me perdoe por isso. – Pedi e senti que poderia ficar a minha vida inteira implorando por perdão, que ele nunca iria aceitar. Foi difícil encará-lo por mais alguns segundos. De novo as malditas lágrimas voltaram a escorrer.
- Não chore. – Aproximou-se imediatamente e abraçou-me. – Vai ficar tudo bem. – Afirmou, mas eu sabia que não ficaria. – Venha! Vamos fazer algo para o café da manhã. – Forçou um sorriso.
- Já estou indo. – Respondi sem expressão alguma. Não consegui forçar um sorriso, não sou forte o bastante, pude ver descer as escadas. Caminhei até o final da mesma, e consegui vê-lo abraçar , que ainda estava abalado com tudo. Voltei para o quarto e direcionei-me ao banheiro, fiquei em frente ao espelho por alguns segundos. Até que as cenas da noite anterior fizessem com que eu começasse a chorar novamente. Liguei a torneira e deixei a banheira encher. Encarei novamente meu reflexo, era possível ver, sem muito observar, o estado deplorável em que eu me encontrava. Olhos vermelhos, olheiras profundas e escuras, rosto inchado e lágrimas... O tempo todo. Despi-me e entrei na banheira, fechei meus olhos para que eu não conseguisse ver nada a minha volta.
“I wanna be with you, I wanna feel your love, I wanna lay beside you, I cannot hide this even though I try…” ( Eu quero estar com você, eu quero sentir o seu amor, eu quero estar do seu lado, eu não posso esconder isso mesmo que eu tente.)
Era ele, o meu menino, era nítido como se ele estivesse ao meu lado, mas não conseguia vê-lo. Abri meus olhos e a voz foi ficando mais fraca, até sumir por completo. Qual o problema comigo? Será que eu ficara louca o bastante para ouvir vozes em minha cabeça? Será que eu estaria perturbada a ponto de criar cenas de coisas que nunca aconteceram? – Talvez a ausência dele gritasse mais auto do que eu esperava e parece que aquele vazio enorme nunca seria curado. – E de novo o barulho estrondeante em meus ouvidos, como se estivesse revivendo cada segundo daquele momento, ele estava ao meu lado, mas eu estava o perdendo, cada palavra que ele dizia soava como um sussurro, e embora a cabeça me doesse não me importava, tentei ouvi-lo. – Eu te amo! – Disse ele, tentei olhar em seus olhos que perderam o brilho logo após ele dizer aquelas três palavras, que faziam toda a diferença depois de tudo que havia acontecido. – Fique comigo. – Sussurrei, mas ele já não respondia. As lágrimas escorriam grossas por meu rosto, procurando razões que justificassem aquele momento, procurando por ar em meio aos soluços, eu o perdi e não poderia fazer nada para que isso fosse revertido. Procurei-o por todos os lugares, não pude encontrá-lo, eu estava ficando louca? Não, sei que não estava. Meu coração batia acelerado, como sempre fazia quando eu estava com ele, fechei meus olhos em uma tentativa frustrada de ouvi-lo novamente, mas não consegui, por alguns segundos me perdi em memórias boas, pude ouvir o som da sua risada, dessa vez não era nítido, eram apenas lembranças. Ainda com os olhos fechados e com a voz fraca comecei a cantarolar.
“Flashes left in my mind, going back to the time. Playing games in the street, kicking balls with my feet, dancing on with my toes, standing close to the edge…” (Flashes deixados em minha mente, voltando no tempo. Jogando jogos na rua, chutando bolas com meus pés, dançando com meus dedos, ficando em pé perto da borda...).
E uma voz distante e fraca me acompanhou...
“There's a part of my clothes at the end of your bed, as I feel myself fall. Make a joke of it all…” (Tem uma parte das minhas roupas no fim da sua cama, conforme eu sinto eu mesmo caindo. Faça uma piada de tudo isso.).
Não tornei a abrir meus olhos, até que a voz dele fosse substituída pelo grito abafado da noite anterior. Não, ele não estava ali, era apenas meu inconsciente acostumado a ouvir sua voz, é estranhando a ausência de . Terminei e me envolvi em um roupão de banho, voltei a encarar o espelho, tudo o que eu conseguia ver era uma assassina. Olhar minha imagem me dava pena... Sentir pena de mim mesma? Isso é possível? Fiz minha higiene matinal, sequei meu cabelo e em seguida encarei o lavabo, havia escovas de dente, o creme de barbear, desodorante, e o seu perfume, que eu tanto amava e que nunca percebera que seu tom puxara para o vermelho, como sangue, que irônico. Voltei meu olhar ao espelho e me assustei ao ver a imagem de uma assassina com um anjo ao seu lado.
- ? – Me virei para encontrar seus olhos, mas ele não estava lá, não mais. Talvez seja fruto da minha imaginação... Ou não. Talvez por isso, eu me sentisse observada o tempo todo. Olhei pra frente novamente, e ele continuava ali, com um olhar desesperado. – Me perdoa... Eu vou te tirar daí. – Sussurrei. Ele continuava com aquele olhar assustado e fixo aos meus. Como se quisesse me dizer algo. Eu tinha que tirá-lo dali. Ele precisava voltar, peguei o primeiro objeto que vi e arremessei contra o grande espelho, que apenas rachou. Quanto ao vidro de perfume, se transformou em milhares de estilhaços, deixando seu líquido vermelho escorrer pela imagem do anjo no espelho e fazendo com que sua fragrância exalasse. Acompanhei com meu olhar as gotas pingarem, e senti uma leve brisa sobre minha mão direita, mas não havia nada, até que eu olhasse minha imagem no espelho, segurava minha mão, deixei de encará-las e procurei por seus olhos, que não demonstravam desespero, mas se encontravam tristes, e marejados. Isso me fez sentir como se meu coração sangrasse, e meu pulmão fosse apertado, para que eu não pudesse respirar. Em segundos a porta estava aberta, minha mania havia me impedido de trancá-la. Os garotos entraram no banheiro com olhares preocupados, pude ver pelo espelho, pois meus olhos ainda estavam fixos em , que foi se esvaindo aos poucos.
- O que houve? – segurou minha mão esquerda.
- Estou bem. – Respondi sem demonstrar reação.
- Porque fez isso? – Voltou ao questionário.
- Estou bem, . Deixem-me aqui, preciso colocar uma roupa, vou descer em segundos. – Disse friamente e eles apenas saíram do quarto ainda preocupados. Peguei minha roupa íntima no guarda roupas e a vesti. Quanto às outras peças, resolvi que vestiria o moletom preto e a calça cinza do pijama de , que estava no fim da nossa cama, que agora encontrava-se vazia. Caminhei até a sala e todos eles me encaravam, esperando por respostas. – Não gosto da forma que me vejo ao olhar meu reflexo no espelho. – Invente qualquer história que mais se aproximasse da verdade. Não podia dizer que havia visto , eles não acreditariam.
- Você nunca teve problemas com isso antes. – Disse , preocupado.
- Antes eu não era uma assassina e eu vi... – Hesitei.
- Viu? – quebrou o silêncio.
- Meu menino tonar-se um anjo... E o brilho deixar seus olhos. - Fitei o chão e novamente estávamos em silêncio e quem o quebrou fui eu mesma. – Vou preparar panquecas, ele havia... Me pedido. – Caminhei até a cozinha balançando a cabeça negativamente. Preparei as panquecas, enquanto colocava a mesa, havia cinco pratos, então coloquei mais um.
- Alguém se juntará a nós, para tomar café?– Questionou .
- A Sra. talvez? – Palpitou e balançou a cabeça negativamente, então os garotos pareciam ter entendido. Servi os seis pratos, enquanto eles observavam, caminhou até a mesa.
- Mel ou chocolate? – Questionou. Depois de algum tempo em silêncio respondi que queria mel.
- Quer uma xícara de açúc... Café? – desaprovou sua própria ação. Aquele foi o único momento em que não rimos daquilo. Tomamos café e vi que os garotos demonstravam preocupação. O sexto prato estava ali, com as panquecas intactas. recolheu as louças e as colocou na pia, quando pegou o prato que seria de , encarei-o e vi seus olhos ficarem tristes, ele caminhou até a lata do lixo e as despejou. – Vá se arrumar, saímos em uma hora! –Disse sem me olhar. Caminhei novamente até o quarto e joguei-me na cama. Fechei os olhos e esperei que me abraçasse como sempre fazia, me doeu não ter sentido nada, além do seu perfume que estava em suas roupas e por todo o quarto. Direcionei-me até o guarda roupas, peguei um vestido longo, preto e o vesti. Coloquei por cima, uma de suas camisas xadrezes, preta e marrom, coloquei um óculos escuro, deixei meus cabelos soltos e peguei minha bolsa. Voltei até a sala e sentei-me no sofá esperando a hora passar, parecia demorar cada vez mais, era como se o relógio estivesse contando as horas em ordem regressiva. Suspirei, recostando no sofá e colocando a cabeça para trás, de forma que eu pudesse enxergar o teto. Em minha cabeça tudo girava, e a tragédia não se cansava de repetir.
- Vai ficar tudo bem. – Aproximou-se , sentando-se ao meu lado.
- Não, não sem ele aqui. – Respondi erguendo a cabeça para vê-lo.
- É... – Hesitou. – Talvez nada volte ao normal, mas com o tempo...
- Porque você não para com isso? – Gritei e ele engoliu suas palavras, em seguida todos eles estavam na sala, encarando-me surpresos. – Parem de fingir que está tudo bem, parem com isso. – Procurei seus olhares, que agora fugiam dos meus. – , pare de fingir que é forte o tempo todo. , você pode chorar, sei que todos vocês estão machucados. É ainda pior quando vocês me olham com pena ou quando começo a falar e um de vocês precisa se retirar, para que eu não o veja chorar. – Continuei. – Parem de fingir que está tudo bem. Eu sei que não está, então sejam sinceros comigo. – Minhas lágrimas voltaram a escorrer, coloquei minhas mãos em meu rosto, tentando conte-las, em vão. Todos eles estavam paralisados, encaravam-me assustados e confusos. continuou ao meu lado e por duas ou três vezes abriu a boca para se manifestar, mas desistiu.
- Não está tudo bem. – Disse , quebrando o silêncio. reprovou-o. – Não vamos nos enganar, ela está certa, se queremos ajudá-la temos que ser sinceros sobre o que sentimos. – Aproximou-se. – Vai ficar tudo bem, . – Abraçou-me, um abraço quente e reconfortante, como sempre foram. Ele suspirou derrotado, respirou fundo, colocando em seus pulmões o máximo de ar que poderia armazenar, suas lágrimas lavavam seu belo rosto e seus soluços não eram contidos. – Você acredita em mim? – Questionou em meio às lágrimas.
- Vai ficar tudo bem. – Respirei fundo, apertando-o em meu abraço. Agora eu me sentia melhor, como se tivesse pegado a metade das minhas dores e levado embora, como se entendesse o que eu estava sentindo. encarou-me inseguro, seus olhos continham as lágrimas, me deu um meio sorriso e saiu. Fiquei um longo tempo abraçada a , que naquele dia foi mais do que um amigo, foi um irmão, foi sua própria promessa. “Eu vou cuidar dela.” Ele estava fazendo, como nunca antes.
- É hora de ir. – voltou. Peguei minhas coisas e caminhei até a porta.


Fix you – Coldplay



- Vocês podem me dar um minuto? – Questionei, enquanto olhava fixamente a casa ao lado.
- Claro. – Disse , apanhando algumas rosas que estavam sobre a mesa, talvez ele tenha as comprado enquanto eu estava no banho. Caminhei até a casa de , abri a porta e me direcionei até o centro da sala. Era incrível como ele havia quase esquecido que morava lá também. Estava tudo da mesma forma de sempre, uma manta preta com seu nome bordado em dourado, sobre o sofá, o celular em cima da mesa, algumas anotações em seu pequeno mural na sala. Uma delas dizia “Não estragar os desenhos da princesa”. Eu sorri ao ler aquilo, nunca havia notado. Através da porta de vidro do armário consegui avistar minha xícara, em seguida fui até o quarto, o guarda roupa estava um tanto empoeirado, assim como os demais móveis, algumas roupas bagunçadas sobre a cama, entre elas a sua camisa favorita. No criado mudo, ao lado da cama, encontrava-se um bloco de notas, uma caneta, sua máquina fotográfica e um porta retrato com nossa primeira fotografia juntos, abraçados e sujos de farinha. “Uma lembrança para vocês. Que lindos, abraçados e cobertos de farinha de trigo.” Lembrança era tudo o que me restava. Desci as escadas novamente e peguei o celular de , coloquei-o dentro de minha bolsa, tranquei a casa e voltei até os garotos. Segurei pelo braço e caminhamos até o automóvel. entregou-me algumas rosas, para que eu colocasse junto a . Os ’s preferiram não fazer velório, pois seria extremamente difícil vê-lo desacordado, então eles fizeram apenas uma pequena cerimônia em homenagem, só para familiares e amigos. O caminho foi longo e silencioso e a cada vez mais, eu me perdia nas memórias. Agora eu me lembrava de Embry e Emily, nossos futuros pequenos, que correriam pela casa na noite de natal, em seguida eu o ouvia gritando e colocando as malas de para fora, culpando-a por nossa briga, aquele fim de tarde no prédio antigo no cento da cidade, o bosque onde seus pais se conheceram, aquele dia na loja, em que fomos contra tudo e seguramos nossas mãos, sem que ninguém soubesse. A forma que ele me protegia e como ele sempre estava lá para mim, me amando todos os dias, como se eu fosse seu oxigênio, como se precisasse de mim para sobreviver. Como eu pude deixá-lo ir? As horas se passaram tão lentas, mas finalmente chegamos ao local, quando me dei conta já havia estacionado. Fomos de encontro com a família , mas não estava completa, e isso era doloroso.
- Me perdoem, a culpa foi toda minha. – Disse ao abraçar a Sra. .
- Não é culpa sua, não diga isso. Não é justo, ele não iria querer vê-la assim. – Abraçou-me ainda mais forte e as lágrimas não se preocuparam em esconder-se.
Desculpei-me com o Sr. e ele disse-me o mesmo que sua mulher, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo significado. Caminhei até a grande sala, onde encontrava-se o corpo de , e estava saindo do local.
- Isso é seu. – Entregou-me o anel feito com o embrulho do bombom. – Ele estava me mostrando como te pediu em casamento. Ele te amou como nunca antes, você foi uma garota de sorte por tê-lo ao seu lado, ele nunca me amou... – Pude ver lágrimas em seus grandes olhos. – A culpa é toda sua. Ele te amou tanto, sei disso, porque ele deu a vida por você. – Disse a garota, enfurecida e ao mesmo tempo destruída. Uma lágrima escorreu por sua face e ela a secou com a superfície de sua mão e então saiu, esbarrando em mim, deixando-me sem chance de resposta... Na verdade ela estava certa. Eu era a culpada e não precisava que ninguém me dissesse para que eu soubesse. Caminhei até aquela escultura perfeita, era ele, meu príncipe, . Deitado em um caixão preto, forrado num veludo vermelho, que encaixava-se perfeitamente em seu corpo, que um dia foi meu. Agora parecia tão, e unicamente daquela caixa, semelhava ser feita sob medida, mas o tempo não foi suficiente para fazê-lo por encomenda. Suas vestes escuras, olhos fechados e paz na expressão. Como eu queria que isso fosse um pesadelo. Os meninos adentraram a aquela sala, e me abraçaram e pela primeira vez, vi que eles não pouparam lágrimas.
- Vamos sentir sua falta. – Disse , segurando a mão de . – Eu vou cuidar dela, essa sempre foi a minha promessa para você. – Sorriu fraco e caminhou para fora da sala.
- Eu não sei o que será de nós sem você, não sei o que será dela... – Disse , que chorava em demasiado, deu um beijo em sua testa e seguiu até a porta.
- Você deveria acordar e mostrar que a ciência não significa nada, deveria mostrar que milagres acontecem, me faça ter certeza disso. Eu vou contar até três e você abre os olhos. Como se fossem aquelas seções de hipnose. – Suspirou. – Um, dói, três... – não obteve sucesso, continuava da mesma forma. – Eu e os garotos cuidaremos dela. Se cuida aí em cima. – Ele também saiu da sala, sem conter as lágrimas. Agora era a vez de que o tempo todo manteve-se abraçado comigo.
- E agora ? – Suspirou. – O que vai ser daqui pra frente? Quem vai me dar conselho, me ofender, brigar comigo? Quem vai deixar o número dos bombeiros discado quando eu for me arriscar na cozinha? Eu sinto a sua falta. As coisas nunca serão as mesmas, mas estou tentando ser forte, isso era o que você mais admirava em mim. Eu te ligo, porque eu sei, que sempre que eu precisasse você estaria pronto para atender. – secava as lágrimas que não paravam de cair e beijou a testa de . – Bromance. – Sorriu fraco, talvez lembrando-se daquela tarde no escritório da loja de roupas. Caminhou até mim, abraçou-me e em seguida saiu, deixando-me a sós com um novo anjo.
- ... – Sussurrei. – Meu . – Acariciei sua face gélida... Fria demais. – Eu queria estar no seu lugar. Eu deveria, você é minha vida e agora eu não sou nada, pois você não está aqui, meu menino. É pedir demais? Implorar que você fique comigo? Não quero dar adeus, eu não posso. Prometa ser o meu anjo, prometa aparecer para mim, segurar minhas mãos todas as noites, continue comigo... – Lamentei. – Meu amor, meu único amor, não quero te deixar ir. Preciso do seu sorriso, do som da sua voz, preciso de você, não me deixe. Não vou te dar adeus, talvez um último beijo. – Curvei-me lentamente sobre seu rosto e selei nossos lábios demoradamente. – Por favor, acorda... Olhe nos meus olhos, sorria, diga que me ama. – Sussurrei em seu ouvido, mas ele não reagiu. – Fique bem... Até amanhã. – Coloquei algumas rosas sobre suas mãos, em seguida peguei os bilhetes que eu havia escrito na noite em que ele me pediria em casamento e os li.

“Eu te amo, nunca deixei de amar.”
“Eu te escolho, sou sua, eu te amo, preciso de você hoje, amanhã e sempre, porque amor não é só uma palavra, é entregar-se de corpo, alma e coração. Eu te amo príncipe, eu te amo, anjo...”.
“Sempre tive medo de te perder, eu não estou preparada para te deixar ir, eu aceito, eu escolhi você!”

- Eu te amo... Durma bem. – Acrescentei... E esse foi o último bilhete que escrevi para ele antes de tudo acontecer.

FIM...

Por enquanto... Aguarde por “Before you leave me”; A segunda parte de Moments.


Fique por dentro do que acontecerá na continuação de moments:

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Agradecimentos: Primeiramente para quem quiser entrar em contato, encontrem-nos no twitter @findmeSykes / @letiranossaura e @Ifoundzayn / @Tammy_Silva. Obrigada a todas as leitoras e leitores que acompanharam desde o começo, obrigada aquelas que chegaram na metade, aqueles que chegaram no final e aos que ainda estão por vir. Obrigada por aguentarem a demora de atualizações e por sempre estarem nos apoiando. Sem vocês essa fanfic talvez nem estivesse terminada, obrigada a cada um de vocês, especialmente a Marina Martins (addictedmalik) que nos apoiou a começar a escrever, ao William Alves (thatjustmyheart), que foi o primeiro menino que acompanhou Moments e que nos apoiou muito. A todas as meninas do grupo ‘estou lendo’ no facebook, a todas as pessoas e seguidores do nosso tumblr e twitter. Todas as pessoas que viraram nossas amigas e que sonharam com a gente, todos aqueles que nos elogiaram e nos criticaram, e todos que estão nos dando força para quem sabe, criarmos um livro. Os agradecimentos deveriam ser melhores, mas ainda não é o final, esperamos que continuem acompanhando Before you leave me e que gostem. – Tammy e Lee <3 Se encontrarem algum erro me avisem, por favor. <3

Me mandem seus comentários, vou ficar muuuuito feliz em saber o que acharam. <3 As asks serão respondidas pelo ask.fm